Um certo alguém
9 O não tão grande Fim
Notas iniciais
Minha cabeça parecia um vulcão em plena erupção, as lágrimas não paravam de cair, e eu estava irritava comigo mesma, como pude ser tão idiota ao ponto de me apaixonar por aquela criatura insignificante, como pude abrir meu coração para alguém tão falso, e como posso ser tão idiota de não querer a companhia do garoto mais lindo e mais perfeito que eu já pude conhecer. Apolo estava lá ao meu lado tentando me acalmar, mas era um momento que eu precisava ficar sozinha.
–Apolo. — disse soluçando — Eu realmente preciso ficar sozinha agora.
Ele me olhou, beijou a minha testa.
–Qualquer coisa me liga, ou grita, ou faz um sinal de fumaça.
Ri um pouco. Quando cheguei em casa me agarrei com o travesseiro e chorei, chorei até cair no sono.Acordei já passava do meio dia, fiz um miojo e coloquei um filme de ação, nada de romance, ou drama, assisti Quebrando Regras, e pulei é isso ai PULEI todas as cenas que apareciam o Jake e a Baja, minha cota de sofrimento já tinha acabado, depois coloquei Velozes e Furiosos. Na metade do filme a Ana chegou aqui em casa e forçou a botar uma roupa e ir pro luau, protestei, fiz bico, me agarrei no sofá, mas de nada adiantou, então pedi três motivos para que ela me convencesse a ir.
–Ok, já que você quer lá vai.
1- Você precisa de ar fresco, ficar trancada dentro de casa não vai fazer você esquecer o que aconteceu.
2- O luau é privado. Então não iremos ter a companhia de gente como " você sabe quem" e não é o Voldemort tá ?!
3- Esse é o nosso ultimo dia na praia, todo mundo tá se despedindo, talvez a gente nunca mais vá se ver, como você vai sobreviver sem o Rodrigo, o Apolo e mais importante ainda Sem a Minha Digníssima Presença ??
Ela me convenceu, a Ana demorou muito pra fazer o que ela chama de " Operação Disfarce", que nada mais é que encher a minha cara de maquiagem para esconder as olheiras e cara inchada de choro, o Luau já tinha começado quando a gente chegou, e apesar de estar mal, confesso que esqueci de tudo. Apolo estava extremamente perfumado, e o sorriso que ele deu quando me viu ( me fez ficar mais mole que gelatina), as músicas variavam de Jack Johnson a MPB, no finalzinho a Ana me abraçou muito forte e disse que ela me ligaria e que marcaria pra gente sair juntas, o Rodrigo me levantou do chão com um abraço de urso e foi muito gentil ao dizer que era engraçada (pra não dizer esquisita/louca), o Apolo resolveu me levar até em casa, até relutei mas ele insistiu.
Fomos caminhando e um claro silencio pairou sobre toda a trajetória, na porta de casa ficamos parados olhando um para cara do outro, até que u não aguentei e ri da constrangedora situação que a gente se encontrava, e ele deu aquele mesmo sorriso de quando nos conhecemos aquele de transformar pedra em líquido.
–Er, queria te agradecer por ter me defendido quando aconteceu..sabe...aquilo.
–Não precisa agradecer, qualquer teria batido num idiota como aquele.
–Não é serio, de verdade. Obrigada.
–Me disseram que quando alguém diz obrigada para outra pessoa, ela fica meio que devendo um favor. Você deveria ter tido estou grata ao invés de obrigada.
–Ah é ! Não sabia dessa, devo estar devendo mais favor que o Brasil ao EUA.-Ele riu.- Mas diga que favor estou te devendo ?
– Eu quero um beijo. — congelei-
–Apolo... — como eu iria dizer que não estava preparada nem pra conversar direito, imagine beijá-lo, as memórias ruins voltaram com tudo e fiquei com raiva. Raiva de mim, raiva dele de ter pedido isso sabendo o que eu tinha passado, estava quase soltando o verbo quando ele falou.
–Mas eu nunca seria capaz de pedir que você pagasse agora. Mesmo querendo muito. Um dia você vai me pagar, nem que eu tenha que ir até o Polo Norte atrás do favor. -
Então ele deu um ultimo beijo na minha testa e foi embora. Sem esperar resposta, e me deixando parecendo uma estátua, tentei falar alguma coisa mas nada saia, até que falei bem baixinho " obrigada". Voltei pra casa, voltei a rotina me arrumei pra faculdade, aos poucos fui apagando da memória o evento ocorrido com o Felipe, e lembrando carinhosamente da Ana, do Rodrigo e especialmente do Apolo, mesmo sabendo que era MUITO IMPROVÁVEL que um dia eu pagasse aquele favor.
Mal sabia que no primeiro dia de Aula uma aluna chamada Mel que cursava Direito iria encontrar um aluno de Engenharia chamado Apolo, e que mesmo que demorasse, talvez um dia, ou uma semana, ou talvez um mês, ela pagaria o favor.
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