Um clichê

3 Surpresa!


Notas iniciais
Não revisei de novo Perdoem-me

A primeira coisa que eu notei quando havia acordado era: a Sabrina não estava no recinto, ou seja, ela aprontou. Claro, no momento eu não liguei muito já que tinha a recém acordado.

Fiz minha higiene matinal e estava vestindo o uniforme enquanto pensava nas pessoas que fizeram a Brini se irritar recentemente e eram muitas. MUITAS. Porém tentava apenas focar durante esses dois dias e minha mente se ligou. A diretora. Céus! A diretora! A Brini não é uma pessoa que você queira irritar. Sempre tem uma volta.

Terminei de colocar o uniforme e como não estava tão calor e nem tão frio optei pelo corsário, pela blusa amarela (transparente), o casaco e a minha rasteirinha. Vi-me no espelho e estava razoavelmente bom. Ainda era 7h18min quando desci para a sala e a Tia Ida (O Certo seria Idorilda, o nome da avó da Brini) me esperava com o café na mesa.

— Bom dia tia! – Falei enquanto me sentava à mesa.

— Bom dia meu bem. – Respondeu – O que vai querer hoje? Café, Café com leite, Leite com Nescau, Suco?

— Um suco ta bom tia, não se preocupe – A avó da Brini é uma cozinheira de mão cheia. Antigamente trabalhava como cozinheira nas estâncias.

— Tem pão caseiro, vai querer? – Ela perguntou já pegando a forma com os pães a recém saídos do fogo.

— Claro! Tia a senhora viu a Brini saindo hoje? – indaguei após dar a primeira mordida.

— Não, não vi. Eu acordei 5h e ela não estava. Apenas deixou um bilhete dizendo que tinha algo pra fazer. – Dizia – Aquela peste! Sinceramente só me traz preocupações! – Falava indignada.

— Já vou indo para a escola senão me atraso. Estava delicioso, Obrigada! – Gritei pegando a mochila e já saindo da casa.

— Bom proveito! – Gritou de volta.

No caminho para a escola fiquei pensando o que a Brini faria com a diretora. Aquela garota é imprevisível!

7h38min hora exata antes dos portões fecharem, e lá estava ela, me esperando. Assim que me viu esboçou um sorriso e veio de encontro a mim.

— Carolzinha! Você demorou hein – Conversávamos no corretor.

— Brini, o que você aprontou com a diretora? – Sem rodeios.

— O pessoal vai ter uma surpresa das grandes hoje – Nem pra esconder. Essa garota não existe.

— Céus! Ainda bem que estamos indo para o internato hoje porque senão estaríamos fer-ra-das.

— Vamos entrando. A professora já vai chegar – Disse adentrando a sala de aula.

As duas primeiras aulas eram matemática e a Brini é a melhor, não tem como negar. Depois tivemos geografia e tínhamos que fazer um mapa para o atlas que estamos construindo. Bateu 10h5min, recreio. Sentamos num banco que tem no pátio, como sempre e começamos a conversar coisas banais tipo como seria se fossemos artistas até que a diretora apareceu com um turbante na cabeça e nos puxou para a sua sala.

— Você Mendes, eu sei que foi você! – Dizia apontando para a Brini. Dava para ver que estava soltando fogo por dentro.

— Do que está falando diretora? – Perguntou bancando a inocente.

— Você sabe muito bem do que eu estou falando – falou se virando para a janela atrás de si – Estou me referindo a isso! – Se virou para nós e desatou o turbante.

O cabelo da diretora que antes ia até acima do bumbum, agora vai até o seu queixo. O cabelo da diretora que antes era castanho-claro, agora é uma mistura de verde com roxo O cabelo da diretora que antes eram lindos e volumosos cachos, agora é um liso todo mal picotado.

— Eu não sei como ou quando aconteceu isso, mas eu sei que foi você!

— E a senhora tem como provar isso diretora? – A Sabrina dizia com um sorriso de deboche. Ela estava se divertindo com a situação. Via-se a “maldade” em seus olhos.

— Não, não tenho. – Respondeu a diretora se afastando dela.

— A senhora acusa uma aluna sem nem mesmo ter provas contra ela? Que ridículo – Sabrina se levantou indo em direção a porta – Vamos Carolzinha, não temos nada o que resolver aqui. – Disse Sabrina fechando a porta atrás de si. Eu estava indo atrás dela quando a diretora me chamou.

— Senhorita Machado – Dizia olhando a paisagem atrás de si pela janela – Cuide da Senhorita Mendes. Ela com certeza vai trazer muitas dores de cabeça para você e para o pessoal de lá, mas cuide dela. Ela é uma ótima aluna, tem tudo para ganhar na vida, só tem que melhorar um pouco como pessoa. – Disse por fim e assim sai de sua sala.

No final a diretora sempre esteve no pé da Brini, pois sabia o que o futuro aguardava para ela. Sempre viu uma guria de mente brilhante e futuro extraordinário. Gostaria de contar para ela, mas acho melhor deixar isso em segredo.

— Desembucha – Eu falei olhando para cima. A Sabrina estava empoleirada numa árvore do pátio.

— O que quer saber? – Perguntou ainda em cima da árvore

— O que você fez essa noite.

— Ok, ok. Eu conto

— Vai logo.

— Acordei às quatro e meia da manhã para isso. Botei uma calça jeans, uma blusa preta de manga comprida e um casaco já que estava frio.

— Eu não quero saber o que você estava usando na ocasião.

— Você quer que eu conte ou não? Continuando, eu já tinha ido à casa da diretora para ir numa competição de soletração que ela iria me levar, por isso eu já sabia o caminho.

— Ela estava dormindo?

— Pior que não. Estava vendo uns papéis e tomando café quando cheguei.

— Então como fez para ela dormir? –No mesmo instante que eu perguntei isso, ela jogou um saquinho e quando eu fui ler o rótulo dizia “Boa Noite Cinderela”

— Sonífero. . . – Sussurrei

-Exatamente. Esperei o momento certo para entrar na casa. Teve um momento que ela saiu da sala e foi para um canto da sala, aproveitei essa oportunidade para arrombar a janela e por o sonífero no café que tinha deixado na mesa. Ela voltou depois de um tempo e assim que tomou um gole do café, ficou tonta, não demorou muito para o sonífero fazer efeito e já estava caída no chão. Só tive que amarrá-la na cadeira para fazer o processo do cabelo. – Quando terminou de explicar, pulou da árvore ficando do meu lado.

— Sádica, apenas isso tenho a dizer sobre você

Ficamos as duas últimas aulas de bobeira. Assim que cheguei em casa, minha mãe estava me esperando com um balde d’água, uma vassoura e um pano. Como prometido arrumei toda a casa de tarde. Quando terminei todos os meus ossos estavam doendo.

— Espero que eu ainda tenha energia para hoje à noite – Disse por fim