Um deus entre nós

3 Lar Doce Lar (Parte I)


Notas iniciais
Desculpem a demora. Leiam a segunda nota.

III – Lar Doce Lar (Parte I)



Havia alguns anúncios colados em postes no meio da Rodeo Drive. Uma das plaquinhas colados com cola precária, daquelas genéricas de Super-Bonder, que gruda até a alma pra não ir embora no Styx, estava dizendo assim:
“Aluga-se quarto para rapazes.”

Aquelas letrinhas chamaram minha atenção. Não sabia como, mas eu sabia ler em inglês. Bendito mundo ocidental. E aquilo era bom, e eu não me importava com o preço. Afinal, poderia fazer um corte de gastos no Elísio, e no salário exorbitante de Caronte. Arranquei o papel do poste, com todo o cuidado divino possível e fui direto ao endereço que havia no cartaz.


A entrada do prédio era num beco úmido e escuro, aquele lugar mais parecia com os becos de Nova Iorque com seus ratos do que um beco da chique e movimentada Los Angeles. Haviam algumas janelas quebradas e poeira para tudo quanto era lado. Aquele lugar era mais feio que o Tártaro, conseguia ser pior que o Tártaro. Ao menos lá, as harpias da limpeza cuidavam das coisas, e eu cedia uma boa verba para produtos de limpeza, mas aquele lugar era... terrível. O submundo era limpo, escuro e úmido, mas limpo. Meus olhos passaram ao redor da porta com pelo menos meio quilo de teias de aranha, e um símbolo dourada estava na porta, em relevo. Um Ômega, uma letra grega. A última letra grega. Que bonito, com certeza minha irmãzinha Hera queria que me sentisse em casa. Agradeci a ela mentalmente, prometendo uma blusa nova daquela boutique de Los Angeles que estava morrendo de vontade de visitar. Epa, isso soou... feminino demais. Eu tinha esposa, e a amava. Aliás, havia sequestrado-a por isso, era bom fazer juz ao meu ‘tom de macho’. Mas mesmo assim, Hera merecia alguma lembrancinha.


Droga. Teria que parar de conversar com Afrodite. Aquelas ideias sobre moda, e beleza estavam tomando minha mente.

Abri a porta e subi as escadas, o cheiro de mofo estava impregnado no lugar tinha um estranho cheiro que lembrava realmente o Tártaro, se não fosse o bolor. Mas era um pouco reconfortante. Talvez Cérbero agora estivesse sentando em cima de algum espírito fazendo-o dissipar no ar na fila de morte Expressa, ou quem sabe, mascando a bolinha vermelha que lhe dei antes de sair. Seria bom levá-lo ali. Ou ainda, ele poderia estar matando alguém vivo que entrou alguém no submundo por acidente. Ele era um perfeito cão de guarda. Ao fim das escadas, o número 1861 estava marcado em uma das portas. Era ali.


O chã estava repleto de bichos mortos e empoeirados, baratas mortas faziam-se presentes. Uma manchinha preta andou uns bons três metros antes de enfiar-se num buraco. Correção: O lugar estava cheio de bichos mortos, e vivos. Um som alto tocava Mozart no ultimo volume, ribombeando o som por todo o terceiro andar, estremecendo as paredes cinza chumbo. Bati delicadamente na porta. O som cessou.

- Quem é? Se for do cara da casa de maletas eu... digo, o senhor Hanz não está. – Uma voz receosa dizia abafada do outro lado da porta.


- Quero alugar o apartamento. Négócio de maletas? – Perguntei curioso.

A porta começou a ser destrancada, ouvi ao menos duas fechaduras, quatro cadeados, três correntes e um alarme eletrônico sendo abertos/destrancados/desativados. Tudo aquilo demorou dois minutos, e a porta fora aberta. Um garoto mirradinho, alto, com cabelo escorrido, preso num rabo de cavalo e franja, roupas surradas e óculos de 1,5m apareceu ali. E ainda usava uma camiseta dos Beatles. Gostei daquele cara. Deveria ter uns 19 anos. Ele me olhou... sorridente, mostrando os bracketes do aparelho em cima dos dentes brancos reluzentes.


- Ah, oi. É... sabe, maletas de laptop? – Ele sorriu amarelo. – Cobro duzentos dólares por mês. Com direito ao microondas e água quente. Você dorme no sofá. Pagamento adiantado. Pegar, ou largar.

- Meu dinheiro acabou. Devo ter só isso aqui. – Enfiei a mão em meu bolso, fuçando tirando de lá quatro dracmas de puro ouro, a moeda corrente do Olimpo. – Você aceita? – Perguntei receoso.

Os olhos dele brilhavam.

- Isso... cada uma... pelo menos... cém dólares... – Mais um pouquinho o garoto babava aos meus pés. Nunca entendi a adoração dos ocidentais pelo ouro. Ele é apenas... dinheiro.


Estendi a mão com os dracmas, e ele os pegou, relutante. Parecia que as moedas eram feitas de lava, ou que talvez elas fossem se desmanchar em contato com a palma da mão suada do garoto.

- Bem vindo ao lar. – E abriu espaço para mim, minha maleta e minhas sacolas de compras rosa pink.

Ao olhar o apartamento, choquei. Aquilo sim era a verdadeira visão do inferno.


–-----------------------------------------------------------------------------------------

Notas finais
Bem gente, o Nyah ficou parado, então obviamente, não postei antes. E quero dizer aqui, que sinto muito, mas só postarei agora, semana que vem, depois de domingo, afinal, preparativos pra festas de 15 anos não é mole não G_GE quem lembrar que a aprendiz de escritora aqui existe, mandem-me parabéns na segunda feira, dia 05 de julho, meu aniversário!Vou ficar muito, muito feliz! :BOIAIOSAOISOIAOISIOAIOSIOAIOSBem gente, o que acharam do capítulo?Alguém tem alguma noção de como é o apartamento?Pensem bem.As mensagens de Íris que alguém me pediu, em breve! õ/Obrigada, Fiquem com os deuses