Um engano do destino?
1 Capítulo 1
Notas iniciais
CAPÍTULO I
— Não vai me convidar para entrar?
Lino Jordan era um divorciado bonitão que se mudara havia pouco tempo para Lead, Dakota do Sul, como gerente de uma empresa.
Naquela noite se dera o primeiro encontro oficial entre os dois, mas Hermione Granger já sabia que não estava interessada. Pressentia que Lino procurava uma esposa, e era bom acabar com suas esperanças de uma vez.
— Desculpe, mas preciso acordar cedo para ir trabalhar e...
— Ainda ama seu ex-marido — interrompeu ele, mais magoado que aborrecido, antes que Hermione terminasse a frase.
Ela quase respondeu que seu amor por Victor Krum morrera após os seis anos de casamento, mas conteve-se a tempo.
— Talvez tenha razão — mentiu —, mas só percebi isso ao sair com outra pessoa. — Era uma desculpa plausível que não feriria o ego de Lino. — Obrigada pelo jantar e pelo cinema.
Lino a fitou de modo intenso.
— Quando achar que já superou esse problema, fale comigo.
Ela assentiu antes de fechar a porta do apartamento. Estava contente pelo fato de o encontro ter acabado, e tratou de não se sentir culpada. Foi até a cozinha e, com gesto automático, ligou a secretária eletrônica.
Seu cargo de principal assistente no Departamento de Turismo de Lead incluía receber muitos telefonemas em casa, após o horário de expediente. O verão era a época mais movimentada, quando os turistas chegavam em grande número querendo visitar o Monte Rushmore e Black Hills.
Deu uma olhada na correspondência que ainda não tivera tempo de verificar, enquanto ouvia as gravações.
As duas primeiras mensagens eram de sua mãe e da irmã Luna, que vivia em Lead com o marido Neville. Por azar Luna descobrira sobre o encontro nessa noite com Lino Jordan. A família estava ansiosa para que Hermione ou Mione como a chamavam, conhecesse alguém "digno" de seu amor, e todos se preocupavam pelo fato de não ter namorado. Não iriam ficar satisfeitos quando revelasse sua falta de interesse em Lino.
A mensagem seguinte revelou uma voz desconhecida:
— Sra. Krum? Meu nome é Lilá Brown, estou ligando da matriz do escritório de Fred Weasley, em Houston. Seu marido, Victor, sofreu um acidente, e pedimos que venha logo vê-o. Um visto especial foi conseguido para que entre no país.
País? Mione não entendeu nada. A mensagem continuava.
— Como não precisará entrar na selva, vacinas são desnecessárias. A empresa pagará o transporte e a hospedagem. Assim que ouvir este recado, por favor, entre em contato comigo pelo número de telefone que darei a seguir, de dia ou de noite, para providenciarmos suas reservas de passagem aérea e hospedagem.
Mione ficou parada, em estado de choque.
Fazia quase um ano que estava divorciada de Victor, e tinham vivido separados por seis meses antes disso. Não se falavam desde a oficialização do divórcio, e pensara que o ex-marido estivesse fora de sua vida para sempre.
Por que Victor mentiria a respeito de seu estado civil quando sem dúvida devia estar muito contente por ter recuperado a liberdade?
Quanto a trabalhar fora dos Estados Unidos, era pouco provável, a não ser que, como vidraceiro, pudesse ganhar muito mais em outro país. Essa história era um mistério, mas, fosse qual fosse a explicação, parecia que o estado de saúde de Victor era grave, do contrário a empresa não a teria contatado.
Depois de repassar a mensagem, a fim de anotar o telefone, Mione tratou de dar o telefonema. No segundo toque, alguém atendeu.
— Lilá Brown.
— Alô? Aqui é Mione Granger quer dizer Krum.
— Que bom que recebeu meu recado!
— Obrigada por ligar. Como está Victor?
— Gostaria de ter mais detalhes, lamento. Um funcionário da Weasley no Equador ligou para a matriz em Houston, informando que seu marido foi ferido.
— Equador?!
— Infelizmente não pôde me fornecer mais informações, mas isso é comum quando o local de trabalho fica a quilômetros de distância da cidade. A mensagem passou por diversas pessoas até me alcançar.
— Sim, compreendo.
— Darei o número do escritório de lá, e quando chegar ao Equador, tenho certeza de que obterá maiores informações, e saberá em que hospital seu marido está internado. O mais importante é fazê-la chegar ao país bem depressa.
Conversaram mais alguns minutos, e logo a passagem e estadia de Mione foram confirmadas. Após agradecer Lilá Brown, Mione ligou para o chefe, Cornélio Fudge, e informou que precisava de uma licença de emergência.
Fudge foi muito compreensivo, tranqüilizou-a a respeito do trabalho, e desejou-lhe uma boa viagem.
A seguir Mione ligou para a mãe e explicou a situação. Apesar de a senhora não gostar de Victor por tudo que fizera a filha sofrer, condoeu-se com seu estado de saúde, e disse que ela e Luna tomariam conta do apartamento de Mione durante sua ausência.
Sem tempo a perder, Mione tratou de fazer a mala, o tempo todo pensando como um simples telefonema conseguira virar sua vida de cabeça para baixo. Pouco antes nem sequer pensava em Victor, e agora estava indo a seu encontro. Como dissera à mãe, precisava ir ao seu encontro por uma questão de caridade.
Era difícil para Mione lembrar que um dia o amara. Victor fora criado pelo tio na Bulgária, e aprendera com ele o ofício de vidraceiro.
Quando os tios faleceram se mudou e obtivera um emprego em Lead, e lá Mione o conhecera e desposara. Nessa época ela não conhecia seu lado escuro, mas aos poucos foi descobrindo.
Victor era uma pessoa que não criava raízes, vivia se mudando de um estado para o outro, sempre desejando mais dinheiro e um emprego melhor. Mione suspeitava que o marido mantinha casos com outras mulheres, além de beber muito.
As longas separações que ele impusera para ir em busca de novas oportunidades de trabalho, sua total incapacidade de se estabelecer, e os dois abortos de Mione, quando estivera sozinha, conduziram ao desgaste do casamento e do amor.
Mas nada disso importava agora.
Dezoito exaustivas horas mais tarde, Mione chegou a Guayaquil, cidade de oito milhões de habitantes.
Depois de se registrar no hotel, ligou para o número que Lilá Brown lhe dera. A recepcionista passou-a para uma série de pessoas até que, afinal, alguém comunicou que Victor estava no hospital San Lorenzo. Era tudo que sabiam.
Mione agradeceu e foi tomar um banho, vestindo saia e blusa a seguir. Trocou cheques de viagem na agência bancária do hotel, e depois pegou um táxi.
Já passara férias em Los Angeles e Nova York, mas o tráfego noturno de Guayaquil parecia ainda mais caótico. Considerou um milagre alcançar o hospital sã e salva. Quando chegou ao andar indicado, um médico a recebeu na sala de espera, e em um inglês com forte sotaque, explicou:
— Seu marido vai ficar muito feliz em vê-la. Segundo o pescador que o trouxe ao hospital há três dias, chamou-a diversas vezes antes de perder a consciência. Como não tinha nenhuma identificação, demorou até descobrirmos que trabalhava para a Weasley Company.
— Ele está em coma?
Mione estava muito preocupada para tentar explicar ao médico que já não era esposa de Victor.
— Não mais. Despertou no hospital, e seu principal problema é a agitação. Mas agora que chegou, irá se acalmar.
— Por favor, doutor, qual sua verdadeira condição?
— Não há risco de vida. Os cortes no rosto foram suturados, e há queimaduras superficiais nas palmas das mãos, que logo cicatrizarão. E quando o ombro deslocado sarar, ficará bem. O maior dano foi causado na garganta. Depois do acidente, deve ter ingerido água do mar contaminada por algum agente químico.
— Que horrível!
— Não se preocupe, minha senhora. Ele vai ficar bem, mas no momento não consegue falar. Mais alguns dias e o inchaço desaparecerá, e então poderá nos contar como foi que tudo aconteceu exatamente.
O médico sorriu vendo a expressão de pânico no rosto de Mione, e continuou:
— Enfaixamos sua cabeça e rosto para proteger as suturas. Teve sorte, e os cortes não irão desfigurá-lo. Talvez necessite de uma leve plástica abaixo do queixo, mas ainda não sei se será preciso.
— Posso vê-lo agora, doutor?
— Claro! O quarto deve permanecer quase no escuro para que não force a vista ou tenha dor de cabeça.
Mione aquiesceu, e o médico falou em espanhol com uma freira, voltando a fitá-la em seguida.
— A irmã Angélica a levará até seu esposo.
Mione sempre tivera medo de múmias, portanto ao entrar no quarto e deparar com a figura enfaixada da cabeça ao torso, deixou escapar um grito involuntário.
A cabeça moveu-se para o seu lado, e a freira colocou um dedo sobre os lábios, como a pedir menos barulho.
Envergonhada pela falta de controle, ela se aproximou da cama.
Havia agulhas nos seus braços, e as mãos também estavam cobertas por gaze. Uma máscara de oxigênio cobria-lhe o nariz, e Mione se sentiu sufocar.
— Victor? Sou eu, Mione. Voei para cá assim que soube sobre seu acidente.
Ouviu um gemido.
— Não tente falar! Estou aqui e ficarei ao seu lado o tempo que for preciso.
Sentou-se em uma cadeira, e a freira sorriu com ar de aprovação, antes de se retirar.
Victor parecia ainda maior, refletiu Mione, mas devia ser por causa das bandagens. Só conseguia ver uma parte do ombro que não fora acidentado, e percebeu que estava bronzeado. Fingiu olhar em volta para ganhar tempo. O que dizer para o homem que já não era seu marido?
— O Dr. Dumbledore disse que chamou por mim várias vezes, e, devo confessar, fiquei surpresa ao saber que colocou meu nome e endereço como sendo sua esposa, na ficha de trabalho. Minha família mandou lembranças.
Ele ergueu o braço esquerdo, roçando a mão de Mione, talvez para agradecer, mas ela não tinha certeza. Resolveu continuar a conversar, apenas para distraí-lo:
— Não sabia que estava trabalhando na América do Sul. A julgar pelo seu bronzeado, está aqui faz tempo. Segundo o médico, dentro de alguns dias poderá falar, e me dizer do que precisa.
Ele voltou a emitir um leve gemido, e tentou mover a cabeça, fazendo Mione pensar que sua presença, em vez de acalmá-lo, o agitava ainda mais. Com medo de causar-lhe maiores aflições, levantou-se.
— Precisa descansar, Victor. Vou embora, mas prometo voltar pela manhã. Deixarei o telefone do hotel caso o hospital deseje entrar em contato.
Dessa vez o gemido foi mais intenso, e Mione quase saiu correndo, encontrando o médico no corredor.
— Já vai, Sra. Krum?
— Parece que Victor ficou mais agitado com a minha presença.
— Deve ser por rever a esposa tão bonita — brincou o Dr. Dumbledore.
Se fosse por isso, ainda estariam casados, pensou Mione.
— Dr. Dumbledore, o senhor não entendeu. Não sou mais esposa de Victor. Estamos divorciados há onze meses. Desde então não tivemos contato, e só soube onde ele estava quando recebi o telefonema da Weasley Corporation.
O médico não disfarçou o espanto, e Mione continuou:
— Não entendo por que colocou meu nome como esposa na ficha de funcionário, mas tenho certeza que dará uma explicação quando conseguir falar. O importante é que se restabeleça, porém parece querer me dizer algo, e isso deve forçar sua garganta. Estou no quarto 137 do Ecuador Inn. Poderá me contatar lá, caso precise.
— Muito bem — murmurou o médico, espantado com a revelação.
— Estão dando analgésicos para Victor, doutor?
— Tanto quanto pode tolerar. Talvez esteja agitado porque sua presença o fez se lembrar do fim do casamento. Quem sabe colocou seu nome como esposa na ficha porque se arrependeu do divórcio. Às vezes é preciso perder algo valioso para perceber a verdade. Já pensou que esse acidente pode levá-los a uma reconciliação, Sra. Krum?
Mione reconhecia a boa vontade do médico, mas a verdade era que ele não conhecia a real situação. Victor jamais se arrependeria, e devia ter um bom motivo para ter colocado seu nome na ficha.
— Nosso casamento terminou há muito tempo, doutor. Entretanto, isso não vem ao caso no momento, e desejo que Victor se restabeleça. Vejo o senhor amanhã.
Tratou de deixar o hospital e, quando chegou ao hotel, pediu o jantar no quarto. Já de camisola, ligou para a mãe e Luna, a fim de transmitir as novas informações sobre o estado de Victor.
Luna sugeriu que talvez ele tivesse mentido sobre seu estado civil para obter o emprego. Quem sabe a Weasley Corporation só admitisse pessoas casadas para trabalhar fora dos Estados Unidos.
Era uma possibilidade, admitiu Mione para si mesma. No dia seguinte visitaria Victor, e depois iria ao escritório da Weasley pedir maiores esclarecimentos. No momento ansiava por uma boa noite de sono.
Entretanto, apesar de exausta física e emocionalmente, foi difícil conciliar o sono. Ligou o aparelho de televisão e assistiu a vários programas em espanhol, até adormecer. A televisão continuava ligada quando despertou às nove horas da manhã seguinte.
Pediu café no quarto, tomou banho e vestiu-se com outro conjunto de saia e blusa. Depois tomou um táxi e se dirigiu ao hospital. Para sua satisfação, não fazia muito calor.
Durante o percurso, observou a cidade de Guayaquil e achou-a fascinante por estar à beira do oceano, e pela quantidade de pessoas bonitas que via a sua volta. Com tantas belas mulheres, pensou, Victor devia estar adorando viver ali. Sabia que o ex-marido gostava de pescar, e talvez o acidente tivesse acontecido em um pequeno barco. Será que mais alguém se ferira?
Mione estava impaciente para obter respostas, e correu para o quarto de Victor. A porta estava entreaberta, e um médico mais jovem que o Dr. Dumbledore retirava a bandagem que cobria a testa do paciente.
— Entre, señora Krum — saudou, endereçando um sorriso a Mione. — Sou o Dr. Dumbledore e estávamos aguardando sua chegada.
Mione concluiu que o Dr. Dumbledore não alertara o resto da equipe sobre o divórcio. Logo pôde ver o alto da cabeça de Victor, e observou que seus cabelos escuros, sempre muito curtos, haviam crescido bastante.
— Tudo está bem, o corte do queixo não infeccionou — prosseguiu o médico. — Vou colocar uma nova bandagem, e se tudo correr bem, amanhã retiraremos todas da cabeça.
Mione respirou aliviada.
— E as queimaduras, doutor?
— Estão cicatrizando. Amanhã aliviaremos as bandagens das mãos, e deixaremos seus dedos livres. Fico feliz em dizer que já não precisa de oxigênio para respirar.
— E o ombro?
— Vai precisar usar essa tipóia por mais três ou quatro semanas, mas de resto está em excelente forma. Seu marido sempre se exercitou?
— Não, depois que parou de jogar futebol na faculdade.
— Então andou se exercitando às escondidas. Não se fica com essa musculatura sem fazer ginástica.
Talvez Victor tivesse ingressado em uma academia, pensou Mione.
— E a garganta, doutor? Vai melhorar?
— Em poucos dias.
— Desculpe se pareço tão impaciente.
— Imagine... É uma prerrogativa das esposas. Ela ignorou o comentário.
— Gostaria de poder fazer alguma coisa por Victor no momento, doutor.
O Dr. Dumbledore terminou de colocar a nova bandagem.
— Você pode fazer uma massagem em suas pernas com a loção que deixei sobre a mesa. Irá relaxá-lo e ajudar a dormir.
— Está certo, doutor.
— Excelente! Tenho certeza que seu marido vai adorar.
Sem dúvida não era o caso, porém Mione não iria se recusar a dar um pouco de alívio para o paciente.
— Amanhã ele tomará um banho pela primeira vez desde o acidente.
Assim dizendo o médico saiu, e Mione comentou com Victor:
— Estou impressionada com o tratamento que lhe dispensam. Em breve se verá livre de todas essas bandagens, e posso imaginar o quanto está ansioso por isso. Até lá, farei o que o Dr. Dumbledore sugeriu, e espero que isso lhe dê um pouco de alívio.
Dirigiu—se à mesa e pegou a loção, voltando para a cabeceira da cama. Depois de abaixar o lençol e expor a perna esquerda do paciente até o joelho, espalhou um pouco de líquido na mão e começou a massagear.
Entretanto, ao começar o tratamento, enrijeceu de súbito. Deus! Aquele homem não era Victor!
Por certo aquela perna não pertencia a seu ex-marido! Conhecia muito bem o físico de Victor, que tinha pernas mais grossas, peludas e curtas que aquela! E seu pé era mais largo e não tão grande!
Mione começou a tremer. Com gesto brusco, ligou o interruptor da luz, e voltou para perto da cama, observando o homem ali deitado.
Olhos cinzentos cheios de dor a fitaram em meio às bandagens.
— Pobre homem — murmurou Mione, com voz trêmula. — Todo esse tempo as pessoas pensaram que era meu ex-marido! Não admira ter ficado tão agitado!
Ele deixou escapar um gemido, que Mione interpretou como um sim. Sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
— Lamento ter levado tanto tempo para descobrir a verdade. Quando cheguei ontem, o Dr. Dumbledore pediu-me para deixar o quarto às escuras. Se pudesse ter fitado seus olhos, teria visto logo que não era Victor. Mas o pescador que o trouxe aqui disse que falou meu nome diversas vezes. Isso quer dizer que conhece Victor? Presumo que sejam amigos ou colegas. Os dois estavam no acidente?
O estranho tentou acenar, mas sem dúvida o gesto era muito doloroso, porém Mione percebera que entendia inglês.
— Fique quieto — pediu. — Por favor, não se agite. Sem dúvida tem família e amigos que o estão procurando. Devem estar muito aflitos, sem notícias. Vou avisar o hospital agora mesmo! Depois irei à polícia para saber se a Weasley notificou o desaparecimento de alguém. Talvez a esta altura Victor esteja em outro hospital.
Dessa vez o estranho balançou a cabeça em negativa.
— Se não foi para um hospital, sabe onde ele está?
O homem tornou a fazer um gesto afirmativo que, sem dúvida, voltou a lhe causar muita dor.
— Tudo bem! Tente dormir um pouco. Prometo que voltarei assim que for possível.
Mione voltou a cobrir-lhe a perna, e ajeitou o lençol. Apagou a luz, e saiu do quarto. Para seu alívio, o Dr. Dumbledore estava na sala de espera. Levou-o a um canto, e contou-lhe o que descobrira. Chocado, o médico prometeu que informaria a equipe do hospital sem perda de tempo.
Meia hora depois, Mione contou a mesma história para o capitão Rúbeo Hagrid, na principal delegacia de Guayaquil. Ele nada sabia sobre um acidente no mar, e começou a fazer um verdadeiro interrogatório. Mione fez uma descrição completa de seu ex-marido. Quanto ao estranho que jazia sobre o leito do hospital, havia pouca coisa a contar.
O capitão disse que mandaria outro policial ao hospital para conversar com os médicos que o atendiam. Se a polícia pudesse localizar o pescador que o levara até lá, seria muito bom.
Mione avisou que iria descobrir onde Victor morava, e voltaria a entrar em contato. O homem acidentado dera a entender que ele não estava em nenhum hospital.
O policial concordou, e em seguida Mione rumou para o escritório da Weasley Corporation. Um táxi a levou para o centro da cidade, e deixou-a junto a um complexo de prédios, onde se encontrava o da empresa.
Uma bela recepcionista a recebeu, mas avisou que não poderia fornecer informações confidenciais sobre nenhum funcionário. Entretanto, assim que Mione mencionou Lilá Brown, secretária do Sr. Fred, sua atitude mudou. A jovem ligou depressa para alguém, e depois checou no computador, fornecendo o endereço de Victor, mas não havia nenhum número de telefone.
Quando Mione saiu do prédio e pegou outro táxi, o motorista informou que levariam uma hora para chegar ao tal endereço, mas ela não se importava. Entregou-lhe cinqüenta dólares, e pediu que a levasse até lá. Aquela hora o tráfego não era muito intenso, e chegaram ao destino em cinqüenta minutos. Mione viu-se nos arredores da cidade, em frente a um prédio de três andares. O cenário ali era bastante pobre, e crianças brincavam nas escadas.
Mione pediu que o motorista a aguardasse, e tratou de entrar. O nome de Victor constava de uma lista de moradores afixada junto a um interfone, e parecia que morava no segundo andar. Ao chegar à porta, Mione bateu, mas não obteve resposta.
— Victor? Sou eu, Mione.
Como ninguém respondeu e estava ansiosa para resolver a situação, girou a maçaneta.
Um grito a surpreendeu, e deparou-se com uma jovem com menos de vinte e cinco anos, de cabelos negros, olhos castanhos e muito bonita. Usava o roupão amarelo que Mione dera a Victor anos atrás e, sem dúvida, estava... grávida.
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