Um grande amigo, um grande amor
1 Capítulo 1
“Olá como vai Isa?”Rafael perguntou tentando ser casual, mas não conseguia disfarçar o olhar apaixonado que dava para sua querida prima. Isa parecia ficar cada dia mais linda, ela era espontânea e com seus 18 anos parecia uma criança brincando de adolescente, seu rosto muito doce a pele clara e suave contrastavam com ar travesso que havia nos olhos de sua prima.
Ela era a mais perfeita das mulheres, inteligente, bela, doce, espontânea, alegre, divertida, Rafael poderia ficar horas enumerando as qualidades de sua bela priminha, é claro que ela tinha defeitos como todas as pessoas, mas Rafa apesar de estar com 22 anos e ser bem maduro e dedicado a carreira como todo estudante de medicina, só via um defeito naquela adorada criatura, ela não o amava. Isa simplesmente o considerava como primo e melhor amigo, e era doloroso toda vez que ele a ouvia dizer:
“Estou ótima, e como vai meu primo querido?”
“Estudando bastante.”
“ Mas cadê o resto do pessoal, achei que já estariam todos aqui?”
“ É o Parada Intelectual hoje está meio parado.”
O Parada Intelectual era um bar feito pelo pessoal do D.A. Ficava em frente a faculdade de letras, e ao lado da belas artes. Externamente possuía mesas redondas de madeira rústica e quiosques de palha com bancos feitos de tocos de madeira, também rústicos, dando um ar interiorano ao bar. Suas paredes eram pintadas com tinta texturizada que deixava ainda mais rústico o local, mas o que dava realmente um toque especial era a decoração toda feita pelos próprios alunos da faculdade. Os alunos de belas artes, aos poucos usavam as paredes como telas e faziam obras de artes belíssimas, assim como levavam esculturas de gesso, ferro, dentre outras para decorar as mesas, balcão e até mesmo externamente. Alguns alunos da escola de música reformaram violoncelos e pianos deixando-os num canto no fundo do bar com um leve toque de boêmia. Também próximo à uma das entradas havia uma pilha de livros em sua maioria de poesias que vez ou outra os alunos de letras recitavam em pleno bar, e nem mesmo os alunos de medicina deixaram de dar sua contribuição levando para o bar um corpo humano de borracha e plástico, “feminino é claro”, e às vezes até “aulas” eles davam lá.
“ E o Caio também não pintou por aqui. Continuou Isa docemente.”
Caio também era primo de Isa, porém apenas por parte de pai, diferentede Rafa que era sobrinho da mãe de Isa. Caio era do interior, seu pai era fazendeiro em Araguari, e veio para a capital para estudar, e como não conhecia BH e nem ninguém na cidade ficou hospedado na casa dos tios por algum tempo até se acostumar.
Isa não se lembrava muito dele, e no início não gostou muito da idéia de ter um primo que ela mal conhecia em sua casa, ainda mais que iria estudar medicina, seu pai que quase não tinha motivos para implicar com ela, agora então a coisa ficaria realmente feia, mas Isa mudou de idéia logo que viu o primo, ele era simplesmente lindo!!! Alto, corpo atlético, pele morena cor de jambo e olhos verdes, e inteligente, era tudo o que Isa precisava.
“Vocês estão mesmo juntos?”
Rafa pôde perceber o brilho de felicidade que surgiu no rosto da prima.
Rafa tinha a pele alva como a neve e os olhos verde-claros, seu corpo apesar de bem feito, ficava pouco exposto, pois ele quase sempre usava calça de sarja branca, camisa de linha ou pólo branca e colocava sempre um jaleco por cima que impedia que seu corpo ficasse à mostra, tinha estatura média e estava satisfeito, seus cabelos eram negros e levemente encaracolados que davam a ele um ar de garoto muito atraente. Mas que, só Isa não enxergava.
“É, estamos, ele é ...” os olhos de Isa se reviraram e seu sorriso ampliou-se no rosto. “Um.. eu não sei bem dizer, lindo, carinhoso, afetuoso, gostoso...”
“Isa!!!”
“Ah Rafa, se eu não falar com você com quem vou desabafar?”
“Que tal a Paty, ela vem aí, aliás ela não é sua melhor amiga?”
“Depois de você é claro. Mas quando estamos juntas ela só fala de você, e aí eu fico sem espaço, você entende.”
“Então você vem alugar os meus ouvidos.”
“Ah priminho, é só às vezes, quando você não está em aula, nem no hospital, nem nos livros e nem com a Paty, olha com quanta gente tenho que te disputar.”
Não precisa me disputar com ninguém sua boba, por mim ficava ao seu lado todo o tempo do mundo, Rafa pensou.
“Oi, posso saber sobre o quê estavam fofocando? Perguntou Paty se aproximando.”
A Paty era diferente de Isa, mais alta, o que deixava Isa furiosa pois sempre fora a mais baixinha da turma, a Paty também era legal, inteligente, divertida, linda, despojada, e apaixonada, qualquer homem daria tudo para estar com ela, porém Rafa, apesar de ter este privilégio, não fazia questão pois era completamente apaixonado por Isa, mas ninguém sabia a não ser sua irmã, a Cissa, que não fazia parte de sua turma, ela era mais jovem que Rafa apenas um ano, estudava direito e era estagiária no tribunal de contas da cidade, portanto fazia o tipo intelectual, tinha um namorado que apesar de ser apenas cinco anos mais velho que ela, já era Juiz.
“Sobre meu gato claro.”
“Claro!!! Mas achei que o namoro fosse escondido. Paty falou com desdém.”
“Só do meu pai.”
“E se ele aparecer aqui na faculdade?”
“Pirou Paty, meu pai aqui na faculdade, você não sabe que ele odeia meu curso, a filha de César de Albuquerque Assunção fazendo faculdade de fotografia é o cúmulo, ele queria que eu fizesse direito como a Cissa, medicina como o Rafa, você e o Caio, ou qualquer coisa que pudesse parecer uma profissão importante, menos fotografia, e jamais virá a faculdade nem mesmo para minha formatura, com isso eu posso ficar despreocupada.”
“Não fala assim Isa, seu pai só quer o melhor para você, ele...” Rafa tentou defender o tio mas Isa interrompeu.
“...se preocupa com meu futuro, bla, bla, Bla... Você está enganado, ele não está preocupado com meu futuro, e sim com o presente dele. A verdade é que meu pai não admite que a filha dele estude fotografia, ele acha que isso não é profissão, aliás, eu tenho todos os defeitos que meu pai poderia esperar de mim, sou mulher, não abaixo a cabeça pra ele, não aceito o seu autoritarismo, não peço sua opinião, e muito menos irei administrar a sua empresa, por tanto sou apenas a dor de cabeça dele.”
“Ihs, que papo mais baixo astral, os cadáveres da aula de anatomia são bem mais interessantes.” Paty cortou o assunto para aliviar o clima tenso que começava a aparecer.
“Ahh não, vocês não vão começar a falar de pélvis, retículo endoplasmático, veias e artérias não, né?”
“Tá bom priminha, em sua consideração vamos falar do assunto que você quiser tá?” Rafa falou, e, aproveitando que Isa estava sentada ao seu lado, passou o braço direito sobre o pescoço da prima e beijou-a docemente no rosto.
“Hei, hei olha a agarração hein, vocês não me respeitam mais não, é?” Paty falou separando os dois para tomar os braços do namorado só pra si e beijá-lo em seguida.
“Não acredito Paty que você está com ciúmes de mim, você sabe que o Rafa é um grande amigo, quase um irmão pra mim.”
Isa não percebeu o quanto suas palavras eram doídas de se ouvir por seu primo. Rafa sentiu um aperto no peito, era como se um balde de água fria fosse jogado sobre seu corpo, seus olhos encheram-se de lágrimas, e pior do que sentir-se assim era ter que fingir, disfarçar os olhos úmidos, e ainda dar um sorriso demonstrando alegria. Caso contrário poderia magoar Isa, e isso era tudo o que ele não queria.
“Não é verdade Rafa?”
“É, claro que sim Isa, como irmãos.” As palavras saíram quase sussurradas da boca de Rafa.
“Tá bom, tá bom, mas é melhor prevenir do que remediar, não acha?”
“Você é uma boba Paty.”
Nesse momento chegaram o restante da turma, Marcelo, Neco, Júlia, Priscilla e o Caio.
“E aí galera, o que tá pegando.” Neco foi o primeiro a falar.
Neco era o mais rico de todos, seu pai era dono de uma grande empresa de construção civil e possuía negócios no mundo todo, ele mesmo já havia estudado em Londres mas preferiu voltar ao Brasil, pois seus amigos estavam todos aqui, estuda engenharia civil, e apesar de não ser bonito era uma pessoa muito legal, namorava a Pricilla que era linda, morena queimada de sol, magra com 53 kg muito bem distribuídos, estudava artes cênicas e muito ambiciosa, era apaixonada por Marcelo mas sabia que ele não levava ninguém a sério então preferia a segurança do relacionamento com o Neco que era louco por ela.
“Estávamos querendo saber o que houve pois o Parada hoje estava meio vazio.” O Rafa perguntou.
“Você não está sabendo do que houve ontem?” Marcelo se adiantou. O Marcelo era o melhor amigo de Rafael, moravam perto e tinham a mesma idade mas o Marcelo diferentede Rafa era bastante despojado e conquistador, estava sempre com uma garota diferente, era loiro com os cabelos até na orelha com corte desarranjado, estudava letras e era com poesia que conquistava suas namoradas, e, apesar da pouca idade já havia escrito três livros dos quais já publicara um e tentava a publicação do segundo.
“Não, o quê!?” Rafa continuou.
“Ontem houve uma festa no D.A e o pessoal exagerou, um cara estava muito bêbado ou drogado... sei lá, foi balançar em uma escultura que havia lá, então ela se partiu e caiu nas costas dele e o comentário é que ele está tetraplégico.”
“Meus Deus!!! Que horror!!” Isa se admirou.
“Mas como foi isso?” Paty falou.
E a turma se pôs a comentar o fato e ficaram lá por horas.
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