Notas iniciais
Espero que estejam gostando e.e senhores leitores fantasmas!

Atsu acordou se sentindo bem melhor, porém morto de fome, tomado por uma rápida perda de memória olhou em volta se perguntando onde estava, correu os olhos pelo quarto e em seguida pelo próprio corpo notando as bandagens, ao se lembrar da noite passada, sentiu vergonha da falta de roupa, ouviu então passadas, risadas e música, a porta do quarto se abriu. Ela sorriu ao vê–lo sentado na cama.

— Ah! Você acordou! – Yuna adentrou no quarto e abriu o armário procurando alguma coisa. – Tem roupas pra você na mesinha.

Ele olhou para a pequena mesa ao lado da cama e percebeu algumas peças de roupa preta dobradas.

— São do meu pai – Sorriu travessa – Mas são antigas então ele nem irá perceber que peguei.

Atsu apenas assentiu.

— Você está com fome? Tem bastante comida lá em baixo, não tem ninguém em casa então não se preocupe em ser visto.

Depois de ouvir a palavra "comida" ele avançou sobre as roupas da mesinha e começou a se vestir, ela ainda revirava o armário.

— Que música é essa? – Disse finalmente e ela riu, parecia tão animada.

— Estão fazendo uma festa no vilarejo.

— Uma festa?

— Pra comemorar a sua morte. – Ela o olhou, sorria como se dissesse "pobre inocentes" de um jeito tão idiota que ele quase riu.

Ele terminou de se vestir e ela encontrou o que procurava, tirou do armário uma flauta feita de madeira.

— Eu gosto de festa, de música, você não? – Ele deu de ombros. – Você devia ir...

— Numa festa em comemoração a minha morte?

— Sim!

Ela era doida! Mas tinha que admitir, era uma boa ideia...Ambos saíram do quarto e desceram as escadas.

— E quanto a isso? – Ele falou se referindo aos cabelos brancos.

— Use um capuz.

— E meu olhos? – Ela se aproximou olhando–o nos olhos.

— Não consegue fazer eles ficarem normais?

Atsu sorriu irônico.

— Claro! E também posso voar e cuspir fogo!

Ela riu e tirou algumas coisas do armário da cozinha colocando–as na mesa, pães, queijos, frutas, geleia e leite.

— Quando acabar guarde tudo e não deixe nenhum vestígio! – Yuna disse, saiu e fechou a porta.

Minutos depois de Atsu ter terminado de comer a porta se abriu.

— Yuna o– A menina de longos cabelos e olhos castanhos parou, o olhando.

Ele retribuiu o olhar e ela se lembrou das palavras de Yuna "Ele tem cabelos brancos e olhos de cobra", os olhos de Yuri se arregalaram e ela quase gritou, teria gritado se ele não tivesse tapado sua boca e fechado a porta.

*S-O-N*

Mais tarde, quando Yuna chegou em casa...

— Mas o que é que... – Ela disse se deparando com Yuri toda amarrada com os lençóis, jogada no chão, Atsu estava sentado na cama.

— Ela me viu e ia sair por aí fazendo escândalo.

Yuna voou sobre a amiga desamarrando–a.

— Atsu ela é minha amiga!! Ela não faria isso!

— Na verdade era isso mesmo que eu– Yuri ia dizendo depois que Yuna tirou sua mordaça mas parou após receber um olhar assassino da amiga que dizia "Fique quieta!!"

As duas se levantaram ajeitando os vestidos e Atsu se aproximou.

— Bom...Atsu, essa é minha amiga Yuri.

Ele apenas a olhou de maneira fria.

— E Yuri, esse é Atsu.

— O mutante.

— É...

Os três ficaram em silêncio se olhando.

— E o que ele está fazendo aqui? – Yuri perguntou cruzando os braços.

— Como assim? – O sorriso de Yuna desapareceu e o de Atsu se fez presente.

— Sim Yuna, o que eu estou fazendo aqui? – Ele perguntou com uma cara travessa.

Mais alguns segundos de silêncio e ela suspirou.

— Ele estava ferido, quase morto e...e...AH! Você sabe como eu sou...Ele só va ficar aqui até ter pra onde ir...

Ele arqueou uma sobrancelha pensando "Vou?" e entrando em conflito com seus pensamentos enquanto Yuri repreendia a amiga com o olhar. Depois voltou–se para Atsu o examinando de cima a baixo com os olhos, por fim o encarou e sutilmente se afastou indo para trás de Yuna.

— Os olhos são realmente assustadores.

Ele deu de ombros e se dirigiu até a janela, então Yuna se manifestou.

— Yuri...Promete não contar a ninguém que ele está aqui? Nem mesmo meus pais sabem.

— Quem é a sua melhor amiga que guarda todos os seus segredos uh? – Disse sorrindo. – Guardo inclusive facões caso esse mutante tente fazer alguma coisa a você....OUVIU!?

Mais tarde os pais de Yuna chegaram e Yuri foi embora...Depois do jantar Yuna conseguiu subir pro quarto com alguma comida pra ele, conversaram pouquíssimo antes de irem dormir, ela na cama e ele num amontoado de lençóis no chão. Obviamente era desconfortável para ela, queria fazer amizade com ele e ajuda–lo mas daí à dormir no mesmo quarto era demais...Vai que ele tem algum instinto escondido sonambulismo ou sabe–se lá o que.

Algum tempo passou e ela finalmente dormiu, ele se levantou cuidadosamente sem fazer ruído algum e saiu do quarto, com a mesma calma e cuidado porém de maneira ágil desceu as escadas, quando estava tirando a barra de madeira que trancava a porta ouviu o barulho de um fósforo sendo aceso atrás de si e congelou. Ela acendeu uma vela e sentou–se na mesa.

— Vai embora? – Perguntou sem olha–lo, ele permaneceu de costas.

— Sabe que não posso ficar aqui.

— Sei..Mas pra onde vai se for embora daqui?

— Porque se importa? – Perguntou, fitando–a sobre o ombro, ela sorriu de maneira triste.

— Se eu aprender a responder essa pergunta você fica?

Silêncio. Ele se afastou um pouco da porta e virou–se para ela, pequenos filetes de luar entravam pelas frestas da madeira iluminando fracamente o lugar.

— É...Talvez seja meio tarde pra sair.

Ela riu.

— Não acredito que estava apenas esperando o jantar, se queria tanto ir embora poderia ter ido de barriga vazia, sabe? – Disse brincalhona enquanto atravessavam a cozinha.

— Do que está falando? Está quase na hora de comer de novo...

— Não acredito que já está com fome!

— Fala baixo mulher!!

Curiosamente as noites em Son estavam mais calmas ultimamente, não haviam mais tempestades e nem sempre eram tão frias como antes.