Yang havia acabado de chegar à Mistral quando viu uma tropa de guardas caminhando por uma rua. Ela achou aquilo estranho e foi ver o que estava acontecendo. Avistou Neo e um outro homem atacando alguém, a garota não pensou duas vezes antes de ir à direção deles para pará-los.

Ela acelerou sua motocicleta ultrapassando os guardas na rua sem atingi-los e seguiu em direção aos dois indivíduos no fim da rua. O homem que estava atacando o outro pegou Neo, mais algumas coisas e pularam para cima de uma casa, onde sumiram na escuridão.

Yang chegou perto da pessoa machucada. Era o Qrow.

—Tio Qrow?! – ela ficou horrorizada, o homem estava ferido e ensanguentado. Sua mão direita havia sido cortada e as roupas dele estavam rasgadas com marcas enormes de cortes. Por um momento Yang pensou que ele estivesse morto, mas ao se aproximar e checar o pulso do braço menos machucado do homem, ela suspirou aliviada.

—O que estava acontecendo aqui? – ela perguntou aos guardas.

—Eu recebi um chamado dizendo que havia um guarda morto, um assassino, um indivíduo suspeito e uma loja danificada, eu acho que foi isso... Em seguida alguém pegou o comunicador e disse que havia mais um guarda morto. – um dos guardas da tropa disse se aproximando, então Yang percebeu a poça de sangue no chão e os corpos dos dois guardas. Ela ficou horrorizada, nunca esperava ver aquilo em sua vida.

—Por que fizeram isso?!

—Há mais dois corpos aqui! – gritou outro guarda que andou à frente para vasculhar o escuro fim da rua.

Enquanto outros dois guardas ajudavam Qrow, Yang tomou coragem e seguiu à frente para ver os dois corpos encontrados. Ela quase caiu de joelhos ao perceber que eram Nora e Ren.

—Não... E-Esses dois... Não... Não pode ser! Não é possível! Por que isso aconteceu?! – ela chorou incrédula.

E Ruby?! Onde será que ela está?!

Enquanto isso, Neo estava brava com Tyrian. Ele havia dito que mataria o adversário, mas demorou demais em começar a fazer algo mais doloroso.

Os dois haviam se deslocado para um teto de uma casa maior e mais alta, onde dificilmente seriam encontrados.

—Não fique me fuzilando com o olhar assim! – Tyrian disse. – Eu ainda vou matar aquele homem, mas não posso deixar minha rainha esperando! Eu já perdi tempo suficiente aqui! – ele suspirou insatisfeito com a situação atual. – Você tem alguma noção do que é sentir que a pessoa que você mais ama te odeia?! É o que eu estou sentindo desde que fracassei! Se Ela não me perdoar, eu não terei motivos para viver nunca mais! – ele disse quase chorando. – Eu sempre fiz de tudo para agradá-la, mas falhei em capturar aquela garota idiota! – o faunus suspirou tristemente. – Eu... Eu só quero ver o sorriso de minha deusa! Há algo de errado com isso?! É errado querer agradar a quem você ama?!

Neo acertou na cabeça de Tyrian com o guarda-chuva dela e fez sinal com uma mão, pedindo silêncio. O faunus estava aumentando o tom de voz enquanto falava e aquilo poderia acabar chamando a atenção de algum guarda.

A garota pegou o scroll dela e começou a digitar várias coisas enquanto o homem escorpião se sentou do jeito que pôde no telhado e analisou o corte em sua perna do estilhaço do vidro que Qrow fincou ali. Após poucos minutos, Neo cutucou Tyrian com o guarda-chuva dela e entregou o scroll a ele.

Neo havia escrito: “Eu entendo como você se sente. Sei que você ama a sua rainha e quer agradá-la, mas tenho certeza que ela irá preferir que você elimine todos os obstáculos que surgirem do que só levar a garota até ela. Por que seria um trabalho mais completo, além de que podemos ter problemas com indivíduos que deixarmos vivos, o que ocasionaria em um atraso ainda pior para você. Aliás, deveríamos seguir a garota da motocicleta, ela é uma amiga da Ruby. E... Diga-me, porque você ainda está com a mão daquele homem? Vai usar isso para algo?”

—Oh, você é bem maldosa para alguém que tem uma aparência tão dócil... – o faunus riu e Neo suspirou impaciente com o homem enquanto ela colocava o chapéu do antigo parceiro na cabeça dela. – Eu queria a mão e a espada dele como um troféu... – Tyrian disse mexendo na mão cortada de Qrow como se fosse um brinquedo. – Mas talvez eu me livre disso se nós demorarmos a achar a nossa querida florzinha. Oh... Não vejo a hora de levar a garota até minha deusa! Serei perdoado!

Neo suspirou um pouco triste observando o homem escorpião. Ela nunca havia pensado que acabaria em uma situação daquelas, sendo parceira com um faunus obcecado por alguém que ele considerava uma deusa, rainha. Os dois tinham objetivos semelhantes, mas realmente valeria a pena fazer o que estavam fazendo?

Se o Tyrian fosse o Roman ou pelo menos agisse como ele...

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Qrow foi levado a um hospital, Yang o acompanhou. Ela ainda não conseguia aceitar que Nora e Ren estavam mortos. Mesmo que não fossem grandes amigos dela, eles eram colegas a quem ela tinha carinho. Os corpos deles foram removidos da rua pelos guardas para um local mais apropriado.

—Assim que ele acordar, teremos que interrogá-lo. Não sabemos o que houve lá e precisamos de informações. – um guarda falou à garota assim que Qrow foi levado pelos enfermeiros para ser atendido. – Colocamos uma equipe de vigilantes para procurar os agressores pelas ruas da cidade. Você ajudou muito descrevendo a aparência da garota, mas quanto ao homem ainda não temos certeza e será difícil realizar procuras no meio da noite. Mas, por favor, assim que este homem acordar avise-nos.

—Sim senhor, não se preocupe! – Yang disse e olhou o tio em uma maca sendo analisado por um médico e um enfermeiro.

Yang estava ansiosa, ela precisava saber onde Ruby estava. Se seu tio havia sido atacado e os outros dois estavam realmente mortos, isso só podia significar que a irmã dela estava correndo perigo também. Assim que o médico e o enfermeiro saíram do quarto, ela foi até Qrow e tentou acordá-lo.

—Qrow... Qrow, por favor, acorde... Qrow, eu preciso saber onde está a Ruby!

O homem abriu os olhos vagarosamente parecendo um pouco confuso:

_O-O que aconteceu? Onde estou? Y-Yang...?!

—Sim, sou eu! Como você está? O que aconteceu com você?

—Meu corpo dói muito... – ele disse com certa dificuldade e então arregalou os olhos. – Yang! Você... Você precisa ir até a Ruby! – Qrow tentou se levantar da cama, mas a dor em seu corpo era muita. – Eles... Eles vão capturá-la! Você tem que ir atrás dela!

—Quem são eles? O que eles querem? Por que te atacaram?! – Yang perguntou assustada.

—Não temos tempo para explicações! – ele disse nervoso e com dor ao mesmo tempo. – Vá atrás dela! Ela está em uma hospedaria de quatro andares... – Qrow explicou mais ou menos como ela poderia encontrar o imóvel. – E tenha cuidado! Verifique se ninguém estará te seguindo!

Assim que ela escutou o que Qrow tinha a dizer, Yang avisou ao guarda que o homem havia acordado. Ela saiu do hospital, subiu em sua motocicleta e saiu pelas ruas procurando o local que o tio descreveu.

Como ainda era noite seria difícil procurar um edifício específico no meio de tantos na cidade, mas ela precisava encontrar o mais depressa possível. Sua irmã estava em perigo.

Não muito perto e nem muito longe dali, Weiss se aproximava cada vez mais de Mistral.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.