Um deus entre nós
4 Lar Doce Lar (Parte II)
Notas iniciais
Lar Doce Lar (Parte II)
O lugar parecia uma daquelas salas de segurança que ficavam os ghouls do Submundo. No meio daquele emaranhado de fios, achei ao menos cinco monitores, uns sete ou oito CPU’s e uns três teclados. Não existia mesa da cozinha, ou o que era pra ser, estava com uma pilha de papéis, e ainda mais fios. Um frigobar e um microondas faziam-se presentes.
A pilha de lixo no canto do... tanque estava lotado de embalagens de congelados. E o tanque tinha pilhas de roupas molhadas boiando em meio a louça suja. Um rato saltou do tanque para o chão, deixando um rastro de água preta para trás. Ao meu ver, ele havia desistido de tomar banho naquele lugar.
Segurei minha pasta firme, e dei dois passos a dentro, tomando cuidado com meus tênis coloridos, e minhas roupas novas e firmezinhas. Não queria deixar meu anfitrião com uma má impressão. O lugar ainda tinha as janelas lacradas, e cobertas de sacos-preto, daqueles de lixo mesmo. E o cheiro... a mais pura naftalina. Aquela era de qualidade! Matava até o chiuaua da vizinha que se atrevesse a atravessar a porta. Mais uma réplica de Mickey Mouse passou por entre os fios no canto leste do apartamento, por entre os fios. — Chuchu beleza. – Hera iria me pagar. Larguei minha pasta em uma poltrona... vazia, onde havia uma pilha de roupas, e ao julgar pelo cheiro, sujas.
- Ér, tudo bem. Vou voltar ao trabalho. O banheiro é por ali, se precisar. – Ele apontou para um corredorzinho que davam para duas portas sem verniz, e mofadas. E claro, uma era o banheiro. Sentou-se em frente a um notebook e pegou o copo de café descartável, com o logo da cafeteria que arranjara emprego, e virou-o.
Olhei a minha volta. Aquele lugar poderia até ser pior que meus dominios, mas eu realmente gostara dali. Havia algo... especial. Mesmo assim, ainda sentia falta de minha mulher, e por incrivel que pareça, minha sogra. Então havia algo errado.
Resolvi conhecer o restante do lugar, além da sala e cozinha... de segurança. Segui até o corredor, passando a mão pelo batente da porta e as paredes mofadas. A luz vacilava no teto. Curioso, resolvi abrir uma das portas e checar.
Fui primeiro na que existia no final do corredor, a porta em mogno fosco e mofada estava apenas encostada, e forçando-a, ela facilmente abriu. Nada muito espetacular: Um banheiro. Seu cheiro era incrivelmente forte e péssimo, mas ainda era um banheiro. E tudo o que deveria ser branco, estava amarelado, encardido, escuro, nojento. Até mesmo o chuveiro estava em estado de calamidade. Fechei a porta e respirei fundo. Ar puro, aliás, mofado. Mas melhor que o cheiro ácido do mijo alheio.
Precisaríamos de uma harpia da limpeza ali. Nem mesmo os campos Asfódelos eram tão ruins em termos de limpeza.
Me dirigi então para a outra porta. Havia um pequeno aviso de ‘Não entre’, estranho, tratando-se de alguém que morava sozinho. Ou era o que pensava. Abri-a com cuidado, espiando o que havia lá dentro.
Uma pequena televisão, de umas catorze polegadas em cima de uma cadeira, e uma cama de solteiro desarrumada. Um rotweiller dormia num cantinho encolhido, amarrado com uma corrente grossa. Uma lampada pendia acima de um recipiente de vidro, quase um aquario, aliás, um terrário. O cachorro parecia fazer a guarda da caixa de vidro iluminada. Ele me lembrava Cérbero. Suspirei. Sentia falta de meu bichinho.
O lugar era quente e úmido, e pelo que sabia, então não era um terrário, era uma estufa. Não identifiquei a planta de primeira, mas havia uma plaquinha escrito: cannabis. Era bem verdinha, e com cheia de pontinhas. O cheiro era... interessante. Teria que mandar uma mensagem de Íris à Perséfone, e perguntaria mais tarde, então. Fechei a porta e fui novamente para a sala. Era praticamente fim de tarde, e o sol se punha lá fora, as pessoas pareciam exaustas e estressadas, e graças aos deuses as janelas tinham um sistema de isolamento de som, então, estávamos em paz e silêncio, a não ser o ‘tec tec’ do teclado de meu companheiro de quarto.
Poderia ter feito qualquer coisa, saído dali ou algo assim, mas não. Tirei de minha maleta habilmente um travesseiro e um edredon. Meu novo amigo não os viu, o que dispensou explicações fora do comum. Ajeitei meu sofá, que tinha sua espuma e molas a mostra e me deitei, arrancando os tênis. Estalei os dedos novamente, e estava de pijamas. Seda, da cor do Estige. Muito chique. E meus pensamentos novamente foram repreendidos por minha consciencia sensata. Andar com Afrodite era um problema.
Peguei o controle remoto e liguei a plasma de quarenta e duas polegadas. Estava passando um documentário interessante sobre vida após a morte. Um monte de baboseiras. Mal sabiam eles que as coisas eram bem diferentes na realidade.
Depois falaria com minha esposa. Ajeitei-me para finalmente sucumbir aos braços de Hipnos e Fântasos.
Notas finais
Obrigada a quem favoritou, e está mandando reviews.
Fico extremamente feliz!
E obrigada a quem me mandou os parabéns essa semana!
E bem, quero ideias!
Querem ver nosso Hades descolado passando pelo quê?
Comentem!
Sem medo!
Fiz vocês rirem?
Está meio... complicado, afinal, sem escola, é dificil a criatividade surgir em meio a férias tediosas que você não sai de casa.
Mas fiz o que pude.
Obrigaaada, e comentem!
Reviews com estrelinhas são o máximo! :B
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