Um conto de Fallumen: O Oráculo Negro.

1 Luz, Sombras e a criação de todas as coisas.


Notas iniciais
A imagem de abertura do capítulo foi retirada da internet e está sendo usada aqui meramente com o cunho ilustrativo. Não há nenhuma relação entre ela e a trama de “THOS”, ou com os desdobramentos dessa trama, ou ainda entre o autor da imagem e o autor da fic. Infelizmente, depois da devida pesquisa, não foi possível chegar ao nome do autor da ilustração. Contudo, que se continue creditando-se ao autor dela, e tão somente a ele, qualquer mérito pelo trabalho muito bem executado.

NO COMEÇO…

No começo, existia o Caos e ele era tudo o que no mundo havia. E todas as coisas, boas e ruins, ímpias e virtuosas, estavam contidas na disformidade infinita do Caos. Indistinguíveis e inseparáveis, elas permaneceram unas.

E assim foi até que, em meio ao vazio escuro e perpétuo, onde tudo era nada além de uma vontade de existir, surgiu a luz. Ela foi o primeiro impulso de vida nesse mundo. E surgiu com o propósito de perdurar, de criar, de preencher a vacuidade do caos.

A luz primal, no ato de seu surgimento, impôs sobre o caos uma ordem natural. E essa foi a ordem que viria a ser obedecida por todas as coisas, as que existiam e as que viriam a existir. Ela deu forma ao que antes era disforme. E ela forçou a separação.

Foi a luz quem expulsou as trevas e tomou para si o que era lhe agradável deixando o que lhe era incômodo e desaprazível na escuridão. Bem e mal, vida e morte. Foi nesse momento que os opostos se dividiram e finalmente passaram a existir.

"Separar" foi a vontade da ordem. E foi a ordem quem subjugou o caos.

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O conceito de mundo começou a ser tal qual é e como o é, mas nada ainda existia de verdade. Foi uma era somente de luz e de escuridão.

E a separação conservou a ordem natural do mundo, desde aquela época, antes mesmo do surgimento da própria vida e certamente antes do nascimento da própria humanidade. Como tudo no mundo, ainda éramos somente uma ideia, um conceito. Éramos apenas um desejo de existir e a luz sabia disso.

Depois de trazer separação e disciplinar a disformidade do Caos, a luz gerou então a vida imortal. E essa vida era tão poderosa que contaminou a escuridão.

As trevas ganharam consciência e essa consciência odiou a luz, que a feria, que a envergonhava, que veio para lhe roubar o lugar que sempre foi seu.

Da luz, nasceram seres virtuosos, os Anmirieen. E as formas que se encarnaram a partir das trevas foram chamadas de Inmoroth.

Eles foram os primeiros deuses desse mundo.

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Os Anmirieen viram a forma que surgiu da ordenação do caos – o nosso mundo, cinza e desabitado – e se puseram desejosos a preenchê-la com vida. Eles quiseram moldar um paraíso. Eles quiseram “criar”. E esse foi também o desejo da luz.

Porém, para que a criação pudesse surgir, a luz precisava tomar o espaço que ainda era dominado pela escuridão e seus filhos. Os Inmoroth, no entanto, se recusaram a ceder mais do que já lhes havia sido tomado e a escuridão os fortaleceu em sua decisão.

A vontade da luz e a vontade das trevas eram igualmente poderosas e nenhuma das duas queria deixar de existir.

Então, houve guerra.

A luz, mais jovem e vigorosa, triunfou sobre a escuridão do caos – velha e repulsiva – como uma força que a obrigou a se curvar perante seu esplendor. A luz a oprimiu e oprimiu também às crias das trevas.

Feridos, derrotados e envergonhados, os Inmoroth foram expulsos da criação, exilados e condenados à uma existência longe do reino da luz, longe do paraíso. Eles esconderam-se nas entranhas da terra, erguendo ali sua morada de sombras e rancor; um mundo digno dos mortos.

E assim, das mãos dos vitoriosos Anmirieen, foi moldada toda a criação.

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Os cinco elementos principais – raio, fogo, água, terra, ar – foram os primeiros a surgir e foram então espalhados pelo mundo, segundo a ordem natural de todas as coisas.

Com os elementos, nasceram as virtudes e elas foram guardadas, para serem distribuídas entre a criação quando a vida mortal ocupasse seu lugar no paraíso. Haveria então o manso e o feroz, o quente e o frio. Haveria a obediência e haveria a liberdade.

Os astros foram postos no firmamento. As estrelas se espalharam pelo céu para que o primeiro princípio vital, a luz, fosse adorado e estivesse presente no mundo mesmo durante a escuridão da noite.

O sol iluminou o dia. E a lua trouxe ainda mais luz ao céu noturno. O tempo passou então a fluir como flui ainda hoje.

E, no fim, a própria luz tornou-se alma e criou assim a segunda vida, a vida dos mortais.

Dessas almas, o princípio vital foi soprado nas formas que já existiam, avivando toda a sorte de criaturas vivas, incluindo os humanos. Esses últimos foram enfim abençoados com as virtudes e se tornaram semelhantes aos Anmirieen. Os humanos foram capazes de pensar e de, a partir dos pensamentos, “criar” o que não havia sido criado.

O mundo estava perfeito e repleto de viventes. Isso satisfez a luz e trouxe satisfação também aos seus filhos e aos filhos de seus filhos. Naquela época, os deuses regozijaram-se de seus feitos e com prazer habitaram entre a criação.

Eles viveram no meio dos mortais.

Mas a luz nunca esteve verdadeiramente sozinha.

Notas finais
É justo deixar aqui uma explicação quanto ao estilo de escrita: já recebi críticas anteriores, alertando-me para tomar cuidado em não repetir tanto as palavras como faço às vezes (e com certeza o fiz nesse capítulo). Mas, já adianto que isso foi proposital. Foi meu desejo deixar esse relato do jeito mais arcaico possível, para dar a ideia de "antigo", de "primordial", exatamente como os acontecimentos descritos no conto. Gostaria de deixar uma dedicatória aqui, mas provavelmente só o farei no capítulo final, pois devo agradecimentos às preciosas companhias que me apoiaram por dias até chegar aqui. Por fim, agradeço-lhes a atenção e o tempo dedicado. Com meus cumprimentos, nos vemos no próximo capítulo!