Um menino no espaço - 2ª parte
22 Quem é mais esperto, o menino ou o robô?
Notas iniciais
Estava então cursando a sétima série. Na Terra, era então, dezesseis de Julho de mil novecentos e oitenta e oito. Eu já completara dezessete anos; embora meu rosto e meu corpo fossem de uma criança de nove. Os pelos, que deveriam ter surgido em minha puberdade, lá pelos treze anos de idade, jamais apareceram. Em Suster, era o dia de meus vinte e sete anos de vida. A cirurgia cerebral, também jamais fôra feita e a saudade da Terra, permanecia viva em meu ser.
Estava sentado ao lado da mesa do refeitório, assistindo sem interesse a programação de televisão, com o pensamento vago.
— O que foi Regis? — Questionou-me Leandra, que chegara sem que eu percebesse. — Está perdido no espaço?
— Você gosta de mim? — Perguntei-lhe com a voz mais triste do universo.
— Eu te amo!
— Podemos ser eternos enamorados?
— Não! — Me abraçou. — Sou muito velha pra você!
— Me ama como uma mãe?
— Pra quem já tem milhões de mães, uma a mais não é nada mal! Por que você está triste?
— Me ajude a ir embora!
Voltou a me abraçar, ainda mais forte.
— Quem me dera, meu menino! Se eu pudesse, já teria te devolvido a seu mundo há muito tempo!
— Por que o senhor Frene não me deixa ir embora?
— Ele te ama! Você tem um acordo com ele!
— Isso não é amor! Acho que ele mesmo jogou meu irmão debaixo do carro, só pra me chantagear.
— Claro que ele não fez isso, Regis! Só aproveitou da situação para convencê-lo a ficar conosco.
— Não compreendo que tipo de amor ele sente por mim!
— Obsessão!
— O quê? — Não compreendi mesmo.
— Ele quer estar com você! Faz de tudo pra que você esteja feliz! Mas aqui! Não abre mão disso! Entre você ser feliz na Terra ou infeliz aqui, ele fica com a segunda opção.
— Por quê?
— Ele é obcecado pela ideia de manter uma criança em nosso mundo! Não qualquer criança!
— O que ele vê em mim?
— Um filho! O que ele nunca pode ter!
— Um pai, dá a vida pela felicidade do filho! Ele não dá nem minha liberdade!
Ela pensou, mas talvez não tinha o que falar.
— Me ajude a ir pra minha casa! Você consegue!
— Infelizmente eu não consigo! — Alegou ela, tão triste quanto eu.
Pensou um pouco e continuou:
— Mas tem alguém que consegue! Luecy!
— Ele não me ajuda! — Desanimei. — Você sabe disso!
— Se você pedir, ele não te ajuda! Mas você é um garoto esperto! Entre na dele! Faça chantagens!
©©©
A temperatura estava por volta de seus quarenta graus. Às seis horas e quinze minutos, eu, apenas de cueca, acompanhado por Luecy, segui ao banheiro e acabei de me despir, entrando então no chuveiro, onde fui tomar banho, sem fazer uso daqueles braços mecânicos esquisitos e tudo o mais, de sua sofisticação susteriana.
— Garoto Regis, você está uma gracinha! — Alegou Luecy.
— E você está um burrinho! — Reclamei.
— Burrinho quem me chama!
— Você está cansado de me ver no banho e não enjoa dessas baboseiras sem graça!
— Seu corpo depenado é uma graça!
— Me deixe em paz, seu robô hipócrita!
— Hipócrita quem me chama!
— Você quer ser engraçadinho, mas não passa de um analfabeto. Tem uma memória cheia de palavras gravadas, mas que são limitadas a isso! Nada mais!
— Não sou eu quem passa horas diante de um computador, tentando deixar de ser burro!
— Sou muito inteligente! Se você quer saber! O que quero apenas é aprender cada vez mais.
— Demora demais pra aprender quase nada!
— Não sou como você não, que parou no tempo! Quando irão atualizar seu epronzinho fraco? Seu robô bobo!
— Meu sistema avançado, aprende um milhão de detalhes novos, enquanto seus neurônios, não decifram dois mais dois!
— Duvido e quero mais!
— Vamos apostar!
— O que você quiser! — Acho que estava chegando onde queria.
— Você me faz qualquer pergunta e eu lhe respondo rápido. Eu lhe faço perguntas fáceis e você não sabe o que é!
— Topo desafiar seu insignificante cérebro de metal.
— Se não souber responder, terá que nadar pelado!
Grudou em meus braços, me arrastando para o quarto.
— Espere aí seu enferrujado! Espere eu me enxugar! Está molhando o quarto!
— Não há tempo a perder!
Soltou-me no quarto. Abri o armário, apanhei uma toalha, me enxugando. Vesti uma cueca e um roupão azul e branco. Sentei-me na cama e ele me disse:
— Faça sua primeira pergunta!
— Deixe-me pensar.
Pensei um pouco e como nada surgia, lhe disse:
— Não está fácil!
— Então eu faço à primeira! Como sempre, a pergun-ta é: qual é sua idade real?
— Muito simples: Dia oito de Março, na Terra, fiz dezessete anos. Hoje, faço vinte e sete anos aqui! Aliás, já fiz! Há uma hora e quarenta e sete minutos.
— Negativo! Quero sua idade susteriana real!
— Ah Luecy! Deixe de ser bobo! Eu respondi corretamente!
— A resposta correta seria: vinte e sete anos, quatro horas, quarenta e sete minutos e quarenta segundos.
— Engraçadinho! Se você fosse mesmo inteligente, saberia controlar a nave que o senhor Rud me buscou na Terra.
— Posso controlar qualquer coisa!
— Ah, duvido-dô!
— Vou lhe provar!
Encheu uma maleta de roupas minhas, grudou em minhas mãos e me arrastou pelo corredor até a cozinha, onde encheu uma sacola com alimentos e continuou me arrastando, novamente pelo corredor, pelo jardim, pelo pátio, pelo campo de pouso das espaçonaves. Entrou comigo em outra, diferente da que o senhor Rud me trouxera da Terra, sentou-se na poltrona principal.
— Duvido Luecy! O controle computadorizado dessa coisa está com o senhor Frene.
— Sente-se! — Ordenou-me ele.
Sentei-me a seu lado. Ele injetou um de seus dedos em um jack à esquerda e acionou a tecla ligar. Imediatamente, para meu espanto, um forte zunido começou a exalar daquele motor.
— Como pode? — Perguntei surpreso. — O microprocessador desta geringonça, está com o senhor Frene?
— Meu cérebro eletrônico substitui o controle!
— Duvido que você consiga levar esta coisa até a Terra!
— Você verá!
Enquanto Luecy fazia aquele enorme disco voador levantar vôo, muita gente se aproximou correndo, para tentar nos impedir. Pelo rádio, o senhor Frene ordenou:
— Regis, ponha esta nave no chão, imediatamente.
— Não é Regis quem está no comando! — Informou o robô.
— Robô idiota! Faça esta nave pousar! — Ordenou bravo o senhor Frene.
— Não fui programado para atender suas ordens!
— Então Regis: mande este robô idiota descer!
— Não recebo ordens de pivete! — Negou Luecy.
— Pivete quem me chama! — Gritei bravo.
— Só desligarei este troço na Terra! — Afirmou o robô.
Eu estava achando muito bom. Pelo menos, estava voltando pra casa.
— Por favor, Regis! — Pediu o senhor Frene. — Vocês se perderão igual da outra vez.
— Não comigo no comando! — Alegou o robô.
— Deixe-nos ir, senhor Frene. Por favor!
— Garoto, lá não é mais seu lugar! Seus amiguinhos de infância estão todos adultos. Seus irmãos, inclusive o Paulinho, estão mais velhos do que você. Seus pais…
— Não me importo! — Neguei. — Eu arranjo novos amiguinhos!
— O Erick está adulto; tem namorada! A Beth também!
— Não me importo! Quero voltar pra casa!
— Temos um acordo. Lembra?
— Se o senhor me ama mesmo, vai me perdoar.
— Não! Eu não vou perdoar você!
— Então o senhor não me ama e eu vou embora de qualquer jeito!
— Um robô Susteriano, não vai trair seu planeta! — Negou Luecy.
— Como assim? — Perguntei-lhe.
— Iremos até a Terra! Porém, retornaremos a nosso mundo!
— Você retornará! Não eu!
— Ambos voltaremos!
— Você verá!
— Regis, ouça: — Insistiu o senhor Frene. — Você não sabe o quanto dói um coração de saudade!
— Sei sim, senhor Frene! Sei muito! O meu dói assim há muitos anos!
A espaçonave cortava o espaço do universo, a uma velocidade incalculável, alem da velocidade da luz; tal que: enquanto a luz do Sol demora oito minutos e treze segundos para chegar até a Terra, esta mesma distância de cento e quarenta e nove milhões de quilômetros, nossa nave percorre em menos de dois segundos.
O senhor Frene, insistiu durante muito tempo, para que a gente retornasse; até que Luecy resolveu muito fácil a questão: desligando o rádio e o monitor.
Com meu corpo, girei a poltrona da cabine da nave, onde me encontrava e apontei os dois indicadores para o robô, que permanecia estático, de pé à frente dos comandos.
— Touchê! — Insinuei, com ar de vencedor. — Esta batalha está no papo!
— Esta vitória não será sua! Será minha!
— Da Terra não volto, nem que tiver que derrubar esta nave!
— Esta nave é à prova de sabotagem!
— Touchê!... — Conclui em voz baixa, com certo desânimo.
Mais algumas horas, quase sem assunto, cortando o espaço, às vezes sentia sono e até mesmo, cochilava, sentado ao lado do robô, que, por ser máquina, não se cansava, não se estressava, não tinha medo, nem ansiedade... Só controlava tais comandos, que na verdade, seguia por uma rota automática, baseada em um tal mapa estelar.
Tentando achar assunto e diminuir o estresse, pedi:
— Luecy, faça perguntas pra mim!… Fáceis!
— Muito bem! Quando chegaremos à Terra?
— Não sei! — Neguei surpreso. — Essa não é fácil!
— Você que é analfabeto! Estaremos lá, às dezenove horas e sete minutos, do dia vinte e quatro de Setembro.
— Essa eu quero ver! Quando chegarmos vou verificar a data!
— Sua vez: Quantos pulmões você tem?
— Dois!
— Quantos corações?
— Um!
— Quantos dedos?
— Você está fazendo gozação comigo!
— Você só sabe coisas fáceis!
— Não tão fáceis!
— Muito bem: Quantos ossos você tem no corpo?
— Ninguém sabe isso!
— Você não! Duzentos e catorze ossos!
— Você contou?
— Você nasceu com trezentos ossos! Depois foi diminuindo até chegar aos duzentos e catorze. Um adulto tem duzentos e seis!
— Como pode? — Duvidei. — Que eu me lembre, não perdi nenhum!
— Conforme a criança cresce, alguns ossos se fundem, virando apenas um.
— Chega! — Desanimei.
— Outra fácil! Quantos dentes têm um ser humano adulto normal?
— Sei lá! Nunca contei!
— Trinta e dois! Você estudou isso!
— Chega de perguntas bobas.
— Uma interessante e fácil: qual é a velocidade desta nave?
— Sei que você sabe! Não eu!
— Cento e trinta e quatro milhões, trezentos e oitenta e seis mil, trezentos e sessenta e três quilômetros por segundo.
— Como se pode correr tão rápido, em frações de segundo? Ninguém acredita nisso, Luecy!
— A lei da gravidade ajuda muito! Você sabe o que é isso?
— Quando estive na NASA americana, eu brinquei em um balão de testes de astronautas, onde eu flutuava no ar, como se fosse uma mecha de algodão.
Luecy era programado para saber tudo, principal-mente em relação ao Universo e eu, um simples mortal, não podia mesmo desafiá-lo. É lógico que os ossos e os dentes do corpo humano eu deveria saber; afinal, havia estudado sobre isto, em Ciências, na quarta série.
— Garoto Regis: essa você tem que saber. Qual é a temperatura no centro de seu Sol?
— Isso eu nunca estudei, Luecy!
— Vinte milhões de graus Kelvin.
— O que é essa linguagem?
— Novecentos mil graus centígrados!
— Você fica se exibindo, só porque é uma máquina de aço.
— Muito bem construído!
— Já ouvi isso antes!
— E ouvirá novamente!
— Vou lhe fazer uma pergunta muito difícil!
— Nada é difícil para um robô Susteriano!
— Quais seriam as datas de meus aniversários Susterianos, estando eu na Terra?
— Zero ano, em oito de Março de 1971; um ano em 29 de Outubro de 1971; dois anos em 20 de Junho de 1972; três anos em 10 de Fevereiro de 1973; quatro anos em 2 de Outubro de 1973; 5 anos em 25 de Maio de 1974; seis anos em 15 de janeiro de 1975; sete anos em 5 de Setembro de 1975; oito anos em 28 de Abril de 1976; nove anos em 19 de Dezembro de 1976; dez anos em 10 de Agosto de 1977; onze anos em 1 de Abril de 1978; doze anos em 23 de Novembro de 1978; treze anos em 14 de Julho de 1979…
— Chega Luecy!
—… Catorze anos em 6 de Março de 1980; quinze anos em 27 de Outubro de 1980; dezesseis anos em 18 de Junho de 1981; dezessete anos em 8 de Fevereiro de 1982; dezoito anos em 1 de Outubro de 1982; dezenove anos em 22 de Maio de 1983; vinte anos em 12 de Janeiro de 1984…
— Basta Luecy! Não precisa dizer mais!
—… vinte e um anos em 4 de Setembro de 1984; vinte e dois anos em 26 de Abril de 1985; vinte e três anos em 17 de Dezembro de 1985…
Saí da cabine, indo dar uma pequena volta, na esperança de que o robô, não estando comigo, parasse de falar. Segui até a pequena cozinha, tomei um suco rápido, fui até o final da nave e em poucos minutos estava de volta à cabine, onde Luecy continuava tagarelando:
—… sessenta e cinco anos em 11 de Dezembro de 2012; sessenta e seis anos em 3 de Agosto de 2013; sessenta e sete anos em 25 de Março de 2014; sessenta e oito anos em 15 de Novembro de 2014…
— Sabe de uma coisa! Vou descansar!
— Vai nada! Ficará comigo!
Pelo menos, parece que consegui interrompê-lo.
— Até parece que eu ficarei aqui sem dormir até chegarmos a Terra! Tchau mesmo!
— Garoto Regis!
Olhei para ele, que prosseguiu:
— Voltando a Suster, terás que nadar pelado!
— Jamais voltarei a Suster!
— Você está perdendo a aposta e terá que pagar!
Segui para o quarto, onde deitei para dormir.
Não importava a inteligência do robô, nem sua gozação para comigo; o importante era que ele estava me levando de volta à Terra, de onde eu saíra a quase sete anos passados.
©©©
O tempo passava devagar e eu me alimentava pouco, pois sem haver planejado a fuga, o refrigerador da nave estava quase vazio. Uma alimentação em exagero faria com que eu morresse de fome nos próximos dias. Sorte que Luecy, sendo uma máquina, não precisava se alimentar e mesmo eu, estando ali, bastava uma pequena refeição, uma vez a cada cinco ou seis dias.
O senhor Frene não nos esqueceu e era só ligarmos o rádio, para que ele voltasse a insistir em nossa volta, o que, nem eu e nem mesmo Luecy, pretendia.
— Regis, volte pra cá! Aqui é seu mundo agora!
— O senhor sabe que não voltarei, senhor Frene! Mesmo com tanta insistência.
— Estou arrependido por não ter feito a cirurgia em você, garoto!
— Agora é muito tarde e o senhor jamais a fará!
— Você está roubando nossa nave!
— Não estou! Luecy a levará de volta.
— Escolhemos o menino errado, para nosso mundo!
— Escolheu mesmo! O senhor deveria ter escolhido o Erick!
— Regis, na Terra você envelhecerá… Morrerá…
— Como todos! Mas irei ficar adulto… Me casar… Ter filhos…
— Não! A radiação em seu organismo levará mais de dois anos pra se extinguir. Só então você começará a envelhecer. Seus testículos, jamais criarão os espermato-zóides da fecundação; o que seria essencial pra você se tornar pai um dia.
— Isso é mentira do senhor!
— Infelizmente não! Pergunte ao Luecy!
Olhei para o robô e ele confirmou:
— Seu organismo modificado pela radioatividade, jamais fará de você um papai!
Eu era apenas um garotinho e nem deveria me preocupar com isto. Mas parecia que um filho, era alguma coisa muito importante e como eu não poderia tê-lo jamais, comecei a chorar como uma criança perdida e exigir:
— Quero ser uma pessoa normal! Vou querer ter um filho quando for grande. Se não vou odiar a vocês todos.
— Reconheço que foi um grande mal, tentar conquistar você. Eu deveria saber que você jamais concordaria em viver conosco. Acho que a necessidade em querer ter um amor infantil em meu mundo, não me deixou enxergar assim! Deixarei você voltar pra Terra e vou tentar recompensá-lo desta perda. Junto com nossos médicos, tentarei ajudar a expelir esta radiação.
— Poderei ter filhos? — Insisti ainda chorando.
— Faremos o possível, Regis. Eu prometo! Por enquanto, procure se habituar a seus novos amiguinhos e a seus pais mais velhos do que deveria. Aproveite sua infância garoto, pois a minha já foi a milhares de anos!
— O senhor não ficará mais magoado comigo?
— Não! Admiro muito seu amor para com a Terra e seus entes queridos! Eu continuarei te amando cada vez mais!
— Fale comigo sempre, por telepatia e continue me protegendo. Por favor!
— Claro! Eu posso continuar sempre te chamando de meu filhinho?
— Claro que sim! — Sorri. — Desde que você… Desculpe-me: O senhor aceite ser meu pai número três.
— Três?!...
— O primeiro é Deus! O segundo é meu pai da Terra!
— Prometo jamais tentar sequestrar você novamente! Já lhe causei muitos transtornos. Muito sofrimento!
— Não sofrimentos! Eram apenas saudades! Agora sentirei saudades daí!
— Se um dia você resolver voltar… Só se resolver voltar, mesmo que já estiver velhinho. É só pedir que eu lhe buscarei… E mais uma coisa: salvo a tentativa de livrar você da radiação, jamais vou me intervir em seu livre arbítrio.
— Desligo… Desligo…— Afirmou Luecy desligando o rádio e o monitor.
— Por que você fez isso?
— Chega de papo.
©©©
Exatamente setenta e um dias terráqueos de viagem interplanetária, aparentando não mais do que sete, para mim, a nave pousou em um terreno baldio, bem próximo à minha casa. Luecy abriu a porta e eu me levantei da poltrona; abracei-o e ao sair, parei na porta, olhei no relógio e insinuei:
— Luecy, realmente você é um robô muito inteligente! São exatamente dezenove horas e sete minutos, do dia vinte e quatro, como você disse.
— Sou um robô Susteriano, construído sem falhas!
— Boa viagem de volta, amigão!
— Virei lhe buscar em breve, para vê-lo nadar peladão!
— Breve! Acho que não!
— Duvida?
— Por favor, não!
— Brincadeirinha!
Desci da nave, sobre os olhares curiosos de dezenas de pessoas adultas e crianças, encantadas com aquela estranha visão. Entre elas, conheci Paulinho, com quase treze anos de idade, em perfeito estado de saúde, que correu a me abraçar sorrindo:
— Regis… Você era mais velho do que eu! Lembra?
— Agora sou o caçulinha de casa!
Erick, já com dezessete anos, se aproximou dizendo:
— Você nunca me buscou e eu deveria ser criança como você também!
— O senhor Frene só queria eu!
A porta da nave se fechou e em menos de trinta segundos desapareceu no céu.
Seguido por todos: trajando short marrom e camiseta bege, descalço, acabei de chegar a minha casa. Era Sábado. Papai e mamãe juntos, não acreditando, vieram a meu encontro me abraçar... Como eles estavam diferentes! Como eles haviam envelhecidos, nestes últimos sete anos em que se passara.
— Meu Deus! Meu filho! Eu sabia que você voltaria um dia! Promete que jamais deixará a gente! — Pediu mamãe chorando.
— Nunca mais deixarei vocês, mamãe! — Prometi também chorando. Eu era chorão mesmo. — Promessa de meu papai número três!
Fim
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