Um desabafo

1 O desabafo que acabou virando monólogo


Pra ser sincera, não sei como começar esse texto. Ja tentei começar de diferentes formas, e acabei apagando todas elas. Me desviei do que queria falar no início. Das coisas que importam. No texto que acabei de apagar, estava falando de astrologia. Mesmo sendo um desabafo, acho que inconscientemente tento não pensar nessas coisas. Uma forma de proteção, eu acho. O que eu vou falar aqui é o tipo de coisa que você pensa quando tá na bad, e não quando tá tomando um sorvete ou sei lá. Se pensássemos nisso toda hora, enlouqueceríamos. Tá, isso é mentira. Mas eu to na bad e escrevendo para estranhos, então me dou o luxo de ser dramática.

A nossa vida é curta. Vivemos mais ou menos 80 anos em um universo com mais de 7 bilhões de "idade", e com tempo ilimitado (ou não) que está por vir. Nossa vida é só poeira na história do universo, principalmente considerando que somos apenas uma pequena especie, de um pequeno planta, de um sistema solar com um estrela média, na periferia de uma galáxia pequena, entre as milhares e milhares de galáxias presentes no universo observável. Pelo menos poeira você consegue ver. Em comparação, somos menos que um átomo. Então, por que somos tão especiais? Os únicos do universo, a única vida inteligente, a tão grandiosa raça humana. Com deuses que olham só pra nós, por que somos especiais. Arrogantes a ponto de pensar que de toda vida no planeta, fomos "abençoados" com a inteligência, logo somos melhores.

Vivendo uma vida pra morrer, nos convencemos de que faremos a diferença, mas que diferença é essa? Daqui a pouco estaremos mortos e nada vai mudar. Todas aquelas mulheres estupradas, aquelas famílias destruídas, as crianças morrendo de fome e frio, nada disso vai mudar. Todo dia nós tentamos ignorar esse sofrimento. Lutamos pra esconder um demoniozinho que está dentro de cada um. "Eu estou feliz" "adoro meu iPhone" "o que será que têm pra jantar?" São essas as coisas que enchem a nossa cabeça todo dia, enquanto o que realmente importa está no escuro. Mas será que realmente importa? Essa vida, essa poeira no universo, de que vai adiantar? Em um piscar de olhos, você pode estar morto. A morte não vem com aviso prévio. E depois de morto, é apenas escuridão. Tem aqueles que acreditam que a morte não é o fim. Eu acho que isso é uma mentira que contamos a nós mesmos por que precisamos acreditar nela. Por que tem que significar alguma coisa, tudo que eu lutei, tudo que eu sofri, todos que se foram e todos que eu amei, não posso perder tudo isso em um segundo, é tão do nada. Tem que ter algo, alguém olhando pra mim, vendo minha luta. E esse alguém vai me retribuir, não é um fim, é um começo. Não. É o fim mesmo. O cru e frio fim. Nem escuridão você sentirá, por que, bem, você não vai mais existir. Aquele corpo que você conseguiu depois de horas na academia? Vai decompor. Larvas vão comê-lo até sobrar apenas ossos. Você não terá nem o luxo de sentir o sentimentos vazio. Não, só vai acabar. Já tentou imaginar como é isso?

o que torna isso tudo pior são os sentimentos. Por que você se importa, você sofre, você se sente vazio. Eu me sinto vazia. Me sinto vazia como uma concha, e não das legais que você coloca o ouvido e ouve o oceano. Só um concha vazia mesmo. E não tenho motivo pra isso. Tenho amigos, pais que me amam, dinheiro, oportunidades. E mesmo assim, tudo parece tão superficial. Me sinto ainda pior por me sentir assim sem motivo, já que pessoas em situação milhares de vezes pior que a minha são felizes, e eu não. Não gosto de ficar sozinha sem fazer nada, não gosto de me ouvir pensar. É mesmo assim, não acho nada que eu goste de fazer. Só estou feliz mesmo quando estou destraida, ouvindo música, vendo séries, não pensando.

nunca amei ninguém. Nem sequer gostei, romanticamente falando. Já tentei e não sou capaz disso. Não sei se isso é bom ou ruim. Por um lado, nunca me machuquei amando. Por outro, nunca experimentei as coisas boas do amor. Aquelas que fazem pessoas escreverem sobre o mesmo tema batido por milhares de anos. Isso me faz sentir como se eu tivesse perdido uma parte importante que todo ser humano deveria ter.

Mesmo com todo esse pessimismo, sou uma pessoa mente aberta. Não acho que tenha verdades absolutas, é um dia eu posso ler esse texto é ser uma pessoa completamente diferente, feliz, com alguém que eu ame. Mas a minha mente aberta está ligada mais a espiritualidade. Meio contraditório depois de falar que a morte é o fim e essas coisas, mas eu sou assim mesmo. Uma bagunça. Uma coisa que me marcou foi um pensamento de um filme que eu vi. Tem um tipo de roedor que é cego. Ele nunca viu nada, cores, imagens, nada. Mesmo se ele tivesse o cérebro de um humano, seria impossível pra ele pensar no que seria uma imagem. Agora pense que somos esse rato, mas essa cegueira seria em relação a outro sentido. Um sentido completamente novo, diferente, mas que existe, e só não conseguimos perceber. Um universo inteiro ao nosso redor e mesmo assim, somos limitados por nossos sentidos e incapazes de sequer pensar no que isso poderia ser. E pode ser que não seja apenas um sentido. Podem ser 2, 3, 10, 1000. Tudo ao nosso redor. E se isso pode existir, por que não almas ou vidas alternativas? Algo completamente além da nossa compreensão pode estar aqui, e só não entendermos. Mesmo assim, não acho que isso se voltaria para a "segunda chance" que teríamos. Não acho que a vida humana seja tão importante ou sagrada assim.

o bom ou mal também é algo que me faz pensar bastante. Justiça e essas coisas, punição e merecimento. Mas de verdade, sempre que tento pensar sobre isso, acabo me perdendo em um assunto completamente diferente. As coisas complexas mesmo, aquilo que mexe com o seu íntimo, o seu valor como ser humano, essas são as que mais deveriam ser discutidas, e as que menos ganham atenção. Vários filósofos retratam desse assunto, mas acho que todos eles (os que eu já li, pelo menos) desviam do assunto, falam sobre a origem do humano, como se o ser humano após sofrer influências e fazer escolhas ruins não importasse. Como se sermos "bons" na essência deixa qualquer crime mais aceitável, por que afinal, foi outra coisa que o corrompeu, não é culpa direta dele, ele não quis matar aquele garotinho, não na essência. Sim rousseau, é de você mesmo que eu to falando. Acho que o bem e o mal, a justiça e injustiça, tudo depende e varia com a época.

É tão engraçado pensar que, se não pensássemos, não teríamos tantos problemas. Sinceramente, uma vida sem energia elétrica, sem lençóis de seda ou prédios de 80 andares compensaria se eu pudesse só não pensar em nada, e viver minha vida feliz.

Ha. Depois de tantas linhas e uma introdução dramática falando sobre desabafar, nem falei sobre as coisa pessoais mesmo que me afligem. Podia muito bem mudar o título pra " uma pessoa na bad com internet e tempo livre" mas não ficaria tão dramático.

Notas finais
Nem sei mais qq tá acontecendo, desculpa se alguém leu isso vou só dormir que é melhor msm
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.