Um anjo negro em minha vida

2 Capítulo 1 - Deus Nórdico ou Sol quente?


Meu nome Charlotte, tenho 21 anos e atualmente moro na badalada Hamptons. Isso mesmo a famigerada junção de ilhas de luxo, coisa de gente rica. Foi aqui que Emily e Victória se enfrentaram em "Revenge", foi aqui que Blair e Serena passaram suas férias de verão em "Gossip Girl" e foi aqui que Kourtney e Khloe gravaram o spin-off mais foda da saga Kardashian, "Kourtney & Khloe take the Hamptons". Infelizmente eu ainda não tive o prazer de encontrar Khloe por aqui. Melhor Kardashian EVER. Ou seja, minhas amigas eu tinha tudo para amar Hamptons, esse lugar é o paraíso na terra, mas as águas cristalinas do imenso oceano e suas areias brancas como a neve do inverno de Nova York se tornaram meu pesadelo. Eu oficialmente odeio Hamptons e vou te contar por que.

Tudo começou bem antes do meu nascimento, em Havana, capital de Cuba, minha mãe é de lá, meu avô se apaixonou por uma jovem garota americana, ele já era casado, tinha outros filhos, mas quando viu minha avó ficou completamente encantado. Em nome desse sentimento ele se separou da sua esposa e se casou com a minha avó que tinha apenas 16 anos, enquanto meu avô tinha 30 anos. É locura, eu sei, mas minha mãe conta que eles se amaram muito.

Minha avó estava em Havana como turista, fugiu de seus pais e foi viver a sua história de amor com o meu avô. Os irmãos mais velhos da minha mãe, filhos da outra esposa odiavem minha avó, mas quando sua mãe morreu em um acidente de barco, minha avó cuidou deles como se fossem seus filhos e com o tempo, todos se apaixonaram por ela assim como meu avô, pois segundo ele, era impossível não ama-lá.

Quando as coisas começaram a ficar difícil em Cuba, minha mãe pediu ao meu avô que eles se mudassem para o EUA, eles eram casados agora, ela tinha 21 anos, os filhos dele foram adotados por ela, eles ganhariam Green Card sem problemas, mas meu avô era militar e odiava os EUA com todas as forças dele. Minha avó sabia que o futuro melhor para as crianças – dois meninos, um de 10 anos, outros de 6 anos e uma menina de 9 anos – era na América, mas meu avô se recusava a sair de Cuba.

Ela não aceitava isso, mas não tinha escolha se quisesse ficar com ele. Com 25 anos ela engravidou da minha mãe e sua preocupação aumentou, ela não tinha autoridade sobre os irmãos da minha mãe, mas tinha sobre a filha que estava esperando. Ela tocou no assunto de novo sobre se mudar, minha avó era muito rica e sabia que tudo ficaria melhor nos Estados Unidos, mas meu avô foi firme em sua decisão, se ela quisesse ir e levar minha mãe ela estava livre para ir, mas ele e as crianças ficariam.

Foi difícil pra ela, minha avó amava as crianças como seus filhos e amava meu avô mais que tudo, ela desistiu de tudo por ele, mas ela sabia que fazer o mesmo por sua filha também era correto, então ela decidiu ir embora quando estava com aproximadamente 7 meses de gestação. A situação em Cuba era insuportável e as outras crianças estavam passando fome, depois de arrumar a pequena mala dela, minha avó fez o almoço com o que lhe restava, serviu para as crianças e seu amado marido que mal tocou na comida e a amaldiçoou quando ela passou pela porta em direção a saída.

Naquele dia ela deixou para trás a metade do seu coração e crianças chorando que ela amava mais que sua própria vida. Pegou um ônibus até o aeroporto, mas nunca conseguiu chegar ao seu destino, pois no caminho entrou em trabalho de parto. Minha avó não teve chance de conhecer minha mãe, pois morreu no parto e minha mãe foi pra casa com um pai ressentido, amargurado que a culpava por perde sua esposa. O que manteve minha mãe viva foram seus irmãos, pois meu avô se recusava a alimenta-la, ela só podia entrar em casa depois que ele estivesse dormindo e sair antes que ele acordasse. Seu irmão mais velho foi o seu pai e sempre contou histórias sobre minha avó e como ela era incrivel.

Desde que minha mãe aprendeu a falar ou até antes o sonho dela era ir para os Estados Unidos para conhecer seus avós e sair da extrema pobreza que eles viviam. Minha mãe sabia que minha avó era filha única e ela era a única neta e herdeira. Essa era a maior motivação dela e ela jurou que assim que chegasse na América mandaria dinheiro para ajudar os irmãos que sempre cuidaram dela.

Quando ela fez 16 anos conseguiu entrar em contato com os pais da minha avó e pediu ajuda para ir embora, mas eles negaram qualquer ajuda e pediu que ela nunca mais ligasse. Quando meu avô ficou sabendo ela foi proibida de entrar em casa e caso os irmãos deixassem eles também seriam colocados para fora. Naquele momento ela se viu sozinha no mundo, pois os únicos seres que ainda a queriam agora estavam proibidos de falar com ela.

Minha mãe ficou na rua, passou frio e fome, mas nunca desistiu do sonho dela, ela ia vencer da vida e ia sair daquele pais que não pertencia a ela, lugar onde ela não era bem vinda e encontraria o seu lugar no mundo, lugar que a mãe dela estava sonhando pra ela. Minha mãe trabalhou em tudo que você pode imaginar, garçonete, faxineira, cozinheira e até prostituta e não pense você que ela se envergonha, de jeito nenhum, como ela sempre diz, ela fez o que era necessário e ela não tem porque se envergonhar disso.

Um ano depois ela conseguiu finalmente provar que sua mãe era americana e tinha dinheiro suficiente para ir embora finalmente. Era um passaporte de visitante, mas ela faria o possível para conseguir seu Green Card e assim foi, com o dinheiro que ela guardou em seu primeiro ano e morando em abrigos para economizar, ela conseguiu o suficiente para pagar um americano para se casar com ela, um cara conhecido como meu pai, bom é nesse ponto que eu entro nesse história.

Mamãe se apaixonou pelo cara que foi pago para se casar com ela, sim, apesar de determinada ela não tem muito juizo. Porém meu pai era um cara de 21 anos que precisava do dinheiro para pagar a faculdade, ele não queria responsabilidade, muito menos uma criança para criar; então quando ela disse que estava gravida ele fugiu sem olhar pra trás e mais uma vez ela se viu sozinha, ou melhor, agora eu estava com ela, mas naquela época era melhor estar sozinha. Com o Green Card em mãos ficou tudo mais fácil.

Quando eu completei 5 meses minha mãe conseguiu emprego em um hotel de luxo, felizmente o lugar pagava e paga até hoje muito bem e foi esse emprego que permitiu que tenhamos hoje uma vida mais confortável, mas ainda somos pobres, pagamos aluguel por um lugar ruim, pois não temos dinheiro pra comprar uma casa, compramos roupas novas apenas uma vez por ano, mas estamos bem.

Hoje nossa vida é mais fácil do que a 10 anos atrás, inclusive hoje temos dois membros novos na família, mamãe se casou de novo, mas dessa vez com um cara legal, Erik é um homem bom que ama minha mãe e a trata bem e Blair, minha pequena irmã de 1 ano e amor da minha vida. Agora eu posso dizer que minha mãe é feliz e ela merece mais do que qualquer um.

Ai você me pergunta, Charlotte como você foi parar em Hamptons? O marido da sua mãe é rico? Não, Erik não é rico, na verdade, ainda somos pobres, nem mesmo fui capaz de ir a faculdade e a três semanas atrás ainda morava no Brooklyn e é aqui que eu deixo de ser coadjuvante e passo a ser do elenco principal, não que eu tenha pedido por isso.

Como eu disse três semanas atrás eu estava no Brooklyn cuidando da minha pequena irmã enquando minha mãe e padrasto estavam fora trabalhando. Blair sempre foi um bebê calmo e eu amava por isso, quando começou a tocar Sorry Not Sorry no pequeno som da cozinha, Blair balançou seus braços ao som de Demi Lovato e derrubou seu mingau no chão no mesmo momento em que meu celular começou a tocar, era minha mãe, eu tinha duas escolhas, limpar aquela sujeira ou atender o celular, escolhi a segunda opção, pois a primeira eu teria que fazer de qualquer jeito.

— Oi mãe.

— Oi querida, como ela está?

— Bem, acabou de derrubar todo o café da manhã no chão.

— Oh Deus, me deixe falar com ela. – Caminhei até a pequena destruidora e coloquei meu surrado iphone em seu ouvido, quando Blair escutou a voz de nossa mãe seus olhos grandes e verdes de seu pai brilharam como esmeraldas sob o sol.

Nossa mãe sempre foi amorosa, ela sempre fez questão de ser presente da forma que ela podia, felizmente Blair aproveitaria mais da companhia dela do que eu pude. Mamãe tem menos problemas para resolver do que tinha a 20 anos atrás. Assim que escutei minha mãe se despedir tirei meu celular das mãos melecadas que Blair que reclamou de imediato.

— Querida está ai?

— Sim, pode falar.

— Erik chegará em casa lá pelas cinco, assim que ele chegar pegue um ônibus e venha me encontrar, precisamos comprar algumas roupas pra você.

— Mãe, não estou precisando de nada. — Na verdade eu estava sim, só tinha uma calça jeans velha e um moletom que peguei de Erik, mas não podia reclamar, eu já tinha 21 anos, minha mãe não deveria gastar seu suado dinheiro comigo, mesmo que eu não conseguisse encontrar um emprego para comprar minhas próprias coisas. Ela tinha uma bebê para cuidar e bebês davam gastos.

— Claro que precisa. Te encontro as 6. — Essa foi a última coisa que disse antes de desligar na minha cara, eu sabia que mesmo sem poder ela daria um jeito, ela sempre deu, mas eu não me sentia bem com isso. Eu precisava de um emprego e rápido.

As 5 horas Erik chega em casa cheio de dunets e balas para a alegria de Blair e desgosto da minha mãe. Eu pego minha bolsa, dou um beijo em Blair e Erik e vou pegar meu ônibus. Cerca de 20 min depois eu chego a frente do poderoso Hotel Hilton, ainda faltam 40 min para o fim do expediente da minha mãe e eu decido tomar um sorvete apesar do frio no inverno de Nova York.

Espero o sinal fechar para atravessar na faixa e assim que ele fica vermelho eu atravesso. No meio da faixa de pedestre meu celular começa a tocar, enfio a mão dentro da bolsa para pega-lo e atender, mas acabo dando de encontro com uma parede de musculos, minha bolsa e celular caem no chão assim como eu. Olho pra cima e dou de cara com belo exemplar de homem, oh Deus, muito obrigada. Eu fico esperando que ele estenda uma das mãos para me ajudar a levantar, mas alguns segundos depois nada acontece. Qual o problema com o cavalherismo? Me levanto sozinha, limpo minha roupa e fico de frente pra ele.

— Obrigada por me ajudar. — digo da maneira mais irônica que consigo.

— Não precisaria de ajuda caso olhasse por onde anda. — Ele era realmente bonito, entre 30 talvez 35 anos, incrivelmente alto, talvez 1.85cm. Cabelo estiloso, negros e volumosos. Barba muito bem aparada e um perfume que estava me deixando fraca. Pena que acima de tudo era um mal educado e grosso.

Ele não poderia ser perfeito não é? Ajeito minha bolsa no ombro, guardo o celular e volto a caminhar não dando a ele nenhuma atenção. Se ele está de mal, não serei eu seu saco de pancadas.

Quando finalmente chego do outro lado da rua olho pra trás pra saber onde o Deus Nórdico mal humorado foi parar, e por incrível que pareça ele ainda estava lá, no meio da faixa de pedestre, entre os carros em movimento olhando fixamente para um ponto, mas não qualquer ponto, ele olhava fixamente pra alguém e esse alguém era eu.

Uma sensação estranhas incomodou minhas entranhas e mesmo que me deixasse desconfortável eu não conseguia desviar o olhar.
Carros buzinavam de modo exagerado pra que ele saísse do meio da rua, afinal não era muito seguro, mas ele era tão dono de si que não parecia se importar.
Pouco antes do sinal de fechar eu penso em atravessar e perguntar se estava tudo bem, estava me preocupando que ele estivesse no meio da rua feito um doido.

Mas antes o sinal fechar, um ônibus passou em nossa frente quebrando nosso contato visual. Quando o ônibus desapareceu por completo o mal humorado Deus Nórdico virou fumaça. Ele simplesmente desapareceu.
Olho por todos os lados e não o encontro em lugar algum. Como é possível? Será que eu estou ficando louca ou o sol está quente demais em pleno inverno em Nova York

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.