Notas iniciais
Bem, está é a primeira one-shot que eu posto, mas coloquei todos os meus sentimentos para escrevê-la. Por isso, espero do fundo do meu coração que leiam com carinho, coloquem uma música lenta pra dar um clima (opcional xP) e aproveitem a leitura ♥ Obs.: O texto está todo em itálico porque é como se fosse uma carta, ok?

Oh, garotinha tímida! Como eu daria tudo para ti. Mesmo que costumasse se esconder por detrás de uma capa dura de seus mais variados livros, ainda assim era uma menininha observadora.

Sim, você já me notara a olhando antes, em uma de suas diversas pausas para analisar o que havia ao próprio redor. De início me olhava estranho e fazia careta, deixando claro para eu parar de te olhar e eu, simplesmente apaixonado pelos seus olhares, fingia mexer no celular enquanto acompanhava seus movimentos com minha visão periférica. Não tinha culpa de você ser tão linda!

De vez em quando, quando mais concentrada na leitura, franzia a testa ou batia o pé no chão insistentemente, enquanto os olhos corriam ligeiros pela folha branca, mas não importava que tipo de expressões fizesse, nunca parecia feia ou mesmo chata. Lembro-me de certa vez que seus olhos encheram-se de lágrimas e, depois de uma fiscalização rápida pelo pátio em que se encontrava, enxugou os olhos com a palma da mão enquanto guardava o livro de capa vermelha na bolsa. Mas nem mesmo isso foi o suficiente para te fazer abandonar as letras; pegou um caderno pequeno e escreveu uma história.

Depois de bons tempos, foi se acostumando com meus olhares perseguidores, e sorria sempre que me pegava dando uma olhada rápida, para logo depois esconder o rosto corado atrás dos livros novamente. Isso sempre animava meus dias. Seus raros sorrisos eram tão refrescantes quanto um sorvete de chocolate gigante em um dia de verão extremo e sempre me faziam pensar “hoje vai ser um dia bom”.

Raramente, quando abria sua boca para interagir comigo, seus assuntos nunca envolviam livros, por mais estranho que possa parecer; eram frases simples, como “talvez chova na volta para casa” ou “o céu não está lindo hoje?”. Sim, o céu estava lindo naquele dia, após uma manhã chuvosa, a tarde trouxera um belo arco-íris.

No dia seguinte você não foi á escola. Era óbvio que eu sabia seu motivo, mas se tentasse comentar só a deixaria mais nervosa, não é?

Meu coração doía ao pensar em ti, em casa, presa á própria cama e lutando contra as próprias lágrimas.

Uma semana infeliz se passou até que voltasse para a escola, sentada na grama verde do pátio, debaixo de sua árvore solitária. Espantei-me ao perceber que não trazia consigo um livro e parecia mais preocupada com a presença de alguém para conversar. Esse alguém era obviamente eu.

Talvez eu nunca me esqueça de suas palavras naquela manhã. Entre duas crises de tosse, uma voz fraca e frágil conseguiu dizer:

–Eu amo você.

Exato. A garota sem sentimentos dissera com todas as letras que me amava. Meu coração era fraco para esse tipo de emoção repentina. A abracei enquanto continuava a falar.

–Você sabe, mais do que qualquer um, que eu estou piorando a cada dia, mas quero que sorria para sempre, independente do que aconteça.

Depois de pronunciar essas palavras, me afastou um pouco e entregou em minhas mãos o seu caderninho azul. O seu sorriso durante uma ventania fraca foi simplesmente esplêndido.

Como havia me avisado, os dias que se seguiram foram piores. Nos dois dias seguintes ela teve de ser internada e eu, como seu guarda de segurança pessoal, madruguei durante os dias, animando a minha pequena garotinha sempre que ficava cabisbaixa.

O terceiro e quarto dia foram melhores. Você estava feliz, e ria de tudo que acontecia. Tiveram até mesmo cinco visitas de amigos na escola. Sorri naquele dia. Sempre imaginei que você tivesse problemas de socialização desde a separação dos pais.

O quinto dia foi o único que não pude estar com ti pela manhã. Eu tinha uma prova importante na escola. No entanto, logo que a tarde começou eu corri. O mais rápido que consegui, cheguei ao hospital. Quando entrei pela porta, você sorriu e sussurrou "finalmente acabei de ler o livro.”.

No sexto dia os médicos me disseram secretamente que sua pressão estava aumentando e que estava bem pior que antes. Eu não podia fraquejar em sua presença, então entrei na sala anunciando que o hospital tinha um novo sabor de sorvete.

No sétimo dia, você não chorou quando tocou meu rosto com delicadeza, soltou uma risada fraca e sussurrou para mim suas últimas belas palavras.

“Sorria! Nunca se esqueça do arco-íris após a tempestade.“

E lá estava você, em meus braços, fechando os olhos pela última vez. A mão que me tocara caía devagar em cima de sua própria barriga. Depois de um minuto inteiro paralisado, mesmo sabendo que nunca mais me ouviria novamente, eu gritei por ti. Seu nome ecoando pelo quarto diversas vezes chamou atenção das pessoas do hospital, que vieram te tirar de mim. Poderia ter dito que meu único arco-íris era você, mas provavelmente nunca entenderia.

O meu pequeno arco-íris, o mais colorido de todos, havia sido retirado á força de mim. Tinha sido afastado, e nunca mais voltaria. Talvez se fincassem uma faca em meu ombro direito, a dor seria menor do que o vazio que sentia em meu coração naquele instante. Mas você pareceu nunca entender o quanto era importante para mim.

Quando voltei para casa contra a minha vontade corri para o quarto. Minha mãe descobriu logo depois o que aconteceu, e mesmo com lágrimas nos olhos e vozes falhando, dizia que você havia ido ficar em um lugar melhor. Era sempre a mesma desculpa. Eu era o que me sentia pior, claro. As luzes do sol invadiam o quarto, mas os meus olhos enxergavam tudo em preto e branco.

Eu não desci para comer. Ia para a escola, mas não conseguia falar com nenhum de meus amigos, e ignorava meus professores. Não conseguia terminar nenhuma tarefa. Minha mente ainda estava naqueles nossos dias coloridos, debaixo da árvore, falando frases sem sentido e dando sorrisos bonitos.

Finalmente, chegou o dia do seu funeral. Eu caminhei a seu lado durante todo o tempo. Era um dia chuvoso, mas ninguém estava preocupado em fugir da água forte que caía sobre nós. As palavras de consolo vinham de todos os lados, mas elas sempre entravam por um ouvido e saíam pelo outro, sem nem mesmo parar no meio do percurso para decifrar aquelas letras. Eu estava trancado em meu próprio mundo e a única pessoa que um dia dei a chave para entrar foi você.

Já estava entardecendo quando todos foram embora, logo após seu corpo ser enterrado. Eu optei por ficar mais uns minutos ao seu lado, tempo suficiente para ver o espetáculo que os raios de Sol fizeram no céu, guiados pelo mais lindo arco-íris que já havia visto. Seria você dançando naquele céu tingido de vermelho?

Não me importei se já fosse tarde demais, mas entre lágrimas, eu sorri, dando-lhe um adeus apropriado, digno de uma promessa pela metade.

No chão, percebi ter derrubado seu antigo caderninho azul. Abri-o nas folhas que escrevera sua história durante aquele dia tedioso; reli as palavras ali escritas, talvez pela décima quinta vez, a história de uma garotinha doente e seu herói, o salvador de sua felicidade, seu irmão mais velho.

Oh, minha garotinha tímida! Eu daria tudo para tê-la ao meu lado novamente nesse momento, para te olhar e dar beijos de boa noite nos cabelos cor de chocolate, para animar seus dias e ver seu sorriso radiante pelo menos mais uma vez; durante as noites de trovões, te abraçar e dizer que está tudo bem; no inverno, te aquecer com um forte abraço caloroso.

Ri com esses pensamentos, afinal, cá está seu pote de ouro, te desejando até seu fim.

Vá em paz, garotinha levada. Seu irmão coruja estará aqui, rezando para seu bem e para que, no dia que renascer em outra casa, leve sorrisos á essa outra gente. Elas irão precisar de você, talvez até mais do que um dia eu já precisei de ti. Afinal, certa vez uma pequena heroína me ensinou que depois da chuva, o arco-íris sempre voltará.

Vá embora, meu arco-íris. Vá iluminar outros céus tempestuosos.

Notas finais
Então? E aí? Como foi, como foi? Eu consegui causar as emoções que queriam causar? Bem, espero que tenham gostado e se emocionado, porque eu amei essa história, sério mesmo.Aliás, se você está lendo isso é porque leu, certo? Se for o caso, agradeço imensamente pela leitura ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!