Notas iniciais
"Julgar-se-ia bem mais corretamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa." Victor Hugo

Quanto mais eu corro mais eu sinto que estou sendo perseguida. Posso sentir o pulsar do meu coração cada vez mais acelerado e ver a neblina que sai de minha boca cada vez que ofegantemente respiro. Faz frio, muito frio. Minhas roupas rasgadas não tem serventia alguma nessa floresta úmida e gélida. Não sei como vim parar aqui, nem sei como meu corpo chegou ao estado que ele se encontra agora, mas sei que há um corcel negro que se aproxima de mim a cada instante, ele não parece em nada querer amizade comigo, muito pelo contrário seus relinchos e olhos vermelhos só provam que ele quer me matar. Não parece ser um cavalo comum, sua estatura é elevada e seus olhos são de um vermelho sangue intenso. Sua crina é de uma aparência singular e por mais que chova muito seu pelo não parece estar molhado e sim perfeitamente escovado. A tempestade a cada momento fica mais forte. O barulho de trovões me provoca sustos contínuos, o solo está lamacento por causa da chuva e os galhos e arbustos ao longo do caminho me fazem tropeçar e até cair em alguns momentos.

Não encontro a saída da floresta ou se quer um esconderijo onde possa me abrigar até que ele desista de me perseguir. Subir nas arvores é algo que está fora de cogitação, os troncos se encontram muito molhados e por consequência escorregadios e a possibilidade de que eu caia e ele me alcance é muito grande. Por isso resolvo continuar fugindo dele, mas parece que não está adiantando de nada, posso ouvir o bater de seus cascos no solo cada vez mais próximo. Tropeço em um galho seco. Droga. Agora estou mais vulnerável do que nunca. Meu pé esquerdo parece estar torcido e a dor é muito forte. Tento me levantar, mas a cada vez que tento a dor é tão forte que me volto ao chão exclamando dolorosos gemidos. Percebo que ele está perto, cada vez mais perto, mais perto e mais perto. Até que finalmente consegue me alcançar. Grito por socorro. Sou mesmo uma idiota, que tipo de pessoal grita por socorro numa floresta à noite em meio a uma tempestade? Melhor dizer, que tipo de pessoa vai a uma floresta à noite em meio a uma tempestade?

Ele se aproxima de mim relincha bem no meu rosto e posso olhar diretamente nos seus olhos vermelhos, de perto eles parecem de um vermelho mais intenso do que eu pensava que eram. Agora escuto um voz que chama meu nome e a cada vez que essa voz me chama ele vai desaparecendo gradativamente enquanto a voz fica mais próxima e mais próxima. É uma voz conhecida. A voz de minha mãe.

– Suzan! Suzan! Acorda, você está bem? – abro os olhos e ofegantemente tento falar.

– A-acho que sim.

Notas finais
Se tudo der certo amanhã posto o primeiro capitulo. Deixem sua opinião sobre o prólogo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.