Um espinheiro em meio a tempestade
12 Um herói uh?
Notas iniciais
Três dias se passaram e Atsu estava morando na caverna, Yuna havia trazido alguns cobertores e outras coisas que até que deram uma boa aparência ao lugar e ela também vinha trazer comida todos os dias...O que de certa forma o incomodava. Conversavam bastante algumas vezes, outras apenas ficavam em silêncio, tudo aquilo mexia com ele.
Depois de tudo que aconteceu...Mesmo com aquele passado ou esperanças de um futuro quebrado, alguém como ela aparecia, porquê? Ele queria se manter longe, mas algo nela o trazia pra perto, algo que ele sabia que não seria tão bom, era algo que já havia o causado problemas antes. Ele não devia confiar, não queria confiar...Mas...
Pov's Atsu Onn
Ela faz meu coração parecer uma flor que brota através do chão de pedras. Já aconteceu antes, eu sei bem que não deveria deixar ela se aproximar mas...Eu quero.
Flashback
— ...Se eu puder salvar você...Então eu vou...
***
Vai mesmo han? Impossível, ela não sabe nada sobre mim e nem precisa saber, ela não vai durar muito mesmo.
Flashback
— Porque veio aqui?
— Ah...Eu vim porque...Porque queria te encontrar...Te conhecer.
***
Ela foi ignorada e envenenada duas vezes e mesmo assim se preocupa comigo...Qual o problema dessa garota? O que ela quer de mim?
Pov's Atsu Off
Ele foi tirado dos pensamentos com a voz dela.
— Hum! Tira a camisa.
— O que? Porquê?
— Já se passaram dias e seus espinhos não apareceram ainda! – Ela dizia enquanto levantava a camisa dele examinando suas costas.
— E por que se importa com isso?
Yuna deu um risinho.
— Você realmente ama essa pergunta.
— São espinhos venenosos, Yuna.
— Sim, e também são parte de você, não são?! – Ela disse por fim o calando.
Havia uma região das costas dele que estava roxa, muito feia e em cima subiam algumas veias grossas num tom de azul.
— Temos um problema.
Ele a olhou por cima do ombro.
— Que?
— Isso dói? – Ela perguntou tocando as veias altas com os dedos finos e ele balançou a cabeça negativamente. – E isso? – Perguntou de novo agora tocando a mancha roxa e ele gemeu de dor, então uma ferida se abriu na extensão da coluna e começou a sangrar. – Droga!!
Yuna correu e pegou um pano molhado jogado em algum lugar da caverna, ele estava sentando em posição de lótus com ambas as mãos forçando o chão. Ela forçou o pano contra o local estancando o sangramento.
— Desculpe!!
Ele respirava com força, elevou a voz e disse:
— Sai daí!!
— D-Desculpe, foi sem querer...Eu...
Atsu ergueu ainda mais a voz.
— SAI!!!
Ela o fez e rapidamente os três galhos saíram violentamente se chocando contra as paredes de pedra, retorcendo em ruídos estranhos e se espalhando por toda caverna, ela nem se mexeu, ficou parada perto de uma das paredes rochosa e por sorte não foi atingida, quando tudo se acalmou ela passou a se mover cuidadosamente tocando nos galhos que como se costume se afastavam e chegou até ele, então se ajoelhou e sentou–se por cima das próprias pernas olhando o garoto a sua frente que respirava ofegante de olhos fechados.
— Aí estão eles Yuna, feliz? – Disse quase sarcástico enquanto seu peito subia e descia com a respiração descompassada e deixou dois sorrisos rápidos escaparem.
Ela o observou e depois olhou em volta para a caverna cheia de galhos escuros.
— Suas costas ainda doem?
Ele balançou a cabeça negativamente e abriu os olhos normalizando a respiração.
— Estou bem...E você? – Ele perguntou e ela assentiu com a cabeça indicando que sim, então novamente olhou em volta.
— Como coisas assim cabem dentro de você?
— Eu não sei.
— É um poder maravilhoso.
Atsu fez uma careta como se a chamasse de louca e respondeu.
— É uma maldição.
— Eu não acho...Acho que você seria um herói se aprendesse a controla–los...
— Controla–los?
— Quer tentar? – Ela disse sorrindo empolgada.
— E se não der certo?
— Bom...Você não precisa ser um herói, é ótimo do jeito que é, mas seria bom tentar...É sempre bom tentar...
Ele se surpreendeu com aquilo, deu um sorriso de canto olhando–a.
— Um herói uh?
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