Um futuro incerto, mas repleto de amor
115 Capítulo 115
Notas iniciais
Narrado por Sidney
Estou me sentindo um completo idiota. Aquela briga com a Sofia não fez o menor sentido. Assim que ela contou sobre o estágio na França, não pude conter a alegria em vê-la tão animada. O problema é que o estágio começa daqui a alguns dias, e mesmo sabendo que eu não poderia mudar meus planos para acompanhá-la, ela nem sequer cogitou a possibilidade de recusar a bolsa. Espera, o que estou dizendo? Ela não pode recusar, é uma oportunidade única, que ela esperou a vida inteira! A verdade é que me senti excluído; ela realizaria um sonho, e eu não fazia parte dele. Quando éramos crianças, eu jurei à Sofia que meu lugar era onde ela estivesse. No fundo, eu sempre soube que ela não pertencia ao Grajaú, que ela sempre quis ir para o exterior, e adiou esse sonho por mim. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, as oportunidades apareceriam e que a Sofia não hesitaria em aceitar, eu só não pensei que seria tão cedo... Depois de pensar um pouco, com a cabeça fria, pude perceber que a solução é uma só: a Sofia tem que aceitar a bolsa. Por mais que eu queira que ela fique, percebo que não tenho o direito de fazê-la escolher entre mim e seu sonho. Se ela desistisse dessa bolsa por mim, ficaria infeliz, e isso eu não suportaria. Ela passaria a vida lamentando e pensando como poderia ter sido, a nossa relação acabaria se desgastando e ela me odiaria pra sempre. Entretanto, se ela viajar, poderá realizar seu sonho, e daqui seis meses, poderei tê-la de volta pra mim. Por incrível que pareça, se eu insistir em manter a Sofia por perto, posso perdê-la pra sempre, e eu não estou disposto a deixar isso acontecer.
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Durante o jantar, Sofia contou à família sobre o estágio na França, e aquele virou o assunto da noite.
_ Você disse tanto que ia estudar no exterior, e não é que conseguiu mesmo? – disse Vitor.
_ Nem acredito que vou ficar seis meses sem ouvir as reclamações da Sofia, muito obrigada minha santa Rita Lee! – disse Giovana.
_ Você diz isso agora, mas não dou uma semana pra você ligar chorando me pedindo pra voltar – disse Sofia.
_ Vai sonhando! – disse Giovana, caindo na risada.
_ O Ben e a Anita se mudaram, agora a Sofia... Não estou gostando nada disso – disse Pedro.
_ É só por alguns meses, Pedrinho... – disse Sofia, abraçando o irmão caçula.
_ E o Sidney, Sofia? O que ele está achando disso tudo? – perguntou Vera.
_ Ai mãe, nem me fala desse tosco! – disse Sofia, emburrada.
Nesse momento, a campainha do casarão tocou, e Giovana logo se prontificou a abrir a porta.
_ Sidney! Você não morre tão cedo, estávamos falando de você! – disse Giovana.
_ Desculpa vir a essa hora, mas eu precisava muito falar com a Sofia...
_ A gente já falou tudo o que tinha pra falar, Sidney – disse Sofia.
_ Não Sofia, a única coisa que fizemos foi discutir – disse Sidney. – Eu não quero brigar com você... Será que a gente pode conversar em particular?
Sofia fez que sim com a cabeça e eles subiram até o quarto dela.
_ Olha, se você veio pra dizer... – disse Sofia, sendo interrompida por Sidney.
_ Me desculpa, Sofia. Me desculpa por tudo que eu falei, sei que fui injusto... Mas quando me dei conta que teria que ficar longe de você, acho que pirei... – disse Sidney. – Você não pode recusar uma oportunidade dessas, é o seu sonho! Eu vou morrer de saudades, mas o mundo merece conhecer o seu talento...
_ Então quer dizer que você me apoia? – disse Sofia.
_ Eu quero ver você feliz, Sofia – disse Sidney, se aproximando da garota. – Vai ser difícil não ter você assim pertinho, mas hoje em dia, com a tecnologia, a gente vai poder se falar todos os dias...
_ Eu prefiro que você me mande cartas com aquelas poesias lindas que você escreve...
Eles sorriram e se abraçaram. Ficaram um tempo em silêncio, apenas aproveitando o calor dos braços um do outro.
_ Seis meses passam rápido... – disse Sidney.
_ Sidney... Eu juro que nada vai mudar entre a gente – disse Sofia.
_ Eu sei disso – disse Sidney. – Vou pensar em você todos os dias...
_ Eu também, Sidney. Eu também...
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Os dias passaram mais rápido do que Sidney e Sofia desejaram, e chegou o dia em que Sofia pegaria o avião para a França. A despedida aconteceu no casarão, e para a surpresa de todos, Giovana foi a que ficou mais emocionada com a partida da irmã. Sidney, Ben e Anita foram levá-la até o aeroporto.
_ Boa sorte, Sofia – disse Ben. – Tomara que dê tudo certo...
_ Obrigada, Ben – disse Sofia. – Tenho certeza que vai dar certo.
_ Eu sempre soube que seu talento te levaria longe – disse Anita.
_ Você sempre acreditou em mim, até quando nem eu acreditava – disse Sofia, abraçando a irmã. – Obrigada, Anita... Se cuida!
Sofia se virou para Sidney. Os dois se beijaram com ternura e emoção, e uma lágrima caiu dos olhos do garoto.
_ Eu vou sentir muito a sua falta – disse Sidney.
– Eu também – disse Sofia. – Mas eu preciso ir, Sidney... Preciso pensar no meu futuro... No nosso futuro...
_ Eu sei disso, e você tem todo o meu apoio... Mas é que eu demorei tanto a ter você do meu lado, que agora, é difícil demais me despedir... – disse Sidney, recebendo mais um beijo carinhoso da namorada.
– Você se lembra do bilhetinho de correio do amor que você me mandou na festa junina, quando éramos crianças? – perguntou Sofia.
_ Como eu poderia esquecer? Afinal de contas, foi o nosso casamento – disse Sidney, sorrindo.
_ Você escreveu que ia gostar de mim pra sempre... – disse Sofia.
_ E que eu nunca ia te deixar – disse Sidney.
Sofia abriu a mão e mostrou o bilhetinho para Sidney.
_ Você guardou todos esses anos... – disse Sidney, surpreso.
_ Eu pensei em jogar fora um milhão de vezes, mas acho que, no fundo, eu sabia que nunca teria coragem – disse Sofia. – E agora, eu te devolvo a promessa... Mesmo que fiquemos longe um do outro, eu vou gostar de você pra sempre, e nunca vou te deixar...
Sidney sorriu e a beijou. Depois, a abraçou e a girou no ar.
_ Eu te amo – disse Sidney.
_ Eu também te amo – disse Sofia. – Chegou a hora de partir...
O dois se beijaram mais uma vez, e alguns minutos depois, o avião repleto de sonhos alçou voo.
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Ao perceber a tristeza de Sidney quando chegaram ao Grajaú, Anita foi para casa enquanto Ben o levou para dar uma volta na praça e conversar um pouco.
_ E aí, brother? Como você está? – perguntou Ben.
_ Eu não sei se vou segurar a barra, cara – disse Sidney. – Ela se foi há alguns minutos, e eu já estou sentindo um vazio tão grande...
_ Eu te entendo, cara... Quando perdi a Anita, senti como se uma parte do meu coração tivesse sido arrancada... Ela é meu chão, não sei viver sem ela...
_ Comigo acontece o mesmo... Seis meses passam rápido, mas parece que meu coração não entende isso... Tenho medo de me esquecer dela, dos pequenos detalhes que amo tanto... O cheiro do perfume, a voz, o tom de verde dos olhos... A forma como ela sorri, como sai batendo o pé quando está nervosa... Eu não sei se vou aguentar ficar tanto tempo longe dela – disse Sidney.
_ Eu sei que dói, mas é a realização de um sonho dela...
_ Se a Anita te dissesse hoje que está partindo no fim de semana para ficar seis meses na Europa fazendo um curso de, sei lá, arquitetura, você ficaria tranquilo com isso?
_ É claro que não, acho que eu morreria de tanta saudade – disse Ben. – Mas o que eu mais quero nessa vida é vê-la feliz, ela já sofreu muito, nós já sofremos muito... Eu ficaria triste, mas só de pensar no sorriso que eu veria no rosto dela quando esses seis meses acabassem, no abraço apertado, nos beijos saudosos e em cada “eu te amo” que diríamos um pro outro depois desse tempo, acho que a espera valeria a pena – disse Ben, percebendo o olhar tristonho do amigo, que estava com a cabeça e o coração em outro lugar.
Mais tarde, Sidney chegou em casa e se deparou com a caixa de objetos que Ben lhe devolvera assim que se mudou para o novo apartamento com Anita. No início, ele ficou chateado por descobrir que o amigo guardara por tanto tempo os objetos que ele havia jogado fora. Por outro lado, um alívio tomou conta dele ao perceber que todas as lembranças do início de sua história com Sofia ainda estavam intactas.
Cada objeto lembrava a garotinha que ele viu chegar ao Grajaú alguns anos atrás. Ele nunca havia visto uma garota mais linda. Cada foto, cada objeto, o vídeo da festa junina... Por mais longe que Sofia estivesse naquele momento, ele sentia que seu coração estava junto do dele.
_ Seis meses passam rápido, Sidney. Você vai ver. – disse Sidney, tentando convencer a si mesmo.
Autora: Naty
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