Um grande amigo, um grande amor
6 Capitulo 6
Isabelle acordou naquela manha ainda meio incrédula com tudo o que estava acontecendo com ela, em um mesmo dia ela havia descoberto que estava grávida de Caio, o homem que ela amava e descobriu que ele na realidade nunca sentiu o mesmo por ela, ele só queria se divertir como disse, e seu primo que ela amava como a um irmão havia assumido o bebê como se fosse seu, e agora eles iriam se casar e fingir para todos que se amavam. “Meu Deus! a Patty, ela nunca vai aceitar isso, não definitivamente eles não poderiam continuar com essa farsa, ela iria acabar com isso agora mesmo.”
Isa levantou-se num pulo e pegou o telefone no seu quarto para discar para a casa de Rafa.
“Alô Rafa?”
“Não é a mãe dele, Beth.”
“Oi... tia Beth?” Isa ficou sem graça, pois imaginava porque sua tia estava na cidade, mas Isa tentou ser o mais casual possível. “É Isabelle quem tá falando, você pode chamar o Rafa para mim?”
“Claro! Beth falou com secura.”
Isa pode sentir a rispidez com que sua tia lhe falou, sua tia Beth era uma mulher muito decidida e apesar de saber ser amável quando queria, não gostava muito quando as coisa não saiam do jeito que ela queria, e demonstrava isso muito bem.
“Alô Isa? Oi meu amor como passou a noite tudo bem?”
“Rafa precisamos parar com esta farsa imediatamente.”
Uma nuvem de preocupação passou pelo rosto de Rafael, o que poderia ter acontecido, será que o Caio voltou atrás? Seu coração batia mais devagar e uma dor profunda o atingiu.
“Porque, aconteceu alguma coisa?” Ele perguntou temeroso.
“Rafa nós nos esquecemos completamente da Patrícia, ela nunca vai aceitar que o namorado dela assuma um filho meu só para me ajudar. Você sabe como ela é ciumenta, até de mim ela tinha ciúmes, ela não vai aceitar isto.”
Rafa quase não se conteve de alegria, então era isso, ele pensou que sua alegria havia terminado.
“Isa meu bem, não se preocupe já conversei com sua mãe e meus pais, a Cissa e eu iremos jantar na sua casa hoje, para acertarmos todos os detalhes.”
“Rafa? Você ouviu o que eu disse?”
“Claro que sim meu bem! Olha vou terminar de me arrumar e passo aí pra te pegar e no caminho da faculdade nós conversamos, tá legal?” Rafa tentava disfarçar o assunto para que seus pais não desconfiassem
“Já entendi, sua mãe né? Mas você sempre precipitado, tinha que ter ligado para seus pais? Você devia ter esperado, mas tudo bem, eu te espero na porta do prédio. Um abraço.”
“Outro, tchau!”
Isa se arrumou sem conseguir pensar direito, agora seus tios já haviam até marcado um jantar para tratarem do assunto, como eles iriam desmentir toda a estória? Bom era melhor deixar para pensar nisso junto com o Rafa, afinal ele pareceu bem calmo ao telefone talvez ele tenha tido alguma idéia.
Quando Isa chegou a sala de jantar para tomar café encontrou todos sentados conversando, mas o clima mudou logo que ela apareceu, seu pai fechou a cara imediatamente, sua mãe e sua irmã ficaram muito sem graça, apenas o Caio continuou como se nada tivesse acontecendo.
“Bom dia! Isa disse tentando ser amável.”
“Bom dia, responderam sua mãe, irmã e o Caio.”
Mas o pai de Isa levantou-se no momento em que Isabelle se sentou dizendo que estava de saída.
“Mas você não terminou seu café César?”
“Perdi a fome.” Ele respondeu seco.
“Não esqueça do jantar de hoje à noite!”
“Como eu posso esquecer, sua filha apronta e eu ainda terei de agüentar mais esta humilhação.” César fez questão de frisar o sua.
“César essas coisas acontecem todos os dias, nossa filha cometeu um erro, mas agora será reparado.”
“Ela não é mais minha filha! Eu não venho para o almoço, almoçarei no escritório, não quero ter que fazer minhas refeições com esta daí.”
Toda a conversa se deu na frente de Isa, seu coração pesava e ela se esforçou para esconder as lágrimas em seus olhos. Como seu pai podia ser tão rude? Isabelle sabia que ele tinha um gênio ruim, mais não esperava essa reação, esperava mais por brigas, gritos, que ele a chamasse de irresponsável, mas ele a estava ignorando, isso foi muito doloroso, apesar das brigas que tinha com o pai, ela o amava, e ouvi-lo dizer que ela não era mais sua filha tinha sido muito duro.
Após a partida do pai de Isa, Caio e sua irmã se levantaram sem graça dizendo que estavam atrasados, e Isa ficou sozinha com sua mãe, e então não se conteve mais e pôs-se a chorar.
“Filha não fica assim, seu pai está chateado, depois do casamento ele vai aceitar melhor a situação, e isso vai passar, você vai ver.” Pior seria se o Rafael não quisesse o casamento, aí sim eu não quero nem pensar o que seria.
Neste momento Isa pensou novamente sobre acabar com a farsa, seria horrível ter que contar a verdade e sua mãe estava certa, seu pai acabaria expulsando-a de casa, talvez se ela explicasse a situação para a Patrícia, ela entenderia e até ajudaria com a farsa. Isa quis acreditar nisso, mesmo sabendo que seria muito difícil.
Isa desceu o elevador pensando em como conversar com sua amiga e explicá-la toda a situação, ela estava ansiosa, precisava conversar com o Rafa, talvez pensando juntos seria mais fácil achar uma forma melhor, mas Isa não pôde deixar de pensar em como o Caio estava sendo canalha, mesmo ouvindo tudo o que o tio disse ele nem mesmo tentou conversar com ela, mesmo que fosse para dizer que não esperava aquilo, ou que sentia muito, ou que se pudes...
Isa não pôde concluir seus pensamentos, pois Rafael já parava o carro na sua frente.
“Entre.”
“Oi Rafa.” Isa comprimentou o primo amavelmente.
“Como você está?” Rafa perguntou.
“Mais ou menos, o café hoje foi horrível, meu pai me disse que não me considera mais filha dele.” Isa disse aquilo com tristeza nos olhos.
“Eu sinto muito”. Rafa falou acariciando os cabelos da prima, mantendo a atenção no volante, e completou. “Que tolice foi aquela sua hoje de manha, hein?”
“Rafa, nós nos esquecemos da Paty, ela não vai aceitar essa farsa, ela sempre foi muito ciumenta, mesmo sabendo que somos apenas amigos ela sempre teve ciúmes de nós dois, imagina agora?”
“Isa, não podemos voltar atrás agora, fomos longe demais, imagina o que meus pais vão dizer? E seu pai então já pensou?”
Não quero nem pensar, eu acho que ele seria capaz de me matar.”
“Nós teremos que manter até o fim. E quanto a Paty, eu vou terminar com ela hoje, ela saberá o mesmo que todos e...”
“Não Rafa, a Paty é minha melhor amiga, ela irá me odiar por isso, se sentirá traída e ...”
“Isa, você acha que a Paty irá aceitar essa farsa? Ela nunca ira aceitar que nos casemos, sabendo que moraremos na mesma casa, ela irá atrapalhar tudo...”
“Mas Rafa talvez se eu explicar pra ela direitinho, quem sabe ela n....”
“Isa! Não! Nós não podemos confiar em ninguém, ninguém além do Caio, pode saber que o filho que você está esperando não é meu.”
“Isso não é legal com a Paty. Ela te ama.”
“Eu sei, mas eu nunca gostei dela como ela merece, eu até quis terminar com ela várias vezes, e ela nunca deixava, e eu acabava deixando levar, agora ela não vai mais impedir que terminemos.”
“É, ela me contou todas as vezes que você quis terminar, mas eu achei que fosse apenas brigas de namorado.”
“Eu não a amava, e não queria manter as esperanças dela, mas eu acabava cedendo as colocações dela e nunca punha um ponto final em nosso relacionamento, eu não acho bonito o que fiz, e nem o que vou fazer com ela agora, mas talvez seja a única maneira de conseguir romper o namoro.”
“Ela vai me odiar por isso.”
“Eu vou tentar explicar da melhor maneira possível.”
“Tomara que ela entenda.”
Neste momento Rafael parou o Carro na porta da faculdade de Belas artes.
“Bom está entregue. Te vejo no Parada depois da aula. Rafa se despediu beijando-a na testa.”
“Até!”
Horas mais tarde Paty e o restante da turma estavam no Parada esperando por Rafa quando Caio chegou.
“Olá Caio. Fiquei sabendo que você e o Rafa brigaram ontem na faculdade. Sei que vocês não se davam muito bem mas, o Rafa nunca foi de brigar, o que houve?” Patrícia perguntou curiosa.
“Você não soube?” Caio perguntou cínico.
“Não, eu tentei falar com o Rafa ontem o dia todo mas o celular estava desligado e não o encontrei em casa.”
“A Isabelle está esperando um filho dele.” Caio disse agora com um tom cínico e raivoso na voz, tentando demonstrar desapontamento.
“A Isa o quê?” Paty engasgou com o suco.
“É isso mesmo que você ouviu, seu namoradinho e a priminha dele estavam nos enganando todo este tempo.”
“Eu não posso, acreditar, o Rafa mais a Isa sempre foram tão amigos...” Foi o Marcelo quem disse agora.
“Desde quando um homem e uma mulher são amigos, hein Marcelo.” O Caio rebateu.
“Comigo isso seria impossível, mas o Rafa, ele não parece ser o tipo que...”
“Eu sabia que tinha algo ali, eu sempre suspeitei daquela amizade.” Paty falava com raiva e tristeza. “Mas eu pensava que a Isa sendo minha amiga ela iria pelo menos esperar que eu terminasse com ele antes de...” Paty não conseguiu terminar, ela estava profundamente magoada, pois havia sido enganada duplamente, por Rafa e por sua melhor amiga.
“Pra você ver que grande amiga ela era!” Caio completou jogando mais lenha na fogueira.
Neste momento Isabelle chegou, sem saber o que estava acontecendo.
“Oi gente.” Ela disse meio sem graça, por causa da presença de Caio, e por saber que iria enganar a todos.
Patrícia se levantou do banco de toco de árvore com toda a raiva que sentia e deu-lhe uma bofetada que, devido a um anel, arrancou sangue do rosto da amiga.
“SUA CÍNICA, ESTÁ FELIZ AGORA QUE CONSEGUIU O QUE QUERIA?” Paty gritava a plenos pulmões.
“Paty, você não está enten....” Isabelle falou já com os olhos cheios de lágrimas, mas Patrícia não deixou que ela completasse a frase.
“Como você pôde em Isa, fingindo-se de minha amiga e me traindo pelas costas, e eu como uma tola ainda te contava tudo sobre o Rafa e eu, nossas brigas, e te pedia opinião, como eu pude ser tão estúpida.”
“Paty deixa eu te explicar?”
“Explicar o quê, hein? Como você me traiu, me usou pelas costas? E ainda chega aqui com esta cara lavada me cumprimentando como se nada tivesse acontecido, sua... FALSA, VAGABUNDA.”
Isabelle, ouvia tudo calada, pois ela sabia que a amiga tinha toda a razão de estar tão chateada, mas se ela tivesse contado como planejava talvez a reação de Paty não tivesse sido tão ruim. Neste momento Rafael chega e defende a prima.
“Você não pode falar assim com ela Paty.” Rafael falou no mesmo tom que a ex-namorada.
“Veio defender a namoradinha, foi? Quer saber, vocês dois se merecem. Olha Rafa eu esperava tudo de você, menos me trair dessa maneira. E ainda deixar que eu fosse a última a saber, e eu como uma idiota te ligando, preocupada com sua briga com o Caio.”
Todos da turma assistiam à discussão passivamente, e boquiabertos, pois ninguém esperava isso de ambos, talvez esperassem algo parecido da Priscilla, que todos sabiam que tinha uma queda por Marcelo, e como ele não deixava escapar nada. Mas entre Rafael e Isabelle, isso ninguém esperava e a surpresa foi geral.
“Eu ia conversar com você hoje Paty.” Rafa falou brandamente para mudar o tom da conversa. “Apenas na família todos ficaram sabendo ontem, mas eu posso imaginar como você soube.” Rafa disse olhando para Caio enfrentando-o com o olhar.
Caio que estava ouvindo a tudo com ar de indignação, mas até então sem se intrometer, respondeu à crítica.
“Você acha o quê Rafa? Que eu iria aceitar a traição de vocês calado?”
Isa, não pôde acreditar e se adiantou, chegando a abrir a boca para rebater, mas Rafa a impediu a tempo.
“De você Caio, eu nunca esperei nada mesmo. Mas já que você antecipou-se a nós, agora está dito.”
Marcelo, foi o primeiro a se manifestar.
“Rafa, nós sempre fomos amigos, porque você não me disse nada?” Marcelo falou incrédulo.
“Eu sei que não agi certo Cello, e eu não quis te colocar numa situação embaraçosa, era só isso, e depois as coisas foram acontecendo de um jeito que quando a Isa e eu percebemos estávamos apaixonados.”
Agora o Neco entrou na conversa.
“Mas o que vocês fizeram, foi um tanto cruel, vocês tinham a obrigação de terminar o relacionamento de vocês, mesmo que ninguém aprovasse, e não deixar chegar a este ponto, é humilhante demais.”
Neco falou, dando de certa forma um toque em Priscilla, pois ele sabia que a garota não sentia o mesmo que ele por ela.
“Eu sei Neco, nós tentamos, a Paty sabe quantas vezes eu tentei terminar o relacionamento com ela sem sucesso.” Rafa falou dando um toque em Isa para que ela dissesse o mesmo.
“O mesmo eu posso dizer ao Caio, vai me desmentir Caio?” Isa provocou-o.
“Não!” Foi a resposta.
“É verdade!” Paty concordou. “ Mas você poderia ter me dito a verdade, mas você foi covarde.”
“A verdade é que nós não estávamos juntos...”
Rafa tentou dizer mas, aí todos protestaram com incredulidade.
“É verdade, depois que descobrimos o que sentíamos um pelo outro, nós queríamos terminar nosso namoro primeiro, e tentamos mas um dia aconteceu, e... bem... vocês sabem, agora a Isa tá grávida e resolvemos assumir de vez, doa a quem doer.”
“Pois isso não muda o ódio que estou sentindo por vocês, eu nunca irei perdoá-los por isso.” Patrícia disse com o rosto quase colado no de Isabelle, e pegou suas coisas e sentou-se em outro lugar.
Exceto por Marcelo, todos a seguiram, demonstrando que não apoiariam os dois.
Rafa cumprimentou o amigo agradecendo por estar do lado deles.
“Valeu Cello, eu sei que devia ter confiado em você, me desculpe por isso, mas estávamos sem saber o que fazer.”
“Sou seu amigo de infância, e entendo que às vezes tem segredos que não queremos contar a ninguém, que são só nossos, mesmo sabendo que isso poderia ajudar.” Marcelo disse consolando-o.
Isabelle, estava muda não conseguia dizer nada, Rafael a abraçava fingindo o namoro enquanto conversava com Marcelo, mas Isa só conseguia pensar em Caio, ele era pior que ela pensava, e porque ela ainda gostava dele? porque mesmo sabendo que tudo aquilo foi culpa dele, não o bebê, que era responsabilidade de ambos, mas a farsa, a forma como perdeu os amigos, etc. Porque mesmo sabendo de tudo isso ela se sentia triste, por não estar lá, com ele, ouvindo-o ser carinhoso, como ele sempre foi, ou como ela pensava que ele era?
Fale com o autor