Um lugar chamado Sengoku

3 Você não era um herói?


Notas iniciais
- Me entregue isto. – Ele disse. – ou vai terminar igual aquela alí. - QUÊ? Você não era um herói? Não veio aqui só pra me salvar? – Ela questionou, transtornada. Estava na mesma situação outra vez. E o pior, ele parecia muito mais perigoso.

Ele olhou para o corredor, há horas que ninguem passava por ali. Levantou e sentou-se na beirada da cama, pensativo. Que diabos havia acontecido? Ainda não conseguia acreditar que passara os ultimos cincos anos de sua vida naquele hospital. Lembrou-se das roupas na mesinha e decidiu que precisava sair dali.

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– Tava ligando pra quem garota? – A mulher jogou o aparelho longe e segurou Kagome pelo cabelo, soltando-a no chão em seguida. – Acha que pode me enganar ?

– Eu...eu...só atendi por que tocou! Era a minha mãe e...

– Cala a boca! Acho que terei que te vigiar com mais atenção de agora em diante.

– Espera ai até quando você pretende me manter aqui hein? Eu já disse que não sei de nada!

– Isso é o que veremos. – Ela acendeu um cigarro e encostou-se na parede, calmamente. – Vamos ver até quando você aguenta ficar aí.

Estava tudo perdido. O que viria depois? Tortura? A colegial fechava os olhos e tentava distrair a mente, mas sempre que fazia isto era trazida de volta a realidade com um grito ordenando que ela não dormisse. E assim o tempo passava.

Existem muitas coisas em que se pode pensar quando se está em uma situação como aquela. Se não tivesse pegado o trem errado, ou tirado a jóia da mochila sem saber que era algo de valor, ou melhor, se não tivesse pegado a jóia na gaveta da mãe...Mas o fato é que todas aquelas coisas aconteceram por um motivo, a jovem só não havia entendido qual. Ainda.

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Seus reflexos ainda estavam fracos e ele ainda tinha dificuldades para andar. Perambulando pela cidade, Inuyasha avistou um guarda particular que por algum motivo deixara a moto encostada em um muro enquanto tirava um cochilo em um banco de praça. Coitado, provavelmente era seu primeiro dia, só assim para cometer tamanha burrice. O rapaz sorriu.

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Já era quase de manhã, e Kagome seguia firme, embora completamente destruida pela fome e pelo cansaço.

– Agora chega! Já perdi a paciência com você e já fui muito boazinha. Talvez eu acredite que você não tem nada a dizer, só que, infelizmente, não posso deixar que saia viva daqui. – A mulher disse se aproximando novamente da garota, que se encolheu, certa de que aquele seria seu fim.

– Keh! Finalmente achei esse buraco...demorei um pouco para lembrar a direção. – Na porta do galpão, um jovem de calça jeans e jaqueta de couro vermelha portava um revolver, apontado na direção da mulher. – Devia tomar mais cuidado. Já inventaram cadeados sabia?

Em choque, ela deixou a faca cair. Não era possivel! Kagome também não conseguia acreditar naquilo, ele viera salvá-la?

– Mas...mas você estava morto! O que diabos é isto?

– È...eu também achei que estava até hoje de manhã. – Ele riu ironico, entrando no lugar.

– Inuyasha... — Foi tudo o que a jovem conseguiu dizer, ainda surpresa.

– Isto não faz o menor sentido...como vocês dois...? Ele atirou na direção dela, não acertou, mas foi o suficiente para desorientá-la ainda mais e faze-la ir de encontro ao chão. Mas o rapaz não percebeu quando ela sacou seu próprio revolver e quase acertou seu braço. – Você não é mais o mesmo de antes Inuyasha, seus reflexos estão muito lentos. E acho que ficou ainda mais inocente do que de costume...achou mesmo que eu não estava armada?

– INUYASHA!

– Maldição...você me paga! – Eles trocaram alguns tiros até que ele atingiu o ombro direito dela, que desmaiou com o impacto. Neste meio tempo, a colegial finalmente conseguira se desamarrar cortando as cordas com a faca e pegar a jóia que rolara do bolso da mulher na queda.

– Acho que não perdi a prática afinal. – Ele sorriu mais uma vez, chutando para longe a arma que estava na mão dela.

Kagome pegou sua mochila e colocou a pérola dentro, aliviada por finalmente estar livre. Mas sua felicidade só durou o tempo de ser notada pelo rapaz, e ficar na mira dele.

– Me entregue isto. – Ele disse. – ou vai terminar igual aquela alí.

– QUÊ? Você não era um herói? Não veio aqui só pra me salvar? – Ela questionou, transtornada. Estava na mesma situação outra vez. E o pior, ele parecia muito mais perigoso.

– Só mesmo uma garota retardada como você para confiar em alguém como eu. Finalmente conseguirei uma pérola da Shikon no Tama! – Ele disse, rindo.

– Você está preso Inuyasha Taishou! — Um grupo de policiais entrou no galpão apontando para ele. — Renda-se ou iremos atirar atirar.

– Maldição! – Em poucos instantes o rapaz estava no chão, algemado.

– Kagome! — Kaede correu ao encontro da menina, e esta começou a chorar ao abraça-la.

– Pensei que fosse morrer vovó Kaede! – Ela dizia.

– Está tudo bem agora minha querida, eu estou aqui. – A velha senhora se sentia culpada, e o pior era saber que Inuyasha mais uma vez provara que não era de confiança. Sabia que ele não fugiria do hospital para salvar uma desconhecida.

– Hei, o que é isto? – Surpreendeu-se um dos policiais ao ver o rapaz perder a consciência.

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O jovem fora levado de volta ao hospital, de onde ordens médicas só permitiam que saísse quando os resultados de todos os exames constatassem sua plena recuperação, comprometida com a fuga. Mas agora ele seria fortemente vigiado 24 horas por dia. Os oficiais também se ofereceram para levar Kagome em segurança para casa.

– Filha! – Ao chegar, ela foi recebida pela familia, sua mãe foi a primeira a abraçar a confusa colegial. – Meu Deus que pesadelo foi esse? Achei que nunca mais veria você!

– Eu também mamãe! Fiquei com tanto medo! – Ela chorava muito, finalmente estava de volta.

– Bem, nós vamos indo por hora, mas senhorita... – O policial advertiu. – Lamento mas terá que prestar alguns depoimentos. Entraremos em contato.

Kagome assentiu e eles partiram. Tudo o que queria era tomar um banho e descansar, precisava, pelo menos por hora, esquecer tudo aquilo.

– Souta...suba para o seu quarto, precisamos falar com a sua irmã. — A sra. Higurashi pediu, a familia estava reunida na sala após o jantar.

– Mas mãe eu queria ouvir de novo a história da mana, parece um filme que eu vi outro dia! — Protestou o menino.

– Souta! — Relutante, ele obedeceu e saiu da sala de jantar deixando a colegial e os dois adultos sozinhos.

– Você devia ter ligado para a polícia, tem ideia do risco que correu? – Disse o avô.

– Eu não sabia o que fazer, as coisas foram acontecendo uma após a outra...me desculpem.

– Quando você não chegou em casa ontem, como tinha prometido, eu imaginei que algo estava errado, mas nunca imaginei que...

– Mamãe, posso perguntar uma coisa?

– Kagome...

– O que é isto? Por algo tão valioso estava guardado na sua gaveta? Quer dizer...eu sei! Eu não devia ter pegado sem autorização, mas mesmo assim! – A garota falou tirando a pérola do bolso, para a surpresa da mãe e do avô.

– Então foi isso! – A mulher levou as mãos á boca, em choque ao reconhecer o objeto.

– Não devia mexer nas coisas da sua mãe! – O velho resmungou.

– Papai, acho que devemos explicações a ela... – Ela suspirou e continuou. — Isto pertencia a sua mãe biológica. Eu sei que você nunca quis saber nada sobre ela, mas ela pediu para que te entregássemos quando fosse capaz de entender. Mas você encontrou antes.

– Se eu soubesse que era algo tão valioso jamais teria saído de casa com isso, por isto todos estavam atrás dela, deve valer uma fortuna! Então quer dizer que eles eram uma familia rica...?

– Filha...

– Não... Vamos esquecer essa história. Eu nunca me importei com isso não é? Não quero saber quem eram ou porque não me quiseram, vocês são a minha família. – Ela concluiu.

Mais tarde, deitada em sua cama, Kagome tentava não pensar naquela conversa, mas parecia impossível. Algo em seu coração dizia que a Shikon no Tama era muito mais do que um presente deixado por seus pais biológicos, mas ao mesmo tempo, ela se recusava a se envolver e investigar. Tudo o que queria era sua vida normal de volta.

Antes de pegar no sono, um certo jovem de cabelos prateados surgiu em sua mente.

– Eu fui uma boba...como pude confiar nele? Mas,se eu não tivesse feito aquela ligação não sei o que teria acontecido comigo. No final, ele acabou mesmo me salvando.

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– Pensei que você fosse contar tudo a ela Sanae...

– Estou desesperada! Eu quis tanto que esse momento nunca chegasse, não quero a Kagome envolvida naquela confusão, mas acho que agora é tarde demais não é?

– Não podemos fugir para sempre, mas acho que fizemos a coisa certa. De agora em diante, é melhor que ela descubra a verdade aos poucos.

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Duas semanas se passaram depois do incidente. Kagome tentava voltar á rotina, ao voltar para a escola, descobrira que o avô mentira sobre o motivo de sua ausência ao ser questionada se já estava em condições de ir as aulas após a grave crise de anemia que sofrera.

– Fiquei tão preocupado Higurashi quando liguei na sua casa e disseram que você estava internada. – Dizia Houjou, o namorado da garota enquanto a abraçava com lágrimas nos olhos.

– E nem nos deixaram ir te visitar no hospital, achei mancada isso aí. – Reclamou Eri, recebendo a confirmação de Yuka e Ayumi.

– Foi mal pessoal, eles disseram que meu estado era muito sério. – Fingiu ela, sufocada tentando se desvencilhar dos braços do rapaz. – Eu podia piorar, principalmente por que você,Houjou-kun, estava terrivelmente gripado lembra?

– Eu nem acreditei quando fiquei sabendo Kagome-chan, desde de que nos conhecemos você nunca teve nada, sempre foi tão saudável! — Disse Ayumi.

– He he, pois é, acho que... – De repente o celular da colegial tocou. Eram os policiais de Sengoku. – Alô...? Agora!? Mas eu estou no intervalo...Ok, já entendi. Não! Não precisam vir me buscar, eu sei onde fica o hospital. Querem que eu leve a...Certo, estou indo imediatamente, só preciso passar em casa. Obrigada, tchau.

– Hospital!? — Questionaram os quatro amigos.

– È...preciso ir pegar os resultados dos meus exames, eles disseram que não dá pra esperar.

– Ai meu Deus então é algo grave? – Yuka levou as mãos á boca, temerosa.

– Não! Não é nada disso, não se preocupem. – Ela os tranquilizou.

– Quer que eu vá com você? – O garoto perguntou, segurando a mão da jovem.

– Imagine...prefiro que você assista a aula e me de as anotações depois. – Ela deu um beijo de leve no rosto dele, se despediu das outras pedindo que avisassem os professores e saiu.

Kagome precisou ir em casa, de onde saiu sob protestos da mãe e do avô, e saiu levando consigo a pérola da Shikon no Tama sem que estes soubessem. Assim que desceu do trem em Sengoku, dois policiais e a velha Kaede esperavam por ela. De lá, seguiram para a delegacia paras onde o jovem delinquente fora levado aquela manhã. Apenas os cumprimentou e seguiu-os em silêncio. Eles entraram no edifício e pararam diante da porta de uma pequena sala de escritório.

Inuyasha estava sentado em uma cadeira com os braços cruzados. Ele tinha agora uma aparência bem mais saudável, e usava as mesmas roupas em que ela o vira invadir o galpão. Também tinha no rosto o mesmo semblante irritado de outrora.

– O Sr. Taishou recebeu alta hoje. – Comentou um dos oficiais antes de entrarem no quarto. Ele era o delegado Tachibana, responsável pela investigação do incidente que resultou no coma do jovem. – Senhorita Higurashi, acredito que imagine o motivo pelo qual solicitamos sua presença, não é?

– È por causa disto aqui... – Ela disse, mostrando a pequena bolinha cor-de-rosa.

– Então era verdade! – Kaede admirou-se olhando diretamente para a jovem.

– Desculpa vovó Kaede, eu não quis envolver a senhora...

– Criança, na verdade, eu já estou mais envolvida com isto do que você imagina. – Respondeu a velha, abaixando a cabeça.

– Quer esperar aqui fora? Preciso falar com ele primeiro. – Disse o delegado.

– Eu quero entrar, quero vê-lo também. – Ela disse, decidida. O homem concordou e todos entraram no recinto.

– ... — O jovem desviou o olhar ao notar a colegial, o que a irritou profundamente.

– Você...Você tentou MESMO me matar! — Ela gritou indignada apontando para ele. – E pensar que eu pensei que você era uma boa pessoa! Eu tinha que olhar pra essa sua cara de idiota e dizer tudo o que tava entalado na minha garganta desde de aquele dia!

– Ora cale a boca! Você está com ela não está? Com a jóia? – Ele riu, cínico. A garota recuou.

– Não se atreva a tentar algo Taishou. – Tachibana advertiu, colocando a mão na arma em sua cintura. – Agora que está plenamente recuperado, acho que podemos finalmente conversar.

– Conversar? Bah, que babaquice, sobre o que quer conversar? Você acha que venceu não foi? Por que finalmente colocou as mãos em mim.

– Você acordou de um coma de 5 anos e em menos de 24 horas fugiu de um hospital acredindo dois enfermeiros , roubou a moto e o revólver de um segurança e tentou matar duas pessoas. Sem falar de todo o seu histórico anterior.– Enquanto dizia isto, o jovem continuava sorrindo, como que orgulhoso de seus feitos. — E ainda sim, não é por estes crimes que você está aqui.

– Tem mais!? — Kagome ingadou. Que tipo de pessoa era ele? Kaede pôs a mão em seu ombro, ciente do que viria a seguir.

– A partir de agora, você também está respondendo pelo assassinato de Kikyou.