Um certo alguém
7 Dia de sorte.
Notas iniciais
O final de semana passou mais rápido do esperado, passei as tardes com o Felipe e a noite ia pra casa da Ana, comer besteira, assistir filme e jogar conversa fora. Alice tinha praticamente sumido do mapa nas poucas vezes que nos víamos, só falamos o básico (Oi ! Tudo bem ? Novidades ?), o Apolo tinha ido com o Rodrigo resolver alguma coisa para aproveitar a ultima semana de férias.
Segunda feira de manhã cedoe apesar de ser férias, tem certas coisas que se você não fizer na segunda você não faz mais o resto da semana, fui correr na orla. Coloquei o fone de ouvido e me senti num filme ouvindo a trilha sonora, uma das coisas mais engraçadas de se correr de férias na praia são as figuras que você encontra de manhã. Têm o cara que bebeu todas e acabou dormindo na areia, que acorda todo queimado e perdido como se estivesse em Lost. Têm aquela pessoa que tem que recolher o lixo que sobrou da festa da areia. Têm aquela pessoa que tem a obrigação de passear com o cachorro, por isso levantou da cama e colocou uma cama, ainda não acordou. Têm as pessoas que ficam no sol desde a hora que ele nasce até a hora que ele se põe. Tem a família Trololó que é aquela que juntou todo mundo e saiu de casa cedo para não pegar o sol muito quente, que trouxe as marmitas pra não gastar dinheiro, mas não dispensa o bom e velho amedoin. Têm aquelas que vão a praia com uma camada de protetor solar 300, com chapéu e sombrinha tudo pra se proteger do sol. E aqui estou eu observando a variedade de pessoas, quando escuto um barulho, um tão alto que superou até o fone, virei e cai. Fui atingida por uma criatura de skate, no chão agarrei o pé dele.
–Ei, tia larga ai ! — uma criatura de estatura e idade baixa falou, enquanto me levantava.
–Seus pais não te ensinaram que quando se derruba alguém precisa pedir desculpa ?
–Desculpas aceitas.- ele disse e saiu no skate.
O sangue subiu, como ele pode ser tão mal educado devia ter oque uns 13 anos e já estava assim. Fui tomar uma água de coco, pra me acalmar um pouco, resolvi dar um mergulho, ainda bem que eu tinha colocado o biquíni, a água estava ótima, de repente sinto um ardor muito forte nas costelas,Merda era uma caravela, sempre dizem que é pra ter cuidado, mas não eu fui esquecer o ardor aumentava cada vez mais e o bicho não soltava, comecei a tentar sair da água mas doía um pouco pra mexer, gritei estava queimando muito, quando já estava quase na areia escuto uma voz conhecida.
–Mel oque foi ? — dizia Apolo assustado olhando pra mim.Não conseguia falar direito estava doendo de mais, tirei as mãos da costela. Pela cara que ele fez, percebi que não estava nada legal. Alguém veio correndo acho que tinha escutado meu grito de socorro e disse que era melhor me levar num bar que tinha ali perto. Sem esperar Apolo tinha me colocado no braço e foi correndo até o bar, me colocou numa cadeira, nessas horas vem um monte de gente se juntar, e é cada um que diz uma coisa pra melhorar. Alguém jogou água mineral, e no momento que a água bateu ardeu ainda mais. me desesperei levantei e comecei a andar de um lado para o outro abanando com a mão, Apolo tentava me acalmar, mas nessa hora poderia aparecer Jake Gyllenhaal que eu não daria a mínima. O dono do bar se aproximou querendo saber que bagunça era aquela no estabelecimento dele, mas ele nem precisou perguntar foi só ver o meu desespero que a ficha caiu.
– Ah, já teve muita gente com queimadura de caravela aqui. Zé pega o vinagre.
Ao ouvir essa ultima palavra meu coração acelerou, devo ter ficado branca que nem papel, vinagre em assadura ? Era tentativa de assassinato. Ele foi se aproximando de mim com o vinagre.
–Não, muito obrigada.
– Eu já vi vários casos desse, tem que colocar vinagre. Isso ou xixi.
Sinceramente eu pensei seriamente na solução do xixi, parecia menos doloroso mas ele parecia estar certo quanto ao vinagre, decidi arriscar. Esperei que fosse arder muito, mas foi foi um ardor de leve e em pouco tempo já estava me sentindo melhor, sentei na cadeira mais calma.
–Obrigada. — falei pro dono do bar.
Ele deu um sorriso amarelo e voltou pra dentro do bar.
–Está melhor ? — Apolo perguntou do meu lado.
–Sim. E a propósito obrigada.
Ele deu um meio sorriso, o braço dele foi puxado por Felipe que não sei como tinha se materializado naquele ambiente.
– O que esse cara está fazendo aqui com você ? — Felipe disse irritado encarando Apolo.
–Ela se machucou seu idiota. E onde você estava quando isso aconteceu ? — respondeu Apolo, fazendo com que Felipe ficasse vermelho na hora. Felipe avançou como se fosse partir pra briga, me intrometi.
–Ei calma ai. O Apolo me ajudou, uma bicho me queimou e ele me ajudou. Acalmem se os dois.
O clima não estava nada legal, parecia uma reunião da Onu entre os EUA e o Irã, achei melhor ir embora, antes que alguém falasse uma besteira.
–Eu acho melhor eu ir..Preciso descansar e tentar melhorar essa ...
–Eu te levo. — disse Felipe antes mesmo de me deixar terminar a frase.
Concordei, fui até Apolo e agradeci, dei um leve beijo na bochecha dele, o que o fez o Felipe olhar pra mim, ignorei, que coisa besta esse ciumes.
– Qualquer coisa me avisa.- disse Apolo olhando pra mim e dando um beijo na minha testa.
Fingi não notar o sorriso de ironia que ele deu, Felipe foi logo me puxando pra longe como se Apolo fosse um vírus. O caminho foi um eterno silêncio, ele estava um pouco irritado, e eu realmente não estava a fim de falar sobre esse ciumes idiota. Me despedi rápido, Felipe até tentou tocar no assunto de porque eu ainda falo com Apolo, mas eu disse que a queimadura estava doendo e entrei em casa. Peguei uma bolsa de gelo, deitei no sofá e coloquei a bolsa na costela. Adormeci pensando em porque Felipe e Apolo não gostavam um do outro.
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