Um dia de chuva

1 Um dia de chuva


Notas iniciais
esse one shot foi escrito por mim em uma madrugada de inspiração a uns 5 meses, mas só decidi postar agora xD
Espero que goste

Eu estava perdido... A pouco mais de 5 minutos eu estava em um ônibus, mas cochilei enquanto esperava para ir minha parada e passei dela, agora estou no meio de um local que eu nunca visitei antes na cidade e para a minha sorte eu comecei a escutar trovões. Andando por uma rua desconhecida no mapa da cidade que eu tinha em minha mente e esperava chegar numa rua que eu já havia mapeado, mas me vejo falhar de forma miserável. Começava a ficar irritado e sem pensar nem meia vez eu chuto uma parede qualquer, mas ainda mais rápido do que o pensamento anterior eu me arrependo porque a dor veio e eu tinha a quase certeza de que eu tinha encravado uma unha.

Impressionantemente a situação melhora, começa a chover sobre meus cabelos e eu fico encharcado, absurdamente irritado e com o pé fudido. Sem outra possibilidade eu volto a andar e me lembro do meu celular, mas é claro que ao tira-lo do bolso eu os derrubo numa poça de agua formada em um buraco na rua... Era o único buraco numa rua perfeita e ele tinha o tamanho perfeito para o meu celular novo. Eu respiro fundo, conto até cinco e pego celular e o guardo na calça novamente.

O que eu fiz para eu ter que me fuder tantas vezes em só um dia? Hoje eu não fiz muita coisa e nenhuma que precisasse ser castigada, quer dizer, isso pode ser um castigo por eu ter ficado até três da manha jogando videogame e um aviso para nunca mais jogar basquete mesmo estando morto de sono.

— Ei! – Um grito feminino quebra o meu pensamento e eu olho para uma casa a alguns metros na minha frente, na sacada uma garota e a dona da voz.

Eu reconhecia aquela garota de cabelos curtos de cor preta azulada como o céu noturno, os lábios rosados, a pele delicada e os olhos marrons mais profundos que eu já vi... Ela tinha características fáceis de lembrar. Possivelmente no colégio...

— O que foi? – Eu digo a ela quando chego de frente à casa que ela estava. Eu respondo de um jeito bem tranquilo para a situação que eu me encontrava e aquilo me surpreendia... Talvez a chuva gelada tenha me acalmado.

— Minha mãe esta falando pra te chamar pra dentro de casa. Quer vir? – Ela diz se apoiando na sacada, me olhando com um sorriso de canto dos lábios enquanto eu me aproximo e me protejo da chuva com o telhado da casa dela.

— Vocês não sentem medo ao convidar um estranho para a casa de vocês? – Eu digo para ela em um ato estranho de praticamente negar o convite irrecusável dela.

— Eu te vi hoje no colégio, não é um completo estranho – E ela ri de um jeito que me hipnotiza de um modo que me deixa sem palavras por alguns segundos... Eu nunca havia imaginado que um riso de uma garota aparentemente gótica iria me deixar daquele modo – Vai entrar ou não, Marshall Lee?

— Marshall... – Eu reconhecia aquele nome que ela usou para se referir a mim, um personagem de um desenho que passava no Cartoon Network, um personagem que só existia num mundo paralelo do desenho normal onde sexo e características dos personagens normais mudavam. Por um momento eu respiro fundo antes de responde-la – Vou sim, Mavis. Pode abrir a porta para esse príncipe demônio vampiro? – Eu brinco com a piada que ela tinha feito com minha aparência, eu realmente parecia o personagem: Cabelo liso que ia até um pouco depois da orelha, olhos cor rubra e orelhas levemente pontudas. Por que eu chamei a garota de Mavis? Porque era o nome de uma personagem de um filme de animação que lembrava bastante ela... Hotel Transilvânia, eu creio.

A garota ri com minhas palavras e sai da sacada, nisso eu encosto-me à parede enquanto espero ela vir abrir a porta. Ela demora uns minutos, mas quando ela abre eu vejo uma toalha nas mãos dela. Eu pego a toalha sem pestanejar e começo a me secar como se fosse a melhor coisa que eu já tinha feito no mundo.

— Eu trouxe essa toalha para se secar, senhor. Ah, espera... Você já pegou a toalha – Ela diz enquanto ri de leve, colocando as mãos para trás e balançando um pouco... Ela é muito “mordível”

— Desculpe, e obrigado... – Eu coloco a toalha sobre meus ombros e estico a mão para um cumprimento. Havia conversado com ela por alguns minutos e não havia me apresentado em momento algum, ainda – Me chamo Marcus. Prazer, Mavis.

— Me chamo Luna. Prazer, Marchall – Ela sorri e morde o lábio inferior bem de leve e aquilo me atiça um pouco, talvez por eu estar vidrado na aparência da garota. Ela aperta minha mão e em seguida olha para o lado de dentro da casa – Vem, minha mãe esta chamando... – Ela deixa caminho aberto para a casa e eu entro sem pestanejar, mas tiro os meus tênis antes por estarem sujos de terra e encharcados.

Dentro da casa estava uma mulher de cabelos negros que iam até o meio das costas dela, a pele extremamente clara e olhos verdes. Ela tinha uma expressão bem calorosa e gentil...

— Prazer... Luna disse que é um amigo dela, certo? Nunca veio aqui antes – Ela diz num tom baixo e gentil, e quando eu escuto a mulher um leve empurrão vem pelo lado da garota.

— Pois é, eu conheci a Luna recentemente. Queria ter vindo aqui em uma situação diferente – a primeira coisa que digo a aquela mulher é uma mentira que eu nem sabia o porquê que ela aconteceu – Prazer, eu me chamo Marcus...

— Prazer, Marcus. Pode me chamar de Leya... Pode tomar um banho aqui se quiser. Meu filho mais velho esta viajando e as roupas dele devem caber em você, pode pegar uma muda de roupas até as suas secarem.

— Não precisa disso, senhora. Logo a chuva deve passar e eu já irei embora – Eu digo a ela e sorrio de leve, mas estava envergonhado com o que a mulher oferece...

Passaram-se alguns segundos e eu acabei cedendo e aceitei o banho porque não aguentava mais a mulher me encarando fixamente. No caminho da entrada da casa ao banheiro eu não vi o pai de Luna.

No banheiro eu tiro minhas roupas e quando ligo o chuveiro eu escuto a voz de Luna do lado de fora, falando de um jeito bem mais inquieto do que anteriormente.

— Eu irei deixar as roupas do meu irmão aqui... Lave sua cueca no chuveiro e use-a – Eu em seguida escuto os passos dela se afastando do banheiro

Eu não demoro muito no banho, lavo meus cabelos e o corpo numa velocidade anormal, mas dou um foco à cueca porque não é agradável usar uma peça de roupa suja. Eu espremo a peça ao desligar o chuveiro, tirando todo o excesso de agua possível até eu sair do Box. Eu visto a cueca e um short jeans, mas a regata branca que ela havia deixado ficou apertada.

Eu saio do banheiro e volto à sala onde estava Leya e Luna, que a me ver sem camisa ela cora absurdamente como se nunca tivesse visto um garoto sem camisa antes, mas eu acabo corando também principalmente pela reação dela.

— Err... A camiseta ficou apertada – Eu digo meio sem jeito, revirando os olhos enquanto mantenho meu olhar em Leya, mas de relance olho Luna e a vejo tampar a face com as mãos... Era uma reação absurdamente fofa que me vez ficar vidrado nela por um breve momento.

Sem pensar muito a Luna vai até o segundo andar e poucos momentos depois ela me joga pela escada uma camiseta preta que era visivelmente maior que a regata branca. Eu visto a camiseta ali e fico quieto... Leya quebra o silencio constrangedor poucos segundos após.

— O jantar esta pronto... Venham comer – Ela diz sem olhar para nós dois, mas só pelo silencio e pelo o que ela conhecia da própria filha devia saber que estava uma situação constrangedora entre mim e ela. Obrigado Leya.

Eu fico receoso quando me sento à mesa, não tinha conforto algum em comer numa mesa que eu nunca tinha ido e de pessoas desconhecidas para mim. Eu me sentia mal por mentir para Leya sobre eu conhecer a filha dela, mas manteria a mentira já que eu logo iria comer ali a pouco sai do banho... Eu vou ficar devendo a Luna para o resto da minha vida por esse dia.

— Como vocês dois se conheceram? – Leya pergunta a mim enquanto ela desliga a panela elétrica e coloca um pouco do arroz pronto no prato dela. Eu engasguei com minha própria saliva depois da pergunta.

— Foi no... – Eu começo, esperando que Luna continuasse, e assim a garota fez.

— No primeiro dia de aula teve uma espécie de boas vindas aos novos alunos e depois disso os segundanistas ficaram responsáveis de mostrar o colégio para os primeiranistas... Eu estava no grupo que o Marcus ficou responsável – Ela disse de uma forma tão convincente que eu tinha quase certeza de que ela realmente estava no grupo que eu fiquei encarregado... E se isso fosse verdade eu me sentiria mal por não ter me lembrado dela.

— ah! – Leya diz de uma forma que fica bem clara a sua surpresa – Então você é segundanista... Espero que esteja cuidando direitinho da minha filha.

— Como o homem responsável que sou eu juro que irei cuidar da sua filha – E no segundo seguinte eu vejo Luna corar e percebo um segundo sentido naquela frase, que me fez corar também – Claro... Não é no sentido de casar... Ou qualquer coisa assim...

Luna corou ainda mais com minhas palavras e ficou tao vermelha que parecia que ela iria explodir.

Ela respirou fundo.

E expirou com peso.

— Em momento algum eu pensei em algo assim... – Leya diz e ri logo em seguida, me fazendo coçar minha cabeça por não saber se era ou não ironia.

Depois das palavras da mulher o tempo passou bem lentamente enquanto nós comíamos lentamente.

Aquela comida era melhor que a da minha mãe.

Durante aquela janta maravilhosa dava para ouvir o barulho da chuva passando e por isso eu fiquei aliviado, afinal poderia ir embora assim que terminasse de comer, e assim eu decidir fazer.

-- Obrigado pela comida... – Eu digo assim que termino meu prato – Eu irei ir embora... Já atormentei demais vocês duas por hoje – Eu dou um riso sem jeito enquanto coço a nuca – Obrigado mesmo... Juro que irei retribuir.

-- Não se preocupe com isso, ok? Se você é um amigo de Luna você é um amigo da nossa família... – a mulher morena diz para mim com o sorriso mais sereno que eu já vi na minha vida. Se ela não tivesse uma filha de quinze anos eu daria para ela, no máximo, 22 anos.

-- Bem, obrigado... – Eu respondo a ela – Hoje é sexta então... Segunda eu entrego essas roupas para a Luna no colégio

Ela assentiu com a cabeça e depois se levantou, deixando eu as sós com a garota por longos dois minutos. Ela volta segurando uma sacolinha e me entregando. Eram minhas roupas sujas.

Arya e Luna me acompanham até a porta e se despedem de mim quando eu passo por aquele pedaço de madeira que separava a casa do quintal deles... A porta se fecha comigo do lado de fora e eu percebo que já estava tarde e eu não tinha um real no bolso, o que me forçou a voltar até o ponto de ônibus e ali pedir informações sobre o local e como chegar até um ponto onde eu poderia me orientar e voltar andando para minha casa. Eu tive que andar pouco mais de cinco quilômetros até chegar à minha casa.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!