Um esperado inesperado amor.
32 Capítulo 32
Notas iniciais
PoV. Nicole
Claro que eu teria que ficar com a parte mais difícil! Duvido que convencer Mariana a ir nessa festa seja algo fácil, mas claro, eu tive que vir e ficar com essa "missão", como Markus costuma dizer. E por falar nisso, até agora ele não me ligou para falar sobre a surpresa da tia do Andrew, isso seria hilário se os dois pombinhos não estivessem brigados, mas desse jeito, não sei se é uma boa ideia. Finalmente chego no apartamento de Mari, desço do carro e ponho meu cachecol, ainda bem que o trouxe. Subo aqueles degraus e já chego na sua porta esbaforida, deuses, que situação! Preciso sugerir para o Andrew comprar um apartamento com elevador para ela como forma de reconciliação. Bato em sua porta e em pouco tempo, consigo ouvir seus passos.
— Oi! — ela sorri, surpresa ao me encontrar em sua porta — Tá tudo bem? — seu sorriso se desfaz.
— Sim! Na verdade, estaria melhor se eu conseguisse respirar e minhas pernas conseguissem se mover — digo escorada em sua porta e ela sorri novamente.
— Deixa de agonia! Vem — me puxa para entrar — Senta aí, vou te trazer uma água. — me deixa lá e se afasta.
— Sabe, você nunca pensou em se mudar para outro apartamento? — grito da sala, verificando se tem alguma notificação no meu celular. Encontro uma mensagem de Markus.
" Frozen, se apressa aí, Jack está vindo para cá para nos contar os planos da mãe. Completa a sua missão soldado, e volte para a base. Te amo Rambo"
Guardo o celular rindo da mensagem, não estou acreditando nisso! Isso é forma dele me chamar? Ele realmente acha que estamos em um filme de ação, e pior, do Rambo! Mas de qualquer forma, eu preciso me apressar aqui e não sei como fazer isso.
— Voltei! — Mariana me entrega a água — E não, não pensei em me mudar daqui, acho a área bem legal e o apartamento é uma graça! E ainda levo a vantagem de fazer um exercício para subir e descer — ela senta no sofá, na minha frente. Olho para ela desacreditando da sua fala.
— Sério? Você está mesmo falando isso?
— Tem razão, eu não estou ligando pra isso — sorrimos — Acho aqui legal, só isso. Então, o que te trouxe ao meu lar doce lar? Sei que não subiria essa escada por motivo nenhum.
— Claro que não! — coloco o copo em cima da mesinha de centro — Temos uma festa para ir. E não adianta dizer não, é uma festa importante e de gala, uma tradição da empresa. — concluo sem olhar para ela.
— Que empresa Nicole?
— A Forthshire, claro.
— Não. Adoro festas e seria ótimo pra minha autoestima, mas ir a uma festa da empresa do Andrew, com certeza não está nos meus planos. — ela parece decidida ao dizer isso. Droga!
— Olha Mari, eu te entendo. Mas você precisa ir, é uma festa onde todos os colaboradores da empresa vão. É importante, e você faz parte disso. Esqueceu que você é a co-criadora de algumas campanhas? Não participando disso, é o mesmo que abandonando o projeto. — concluo e sei que arrasei no argumento. Ela me olha, abre a boca algumas vezes e as fecha, sem dizer nada.
— Okay, isso faz sentido, mas tem que entender que não quero ver o Andrew. Quer dizer, quero vê-lo mais que tudo, mas sei que se encontrá-lo e ele me oferecer um sorvete, eu aceito. — ela diz emburrada e eu acho isso ótimo. Significa que pode ser muito mais fácil.
— Não acredito nisso. Você não me parece alguém que se renda tão facilmente, mesmo tão apaixonada. — completo, tenho que tornar isso mais emocionante. Ela ainda me olha com a cabeça apoiada na mão.
— É, eu sei que não. Mas eu sinto a falta daquele babaca e ele só faz me ligar. Quer dizer, só isso? Nem aqui, ele tentou vir! E se ele me ver na festa, e achar que eu já estou em outra e desistir de mim? São tantas coisas. — ela bufa e eu espero ela pensar durante alguns segundos — Hipoteticamente, se eu for, vai ter que jurar não me deixar sozinha e ir conversar com o povo lá. Pode ser?
— Claro! Não tenho muito o que fazer lá também. Vou representar minha empresa e só! Estamos resolvidas? — não dou tempo para ela responder — Ótimo! Precisamos ver o seu vestido, amanhã passo aqui e te pego para comprarmos. Agora preciso ir, tenho uma... uma... reunião na empresa! — ela ainda parece um pouco indecisa mas balança a cabeça afirmando. Abre a porta para mim e eu respiro fundo antes de descer aquela escada assassina novamente. Chego na sala de Markus e os três já estão reunidos.
— Rambo?! Sério? Rambo?! — pergunto para meu namorado, que me olha sorrindo. Se levanta e me beija.
— Poxa Frozen, eu te dei o nome de um mestre! Não deveria rejeitá-lo desse jeito! — ele comenta enquanto eu cumprimento Andrew e Jack.
— Me poupa Markus! Você poderia ter me chamado de Mulher Maravilha, Viúva Negra, Kill Bill, tantas! — sento na mesa e ele faz o mesmo.
— Acho que você combina mais com a Babydoll — Jack comenta destraído.
— Quem?
— Do filme Sucker Punch! Assistam, é ótimo! — ele responde e nós damos de ombro.
— Ta, depois. Eai, Mariana vai a festa? — Andrew me pergunta ansioso e eu confirmo com a cabeça. — Isso vai dar certo, eu estou sentindo!
— Esperamos que sim! Mas conta aí Jack, o que sua mãe pretende fazer? — meu amor pergunta e nós paramos para escutá-lo.
— Ela disse que prometeu fazer um show na Times Square, cantando a música I love rock'n roll, mas como a festa da empresa sempre tem uma surpresa e é bem tranquila e divertida, ela resolveu fazer nessa. — ele finaliza fatidicamente.
— Caralho! Eu amo a sua mãe, e isso vai fazer um sucesso estrondoso! — Markus comenta rindo e nós concordamos.
— Minha tia não pode fazer isso antes da minha conversa com Mariana. Markus, o seu trabalho é impedir! Não pode esquecer isso, dá um jeito de atrasá-la, não sei, se vira! — um Andrew nervoso se pronuncia e nós entendemos. Passado aquela reunião, no outro dia fui me encontrar com a mocinha para comprarmos o vestido, foi uma tarde mais divertida do que eu imaginei que seria. Finalmente, chega o dia da festa, alugamos que me levará a festa junto com Mariana.
Ela está incrível! O Andrew vai morrer quando vê-la desse jeito, claro que eu ajudei na escolha do vestido e ela optou por um Justin Alexander, branco e com um brilho perolado. Essa noite tem tudo para ser perfeita, acho curiosa a forma como ela em um momento parece um cara e em outros aparece desse jeito.
— Como estou? — pergunta ao entrar no carro, um tanto nervosa.
— Incrível garota! Juro que superou as minhas expectativas, ele vai morrer quando te ver assim! — solto e ela ri, negando com a cabeça.
— Estou com medo, mas vamos que vamos! — no caminho conversamos algumas bobagens, somente para entretê-la. O carro logo estaciono na entrada do hotel e é hora do show. Descemos e vestimos nossos casacos de pele, falso claro, sou super contra matar animaizinhos para isso. Chegamos na recepção juntas, a festa já tem bastante convidados e a Mariana medrosa ficou para trás no momento em que saímos do carro, aqui ela se mostra ereta e imponente. Recolhem nossos casacos e andamos pela festa, ainda não vi nenhum dos meninos e começo a me preocupar.
— Até que não está ruim — ela comenta sobre o drink com tequila que está tomando. Passa o olhar pela festa e paralisa, olho em direção e vejo Andrew parado, totalmente embasbacado. Gosto do que vejo e sorrio da cena, ele deve estar pirando e ela perde um pouco a estabilidade, mas logo volta ao normal e ergue o queixo, se virando de costas. — Merda! Você não faz ideia do quanto eu quero ir lá.
— Mas não vai — seguro em seu braço levemente — Deixa ele sofrer um pouquinho. Sorrimos, passam uns 30 minutos enquanto rodeamos a festa e conversamos com algumas pessoas influentes. Mariana se sai muito bem e mantém uma conversa e carisma com todos que cruza. De repente, a música para e a luz é diminuída. — O que está acontecendo? — ela dá de ombros e me olha. Peço para Mariana esperar e caminho até os dois patetas.
— Markus, cadê a tia do Andrew? — os dois me olham.
— Fica tranquila, ela não vai se apresentar hoje! — ele sorri convencido para mim e para o amigo, que não para de olhar Mariana. Me afasto deles e volto para a minha amiga.
— Senhoras e senhores! — a voz da tia de Andrew chega aos nossos ouvidos e eu paraliso. Que merda é essa? Eu vou matar o Markus. Olho ao redor e vejo os dois em um canto afastados, posso ver que algo deu errado quando meu namorado me olha com um sorriso amarelo — Como todos os anos, essa festa sempre tem alguma surpresa! E esse ano não seria diferente! — todos gritam e aplaudem, sem saber de onde a voz está vindo.
— Não sabia que a tia do Andrew também participava desse tipo de coisa — Mariana cochicha e eu sorrio amarelo.
— Sabe que eu também não? — comento. Alguém tem que impedir essa mulher! Olho para trás e eles não estão mais ali. Deuses!
— Esse ano, a coisa vai ser uma homenagem! Para uma pessoa muito importante, porque se não fosse essa pessoa, eu não estaria realizando esse sonho de fazer um show em público! — todos aplaudem novamente, inclusive Mariana. Estou tentando bolar um plano em minha cabeça. — Essa pessoa trouxe uma nova energia para a família Forthshire! Eu esp... — a voz dela é interrompida e todos franzimos as sobrancelhas, logo se faz um barulho ensurdecedor do microfone e ouvimos vozes — Mas o que é isso? — a voz dela volta aos nossos ouvido e ninguém sabe o que está havendo. — Ei, devolve isso moleque! — Algumas pessoas estão rindo tentando ver algo atrás das cortinas do palco e outras não estão entendendo. Antes que isso piore, resolvo tirar Mariana dali.
— Ei, tenho que ir no quarto rapidinho pegar .... pegar o.... meu relógio! — ela me olha estranhando, ainda tomando a sua bebida — Esqueci aqui mais cedo. Vamos? — vou puxando ela entre as pessoas, enquanto a confusão continua, até que faz um silencio.
— Mariana.
PoV. Mariana
É isso mesmo que eu ouvi? Me viro e Andrew está parado no meio do palco iluminado com um microfone na mão. Está me olhando. Não sei como reagir, estão todos começando a me notar e se viram para me olhar, pouco a pouco. Ele está no palco e se mexe um pouco incomodado, olha para o lado como se alguém falasse algo com ele atrás das cortinas.
— Mariana, eu... — todos estão assistindo essa cena e eu ainda parada segurando a bebida — Primeiro, eu queria dizer que você está incrível. — ele sorri com vergonha e passa a mão pelos cabelos — Eu queria.. te dizer uma palavras, mas... nossa — ele para um pouco , olha para todos. — Eu amo essa mulher e eu queria cantar uma música em sua homenagem — termina me olhando e eu ainda sem saber como reagir. É o Andrew mesmo ali? Meu deus grego certinho?
— Você está vendo o mesmo que eu? — pergunto para Nicole que está do meu lado e ela afirma com a cabeça, sorrindo. Um som se faz no salão, e eu conheço aquela música, conheço muito. Não acredito que ele vai cantar Hungry Eyes. Todos estão esperando , a voz de Andrew sai e eu só posso dizer que estou impressionada. Como ele canta mal!
— Por que não seguiram o plano? Agora ta aí com o mesma afinação do cebolinha cantando em russo. — Nicole resmunga e eu a olho. Não aguentamos e rimos, que situação! Ele continua a cantar e se ele pensa que só isso é suficiente, está muito enganado! Ele canta toda a música olhando para mim e eu não sei mais o que fazer, se é que algum dia eu soube. A canção vai terminar em alguns segundos e eu só quero sair daquele local. Quando termina todos aplaudem e estão achando tudo muito fofo, ele desce do palco e vem até mim, só penso em gritar e sair correndo.
— Oi — ele me diz quando chega perto.
— Oi — respondo calmamente. Nos olhamos por alguns segundos e eu retorno minha atenção a Nicole — Não disse que precisava pegar algo lá em cima? Vamos? — ela olha de mim para Andrew, sem saber o que responder. Mas logo assente e nós pegamos o elevador. — Deuses! O que foi aquilo?
— Verdade! O Andrew canta tão mal!
— Não! Quer dizer, sim! Mas não estou me referindo a isso, estou falando de tudo! — ela não responde nada. Chegamos no quarto e eu entro direto — Estou tão confusa! — me viro e não vejo ninguém — Nicole? — nada. Vou até a porta e vejo que está trancada. — Ei! — bato na porta.
— Não precisa se preocupar — ouço a voz do meu deus grego atrás de mim e me viro.
— Como chegou até aqui? Como entrou? — disparo.
— Pela outra entrada e eu tenho a chave. — me mostra e eu afirmo — Eu preciso conversar com você.
— Isso tudo foi um plano?
— Sim. Desculpe te desapontar, mas foi. Menos a música, não estava nos meus planos, tive que improvisar. — passa a mão pelos cabelos.
— Você? Improvisar? — sorrio fraco.
— Para você ver. — ele me acompanha. Nos olhamos um tempo sem dizer nada. — Me perdoa. Perdoa, por eu ter te escolhido,para ser pra sempre a minha companhia. Perdoa por eu ter acreditado neste sonho todo dia. Eu te solto, eu não te prendo, eu te livro faz o que é preciso. Eu não quero , eu não posso te obrigar a me querer na tua vida. Desenganos, sei, acontecem, desenganos vão, desaparecem. Eu não posso, eu não vou forçar a barra pra você gostar de mim.
— Ô Andrew, isso é uma letra de uma música bahiana! E das bregas por sinal! Na verdade, eu te apresentei essa música! — jogo a minha bolsa de lado e ele sorri.
— Eu sei, gravei só para te dizer agora! — quero muito rir mas tento me controlar — Mas o que eu queria dizer é que eu amo você, muito, e mesmo que você não me queira mais, eu vou estar aqui te esperando. Não importa o que aconteça, você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Mas isso também não é uma desistência, quero dizer que vou lutar por você. Sempre — ele finaliza e meu coração está batendo forte.
— Eu também amo você. Não pense que eu te esqueci — ele levanta o olhar e posso sentir sua esperança. — Mas toda aquela situação acabou comigo!
— Eu sei — ele dá dois passos para frente — Me desculpe por tudo aquilo. Eu sei, eu sou só um moleque como você disse. Eu poderia enfrentar aquilo de peito erguido, mas eu só quis me esconder e fazer drama! Mesmo no momento em que vi aquelas fotos, no fundo eu sabia que podia acreditar em você, que tinha alguma explicação para aquilo. Mas preferi me afundar. — ele chora nesse momento. E eu que já não posso ver ninguém chorando, que me olho lacrimeja, estou lascada — Não desiste da gente. Não desiste de mim. Eu preciso aprender muitas coisas da vida e muitas delas você me ensinou. Eu.. preciso de você, por favor garota perdida!
— Sabia que eu estava falando a verdade? — uma lágrima escorre do meu rosto e eu limpo rapidamente — Não posso negar nada que você falou. Você agiu mesmo dessa forma e isso me magoou demais, Andrew. — ele senta na beirada da cama e abaixa a cabeça — Não pode me pedir que eu aceite todas as suas atitudes, porque você já é um homem, é até contra a lei — ele está visivelmente chorando e mesmo assim, assente com a cabeça. Deuses, como eu amo esse homem! Me ajoelho em sua frente e levanto sua cabeça, ele me olha. — Mas, como eu não costumo seguir muito as regrinhas, vamos começar pela primeira : Comunicação é fundamental. Eu amo você e você me ama, precisamos confiar um no outro. Pode ser? — ele não parece entender o que está acontecendo muito bem.
— O que isso quer dizer?
— Não fui óbvia, meu deus grego?
— Vai me perdoar? — ele começa a sorrir.
— Acho que sim, não sei. Se prometer uma coisa.
— O que? Prometo, eu prometo qualquer coisa. — ele parece aflito.
— Nunca mais cantar. — ele sorri largamente e me puxa para um beijo, aquele do qual eu senti tanta falta. Com certeza, eu preciso dele e ele precisa de mim.
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