Notas iniciais
Esta é minha segunda fic, espero que gostem e comentem pra que eu saiba o que estão achando.

Julie Simons

Depois de um bom tempo na estrada chego no bairro mais pacato de Seattle, onde moram meus pais, Eddard e Catlenn Simons. Meu nome é Julie Simons, tenho 25 anos e sou formada em Recursos humanos pela universidade de Valderbilt, sim, ganhei uma bolsa de estudos integral e morei por quatro anos fora, e não, não consegui trabalho em Nashville, por esse e outros motivos me vi obrigada a retornar pra casa de meus pais.

Nunca tive um bom relacionamento com eles, não tenho irmãos, meu pai sempre foi metido com política e nunca tinha tempo nem paciência pra nós, então passei minha infância sozinha com minha mãe, que era submissa a ele, que batia na gente quando chegava em casa nervoso e na frente dos amigos corruptos do partido, era um pai e marido exemplar.... era complicado pois na minha adolescência eu rebatia os insultos dele, ela o defendia e eu ainda ouvia que a casa não era minha, por isso eu não tinha que questionar as ações dele.... e eu nunca aceitei isso por isso sai de casa aos 16 anos por conta própria, e com muito esforço trabalhando numa loja e estudando a noite na casa alugada que morei, consegui ir pra faculdade, e me considero vitoriosa por isso pois nunca precisei deles pra nada.... Mas, como o destino prega peças, aqui estou de volta pra essa cidade fria e chuvosa. O motivo de eu voltar? Alex, o rapaz que jurou me amar nos dois anos que ficamos juntos, que prometeu que logo após a formatura iríamos nos casar e que eu pensei que era o homem da minha vida simplesmente “encontrou outra pessoa”, de acordo com as palavras dele quando questionei o porquê ele queria “dar um tempo”. Então, sem emprego e sem onde morar, peguei o ultimo dinheiro que tinha e voltei, pretendendo ficar até arrumar outro emprego logo por aqui mesmo, me mudar rapidamente e esquecer Alex para sempre. Depressão? Não, de jeito nenhum, eu acredito que ninguém é tão fraco assim, passei por tanto na minha vida, que não vai ser um fim de namoro que vai me fazer cair.

Minha mãe ficou feliz em me ver, meu pai não perdeu a chance de falar que sabia que eu voltaria, pois a vida pra mim nunca seria fácil. A convivência é até tranquila, claro que eu saio cedo todos os dias e volto pra dormir, assim fica ótimo viver com eles.

Faz três semanas que estou aqui e todos os dias de manhã eu olho da janela uma figura esquisita e certamente aborrecida parada no quintal do outro lado da rua, que vem pegar o jornal e fumar um cigarro, aparentando ter uns 35 anos e vestindo blusa flanelada e calças jeans surradas que são bem comuns por aqui... mas ele aparenta ser diferente e me pergunto quem será aquele estranho que nunca fala com ninguém.

Como de costume fiz minha corrida pelo bairro logo cedo, ele como de costume estava parado em seu quintal, encostado na caixa de correio olhando pro jornal e pude notar mais de perto que seus cabelos lisos estão bagunçados e aparentemente mora sozinho, pela quantidade de caixas de fast food na lixeira, senti vontade de ir até lá conversar, mas resolvi que seria melhor ir logo pois já ouvi meu pai reclamando que eu tinha que arrumar emprego logo pois ele não ia me sustentar por muito tempo. Na hora do almoço eu já tinha entregado todos os currículos que pude, e parei no restaurante pra comer alguma coisa, senti uma pontada estranha na barriga, mas não dei muita atenção. Estava distraída no balcão aguardando a comida, quando sinto alguém sentar ao meu lado, como nesse bairro todos se conhecem, logo virei pra cumprimentar e pra minha surpresa era o meu vizinho da frente, só que dessa vez ele estava mais arrumado e pude notar que ele tinha os olhos mais lindos que eu já tinha visto.

Ele fala alguma coisa comigo que eu não pude processar na minha mente, pois logo uma dor terrível tomou conta de mim e eu perdi os sentidos.

Acordei no hospital com minha mãe ao meu lado, ela me contara que eu tinha sofrido um aborto e que Josh tinha me trazido pro hospital. Demorei pra entender que raio de aborto e quem era Josh... Eu estava grávida de Alex e não sabia, esse tempo todo que fiquei longe dele minha menstruação não veio e eu nem me dei conta, afinal eu estava bem estressada com a viagem. E Josh? Mamãe logo contou que o nosso vizinho da frente me reconheceu no restaurante e fez a gentileza de me socorrer e ligar pra minha casa pra avisar, quem nessa cidade não tinha o telefone do candidato a prefeito não é mesmo?