Um ano em LA
15 A final
Notas iniciais
POV Jason
Finalmente tinha chegado o dia, a final do campeonato nacional, se ganharmos esse jogo seremos o melhor time de futebol americano do país – essa informação não me fazia relaxar. Minha cabeça não conseguia processar todas as informações existentes: o jogo, faculdade, o técnico que estava deixando eu e Percy loucos, meu pai e a Hera, e a mais confusa de todas, Piper McLean.
Quando sai do vestiário pra pegar um ar, lá estava ela, com seu uniforme de líder de torcida, sorrindo pra mim. Estava atrás da arquibancada, ou seja, ninguém podia nos ver.
— Ei, relaxa um pouco – Falou a garota estendendo suas mãos para mim – Assim você vai surtar antes mesmo do jogo começar e não vai entrar em campo – Terminou com um pequeno riso.
— Muita coisa na cabeça – Sorri também – Você sabe que não da pra ficar tranquilo numa final
— É... Mas vocês vão ganhar, tenho certeza.
— Sabe... Nas oitavas de final você me deu muita sorte... Sabe... Com um beijo – Falei para ela me aproximando e levando minhas mãos para sua cintura. Ela respondeu rindo:
— Mas só um, seu foco tem que estar no campo e não em beijos.
Era tão bonitinho o jeito que ela ficava na ponta dos pés pra se aproximar da minha altura e como fica mexendo no meu cabelo enquanto me beija, é muito bom. Cara, o beijo dela deve ser igual uma droga, porque não é normal algo viciar tanto assim. Acho que já deu pra entender porque ela é a coisa mais confusa na minha mente, simplesmente pelo fato de que ela não sai de lá. Quando sua boca se afastou da minha, Piper ficou me olhando por alguns segundos, analisando cada centímetro do meu rosto.
— Respira fundo – Fiz o que ela mandou – Agora volta pro vestiário, seja o ótimo capitão que sei que é, entra no campo e mostra pro outro time que você é o melhor.
— Posso acabar com eles?
— Deve
********
O jogo estava empatado, 11 a 11, quando deu o intervalo. Eu estava precisando parar um pouco. As cheerleders iriam começar sua apresentação e claro, Piper estava entre elas, era a flyer do grupo. Percy e alguns meninos estavam assistindo um pouco, mas eu estava conversando com o técnico, tentando achar uma maneira de desempatar a partida.
Foi então que aconteceu, eu só consegui ouvir a reação do pessoal que estava na arquibancada lotada. Surpresa, nervosismo e preocupação estavam estampados em seus rostos. Foi aí que olhei para as cheerleaders, várias estavam caídas no chão e outras tentavam ajudar, enquanto andava para um lugar tentando enxergar melhor ouvi o grito de Percy:
— PIPER! – Tinha dor em sua voz, tudo acontecia em câmera lenta, outro garoto do time o segurava, não deixando ir em direção da garota, depois disso consegui ver claramente, alguma coisa deu errado na pirâmide que tinham feito e boa parte da equipe caiu, Piper estava caída no chão, desacordada, Nico estava ajoelhado ao seu lado e gritava por ajuda.. Foi quando os paramédicos começaram a coloca-la na maca para leva-la na ambulância.
Era tudo tão lento e ao mesmo tempo tão rápido, eu travei, não sabia o que fazer. A única coisa que entendi claramente foi quando Nico olhou pra mim e gesticulou com a boca: “Relaxa, eu vou com ela”. Tudo o que fiz foi concordar com a cabeça. Vi Annie e Thalia saindo da arquibancada, acho que iriam logo atrás.
Depois disso meu cérebro entrou no automático, eu não consigo me recordar de boa parte do jogo. Só voltei ao normal quando ouvi o apito final, nosso time fez um touchdown nos últimos segundos de jogo, conseguindo uma vitória de 30 a 27.
Todos vibravam e comemoravam, eu não fui diferente, me deu um alívio enorme saber que pelo menos uma das coisas que me incomodava já não era mais problema. Depois da premiação, entrega de medalhas e tal, o técnico veio até mim trazendo outro homem junto.
— Ei Jay, esse aqui é o Kevin, responsável pelos alunos novos da faculdade que eu estava te falando mais cedo, ele gostou muito do jogo de hoje.
— Ah, muito obrigado, é um prazer te conhecer – Falei ao homem apertando sua mão
—Igualmente – Respondeu ele – Então Jason, eu...
Ele foi interrompido pelo Percy que estava alguns metros atrás:
— Eu to indo ver a Piper, você vem comigo?
Não sabia o que fazer, conversar com esse cara abriria as portas da faculdade para mim, mas... queria tanto ver ela.
— Oh, a garota que se machucou era sua amiga? – Perguntou Kevin
— Talvez um pouco mais que amiga – Resmunguei e só depois percebi o que tinha dito, com certeza fiz uma cara um pouco assustada, mas o homem foi o único que demonstrou ter ouvido.
— Vai lá ver ela, nós ainda teremos muito tempo para conversar – Disse ele. Agradeci com a cabeça e sai correndo atrás de Percy. Só pegamos nossas bolsas no vestiário e fomos correndo, nem trocamos de roupa.
Ao chegar no hospital entramos correndo, pedimos informação a moça da recepção que nos orientou a ir para uma sala de espera mais próxima de onde ela estava. Fomos até lá e encontramos Annie, Thalia e um garoto que parecia ter a nossa idade ou ser um pouco mais novo.
Eu sentei do lado da minha irmã e Annabeth levantou e beijou Percy, que logo depois foi cumprimentar o tal menino, acho que seu nome era Leo.
— Então vocês ganharam? – Perguntou Thals
— Aham – Respondemos calmamente
— Como ela ta? – Perguntou Percy, dava pra ver claramente na sua voz que ele estava nervoso
— Não sabemos muita coisa ainda, só deixaram meus pais entrar e como Nico veio com ela pode entrar também. – Respondeu o Leo, que deve ser o irmão da Piper – Mas falaram que ela já esta bem, deve acordar a qualquer momento.
Pouco depois os pais dela apareceram na sala junto com Nico. Era estranho ver o cara dos melhores filmes de ação numa situação dessas.
— Eai Percy – Disse ele cumprimentando o garoto que se levantou para abraçar ele
— Oi tio Tristan – Então também abraçou a mãe de Piper, os dois vieram na minha direção e Tristan estendeu a mão para mim.
— Prazer, Tristan, você deve ser amigo da Piper – Na minha mente só se passou a frase “talvez mais que isso”, mas felizmente respondi outra coisa.
— Jason, prazer em conhecer os dois – Logo que terminei de falar, Afrodite soltou um riso fraco. Na hora entendi o porque. Ela se lembra da vez que Piper dormiu lá em casa e que eu já tinha ficado com ela.
— Como ela ta? – Perguntou Leo
— Acabou de acordar, esta bem, logo melhora. Ela pediu pra você ir vê-la querido – Respondeu Afrodite para o filho
Tristan se sentou entre eu e Percy e disse: — Então vocês são campeões nacionais? – Dava pra ver claramente o orgulho estampado no rosto dele quando olhou para Percy.
E ficamos ali conversando sobre futebol americano, nem vi o tempo passar direito, só me toquei quando Leo voltou e disse que podíamos entrar. Nico, Thalia, Annabeth , Percy e eu nos levantamos juntos indo até o quarto. Quando entramos pude ver Piper na cama, ela tinha vários hematomas pelo corpo, um corte na testa e seu braço estava com gesso.
— Vocês ganharam – Disse ela olhando para o meu peito onde estava amedalha de ouro, falou da forma mais animada que conseguia, já que era aparente que estava com dor e cansada.
— Sim, mas como você esta? – Disse Percy se aproximando dela do outro lado da cama.
— Só alguns hematomas e três ossos quebrados, eu supero – Respondeu com um pequeno sorriso
— Três? – Perguntou Annabeth assustada
— Ela caiu em cima de uma menina, quebrou o braço próximo do cotovelo e duas costelas. – Respondeu Nico pela garota
Ficamos conversando mais alguns minutos quando Thalia disse:
— Acho que a gente podia ir né galera? Já ta tarde e Piper tem que descansar.
Então cada um foi dando tchau para ela, Nico deu um soquinho na mão direita dela que não estava machucada, Thalia e Annie só acenaram e já saíram junto com o garoto. Percy beijou a testa dela e estava saindo do quarto quando me aproximei dela.
— Melhora logo Pips – Falei enquanto segurei sua mão
— Pode deixar
Me inclinei até ela e a beijei, foi só um selinho afinal não queria a machucar, mas já foi suficiente. Fui até a porta e quando a estava fechando do corredor olhei para ela e pisquei com um olho só, ela sorriu, foi o melhor sorrio que tinha dado no hospital até agora. Quando me virei para o corredor só estava o Nico de braço cruzado olhando pra mim. Ele soltou um riso fraco.
— Se continuarem assim, logo logo o pessoal descobre.
— Como você sabe?
— Ela não ficou com ninguém na festa das cheerleaders, revirava o olho quando um menino dava em cima dela, foi só juntar alguns fatos e fazer algumas perguntas. Vocês escondiam melhor nas primeiras semanas. – Terminou rindo e fiz o mesmo – Relaxa, não vou falar pra ninguém.
— Valeu
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