Um novo Norte e Sul
2 Capítulo 2
Dez horas em ponto, Margaret se dirigiu ao local para a reunião com Mr. Bell. Estava ansiosa e suas mãos tremiam, afinal não era todo dia que tinha que está cara a cara com o dono da empresa.
–Olá Margaret! Seja Bem-Vinda!E lá estava ele, Mr. Bell, com o seu bonito terno e seus cabelos grisalhos. Tinha um grande sorriso no rosto e então ela poderia começar a supor que ele estivesse com boas notícias para dar.– Oi Mr. Bell! Que Prazer.Os dois apertaram as mãos e sentaram-se. Margaret sorriu enquanto olhava para as mãos. Ela repudiava esse gesto quando chegou a Londres, mas agora ela praticava tanto que nem percebia mais.– Eu soube que você tem se destacado bastante na minha empresa.– Eu faço o que posso...– Não seja modesta, eu acompanho o desenvolvimento dos meus funcionários todos os dias. Eu sei que você tem feito um excelente trabalho!– Obrigada.– Quero propor algo importante para você. Vai mudar a sua vida, talvez.– Pode falar, estou preparada.– Eu sei que está. Quero que você seja a minha vice-presidente.Margaret quase se engasgou com a água que bebia.– Vice-presidente?– Sim. Você é muito capacitada! Não vejo pessoa melhor para ocupar este cargo.–Oh Deus! Sinto-me lisonjeada!– Mas antes, quero que faça uma coisa para mim.– Sim?– Quero o seu talento de persuasão ativo para os próximos meses. Proponho que vá até Milton e conheça um industrial novo, porém muito talentoso e em ascensão. Quero a parceria dele com a minha empresa. Eu pensei que você seria a pessoa especial para esse trabalho.– Eu posso tentar... Quanto tempo acha que levaria?– Uns seis meses mais ou menos. Quero que você o conheça, avalie o trabalho dele. Não se preocupe com os gastos. Você terá uma casa e um carro disponível para você por minha conta. Só quero que faça o seu trabalho.– Isso seria ótimo! Quando começo?– Ainda este mês.Margaret escondeu a sua decepção. Ela queria ser promovida, mas queria ir com urgência a Helstone.– Eu sei que você tiraria férias agora, mas Mr. Thornton é muito querido e disputado e o quero como parceiro.– Mr. Thornton. – Margaret falou com desdém.– Tire uma folga quando quiser. Divirta-se por alguns dias e quando for a hora nos reencontraremos.– Ok... Obrigada Mr. Bell.–Você merece.Margaret saiu da sala desapontada. Ela teria apenas duas semanas para ver os pais e ir para Milton. Mr. Thornton! Já tinha raiva desse homem só pelo fato dele tirar os seus dias em Helstone.Ela continuou seguindo para o seu escritório para pensar em tudo que foi lhe proposto....– E por que essa cara Margaret?Foi o que Bessy perguntou depois de ouvir a história de Margaret.– Não vai para Helstone do mesmo jeito? – continuou– É, mas só por alguns dias. Logo agora que eu precisava de mais tempo lá.–Espera! Há alguma coisa que eu não sei?Margaret olhou para o lado com receio. Tinha que contar, Bessy é a sua melhor amiga e além do mais ela precisava desabafar.– Meu pai me ligou esses dias... – Margaret falou enquanto respirava fundo. – Ele me contou que mamãe piorou de saúde. Parece que os remédios não estão mais fazendo efeito... Eu preciso ficar ao lado dela e é por isso que eu queria tanto ir a Helstone.– Meu Deus! Eu sinto muito Margaret. Não há outro jeito dela se recuperar?– Eu não sei. – ela falou tentando segurar as lágrimas. – Queria passar mais tempo com ela e tentar conhecer melhor a doença dela, dar o apoio que ela precisa. Quem sabe ela não melhora? Se ao menos o... Margaret parou ao perceber que iria falar demais. Não podia revelar o segredo de sua família.– Se ao menos o que?– Se ao menos Mr. Bell me desse mais alguns dias. Já sinto raiva de Mr. Thornton só por ele ter que me obrigar a ir a Milton.Bessy soltou uma gargalhada típica. Parecia ter esquecido a frase incompleta de Margaret para o seu alívio.– Não culpe Mr. Thonrton! E por falar nisso, como anda as coisas com Henry.– Andam na mesma... – falou dando uma careta.– Sabe, eu acho que você deve dá uma chance a Henry. Ele gosta de você e além do mais, você precisa de uma noite quente. – Bessy piscou o olho.– Não fale besteiras! – Não é besteira! Sabe que não é. Precisa de diversão.E foi com esse pensamento que Margaret resolveu ligar para Henry no dia seguinte para marcar um encontro.Henry Lennox havia sido um dos casos de Margaret mais insistentes. Eles se conheceram na época da faculdade e ainda permaneciam enrolados até hoje.Margaret sabia que ele gostava dela e por isso dera a nonagésima chance a ele.– Henry? Sou eu. Gostaria de saber se está disponível hoje à noite.Mais tarde, como combinado, os dois se encontraram em um restaurante caro, bem o tipo de Henry e conversaram sobre diversos assuntos. Ele parecia gostar de sua presença.Depois de leva-la para dançar, ele a deixou em casa e ela permitiu a entrada dele. As coisas estavam esquentando quando ela percebeu que estava traindo a si mesma e a Henry! Ela não poderia fazer isso. Nunca o faria feliz!
– Henry, nós não podemos continuar. – Por quê?– Por que eu não te amo. Desculpe, mas essa é verdade.– Nos dê uma chance Margaret quem sabe...– Não. Eu já lhe dei muitas, mas agora eu percebi que não dá. Eu amei a noite, mas agora eu peço que vá embora.– Eu vou, mas um dia você vai me pedir para voltar.Ele recolheu as suas roupas, vestiu-se e se foi. Margaret voltou a deitar na cama com um espírito de alívio.
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