Um novo Romeu, uma nova Julieta
4 Tentando saber mais sobre ele
Julieta
Assim que cheguei ao pátio da escola, olhei para todos os lados procurando a Manuela, finalmente, achei-a saindo do banheiro:
– MANU!-grito.
– Julieta! Diz! Fala logo, mulher! O quê aconteceu?
– Ele me chamou para ir ao cinema!
– Ah! Que emoção! Agora, vamos na 1001 coisas comer uma pizza? Eu estou morrendo de fome!
A 1001 coisas é uma lanchonete muito famosa aqui no bairro.
– Não vai dar, Manu. Minha mãe fez lasanha a bolonhesa... Por que você não vem almoçar com a gente?
– Ok. Só vou ligar para a minha mãe.
Saímos da escola, a mãe de Manuela deixou-a ir almoçar na minha casa. Na rua, quem encontramos andando de skate e boné? Sim, ele mesmo. O Romeu.
– Oi, Romeu.-saudou Manu. Por que ela fez isso?
– Oi. Manuela, né?
– Sim.
– Oi, Julieta.
– Oi.- tento cumprimentá-lo.
– Romeu! Cadê a minha bola?-gritou um menino que aparentava ter uns 13 anos.
– Caramba, Isaac! Eu disse que caiu no quintal da casa daquela senhora!
– Quem é ele?-minha curiosidade perguntou.
– Meu irmão mais novo. Vem aqui, moleque! Essas são Manuela e Julieta, minhas colegas de classe.
– Oi.
– Eu sou Isaac. Prazer.
– O prazer é todo meu, Isaac.-diz Manu.
– Muito prazer, Julieta.
– Obrigada. Agora, temos que ir.-digo.
– Ok. Nos vemos amanhã! Tchau!-se despede Romeu.
Quando saímos de perto deles, Manuela logo diz:
– Ele é tudo de bom, né?
– Manuela! Olha o respeito!
– Por quê? Você conheceu o menino agora!
– Você está falando do Isaac?
– De quem mais seria?
– Eu pensei que você estava do Romeu, anta!
Chegamos na minha casa, almoçamos, assistimos A Última Música, choramos muito, depois assistimos Malhação e Manu foi embora.
– Ju, amanhã podemos ver “Romeu e Julieta”?
– Por quê?
– Ah, sei lá, de tanto a professora de Literatura falar sobre Shakespeare, eu me interessei.
– Para de mentir, Manuela! Eu sei que você quer ver esse filme, só por causa de mim e do Romeu.
– Ah, Julieta, confessa! Confessa que você o acha bonito!
– Ok! Eu acho! E daí? É proibido achar um menino bonito?
– Não, mas... Mesmo assim, podemos?
– Tá bom! E traz o livro também!
– Tá! Tchau! Á noite, sonhe com o Romeu... Ops! Com os anjos.
– Só eu para te aturar, Manuela!
– Eu sei que você me ama! Tchau!
– Tchau!
Ela foi embora e fui procurar no facebook: “Romeu Mendonça”. Achei e as fotos que havia lá, era dele, ele com o irmão, ele e os pais, tudo em São Paulo.
– Meu Deus! Que ser humano encantador! Será que estou começando a me apaixonar?
Alguém bate a porta do meu quarto, enquanto estou na minha cama, com meu notebook no colo.
– Entra!
– Minha filha? Apaixonada?-disse meu pai, segurando na mão um copo de suco.
– Não, pai! Eu? Apaixonada? Sai para lá!- tentei disfarçar.
–Trouxe um suco de caju.
– Obrigada.
– O quê você está fazendo?
– Estudando.
Só se for as fotos do Romeu...
– Hum... Matemática?
– Isso. Está um pouco difícil mas... Dá para agüentar.
– Ok. Tchau.
– Tchau.
Ele sai e fico lá olhando por mais alguns minutos as fotos dele, depois desligo o notebook, deito na cama e sussurro:
– Ah, Romeu... O quê será que você acha de mim? O quê será que você está fazendo e pensando agora? Calma aí... Ele mora aqui no Condomínio! Mas, ele não sabe que eu moro aqui... Meu Deus!
Saio da cama, vou para a sala onde minha mãe assiste a um filme:
– Mãe! Vou ali à portaria do condomínio, falar com o Cléber!
Cléber era um dos porteiros e amigo meu.
– Ok. Mas, não demora!
Saio em disparada, chego à portaria, ofegante.
– Oi, Cléber!
– Oi, Julieta! O quê aconteceu?
– Cléber... Vê se tem um morador novo chamado Romeu...
– Calma aí. -diz ele, se sentando em frente a um computador.
– Tem sim, Julieta.
– Onde ele mora?
– Na rua J, número 14.
– Ok. Muito obrigada, Cléber! Você me ajudou muito!
– De nada.
Eu estava na rua A, eu moro na rua B.
– Caramba! Rua J! Ah, já são sete horas da noite! Eu vou deixar isso para amanhã!-digo isso para mim mesma, no portão da minha casa.
Quando entro em casa, minha mãe me encara, surpresa.
– Ué, já chegou?
– Sim... Vou estudar no quarto.
Agora, eu vou realmente estudar.
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