Um de Sete

24 Agora - Pesadelos


Notas iniciais
Palavra do dia: imersão

Ele abriu os olhos rapidamente, sentando-se. A respiração ofegava, os lábios estavam secos e os olhos umedecidos. Não acreditava que mesmo depois de tantos anos ainda tivesse pesadelos com aquela noite.

A morte de Glorinha fora uma tragédia. Eles sabiam que aconteceria, os médicos haviam os desiludiram muito antes. Entre o diagnostico e o fim, passaram-se menos de um ano.

A morte de Raíssa fora súbita e inesperada, um choque. Ela poderia ainda estar viva se não fosse pelas drogas.

Glorinha morrera de um inevitável câncer. No fim, ela já estava tão magra e tão sem cor, que talvez tenha sido melhor que o sofrimento não tivesse durado tanto.

Vilela esfregou o rosto.

Ainda assim preferia ter Glorinha com ele. Glorinha fora especial de um jeito que ninguém conseguiu suprimir depois.

Ela também não foi enterrada em Santa Maria. Seus pais não moravam em Santa Maria e muito embora eles tivessem certeza de que fora ali que ela passara os melhores anos, fora em outra cidade que ela passara a infância.

Vilela suspirou, voltando a se deitar. Talvez, se fechasse os olhos, voltasse à imersão dos sonhos e dessa vez sonhassem com o tempo em que Glorinha ainda era viva.