Um conto de destino e morte

10 Capítulo 10 - Uma trágica história de amor


PARTE DOIS — HERMIONE

Capítulo 10 – Uma trágica história de amor

A vida estava indo de vento em popa para Hermione Granger-Weasley, uma estrela em plena ascensão no Ministério da Magia como funcionária da Divisão de Leis Mágicas. Lord Voldemort tinha desaparecido há quase cinco anos. O mundo bruxo estava majoritariamente em paz, embora ainda precisasse lidar com as consequências da Segunda Guerra Bruxa. A bruxa brilhante também estava casada e era a feliz mãe de uma garotinha linda com um ano e meio chamada Rose. Nada poderia ser mais inglês ou mais bruxo.

Seu marido Ron tinha recentemente se demitido do serviço público, porque “Auror que se preza não pode ser pai”, e ele preferira cuidar da família. Então, ele decidiu ajudar o irmão George na loja de brincadeiras e truques. Os negócios também iam muito bem.

Hermione agora era parente dos Weasleys, e isso fez dela também parente de seu grande amigo Harry Potter, casado com Ginny Weasley, a irmã caçula de Ron. Agora eles eram uma única grande família, todos felizes juntos.

No geral, a vida era boa para a família Granger-Weasley. Até que não foi mais. E a maré virou de maneira muito inesperada, pensou Hermione.

O acidente no Beco Diagonal foi o começo. George tinha saído para uma reunião com fornecedores. Ron estava sozinho na loja quando tudo explodiu.

Alguns especularam que podia ser um ataque terrorista, arquitetado por alguns Death Eaters remanescentes que tinham escapado do radar das autoridades. O Ministério da Magia estava certo de que a explosão fora um acidente provocado por uma tubulação de gás defeituosa dos Muggles. Dois bruxos morreram, cinco ficaram feridos. Ron Weasley lutava pela vida em St. Mungo’s.

Hermione ficou a seu lado, arrasada. Os parentes estavam todos com ela. Molly Weasley ficou cuidando da pequena Rose para Hermione poder ficar ao lado de Ron em St. Mungo’s. Mas logo ficou claro que os medibruxos tinham poucas esperanças que ele sobrevivesse. Ele só estava vivo por feitiços médicos e suporte de vida mágico. Eles disseram à família que os equipamentos seriam desligados.

Hermione não aceitava isso. Ela brigou com os medibruxos, depois com sua família, depois com seus amigos. Então, após controlar suas emoções, Hermione fez o que ela sempre fazia diante de uma crise: ela foi à biblioteca.

A diretora de Hogwarts, Minerva McGonagall, concedeu permissão especial para que ela acampasse na biblioteca da escola. Hermione trocou ideias com Madame Pomfrey, a enfermeira da escola. A matrona concordava com seus colegas de St. Mungo's. Não havia esperança para Ron.

O desespero levou a melhor sobre Hermione e ela mergulhou no lado negro de sua alma. Os dias eram reservados para ficar com Ron em St. Mungo's, e a maioria das noites eram passadas em bibliotecas: ou em Hogwarts ou no Ministério. Ela também obtivera uma permissão especial para pesquisar no Departamento dos Mistérios.

Levou muito pouco tempo, à medida em que a condição de Ron piorava, para que Hermione decidisse jogar pela janela o respeito e a obediência às leis.

— Eu acho que conheço alguém capaz de salvar Ron — disse ela, os olhos castanhos brilhando.

Harry Potter perguntou:

— Você achou um médico?

— Melhor. Uma autoridade superior.

— Autoridade? Hermione, não estou entendendo.

A jovem estava tão agitada que começou a falar em velocidade extrema:

— Há muitos registros na literatura, e existe uma alta probabilidade de serem verdadeiros. Ele é o único que pode poupar Ron!

— Quem é este homem?

— Não é exatamente um homem. Estou falando da Morte. Em pessoa.

— O QUÊ?

Ela nem sequer hesitou, continuando:

— Existem muitos registros de encontros com a Morte. Os gregos o chamavam de Thanatos, mas os romanos preferiam o nome Mortis. E você mesmo nos contou que você o encontrou na Floresta Proibida durante a Batalha de Hogwarts. Você falou com ele!

Harry disse:

— É bem possível que eu estivesse fora de mim nessa ocasião, depois de ficar tanto tempo sem comer ou dormir direito...

Ela gritou com ele:

— Não faça isso comigo! Você disse que o viu, e que ele era alto, tenebroso, só ossos e foice!

— Hermione, isso foi anos atrás! Eu nem tenho certeza se aquilo aconteceu mesmo! — Harry estava contrariado com ela, mas sua voz era suave e carinhosa: — Mione, minha amiga, suspeito que você tenha perdido a razão totalmente.

Ela não queria nem saber.

— Nem vem, Harry! Além do mais, a gente costumava fazer esse tipo de coisa o tempo todo quando estávamos em Hogwarts, até pior! Por que está tão relutante agora?

— Porque não somos mais alunos de Hogwarts — respondeu ele carinhosamente. — Fomos forçados a crescer muito rapidamente, e agora somos adultos, com nossos próprios filhos. Agora temos idade suficiente para saber que às vezes coisas ruins acontecem com boas pessoas sem razão, e não há nada que possamos a fazer a respeito.

Hermione não desistia da ideia.

— Mas deve haver um jeito de consertar isso. Eu posso dar um jeito nisso.

Harry usou um tom de voz suave para dizer:

— Se Voldemort nos ensinou uma coisa, foi que a vida é preciosa e frágil. Tivemos sorte por ter Ron todos esses anos. Agora talvez devamos honrar sua vida aceitando sua morte.

— Não! — vociferou Hermione, feroz como Harry nunca a vida. — Não é hora de desistir dele! Não estou pronta! Farei qualquer coisa e irei aonde for para salvá-lo!

— Hermione, por favor, não faça isso. Só vai causar ainda mais dor.

A garota conhecida por ser centrada e lógica estranhamente, parecia ter sumido dali, e em seu lugar havia uma moça determinada e obcecada. Essa nova pessoa estava disposta a mover céus e terra para resgatar seu amado marido das garras da morte. Ela estava determinada a fazer o que fosse preciso para isso, sem olhar o preço.

Hermione foi a uma feiticeira de péssima reputação, sem se incomodar com o fato do Ministério da Magia já ter multado a velha múltiplas vezes por práticas proibidas de magia. A mulher certamente merecia a má reputação, pois não havia sinais de que suas informações fossem legítimas. A velha encarou Hermione, os olhos desiguais aumentando a aparência de demente.

— O que você busca, menina bonita, é extremamente perigoso e difícil. Você tem coragem suficiente?

Fazer tal pergunta a um Gryffindor era simplesmente um insulto. — Eu não tenho medo.

A bruxa não ficou impressionada.

— Ah, mas você terá. Você está disposta a fazer o que é preciso para encontrar a Encarnação da Morte?

— Estou.

— E você está disposta a abrir mão da florzinha que tanto ama?

— Florzinha?

— Refiro-me àquele seu precioso botãozinho de rosa. Você não pode levá-la com você, pois a Morte pode ficar tentada a levá-la também.

Também?

Hermione já estava apreensiva com a velha, mas quando ela citou a possibilidade de Rose ser atingida, sua determinação falhou. Mas só durou um segundinho.

— Sim.

— Muito bem. Já aviso que não posso lhe dar garantias. Piedade não é parte dos atributos de Thanatos.

— O que eu preciso fazer?

— Primeiro você vai tentar um encantamento para invocá-lo e fazê-lo vir até você. Se isso não funcionar, você é que deve ir até ele.

— Você sabe como encontrar a Morte?

— A Morte não costuma vir até os mortais, a menos que esteja a trabalho.

Hermione entendeu perfeitamente o que a feiticeira odiosa queria dizer. Ninguém vê a Morte até morrer.

Então a bruxa horrorosa começou a explicar os procedimentos extremamente complexos para o encantamento.

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Severus manteve-se invisível, calado, observando enquanto Hermione freneticamente se dedicava, passo a passo, aos complicados procedimentos do encantamento totalmente inútil. Primeiro ele teve o impulso de detê-la. Ele tinha esperança de que Hermione ainda se lembrasse de Severus, sua persona do tempo que eles enfrentaram Voldemort. Mas ele repentinamente se deteve.

E Severus assistiu ao fracasso do encantamento ridiculamente complicado e ao desespero de Hermione. Ele tentou se manter centrado e tranquilo quando Hermione entendeu que ela precisaria morrer para encontrar a Morte. Sua desesperança penalizava Severus.

Num impulso, Severus saiu, rumo a Spinner's End.

Ele não percebeu, contudo, que ele também estava sendo observado por alguém invisível e sobrenatural.

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No final das contas, Hermione optou por soluções simples. Ela beijou Ron no hospital e deixou Rose com os Weasleys, anunciando que ia em busca de novos recursos para salvá-lo. Depois ela se foi.

Foi num pequeno lago que Hermione preparou seu plano. Num barco onde mal cabia um adulto, ela remou até o meio do laguinho e começou a se afogar. Simples assim.

Ela logo percebeu que o plano não era à prova de falhas. Afogamento não era uma morte espontânea. Ela precisou recrutar toda sua vontade para não nadar de volta à superfícies e ao ar, doce ar. Ela não estava pronta para admitir derrota.

Muito rapidamente, a necessidade de oxigênio era esmagadora. Hermione manteve seu foco em Ron para obter forças e cumprir o que prometera. Ela também se lembrou da recomendação da bruxa sobre o puxão espiritual.

Por favor por favor Morte venha para mim venha agora Ron precisa de você Eu preciso de você Por favor Morte venha para mim por favor venha por favor venha doce Morte venha por favor venha Morte

Àquela altura, ela tinha engolido muita água, e havia água até dentro de seus pulmões. A visão dentro d'água se tornava muito embaçada, mas ela percebeu a aproximação de uma figura. Era o que ela esperava. Relatos históricos mencionavam a chegada da Morte nos últimos suspiros da vítima.

Era estranho que Hermione ainda pudesse ver a figura encapuzada a se aproximar, montado em seu cavalo mesmo debaixo d'água. Ele parecia desarmado. Bom, ao menos até ele desmontar, pegar uma foice de cabo longo e usá-la para ir descascando as camadas de água como se estivesse cortando fileiras de um campo de trigo. O cavalo ia a seu lado.

Quando ele ficou bem perto de Hermione, ele estendeu um braço esqueletal para ela. Ela agarrou a mão, ossuda e gelada. Abruptamente, a Morte a tomou pela mão e, com uma força inesperada, ajudou-a a subir no cavalo. A Morte também subiu no animal e eles partiram.

Foi mais uma decolagem do que uma partida comum, pois o cavalo se deslocou para cima, para fora do lago e em direção às nuvens. Hermione estava encharcada e congelando por causa do voo. Era bem possível que a causa de sua morte mudasse de afogamento para hipotermia.

Thanatos a levou para um lugar muito estranho. Não que ela esperasse nada diferente. Mas o lugar parecia ser uma teia de aranha gigantesca, uma maior do que o castelo de Hogwarts. Instintivamente, ela se encolheu de medo quando a Morte a ajudou a desmontar do cavalo.

— Venha comigo.

Hermione entrou em pânico por uma fração de segundo, pensando que talvez ela ainda estivesse viva o bastante para ser levada a uma aranha monstruosa para virar almoço de monstro. Flashes de "O Senhor dos Anéis" e da cena com Frodo e o gigante filho de Ungoliath dançaram em sua mente.

Morte pegou Hermione pelo braço, de maneira gentil e delicada, ela notou. Mas quando eles magicamente entraram pela teia sem se enredar, Hermione percebeu que eles estavam realmente em outro Universo.

Enquanto eles andavam, sons delicados, como de sinos de vento, ecoavam pela teia. Eles pisaram numa espécie de tapete acolchoado e a Morte parou. Hermione olhou em volta. A teia se alastrava pelo que pareciam ser quilômetros de distância em toda direção, possível ou não.

Um fio solitário apareceu em frente a eles, e dele desceu uma minúscula aranha, que parou na altura deles. A voz sombria da Morte soou:

— Uma situação surgiu.

No piscar dos olhos, a aranha transformou-se numa mulher jovem, muito bonita, que encarou Hermione. — Oh. — Ela manteve os olhos em Hermione. — Não é à toa que meus fios estão embaraçados. Ela não deveria estar aqui.

A Morte cumprimentou:

— Olá, Clotho.

Hermione tentou dizer:

— Por favor, eu vim-

Ela se interrompeu pois a moça tremeluziu brevemente e no seu lugar surgiu uma mulher madura, muito agradável ao olhos, mas com a juventude já esmaecida, evidente na pele e nos olhos.

— Meu nome é Lachesis, e acho que sei por que você está aqui.

— Você pode me ajudar?

Lachesis ainda a encarava, seus traços maduros sem revelar nenhuma reação. Hermione virou-se para Morte. Os traços esqueletais dele — sim, porque Morte definitivamente era um ser masculino — eram ainda piores de serem decifrados.

Lachesis observou:

— Você está ensopada. — A mulher virou-se para Morte. — E ainda é uma mortal.

— Tome conta dela — foi só o que Thanatos disse.

Hermione virou-se para ele:

— Obrigada. Eu estava -

Morte a interrompeu.

— Podemos falar depois.

E ele partiu.

Hermione o observou sair. De alguma forma, ela sabia que confrontá-lo não era a melhor atitude.

A mulher pegou-a pelo braço.

— Venha, querida, vamos tirar essas roupas molhadas.

Hermione ganhou um roupão e chinelos. A mulher observou:

— Uma jovem linda como você não tinha nada que pensar em suicídio. Por que você foi fazer uma besteira dessas?

— Por amor — foi só o que ela respondeu.

— Ah — sorriu a mulher. — Amor. É uma coisa muito esplendorosa.

Hermione apenas sorriu, feliz por sentir um pouco de calor de novo. Então a moça disse:

— Thanatos vai ver você agora. Vou fazer chá.

Após agradecer educadamente à simpática mulher madura, Hermione dirigiu-se à outra sala dentro da gigantesca teia de aranha. Thanatos não lhe deu tempo nem para pensar: virou -se para ela e começou a dar bronca.

— O que você fez foi perigoso e tolo, mocinha.

— Obrigada por me receber — disse ela, educadamente.

O esqueleto encapuzado, dono de uma agradável voz profunda, dirigiu-lhe palavras duras:

— Sua morte não estava no cronograma. Ela embaraçou os fios de Destino e deixou minha agenda caótica. As consequências podiam ter sido desastrosas. Na verdade, ainda podem.

Hermione decidiu ignorar a ameaça velada.

— Eu tinha que falar com o senhor. É sobre meu marido. Por favor, salve-o. — Lágrimas rolaram-lhe pelas faces. — Ele tem — quero dizer, nós temos uma filhinha e uma vida inteira pela frente!

Thanatos explicou:

— Meu trabalho não é matar ninguém. Eu apenas recolho almas.

— Mas se você não recolher a dele -

— Então existe a chance que o corpo dele se torne uma casca vazia e morta, com sua alma à deriva, sem ter um lugar apropriado para descansar. Gostaria disso?

— Não! Só salve Ron. Por favor. Deixe-o viver! — Ela começou a chorar abertamente.

Thanatos deu as costas para ela.

— Receio não ser capaz de atender seu pedido.

— Por favor, não o leve para longe de nós... — Ela soluçava.

— Lamento. Não há nada que eu possa fazer.

Hermione não desistiu. Mesmo no auge de sua aflição, ela quis saber:

— Se Morte nada pode fazer, então quem pode?

A simpática mulher madura entrou trazendo chá e respondeu:

— Receio que eu também não possa fazer nada, querida. Eu sou Destino, e o fio de vida de seu marido já foi cortado. — Ela servia uma xícara e ofereceu. — Leite?

— Com quem mais eu posso falar?

A moça chamada Destino consultou Thanatos com um olhar. Ele deu de ombros, como se não soubesse o que pensar. Ela anunciou:

— Vou chamar Atropos.

Morte assentiu e, para surpresa de Hermione, a mulher tremeluziu de novo, e transformou-se numa mulher idosa, com mais de 60 anos. Muito prática, ela deu um olhar feio para Hermione e bronqueou:

— Que vergonha, mocinha! O que você fez não foi só inútil e imbecil, é também indigno de alguém com seu intelecto!

Hermione sentiu seu rosto ruborizar-se. Mas ela justificou suas ações:

— Eu não posso simplesmente deixar meu marido morrer! Eu o amo!

A senhora idosa imediatamente lançou um olhar bondoso para ela.

— Entendo sua dor. Pois eu sou Atropos, um dos três aspectos de Destino. Minhas irmãs governam outros meandros da sina das pessoas. Clotho, a jovem, fia os fios da vida e Lachesis tece a teia, ajeitando os fios na tapeçaria. Veja.

Ela apontou para cima e Hermione viu tapeçaria mais admirável de sua vida, montada num tear acima de suas cabeças. Do lado direito, os padrões eram sólidos e o desenho maravilhoso era formado por fios brilhantes e vigorosos. Do lado esquerdo, os fios eram soltos e esvoaçantes, esperando para serem tecidos. No meio das duas partes, uma energia bruxuleante de cores brilhantes e mágicas encantava Hermione. Ela ficou boquiaberta diante da cena.

— Maravilha parece uma palavra tão inadequada, não é? — perguntou Atropos, trazendo-a de volta à realidade. Ou, ao menos, àquela realidade.

— E o que você faz na tapeçaria?

— Eu corto o fio, é claro. Uma irmã fia, a outra tece e eu corto os fios da morte. Os três aspectos do Destino trabalham em união para tecer uma teia de um novelo emaranhado.

Hermione deixou passar a referência a Shakespeare e indagou:

— Então na verdade é você que mata todo mundo? É a verdadeira assassina.

A idosa com aparência de vovozinha fofa assentiu:

— Você pode dizer isso, claro. Mas isso não é totalmente verdade. Além do mais, a decisão não é minha.

Aquelas encarnações estavam agindo mais furtivamente do que espiões do MI-5, suspirou Hermione. Como ela iria salvar Ron?

— Bom, então quem poderá me ajudar? — foi o que ela perguntou em voz alta.

Thanatos sugeriu:

— E quanto a Chronos? Ele daria uma extensão?

— Quem é este Chronos?

— A Encarnação do Tempo.

Hermione repetiu:

— Tempo? Ele pode voltar no tempo e prevenir o acidente?

Atropos tremeluziu e voltou ser Lachesis e disse:

— É claro ele pode. Mas ele nunca faria.

Um homem desconhecido entrou naquele momento, trazendo uma imensa ampulheta.

— Chamou, querida?