Um engano do destino?
6 Capítulo 6
Hermione engoliu em seco. Amava tanto Ronald que não saberia como lhe recusar um favor. Entretanto a intuição pedia que agisse com cautela. Ele se levantou da cama.
— Esqueça! Fique aqui, assista ao resto do filme, enquanto cuido de Lilá.
Então era isso!
— Ela veio mesmo? — perguntou, incrédula. — Quer dizer... sinceramente não esperava que fosse tão audaciosa.
— Um marinheiro acabou de me informar que ela está no deque inferior, esperando permissão para subir.
— Meu Deus! E se Jorge estivesse aqui? Por que seu irmão Fred não a despede?
— Teme que Jorge seja obrigado a voltar ao tribunal para pagar mais dinheiro à ex-esposa. Meu irmão caçula está tentando levar avante um negócio de gado, mas a avidez de Lilá por dinheiro dificulta as coisas.
Hermione não entendia o que ele quisera dizer com ajuda.
— Como posso ajudar?
— Já que ela veio até aqui porque tem ciúme de você, sua cooperação poderá me livrar desse problema que me perturba há anos.
— Bem, já que é assim, farei o que quiser.
— Tem certeza?
— Quando dou minha palavra, falo sério. — Ronald a fitou por um longo momento.
— Muito bem! É bom terminar com essa história de uma vez por todas!
— E onde devo ficar quando Lilá chegar?
— Pode ir para a cozinha e preparar uns drinques.
— Certo!
Enquanto preparava as bebidas, Hermione lamentou não ter tido tempo de ir para seu quarto, aplicar batom, e mudar de roupa. As que usava eram muito simples, mas não havia remédio. O som de uma voz feminina chegou aos seus ouvidos.
Dirigiu-se à sala de estar, e lá encontrou Ronald com uma mulher sentada no sofá. Lilá Brown era deslumbrante.
De altura mediana e peso certo, usava os longos cabelos escuros em um rabo-de-cavalo. Os grandes olhos castanhos e o sorriso que mostrava dentes perfeitos fizeram Hermione pensar em uma garota simples e espontânea. Enquanto examinava o conjunto verde que delineava suas formas, podia compreender por que Jorge se apaixonara. Ronald fora uma exceção por não cair em sua rede.
— Por fim nos encontramos — murmurou, oferecendo os drinques.
— Sim — replicou Lilá. — Quem poderia pensar que o homem no hospital era Ronald em vez de seu marido? Meus pêsames.
— Obrigada. Agradeço seus esforços para me fazer vir até aqui.
Ronald convidou-a para se sentar também, e Hermione observou que o sorriso de Lilá se tornara menos esfuziante.
— Estava dizendo a Ronald que meu patrão, seu irmão Fred, permitiu que viesse até aqui para ajudá-lo até se recuperar.
Hermione teve certeza que a outra mentia, e não sabia o que responder.
— Nada como a família em uma hora de crise — acabou por murmurar, sem graça.
Lilá fitou Hermione com atenção.
— Quanto tempo pretende ficar no Equador?
— Partirei para os Estados Unidos em breve.
Uma expressão de puro alívio surgiu no rosto bonito de Lilá.
— Então ficarei contente em ajudá-la com os preparativos da volta.
Ronald esvaziou o copo, e replicou:
— Não será necessário. Já providenciei tudo.
— Mas não devia se preocupar em sua convalescença.
— Não é incômodo, Lilá, mas sim um privilégio, porque levarei Hermione para Dakota do Sul a fim de ajudá-la em um serviço fúnebre para seu ex-marido.
Lilá engasgou com seu drinque, e os olhos castanhos voltaram a pousar em Hermione.
— Ex-marido?! Então... é divorciada?
— Há quase um ano. Victor mentiu para a empresa sobre seu estado civil. Não sabe como fiquei surpresa com sua mensagem. Já não nos víamos desde a separação, e ignorava que estivesse no Equador.
Lilá estava furiosa, e não tentava disfarçar. Hermione sentiu-se obrigada a dar maiores explicações.
— O único motivo de não ter dito ao telefone que era divorciada de Victor, foi porque pensei que a empresa só contratasse homens casados para trabalhar fora dos Estados Unidos. Temi que, caso dissesse algo impróprio, ele fosse mandado embora em um momento tão difícil.
— E por que se importaria? — dardejou a outra, demonstrando seu caráter.
Hermione respirou fundo.
— Porque, apesar de divorciada, me preocupava com seu bem-estar. Compartilhamos nossas vidas por um certo tempo, e isso conta.
— Tudo depende do marido.
O comentário fez Hermione pensar em Jorge.
— Ronald me contou que foi casada com seu irmão caçula, Lilá. Tenho certeza que, apesar de divorciada, iria ajudá-lo se precisasse de auxílio.
— Talvez.
— Jorge me levou até o apartamento de Victor, onde encontramos sua namorada que está grávida. Ele lhe deu dinheiro em nome da Weasley Corporation, e creio que foi um gesto de uma pessoa justa.
Ronald a fitou com surpresa, porque não conhecia esses detalhes, mas Lilá o distraiu.
— Quando volta de Dakota do Sul, Ronald?
Ele se levantou, aproximou-se de Hermione, e colocou uma das mãos em seu ombro.
— Não tenho certeza. Tudo depende de Hermione aceitar ser minha esposa e secretária particular.
Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Hermione observou o rosto pálido de Lilá, enquanto seu coração batia de modo desordenado. Tentou recuperar o ar, e recordou trechos da conversa recente.
"Algo errado, Ronald?"
"Não, se concordar em me ajudar, Hermione."
As mãos de Lilá pareciam garras, ao segurar as bordas do sofá. Encarou Hermione.
— Vão se casar?
Ronald devia estar desesperado para lhe pedir tal coisa, apesar de ela ter prometido que o ajudaria. Assim pensando, Hermione respondeu:
— Ainda não é certo. Primeiro realizaremos o serviço fúnebre. — Sentiu um aperto firme no ombro, que a fez estremecer, enquanto Ronald dizia:
— Então, como pode ver, não necessito de mais ajuda. Telefonarei para Fred a fim de agradecê-lo por ter cedido sua secretária para que viesse até aqui.
— Não será preciso — apressou-se a dizer Lilá.
— Muito bem. Estávamos assistindo a um filme quando você chegou, e queremos continuar. Vou levá-la até o elevador.
— Vá se deitar — disse Hermione, assumindo o papel de mulher apaixonada, o que não era difícil. — Acompanharei Lilá.
Ele se inclinou, e beijou-a no pescoço, quase fazendo com que perdesse o equilíbrio. Em seguida despediu-se friamente da visitante, e deixou a sala.
Com passos duros, Lilá dirigiu-se ao elevador, e o brilho furioso dos olhos castanhos foi a última coisa que Hermione viu, antes de a porta se fechar.
Sem perda de tempo, dirigiu-se para o quarto de Ronald, onde o encontrou já deitado, e assistindo ao filme com prazer.
— Ela se foi.
Ronald apertou um botão e congelou a imagem na tela, sorrindo com satisfação.
— Minha tática funcionou.
Porém, ante tanta calma, ela sentiu uma grande irritação.
— Sim, mas vai voltar e dizer ao seu irmão Fred que vamos nos casar. Quando sua família descobrir que isso não é verdade, é provável que Lilá volte a atacar. Creio que sua vitória foi temporária, Ronald.
— Depende de você.
— O que quer dizer?
— Ainda no hospital, decidi oferecer-lhe o emprego de secretária particular. Jamais tive uma, porque me parecia desnecessário. Mas no momento sinto que é indispensável, e você é especial.
— Esse comentário vindo de um magnata me lisonjeia muito, mas...
— Não terminei de falar.
— Desculpe.
— Terá mais problemas para resolver neste navio do que no Departamento de Turismo de Lead. Diga quanto quer ganhar. Posso lhe oferecer uma vida segura, e tempo livre para receber sua família e ir visitá-la, além da oportunidade de conhecer o mundo. Porém algo me diz que isso não basta...
— Acha que sou uma ambiciosa? — Ronald sorriu.
— Ainda não terminei. O que a faz tão importante e necessária para mim, é essa sua qualidade feminina que sabe tão bem lidar com as pessoas. E uma criatura cheia de compaixão, Hermione, mas percebo que só se sentirá completa com um marido e filhos.
Ela se deixou cair sobre a poltrona mais próxima. Sim, Ronald a conhecia profundamente.
— Sou um solteirão empedernido, portanto não tenho traquejo nessas coisas, mas estou pedindo que seja minha esposa. Não precisa me responder já, e até prefiro que assim seja, até que tenhamos realizado a cerimônia para seu ex-marido.
— Creio que já falou demais, e precisa repousar a garganta.- Mas ele ignorou o comentário.
— Tive muitas mulheres na vida, mas sempre acalentei um sonho que agora se tornou realidade: a cidade flutuante. Isso me impediu de criar raízes porque não seria um marido ideal. Entretanto, nos últimos dias, concluí que minha vida entrou em nova fase, e senti que não quero continuar sozinho. Sua presença fortificou essa idéia.
— E sobre o amor?
— Já o conhecemos no passado. Ambos sabemos o que é a paixão e o mistério entre um homem e uma mulher. E você já soube o que é ficar grávida.
Ante essas palavras, Hermione evitou encará-lo.
— Tem medo de engravidar de novo e perder a criança? –
Ela balançou a cabeça, confirmando.
— Isso explica por que está tão ansiosa a respeito de Parvati. Lágrimas teimaram em rolar pelas faces de Hermione, que murmurou:
— É horrível perder um bebê quando se está sozinha. O vazio é enorme, ainda mais por não se ter ao lado o homem responsável por essa vida, seja porque ele não quer ou porque não pode estar perto nesse momento.
Interrompeu-se, e enterrou o rosto entre as mãos, a fim de se conter.
— Desculpe, Ronald.
— Nunca peça desculpas por suas emoções, Hermione. Já sabemos que existe essa química entre nós, que nos faz ler os pensamentos um do outro. Também existe respeito, bom humor e, creio, lealdade, no nosso relacionamento. Esses são sentimentos poderosos para forjar um bom casamento, e, quem sabe, um dia surgirá o amor.
Ele se esquecera do desejo físico, refletiu Hermione. A força que trazia animação e vitalidade a um casamento, assim como bebês. E seu desejo por Ronald Weasley era enorme...
Lembrou-se que Jorge lhe dissera que o acidente deixara o irmão vulnerável, porque, pela primeira vez, experimentara o desespero. Então ela surgira em sua vida, como uma tábua de salvação.
Entretanto ainda estava convalescendo, e dali a uma semana talvez não pensasse da mesma maneira. Era provável que mudasse de idéia, depois de ir para Dakota do Sul.
— Vou pensar no caso — murmurou por fim.
— Essa conversa me deu muita fome. Se não se opõe, gostaria de comer um sanduíche de queijo quente. Quando voltar continuaremos a assistir ao filme. Estava chegando na melhor parte.
— Não espere por mim — gritou Hermione, que já corria para a cozinha. — Já assisti muitas vezes.
— Mas não será a mesma coisa sem sua companhia.
–---
—... E tornaremos a encontrar nosso irmão Victor Krum no dia do Juízo Final. Amém.
O pastor terminou de falar, e a congregação entoou um cântico. Hermione sentia-se gratificada por ver a capela repleta. Um singelo tributo fora prestado para Victor e os tios que o haviam criado.
Uma cerimônia fúnebre em Spearfish fora a coisa certa, porém não conseguia esquecer-se do homem que estava sentado alguns bancos atrás.
Graças à generosidade de Ronald Weasley, a igreja recebera uma boa soma em dinheiro para suas obras, e uma lápide de mármore fora encomendada para o túmulo da família de Victor.
A mãe de Hermione estava encantada, e não permitira que Ronald fosse para um hotel. Recebera-o em sua casa em Lead e, de certa forma, a filha sentiu-se aliviada, porque assim não teria de hospedá-lo em seu próprio apartamento. Ronald também encantara sua irmã Luna, que o elogiava a todo momento, e Hermione não podia culpá-la, porque ele era mesmo maravilhoso.
Ninguém queria vê-lo regressar para o Equador, em especial ela mesma, que temia que tivesse mudado de idéia sobre o cargo de secretária particular e, principalmente, esposa. Desde que tinha chegado em Dakota do Sul, Ronald não tocara mais no assunto.
Quando a cerimônia terminou, Hermione tratou de conversar com vizinhos e amigos, a fim de se afastar um pouco de Ronald.
— Querida — disse a mãe — vou voltar para Lead com Luna e Neville. Quando você e Ronald chegarem lá, almoçaremos.
— Ele pretende voltar para a América do Sul hoje, mamãe.
— Se bem o conheço, não irá rejeitar uma boa refeição primeiro.
A senhora observara Ronald Weasley o suficiente, e já que o inchaço na garganta desaparecera, comia de tudo e com enorme apetite.
— Foi uma linda cerimônia. Obrigada por tudo — murmurou Hermione com voz embargada.
— O que houve, meu bem?
— Nada. Estou um pouco emotiva.
— Então não o deixe partir — sussurrou—lhe a mãe ao ouvido. Ela descobrira seu segredo!
— Hermione? — A voz possante de Ronald, totalmente recuperada, soou com ânimo. — Posso ajudar em mais alguma coisa?
Vestido com um terno sob medida de seda cinza, estava tão lindo que ela não ousava encará-lo. Tinha medo de ficar de boca aberta, e fazer papel de boba.
— Não, obrigada. Podemos ir?
Após se despedir de mais algumas pessoas, encaminhou-se para o estacionamento, de modo deliberado caminhando bem na frente de Ronald, a fim de pegar a direção do carro antes que ele o fizesse.
O médico dissera que precisava manter a tipóia por mais umas semanas, portanto Hermione dirigira até Spearfish no seu Honda Civic. Nos últimos três dias fora enfermeira de Ronald, e o tempo passara tão depressa que ela mal se dera conta. A idéia de que ele em breve partiria deixava-a deprimida.
Quando penetraram nos limites de Lead, Ronald quis saber:
— Por que ainda não me levou ao seu apartamento? — A pergunta a pegou desprevenida.
— Andamos tão ocupados que não houve tempo.
— Temos tempo agora.
Hermione sentiu o coração acelerado.
— Minha mãe nos espera para o almoço e, depois que comermos, precisamos partir para o aeroporto em Rapid City.
— O piloto estará pronto quando eu decidir partir. Estacionaram na entrada da casa da mãe, atrás do carro de Nev.
— Não acho que seja uma boa idéia, Ronald. -A tensão crescia entre os dois.
— Isso porque decidiu se casar comigo e teme que tente fazer amor antes do casamento?
— Ora! E claro que não!
Na verdade, o que temia era que ele não tentasse fazer nada!
— Acabou de comparecer a uma cerimônia fúnebre para seu ex-marido, e tenho bom senso e sensibilidade suficientes para saber que não seria hora nem lugar para intimidades, Hermione. Tenho curiosidade em conhecer seu apartamento apenas para saber mais a seu respeito. Se sexo fosse tudo o que desejava, não teria proposto casamento.
Então ele não mudara de idéia! A oferta estava de pé.
— Creio que deixei claro que pretendo levar as coisas com calma, mas esteja certa que anseio por um dia termos um casamento normal com filhos.
— Já demonstrei no passado que não sou uma boa reprodutora — murmurou Hermione, baixando os olhos.
— Bem, da minha parte nunca tentei ser pai, portanto estamos empatados. Não se preocupe, que sempre a apoiarei.
Ela sabia que podia confiar em sua palavra.
— E agora que esclarecemos esses pontos importantes, posso dar a boa nova a sua família? Gostaria que voltasse comigo hoje. Temos um casamento para planejar, e muito trabalho a fazer.
O cérebro de Hermione se agitava em um turbilhão de idéias. Seu primeiro casamento fracassara, e era loucura mergulhar em outro, sabendo que não era amada. Seria um enlace de conveniência, porém o pensamento de perdê-lo e de nunca mais vê-lo...
— Capitães de navio ainda têm o poder de realizar casamentos?
— Só se forem clérigos também. Por sorte o capitão Rogers, do Atlantis, foi capelão naval e ainda tem seus poderes eclesiásticos. A capela no primeiro deque irá acomodar nossas famílias muito bem.
— Creio que a minha não poderá comparecer, Ronald. Meus parentes não têm passaportes.
— Tenho um amigo no governo que lhes dará vistos temporários. O que mais a preocupa?
— Meu emprego.
— Lamento pelo seu pobre patrão, pois você é insubstituível. -Hermione sorriu.
— Ele não é um pobre-coitado.
— Será, quando souber da novidade.
— E sua família? Não ficará chocada?
— Feliz, eu diria.
— Quando pretende lhes contar?
Os olhos cinzentos de Ronald brilharam de modo divertido.
— E por acaso pensa que será uma grande surpresa e que já não imaginavam isso? Jorge deve ter se incumbido de contar que estávamos juntos no Atlantis, e no momento talvez esteja chorando pelos cantos. O que mais a preocupa?
— Tenho um apartamento para deixar vago.
— Isso é fácil. Darei um telefonema e contratarei uma empresa de mudanças. Enviarei um avião para levar suas coisas até o navio.
Ele parecia estar sempre cem passos adiante.
— Luna e Nev precisam de um carro. Posso dar o meu para eles.
— E precisa levar sua certidão de nascimento para o Equador.
— Minha mãe deve ter uma cópia aqui.
— Por falar nela, já chegou ao portão, e está acenando para nós. Mas antes de descermos, há mais uma coisa. Dê-me sua mão.
Com o canto do olho, Hermione viu algo luzir, e um segundo depois, Ronald enfiou—lhe no dedo um enorme brilhante engastado em ouro. Trêmula, viu que era em forma de coração, e soltava faíscas como o de verdade, que tinha no peito.
–---
— Hermione? Ronald?
O capitão Rogers, do Atlantis, imponente em seu uniforme branco, postava-se à frente do casal.
— Depois de amanhã este navio colossal empreenderá sua primeira viagem. Muitas pessoas aguardam esse momento. Dirão que é uma obra extraordinária de engenharia, e um fato miraculoso na história da humanidade. Entretanto, algo ainda mais glorioso está para acontecer aqui e agora. Suas famílias, amigos e associados compareceram para testemunhar a união de duas pessoas de valor nos sagrados laços do matrimônio.
Voltou-se para o noivo e prosseguiu:
— Para que essa união perdure, você, Ronald, precisará se perguntar todos os dias de sua vida o que pode fazer por sua esposa, e agir. — Fitou a noiva com um sorriso. — E você, Hermione, pergunte-se sempre o que pode fazer por seu marido, e agradá-lo.
A cerimônia prosseguiu, e enquanto Ronald pronunciava as palavras com vigor e clareza, Hermione mal conseguia se recordar do pobre homem enfaixado que conhecera no hospital.
O noivo ao seu lado nesse momento resplandecia em um terno formal azul-marinho, com uma gardênia na lapela, e dispensara a tipóia.
Trocaram as alianças, e o capitão disse:
— Os símbolos são sempre lindos, mas nada significam sem a compreensão verdadeira. Aí reside a mágica e o poder de sua união. Pela autoridade da Igreja a mim concedida, declaro-os marido e mulher. Ronald, pode beijar a noiva.
Então o noivo inclinou a cabeça e a beijou. Para a maioria das pessoas, o primeiro beijo acontecia muito antes da cerimônia do casamento e, em geral, com privacidade. Entretanto nada com Ronald Weasley era muito tradicional e previsível, refletiu Hermione, que correspondeu com entusiasmo.
Por fim ele se afastou, e seu rosto estava muito pálido.
— Sente dor? Sabia que devia ter usado a tipóia!
— Estou bem.
Mas não dava para acreditar, pois algo mudara. Será que ele se assustara ao sentir que correspondera ao beijo com muito entusiasmo? Estaria preocupado, achando que ela esperava por alguma coisa que não estava preparado para lhe dar?
Mas os pensamentos de Hermione foram interrompidos pela voz do capitão, que pedia aos presentes para se dirigirem à recepção no salão principal.
Ronald passou—lhe um braço pela cintura, e quase correu entre as filas de convidados sorridentes.
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