Um espinheiro em meio a tempestade
15 Apaixonados Part 2 - Mishiro
Notas iniciais
Mishiro era órfão por parte de mãe, ela morreu quando ele ainda era bem pequeno, antes mesmo que pudesse criar lembranças com ela, foi assassinada num ataque de mutantes, desde então ele foi criado pelo pai Orochi que era o responsável pelo vilarejo.
Quando criança ele tinha o cabelo ruivo num tom forte que aos poucos foi escurecendo cada vez mais a ponto de parecer vinho, há quem diga que isso o torna um mutante também, mas é um garoto completamente normal, aliás as madeixas em tom estranho fazem fama entre as jovens de Son.
Mishiro sempre foi um garoto muito responsável e apegado ao pai, o admirava como homem e como líder, queria mais que tudo seguir os seus passos e se esforçava para manter a honra da família.
Apesar de ser constantemente convidado para almoços, jantares e outros eventos, por ser filho do chefe, ele passava grande parte do dia treinando, tanto a si quanto ensinando outros homens, mesmo tendo perfil para ser soldado do palácio, tudo que ele quer é assumir o lugar do pai na chefia do vilarejo quando o mesmo não puder mais cuidar de Son.
Em palavras resumidas ele era um bom garoto, só não tinha amigos...Não se sabia ao certo porque, talvez porque não se importava muito com isso e sim com os negócios da família... Falando de assuntos do coração, o garoto era péssimo em escolher pretendentes, dentre loiras, ruivas e morenas jovens de Son, algumas de famílias bem sucedidas, ele queria uma, e apenas uma...Yuna, a filha de um lenhador e de uma artesã...De todas era a que mais o fascinava.
A morena de olhos bicolores sempre o chamou atenção, além de linda, ela era animada e sempre otimista, delicada, educada, gentil...O problema é que desde crianças ele sempre demonstrou um carinho especial por ela e a mesma parecia nunca perceber, ou seja, aí vinha o defeito: Era tapada! De qualquer forma agora com seus 18 anos estava decidido a conquistá–la.
Mishiro treinava no celeiro quando ela passou na porta com uma bolsa de coura em mãos, já passava do meio–dia, ela costumava sair nesse horário, as vezes se perguntava se ela ia sempre a casa de uma amiga ou ao mercado, mas depois da noite passada agora achava que ela ia ver o tal monge Shin.
Ele saiu e a chamou, a mesma virou–se e sorriu.
— Oi...
— Olá... – O garoto respirou fundo, as vezes era difícil falar com ela.
— A onde vai?
— Ah...Eu...Estou indo ver uma amiga.
Soou um tanto duvidoso mas se ela estava mentindo era porque o assunto certamente não era de sua conta.
— Vai fazer algo hoje à tarde? – Perguntou nervoso desviando o olhar.
— Na verdade...Eu vou sim... – Mentalmente ele se xingou e ela já ia se retirando quando virou–se novamente. – Mishiro, sabe onde fica a casa da Yuri?
— Ham...Filha de Zarina? Acho que sei...
— Eu vou estar lá hoje à tarde, pode ir também se quiser.
Ambos sorriram e ele assentiu concordando, ela se despediu e foi embora.
Naquele dia quando Yuna chegou da caverna Atsu ainda dormia, ela deu um risinho e sentou–se no chão o observando.
Pov's Yuna Onn
Dormindo uma hora dessas? Será que ficou me esperando ontem a noite?
Não...Acho que não...Então está com febre?
Delicadamente, para que não acordasse, coloquei a mão sobre a testa dele e ele continuou dormindo, se quer se mexeu.
Não...Não está com febre.
Então ele se mexeu um pouco resmungando coisas que eu não consegui entender, a respiração estava calma e os cabelos sobre o rosto. Não consigo entender como Yuri pode ter medo dele...Olhando assim ele parece...Um anjo.
Pov's Yuna Off
Quando Atsu acordou ela deu um risinho da enorme cara de sono que ele ainda exibia.
— Boa Tarde! – Ela cumprimentou enfatizando a palavra "tarde" e ele se levantou espreguiçando–se num bocejo.
— Eu trouxe o almoço mas acho que deveria ter trazido o café-da-manhã.
Ele levantou em silêncio e lavou o rosto numa bacia, por fim, dizendo:
— Ainda tem um pouco das frutas de ontem, o lado bom é que não precisa trazer o jantar.
— Ficou me esperando ontem a noite?
Ele riu.
— Não sonhe, fui atacado por mosquitos sanguinários de madrugada, não dormi tentando mata–los.
Era óbvio que ele tinha ficado esperando, mas não diria.
— O grande Atsu, que cria uma muralha de espinhos e assuta um vilarejo inteiro não consegue matar uns mosquitinhos? Já pensou em se aposentar? – Ela disse brincando e ele cruzou os braços a frente dela.
— O que quer?
Então ela fez um muxoxo e ficou em silêncio, tinha sido um tanto grosso e não era como se ela não estivesse acostumada, mas de um tempo pra cá estavam se dando bem, era como se tivesse acabado de despencar 70 pontos na escala de intimidade, ou ele só estaria de mal humor porque ficou esperando o jantar?
— Ontem eu precisei ajudar um amigo com uma coisa muito importante.
— O Shin?
— Como sabe?
— Você tem outros amigos além dele?
Ela riu, as vezes parecia que ele a conhecia melhor que seus pais e isso era engraçado.
— Vim tirar suas medidas.
— Minhas...Medidas?
(...)
Enquanto tirava as medidas dele com algumas fitas Yuna contava sobre Shin e Momoe. Atsu achou curioso a garota ter falado dos defeitos do monge e Yuna acabou por pensar nisso também.
— Atsu...Pode me falar três defeitos meus?
— Não...
— Porque? Eu não vou ficar brava!
— É que ainda não encontrei nenhum... Você é perfeita...Por enquanto. – Ela parou o que estava fazendo e o olhou, um tantinho corada. – Talvez um deles seja que você se preocupa demais... – Ele concluiu e deu risada, então conversaram brevemente e depois ela foi embora.
*S-O-N*
Mais tarde na casa de Yuri os três jovens estavam reunidos, na verdade Yuna conversava à mesa com Zarina e Mishiro desconfortavelmente conversava com Yuri, não que ela estivesse sendo chata mas quando ele recebeu o convite de Yuna não imaginou algo como aquilo.
Yuna perguntava a Zarina sobre tipos de tecidos resistentes e assuntos relacionados a costura, a mulher até chegou a perguntar se Yuna pretendia fazer uma roupa para Mishiro e como ela tinha conseguido as medidas, tudo que a garota respondeu foi:
— Quando se quer, dá–se um jeito, não?
E assim o pobre Mishiro ficou a tarde inteira conversando com a amiga de Yuna. Era de dar dó, de certa forma ele tinha sido enganado, quando achou que finalmente teria uma chance de conversar e de conhece–la melhor, ele é largado na sala da casa de Zarina com a filha dela! Era como tentar fazer uma fogueira, chegar com a tocha e perceber um monte de vara verde! Mas pra falar a verdade ele estava mais chateado do que nervoso ou irritado.
Porém aquilo o fez pensar que deveria deixar de rodeios e ser direto, faria naquela noite mesmo. Então quando Mishiro e Yuna se despediram de Zarina e de sua filha, ambos andaram até a casa de Yuna.
— Yuna...Tenho que te contar algo.
— Hm? Diga.
— Já faz um bom tempo...Que eu...Gosto de você. – Ela parou de andar, por alguns segundos também parou de respirar. – Eu queria que me desse uma chance! – Ele estava perto dela...Perto demais! De modo que ela não podia desviar o olhar de suas orbes verdes.
— M-Mishiro...
— Eu quero casar com você Yuna, pense nisso...Por favor. – O garoto disse e se retirou deixando–a perplexa à porta de casa.
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