Um conto de Fallumen: O Oráculo Negro.

2 Pecado e pecadores: a vingança dos filhos da escuridão.


Notas iniciais
A imagem de abertura do capítulo foi retirada da internet e está sendo usada aqui meramente com o cunho ilustrativo. Não há nenhuma relação entre ela e a trama de “THOS”, ou com os desdobramentos dessa trama, ou ainda entre o autor da imagem e o autor da fic. Assim, seguem seus respectivos direitos autorais (creditem-se ao autor dela e somente a ele qualquer mérito pelo seu trabalho muito bem executado): ① Reborn©. Copyright (C) ChrisCold 2013-2017.

Do mais profundo abismo… Do mais esquecido dos confins da terra… De onde a escuridão dispersa pelos deuses de luz se reunia e espreitava, os Inmoroth observaram a criação. Os repletos de escuridão odiaram ainda mais a glória dos Anmirieen e da luz que os fez nascer.

Contudo, os Caídos sentiram também inveja daqueles que expulsaram a escuridão para longe do paraíso. E, no mais profundo íntimo de sua existência imortal, eles desejaram ser como os deuses da criação.

E, para se igualar aos Anmirieen, os Inmoroth usaram então a força da vida imortal que contaminou as trevas no primeiro dia da primeira era e, com ela, criaram seu próprio povo.

As sombras tornaram-se almas escuras, almas de trevas. E essas almas, Enwenel, foram os primeiros demônios.

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Porém, os demônios foram uma criação incompleta. A luz era a grande provedora e isso desde a ordenação do mundo. A escuridão, ainda que fosse tão antiga quanto o próprio Caos, não podia conceder mais do que os desprazeres que a luz lhe deixou, ao separar o bem e o mal.

E isso incluía a capacidade de "criar", da qual as trevas sempre estiveram privadas.

Desse modo, diferentes das almas dos mortais, nascidas da luz, as almas dos demônios não podiam dar vida a nada ou a nenhum dos seus pensamentos. E sem conseguir gerar um corpo físico, elas permaneceram como espíritos, imortais, invulneráveis ao fluxo do tempo.

Tudo o que os Enwenel tinham naquele momento era o propósito lhes dado no ato de seu nascimento: corromper a criação e contaminar com escuridão o coração das crias da luz.

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Enquanto os humanos foram abençoados com as virtudes, os demônios tomaram o inverso delas como estandarte; eles foram agraciados com aquilo que hoje chamamos de pecado.

E sete foram os pecados no início, chamados capitais. E sete foram os demônios que primeiro se esgueiraram pelas sombras e os espalharam pelo mundo da luz. Eles mostraram aos homens como seguir a vontade de sua própria carne. Eles lhes revelaram os prazeres deixados nas sombras e os convenceram a agir contra a vontade dos Anmirieen.

Houve então egoísmo e houve também hostilidade entre os mortais. E eles não odiaram isso. O poder os seduziu.

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Com o coração contaminado pelo pecado, uma alma de luz levantou-se contra a outra alma de luz, aquela que deveria ser sua irmã e sua igual. Os humanos conheceram as guerras, a dor e o sofrimento, tudo isso através das suas próprias mãos e das mãos de seus semelhantes.

O sangue puro foi derramado e sujou as crias da luz. O sangue inocente maculou a criação perfeita da luz.

E onde há o mal, não pode haver o bem. As almas continuaram de luz em sua essência, mas agora haviam também trevas em seus corações; haviam os pecados ao invés das virtudes.

O dom da liberdade foi pervertido e sua virtude foi usada para o mal. Isso alegrou aos demônios e entristeceu os criadores. Os deuses então caçaram os demônios que tornaram a sua criação corrupta. Eles os expulsaram de volta ao abismo e aos seus genitores. Eles ensinaram aos seus filhos como combatê-los e serem fortes em sua vontade.

Contudo, o pecado não acompanhou os filhos das trevas. A inocência original foi perdida para sempre.

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As crias da escuridão nasceram para nos amaldiçoar com seus pecados e assim foi feito. De pai pra filho, fomos nós quem perpetuamos o mal no nosso próprio mundo. E isso dura até hoje.

Entristecidos com o futuro da criação, os Anmirieen intervieram. E, para expurgar o pecado do mundo, eles decidiram punir os transgressores.

Assim, por desagradarem aos seus criadores e aos seus ancestrais, aqueles que morriam em pecado passaram a serem mandados para longe da luz e ao encontro de seus semelhantes – os que eram cheios de trevas – os demônios do submundo.

Contudo, mesmo pecadores, os mortos desgarrados ainda eram filhos da luz e tinham a descendência da primeira luz contida em si. Isso irritava os Caídos, que lembravam de como aquela luz os ferira e os envergonhara.

Eles mergulharam essas almas na mais densa escuridão, onde pudessem apenas contemplar o tormento umas das outras. E descobriram que quando mais elas eram afastadas do radiante esplendor da criação, maior lhes era o tormento infligido. Um tormento pior que a própria morte.

Os Inmoroth se deleitaram na lamúria condenados, em seu choro e seu suplício. Eles fizeram de seu mundo o próprio inferno, somente para que mais das crias da luz nele sofressem e envergonhassem aos seus deuses.

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Imimroth (“ninho dos Inmoroth”), o reino de sombras e rancor, lar dos Caídos, de bom grado recebeu as almas dos condenados e as recebe ainda hoje. Presos nas trevas sem fim, os mortos em pecado sofreram e lamentaram seu destino, desejando voltar para onde pertenciam, para a glória dos Anmirieen.

Mas, mais que isso, os Caídos aprenderam a roubar a luz dos espíritos dos mortos através de seu sofrimento. E enquanto eles eram consumidos pelas trevas, as crias da escuridão se fortaleceram. Isso lhes agradou e lhes satisfez, pois eles poderiam ser finalmente como os Anmirieen.

Contudo, levaria – e realmente levou – séculos para que os deuses da escuridão pudessem extrair essência o suficiente daquelas pequeninas almas e conseguissem reunir em seus próprios corpos de trevas o poder da luz primal.

E durante esse tempo, houve grande estabilidade e paz na criação.

Os mortais formaram reinos e surgiu a cultura de cada povo. Eles dominaram a natureza selvagem. Sua capacidade de criar lhes trouxe a agricultura e a criação de rebanhos. E nunca antes houve tanta prosperidade quanto existia naquela época.

Enquanto isso, rancorosos, os deuses caídos permaneceram a torturar os condenados, esperando e esperando pela chegada de sua vingança definitiva.

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Assim, durante dez gerações, os deuses-caídos cumularam almas pecadoras e tomaram o poder delas para si e para os seus. As almas de trevas – os demônios — finalmente puderam soprar sua essência de vida para seus próprios corpos e se tornaram bestas terríveis.

No final, o primeiro equilíbrio entre o bem e o mal já não podia mais ser mantido. Os Inmoroth se tornaram como os Anmirieen, anulando a força da luz que sempre os oprimiu e os manteve encarcerados no submundo, longe do paraíso lá fora.

Os caídos e seus filhos, agora detentores do poder das almas mortais, ergueram-se fortes como nunca e outra vez guerrearam contra os nascidos da luze toda a criação.

E no dia em que isso aconteceu, o sol se tornou escuro em pleno meio-dia. Do céu negro desceram saraivas de fogo. A terra feriu-se em abismos que vomitavam rios de lava e dor. E desse fogo, ergueram-se os demônios com suas armas.

Aquele foi o início do fim da primeira criação.

…

Aquele foi o Ragnarok.

Notas finais
Originalmente, esse capítulo e o capítulo anterior foram publicados como um capítulo único. Mas, por conveniência e para valorizar o tempo de você que lê, decidi dividi-lo em dois mais curtos, ao invés de um único e muito extenso. Mais uma vez, agradeço-lhes a atenção e o tempo dedicado. Um forte abraço e até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.