Um conto de verão

1 Capítulo 1 - Adeus Bob


O dia estava frio. Chovia lá fora, e a nostalgia que ela trazia dessa vez era real. Thomas sentiu um vazio repentino no coração, relembrando de novo o enterro de Bob. Bob era leal, seu fiel escudeiro, a melhor companhia para todas as horas. Ele faria falta. Thomas nem sabia mais como viveria sem o amigo. Jurou pra si mesmo ficar de luto por no mínimo 5 anos, ou seja, até terminar a faculdade.

—Para de choramingar Thomas!- gritou Valérie, ao perceber o irmão encarando a janela e as poças que se formavam no quintal.

—Só diz isso porque sabe que Bob nunca gostou de você- o garoto nem se mexeu, sabia que era só implicância de sua irmã mais nova.

Valérie era legal, divertida e inteligente. Era bem materialista, precisava passar reboco no rosto todos os dias antes de ir para a aula e provavelmente estava saindo com seu décimo primeiro namorado. O que Thomas achava um absurdo, ela era três anos mais nova e já tivera dez namorados! E ele, aos dezenove, só namorara a vizinha de sua avó. Parece até patético.

—Era só um gato Thomas, é só arranjar outro. – ela insistiu em cutucar a ferida do coração de Thomas, afinal, ele realmente adorava Bob com todas as suas forças.

Dessa vez T. se mexeu. Deu um giro de exatos 180 graus e encarou a garota com olhos semicerrados, quase não enxergando nada por causa das lágrimas. Sua irmã estava esperando carona para ir a um café com as amigas e estava com o cabelo preso, o que destacava seu rosto fino e maças proeminentes, mas ela quase nunca os usava assim, só quando havia algum garoto na jogada.

—Sim, mas era MEU gato, não quero outro. Quero Bob de volta.- respondeu com um nó na garganta, parecendo uma criança mimada pedindo para a mãe comprar bolacha recheada no supermercado. Então, esfregou os olhos com as costas da mão e caçou seu ar autoritário dentro de si, torceu para não parecer um babaca ao, depois de toda a choradeira, dizer: -mamãe sabe que vai ter garotos lá?

— Tem garotos em toda parte, nada que ela já não saiba- responde afiada.

— Sabe o que eu quero dizer...

— Não conta pra ela, ela me mata se souber – Valérie arregala os olhos suplicantes.

— É, foi o que ela vez das últimas dez vezes — me viro para a janela de novo, vendo um carro esporte preto estacionar rente à calçada – tanto faz – olho pra ela- só se cuida, tá? – ela agarra o casaco, acena uma das mãos brevemente e sai de casa, entra no carro e desaparece de vista.

Thomas continua no mesmo lugar, naquele dia frio e chuvoso, lamentando sua perda.