Notas iniciais
Agora começou a esquentar.... espero que gostem e comentem! Obrigada as lindas que comentaram! Vcs são um arraso!

Josh Rainey


Era sexta-feira, hora do almoço, eu comia um sanduíche enquanto escrevia mais um capítulo, logo um sono tomou conta de mim, adormeci.


Eu via Julie observando uma coruja cinza do outro lado da rua. Minha garota irradiava uma luz intensa, eu podia ver a beleza dos seus belos olhos claros em contraste com seus cabelos castanhos que o vento soprava forte. Ela sorria lindamente, e quando me notou por perto, corria pra me abraçar, quando um trovão rasgou o céu e o animal desaparecia em meio a uma fumaça escura.


Acordei com o telefone tocando. De novo esse mesmo sonho perturbado... Atendo o telefone, uma voz feminina do outro lado da linha me deixa estático.
_Josh? É você? Querido, você está ai?
Mesmo sabendo de quem se tratava, perguntei, com o ar sumindo de meus pulmões por um momento.
_Oi, Julie?
_Josh, sou eu, Evelyn, não me reconhece mais?
_Quem te deu meu telefone? Pra quê você tá me ligando agora? -Fico enfurecido quando tive a confirmação.
_Seu diretor, Ryan. Josh, ele estava preocupado, você não escreveu mais nada, eu me preocupei também, queria saber se você está bem?
_Evelyn eu estou ótimo desde o dia que você sumiu da minha vida, e espero que permaneçamos assim.
_Porque você tá tão nervoso? Eu sei que te larguei, mas você também tem que pensar que você acabou com esse casamento, você andava pirado e eu não aguentava mais...
_Nervoso? Imagina, estou muito bem, aliás eu só tenho a te agradecer, pois agora eu estou realmente feliz... Mais alguma coisa?
_Você casou de novo então... Que bom Josh, felicidades pra vocês, espero que você não vire um lunático quando tiverem uns 10 anos juntos e ....
Um dedo pálido aperta o gancho do telefone, desligando-o.
_Você deveria ter mandado ela pro inferno meu amigo. Ou então sabe o que seria emocionante? Escrever sobre ela... Mate-a, faça com que ela sofra, quer uma ajuda? Eu tenho uma foice, nós podemos...
_Cala a boca! -Grito com a criatura sem expressão na minha frente.
_Você é um babaca mesmo Josh... Como pode ainda gostar dela?
_Eu não gosto dela. -Jogo um grampeador nele, ouço sua risada maléfica.
_E a Julie? O que tá fazendo com ela?
_Eu amo ela. -Falo.
_Se você pensa que é mais forte que isso, está enganado.
Levanto da minha cadeira e o homem some como fumaça, em seguida ouço um piado de coruja na janela e um bater de asas, mas nada vejo.
Philip Manson, o homem que eu criei meu personagem. Sádico e doente, sem sombra, o homem que dizia que a vida é um canto de pássaros enquanto matou sua família esquartejada e ficou desaparecido por anos. Ele me perturba às vezes, isso me irrita, preciso logo acabar esse livro e publicar pra ter sossego. Mas não sei o que fazer com o infeliz no final, como eu sempre digo, o final é tudo que importa.
Tomei um banho pra esperar por Julie, ela chegaria logo... Sentei na varanda na frente, o infeliz do pai dela dormia na rede, provavelmente bêbado. Senti pena do pobre miserável, e tive que concordar com meu personagem maluco, que a vida é um canto de pássaros, basta sabermos ouvi-los...
O tempo foi passando, a presença de Julie na minha vida me ajudou, eu me sentia mais vivo e logo voltei a apertar as teclas do computador. Ela vivia curiosa querendo ler, eu decidi que só deixaria depois que terminasse e enviasse pra editora. Às vezes nós brigávamos, pois ela dizia que eu vivia penetrado e às vezes me esquecia da gente, novamente a mesma queixa que me causava arrepios na espinha, e no momento que me pegava pensando nisso, meu personagem infeliz aparecia pra me dar conselhos.


"Você viu o que aconteceu comigo, você viveu algo parecido e mesmo assim continua. Eu deixei de dar atenção a minha família por causa de uma maldita mulher, e você está se permitindo ser levado por essa paixão Josh, você já perdeu Evelyn e vai perder Julie também. Não adianta, você nasceu pra escrever e viver sozinho."


Perder Julie. Eu tinha medo disso acontecer. Philip vivia me alertando que isso aconteceria e que eu deveria terminar com ela, mas como um bom escritor eu sabia que era tudo fruto da minha imaginação e assim que eu conseguir finalizar a obra tudo iria passar e poderia ser feliz com minha mulher. Eu só precisava saber qual final dar pra aquele imbecil.