Um mundo - INTERATIVA
16 Contra a ética ou a favor do coração
Notas iniciais
Cinco anos e dez meses atrás:
–Mamãe?- gritou a garota ao entrar em casa, sentia a boca seca, os olhos ardendo e o coração batendo mais forte, aquele silencio não era familiar, sempre que chegava da escola, normalmente com um hematoma ou dois, a mãe estava na cozinha cantarolando baixinho e o pai roncando sonoramente.
–Não- ela ouviu a voz na mãe gritando aflita,a garota correu pela casa até o quarto dos pais onde vinham os gritos, sua mãe estava ajoelha no chão com uma poça de sangue ao seu redor, ela grita de agonia e dor segurando a barriga.
–O que você fez?- perguntou para o pai que estava de pé olhando para a cena sem esboçar qualquer reação.
–O que está fazendo aqui depois de nós roubar?- ele avançou para a filha, parou no meio do caminho e pegou o chicote que estava pendurando na parede.
–Eu não roubei nada- gritou a garota em defesa, ela via a mãe se contorcendo de dor no chão e queria ajudar, sentia o peito em chamas, ela estava sofrendo, e por causa dele. Antes que pudesse fazer qualquer coisa o pai a agarrou pelo braço e a puxou para fora do quarto. Por mais que tentasse a garota não conseguia se soltar das largas mãos do pai. Quando chegaram a sala o pai a atacou no chão, e chicoteou seu rosto.
–Isso é para você aprender a não nós roubar- ele levantou o chicote novamente, o ar parecia cheio de tenção, e o barulho emitido pelo objeto o único som. Quando o chicote desceu na coxa de Krystal ela gritou. O pai levantou novamente o chicote, e mais outra vez, quando a perna de Krystal já estava toda marcada o pai se agachou com uma perna de cada lado do corpo da garota e olhou bem fundo dos olhos dela.- Isso é pelo jeito que olha para sua mãe.
Ele desceu a mão no rosto da garota com tanta força que Krystal teve certeza que seu nariz estava quebrado, sangue escorreu pelo seu rosto e o cheiro de bebida do hálito impregnou sua pele.O homem levantou mais uma vez a mão, a garota tentou proteger o rosto, mas ele segurou as duas mãos da garota a impedindo, a garota fechou os olhos quando o pai desceu a mão novamente. Krystal já estava se preparando para a dor mais uma vez quando ouviu o grito do pai, abriu os olhos e viu Penélope, sua prima adotiva, segurando a mão do pai dela.
– Krystal, sai daqui- gritou à loira, Krystal saiu de baixo do pai e correu para o quarto da mãe, ela tinha que saber como ela estava, encontro a mãe chorando no chão.
–Mãe?- disse a garota sentindo o sangue que escoria do nariz entrar na boca.
–Filha, você ainda está viva- a mãe disse estendendo os braços para a filha, a garota se jogou em seus braços sem pestanejar.- Ele disse que iria te matar, ele disse que eu nunca mais veria você- disse a mulher ao prantos.
–Está tudo bem comigo, mas o que é esse sangue todo?
–Eu estava grávida novamente, — disse a mãe da garota voltando a chorar- mas ele me bateu tanto que perdi.... perdi..- a mulher soluçou deixando a frase flutuando no ar, mas as duas sabiam o complemento para ela, lá fora as duas podiam ouvir o pai e a prima adotiva de Krystal gritando e brigando.
–Mãe temos que sair daqui, ligar para o policia- disse a garota tentando se levantar, mas a mulher a puxou e disse:
–Não, o que a policia faria? Está no direito de Jorge como meu marido me bater, mas ele não pode te bater.
–Como assim mãe? Ele não tão tem direito de te bater, ele não pode te bater, temo que fazer alguma coisa.
– Krystal eu tenho um amigo- disse a mulher sem se importar com o que a filha dizia, faziam anos que seu marido a batia, ela já tenta procurar a policia, mas eles não tinham ajudado nada, a única coisa que ela pode fazer foi aguentar calada.- Ele é bom, ele vai te ajudar, vá até a travessa da Joan Heliote com a Roberto Krum, bata três vezes na porta do numero 45, depois diga que eu te mandei lá. Diga que eu não posso mais fazer nada, mas estou passando o cargo para você.
–Mãe- gritou a garota tentando chamar a atenção da mãe.- Eu não vou te deixar.
–Vai sim- ela disse firme. As duas ouviam passos e a porta se abriu, por sorte era Penélope.- Você tem que ir Krystal, leve sua prima.
–Não- gritou Krystal, ela sabia que estava agindo como uma garota mimada, mas não podia deixar sua mãe.
–Penélope- disse a mulher mais velha se virando para a sobrinha adotiva- leve a minha filha para o Colin, ela precisa ir lá. Diga que eu enviei vocês, que vocês vão fazer o meu trabalho agora, que eu já não posso fazer. Prometa-me que vai manter Krystal a salvo.
–Eu prometo- disse a loira alta, ela então agarrou o braço da prima a puxando para fora do quarto.
–Não- gritava Krystal, enquanto memorizava o rosto da mãe, os olhos era verdes, mas levemente puxados como o da garota, o cabelo era preto, e o corpo pequeno. A garota tentou guardar dentro de si o jeito que a mãe franzia a testa, e como ela sorri, tentou guardar todas essas memórias dentro de si para nunca esquecer.- Eu te amo- gritou a garota quando a prima a tirou de dentro de casa. Ela amava tanto a mãe, ela sentia uma coia forte, tão forte que parecia errado,. E naquele momento sentia uma dor como se o coração estivesse se estilhaçando, quando a prima a colocou dentro do pequeno carro, Krystal grudou o rosto no vidro olhando para a casa que vivera todos os seus quinze anos.
Tantas memórias passaram em sua cabeça, o seu primeiro brinquedo de madeira que a mãe tinha feito, o primeiro bolo que as duas fizeram juntas, toas as coisas que elas fizeram juntas, que tinham sido as primeiras experiência de Krystal, até mesmo o primeiro beijo, que fizera sua mãe rira e explicará o que significava um beijo.
–Mas mãe, você disse que beijamos as pessoas que amamos, eu amo você então te beijo.
–Não filha- a mulher riu e abraçou a filha.- Nós beijamos aquelas pessoas que amamos, mas amar uma pessoa a ponto de beija-la na boca é diferente de amar um familiar.
Lembrara que a mãe tentara lhe explicar o que era amor entre amantes, mas ela não achava diferença entre o de família.
Seu pai tinha razão, ela olhava a mãe de uma forma diferente e errada, por que a amava, ela não conseguia evitar, as vezes se perdia nós olhos dela do mesmo modo que suas colegas diziam que se perdiam nós olhos dos garotos que gostavam. As vezes pensava que sem a mãe não existia razão nenhuma para viver, e era assim naquele momento.
......
Hoje em dia:
O vento batia nas costas de Valentine e Michael, os dois esperavam o dono da voz misteriosa aparecer, mal eles sabiam que o dono da voz já os observava. Seus cabelos eram castanho claro, seus olhos azuis e seu sorriso só poderia descrito como misterioso. A roupa preta parecia apenas intensificar o branco de sua pele, seus passo eram tão silenciosos que os dois jovens só perceberam que ele estava ali quando ele pigarreou, o Michael se virou assustado enquanto a garota se virou e analisou o homem que estava a sua frente.
–Então aceitaram a minha oferta de ajuda- disse o homem/garoto, Valentine estimava que estivesse na casa dos vinte e não tivesse mais que trinta, mas ele também podia ser mais jovem.
–Nem sabemos se você é de confiança- Michael disse, sem rosto não mostra nenhum excreção e sua voz parecia uma mistura de desconfiança e sarcasmo.
–Se eu quisesse algum mal a vocês eu já teria matado vocês dois, e vocês só perceberiam quando a bala tivesse perfurado o coração de ambos.
–Ok- disse Valentine se sentindo vencido, aquele era um argumento que nem mesmo Rebecca ou Anastácia (as duas rainhas da discussão) poderiam vencer. — Vamos ter que confiar em você de qualquer forma.
–É- disse o estranho dando de ombros.
–Pelo menos podemos saber seu nome?
–Cada coisa em sua hora, meu amigo- disse o estranho dando uma tapinha no ombro de Michael.
Valentine e o amigo se olhara sentindo que nada podiam fazer além de confiar no estranho a sua frente e torcer para que isso não fosse uma armadilha.
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