Um dia comum
1 Ciclo urbano
pela última vez um faxineiro acordava
levantando da cama, a perna esticava
saía do quarto para uma confraternização
estava muito animado, mas com os pés no chão
ele sabia que algo estava errado lá fora
sentou no sofá e assistiu o programinha da Dora
tomou coragem
tomou banho
e foi pra garagem
meteu-se em seu veículo
ligou o rádio para escutar sacanagem
usava um fone minúsculo
para esquecer que praticava agiotagem
em nenhuma estação passava música boa
mas sabia que não iria ficar à toa
costumava escutar of monsters and men
mas gostava de funk também
saiu de sua toca com o carro
fumando um cigarro, fumando um cigarro
tossiu e soltou um catarro
fumando um cigarro, fumando um cigarro
em seu carro o faxineiro morria de rir
pois deu preferência às piadas da rádio tupi
o semáfaro se aproximava
na avenida ataulfo de paiva
ele queria se distrair
para as dívidas e compromissos não estava nem aí
desceu o vidro
levantou o dedo
e desrespeitou
o semáforo tinha olhos cristais verde e ardente
que até iluminava toda aquela gente
o vermelho é uma cor quente
que tenta disciplinar o infringente
o final já chegava, então de nada adiantava
freou seu carro lindo e roubado
chegaram os assaltantes e gritaram: "isso é um assalto"
não recordava de seus encargos
os bandidos fizeram um barraco
lembrou que tinha dinheiro em barcos
mas os bandidos só sabiam fazer um barraco
mentira, eles sabiam atirar também
e mandaram ele para o além
um além frequentado de infratores
que gritavam e representavam todas as dores
morreu pensando em justiça
fumando um cigarro, fumando um cigarro
mas cometia injustiça
fumando um cigarro, fumando um cigarro
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