Notas iniciais
História baseada na Saga de Marineford ~!!

"A marinha venceu."

Essa foi a frase que percorreu o mundo nos últimos dias. Pessoas do mundo todo não paravam de comentar o acontecido. Uma nova Era renascia.

Eu deveria ficar feliz, afinal, eu pude fazer parte da Grande Guerra, e ainda no lado vencedor. Eu sou um vencedor. E pensar que não faz muito tempo que eu era apenas um jovem rico e mimado, que dependia do meu pai, Capitão Morgan, para fazer qualquer coisa.

Apesar de tudo, eu não conseguia ficar feliz. Minha cabeça vagava em pensamentos distintos. Sentimentos que foram despertados naquele dia inquieto. Sentimentos de perda, de medo... Sentimentos que eu não sentira nunca antes.

Na enfermaria da Marinha, vejo meus companheiros de Guerra ainda repousando pela batalha enfrentada. Entre eles aquele garoto de cabelos rosa. Aquele estúpido garoto de cabelos rosa, que chorava em campo de batalha, que pedia incansavelmente para que todos largassem suas armas.

"O que aquele garoto idiota estava pensando?"– Pensei, indo em direção ao seu corpo estirado na cama, repousando. Segurei suas mãos gélidas, tentando transmitir meu calor. Sem sucesso.

"Quando foi que nós dois nos tornamos tão próximos assim?"

~ x ~

Guerra dos Melhores, Marineford.

Ei, Coby! Você não está se sentindo bem?! Você está agindo estranho!

Coby havia caido no chão, de joelhos, com as mãos na cabeça, como se estivesse sentindo uma enorme dor na consciência. Como se algo estivesse o torturando mentalmente.

– Ei, Helmeppo... – Disse com a voz baixa ainda olhando para o chão, de costas para mim – O que está havendo comigo? As pessoas ainda estão lutando... por quê?

Shirohige e Portgas D. Ace estavam mortos. A Guerra havia acabado e a marinha saiu vitoriosa. Não havia mais sentindo continuar a batalha, mas isso não impediu os marinheiros e os piratas a continuarem a lutar.

– O que deu em você?!– Gritei com Coby. O jovem garoto não parava de chorar em desespero. Sua respiração estava alta, ofegante.

– Eu não sei! Me sinto triste!– Dizia em meio aos choros.

– Triste?!

– As vozes... desaparecem uma atrás da outra na minha cabeça!

– Hã?! Vozes?– Aquilo não fazia sentindo. Nós havíamos ganho. O sonho de Coby sempre foi ser marinheiro, ele deveria ficar feliz por sair vitorioso na sua primeira batalha real.... Mas mesmo assim...

"Parem os marinheiros! Destruam o Quartel General!"

"Não vamos deixar! Derrubem todos os piratas... em nome da justiça!"

Eram as vozes dos piratas e marinheiros, ainda não satisfeitos com os resultados da Guerra. Ambos os lados não viam motivos para pararem o conflito.

– Do que você está falando? Vozes?! Recomponha-se!

"Socorro... me ajud-"

Mais uma voz desapareceu. Coby não estava aguentando mais! O jovem marinheiro de cabelos rosa saiu correndo, chorando sem rumo. Fugindo de algo.

– Coby! E-ei! Aonde você vai?!– Fui atrás dele.

"Ei, ele levou um tiro... ajudem ele!"

"Eu não quero... morrer..."

"Deixem ele pra lá! A Guerra ainda não acabou! Mostrem aos piratas a justiça da Marinha!"

Os comandantes gritavam. Ainda não estavam satisfeitos, mesmo tento alcançado seus objetivos.

Coby estava correndo desesperado, quando tropeçou em algo. O corpo de um companheiro, estirado no chão, com cortes e sangramentos. Coby se aproximou e percebeu que aquele corpo segurava um colar com a foto de sua esposa e seus dois filhos.

"Mama... o papa está na Guerra?"

"Sim! Seu pai é um bravo guerreiro que luta pela justiça arriscando sua vida para nos proteger! Tenha orgulho dele."

"Nos proteger? Que legal! Quero vê-lo de novo logo, estou com saudades!"

"Tenho certeza que ele também está com saudades de você e da sua irmã. Não se preocupe, logo ele retornará para casa."

Coby não o conhecia, mas o dialogo de sua família estranhamente estava passando pela sua cabeça, como um flashback.

– Já chega... Parem com isso... — Dizia Coby com uma voz baixa, chorando. — Parem com isso... PAREM COM ISSO!! ESTAMOS DESPERDIÇANDO VIDAS!

Os olhares voltaram-se contra ele. "Quem era aquele garoto?"

– Coby!!– Dizia eu, chorando, olhando para aquele garoto sem esperanças.

Vamos por um fim nisso! Não vamos mais lutar! — O jovem gritou na frente de seu superior, Almirante Akainu, impedindo-o de matar um pirata.

"O que ele está fazendo...?"

Estamos desperdiçando vidas! Todos os soldados aqui tem uma família para voltar! Nós já concluímos nosso objetivo, mas continuamos atacando os piratas que nem tem mais vontade de lutar! Estamos apenas aumentando o número de vítimas!

Hã? Quem é você, desgraçado? — Dizia Akainu, com raiva. — Você desperdiçou meu tempo. Não temos utilidade para um marinheiro que não acredita na justiça da marinha!

O Almirante de lava estava prestes a acertar um golpe definitivo em Coby. Naquele momento eu pude sentir meu coração disparando, congelando. Aquele era o fim?

"COBY!!"

Com um intervalo de tempo curto, o golpe de Akainu tinha sido defendido por um espadachim.

– Bom trabalho... jovem marinheiro.– O rosto do espadachim foi revelado. Era Shanks, o Ruivo, que havia chegado em batalha. — Os corajosos momentos que você criou agora, arriscando sua vida, mudaram o rumo da história. Para pior ou melhor.

– Coby!! Você está bem?!

Abracei, deixando-o chorar em meus ombros. Ele estava fraco, ainda com medo do que havia acontecido. Nós dois caímos no chão, juntos. Ele chorava no meu colo.

"Coby... quando foi que você se tornou tão corajoso assim? – Pensei

– Helmeppo...– disse chorando — Eu sou um idiota...

– Cala boca maldito– Meus olhos inundavam de lágrimas — Você está vivo! Eu estou tão aliviado!

De volta ao presente

Eu ainda segurava as mãos do Coby em repouso. A coragem daquele jovem marinheiro havia despertado algo em mim. Um sentimento de admiração... não, era mais do que admiração. Esse era o mesmo Coby de alguns meses atrás?

Isso! Meses atrás... eu ainda lembro. Ele era um nanico medroso que chegou na minha vila junto com o Mugiwara. Eu era filho do lendário Capitão Morgan, temido por todos, enquanto Coby era um peso morto.

Naquele dia, o fiz de refém para me livrar do Luffy. Lembro-me de ter apontando uma arma carregada para a cabeça dele, quase atirando.

Em pensar que não muito tempo depois, o garoto que eu quase matei, viraria meu simbolo de admiração. Meu melhor amigo. A única pessoa que eu amei.

– Coby...– Dizia enquanto olhava para seus olhos fechados – Nós mudamos muito, não é?

Hel...mep...po-san...– Coby disse ainda com os olhos fechados, acordando levemente. Um sorriso surgiu em seu rosto ferido.

– Coby! Você está acordando finalmente! Já se passaram três dias, você deve estar com fome!– Seu sorriso havia me feito feliz depois de dias de tristeza.

Sua mão começava a ficar quente e seus olhos começaram a abrir.

– Helmeppo-san?– Disse ele se levantando — Onde eu estou? Que dia é hoje?

– Você dormiu por três dias depois da guerra. Você foi muito corajoso, Coby.

– A guerra... né?– Disse um pouco tonto– Aliás, eu ainda não pude te agradecer.

– Agradecer? Pelo quê? Eu fui um peso morto, você se arriscou tanto naquele lugar, eu não fiz nada.

– Você fez... você me salvou, Helmeppo-san. Se não fosse aquela hora que você me abraçou, eu teria perdido completamente a razão. Foi você também que me tirou de lá quando eu desmaiei, não é?

– Er... aquilo, é... foi... eu acho.– Eu disse meio corado, com a voz tremendo. A presença do Coby estava mais forte.

Eu sentei na cama e puis o Coby sentado entre minhas pernas, encostado no meu peito e o abracei. O sol batia na sala da enfermaria, as cortinas mexiam suavemente com o vento da manhã. Estava um clima de paz.

O Coby ainda estava um pouco frio e não conseguia se mexer muito. Fiquei fazendo cafuné, entrelaçando minhas mãos em seus cabelos macios e ondulados.

Alguns minutos se passaram, ainda continuávamos naquela posição. Eu estava voando em meus pensamentos, completamente fora da realidade.

– Coby...– sussurrei em seu ouvido, sem perceber, com a cabeça nas núvens.

– O que foi, Helmeppo-san?

– Eu tive muita sorte de ter te conhecido, sabe? E também tive sorte de... me apaixonar por alguém como você.

– H-Helmeppo...san?

Eu não conseguia ver seu rosto, pois ele estava de costas para mim. Foi quando me dei conta do que havia dito.

– N-Não... quer dizer... eu não sei... por que eu disse aquilo. Deixa pra lá, esquece!– Levantei apressado, tentando sair dali.

"O que eu tinha acabado de dizer? Eu era idiota?"

Foi quando uma mão me segurou, me impedindo de continuar a andar.

– Não vai embora! Por favor!– Coby disse alto, me encarando, me impedindo de ter qualquer tipo de reação.

– C-Coby?

Ele levantou da cama, me abraçou pelo pescoço e ficou me olhando com uma cara de "não sei o que fazer". Seu rosto estava perto ao meu, quase colado. Fiquei sem reação por um intervalo de segundos, que pareceram horas.

– Eu quero você... comigo.– Disse Coby quebrando o silencio e olhando para baixo.

Eu levantei seu queixo com minha mão e o beijei. Não me importo se tinha alguém na sala, nos vendo. Não me importo se ele iria me odiar depois daquilo. Se a nossa amizade iria acabar. Tudo o que importava era o momento.

O corpo do jovem marinheiro de cabelos rosa ficou quente. O ambiente estava silencioso, a paz reinava naquele quarto. Só ouvíamos a nossa respiração, que cada vez ficara mais ofegante em cada intervalo de beijos.

– Coby... eu te amo!

O garoto sorriu para mim e disse feliz:

– Eu também te amo, Helmeppo-san!

Notas finais
Minha primeira fic, espero que gostem. Críticas construtivas são bem vindas ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!