Um de Sete

20 Agora - Túmulos


Notas iniciais
Palavra do dia: Lúgubre

Ainda machucava Vilela pensar no passado. Pensar em como tudo começou e em como tudo acabou. Os amigos mortos eram os fantasmas que o assombravam.

Quando estavam restritos aos seus sonhos, pudera lidar com eles. Agora o assombravam mesmo acordado, e Vilela temia estar enlouquecendo.

Primeiro fora Raíssa com a mistura de drogas e direção, a última mensagem que mandara destinada a ele; depois Glorinha e o câncer que a consumiu rápido de dentro para fora e levou toda a cor que ela possuía, partindo na noite em que ele e Carlos haviam ficado com ela no hospital. Tanta coisa, tantas lembranças lúgubres…

Não podia deixar de se sentir culpado por estar vivo quando a maioria de seus amigos havia encontrado finais trágicos. Não apenas isso, mas também realmente tivera sua parcela de culpa real, a qual Rita fazia questão de lembrar quando se encontravam.

Talvez Rita tivesse razão. Talvez fosse um idiota mesmo.

Auto piedade não aditaria de nada. Mas sentia-se inquieto. Pegou seu próprio carro, que substituíra a moto muitos anos antes.

Anoitecia. Ele desceu do carro e caminhou até seu destino final.

Em frente a ele, os túmulos de Carlos, Júlio e Íris, um do lado do outro.