Um amor verdadeiro.

Hoje é o primeiro dia de aula no segundo ano, estou nervosa e sinto aquele frio na barriga como sempre, talvez eu consiga me conter por estar junto da minha amiga de infância Hellen. Este ano infelizmente eu e ela ficamos em turmas separadas, não tenho muitos amigos, não sei o que vou fazer sem ela.

– Bom, já bateu o sinal Amaya, já vou ir, até mais! – A menina abanaria e saia caminhando, eu retribuiria com um sorriso, mas prosseguia parada, vendo as pessoas passarem, senti alguém esbarrar em mim, fazendo meus materiais caírem no chão, me desculpei e logo abaixei para juntar tudo, trouxe eles desajeitada junto de meus braços, assim olharia para frente, vendo um garoto, aparentemente aluno mais velho, talvez repetente do terceiro ano, com um celular apontado para mim, e dele viria um barulho.

– A foto ficou perfeita.

– Foto?! – Perguntei assustada, e ele me apontou com o dedo para baixo, quando fitei minhas pernas, podia ver tudo, descuidada como sempre, quando puxei meus materiais rentes ao meu corpo, trouxe minha saia, uniforme da escola, para cima. – Ah ! Apague isso! – Implorei, abaixando minha saia, saltei com um punho erguido tentando pegar o celular, mas era pequena demais, ele apenas manteve o celular no alto, rindo.

– Vá ao deposito após o final da aula, e eu apago. – O menino sairia caminhando, mexendo no celular mantendo um sorriso, bufei, irritada fui para minha aula, passei todos os períodos pensando no que ele queria, mas, de qualquer modo o que eu poderia fazer ? Sequer sei o nome dele. Após o ultimo período eu fui rapidamente me dirigindo para o depósito nos fundos da escola, mas, fui barrada por Hellen.

– Como foi?

– Bem! Tenho que ir. – Tentei fugir, mas ela me acompanhou.

– Vamos juntas! – Indagou me deixando mais nervosa. Tive que enrolar ela por alguns minutos, até a mandar voltar para a sala e pegar um caderno que eu teria esquecido, consegui ir até o deposito, ele estaria lá.

– Achei que não iria vir! – Vociferou ele, com uma cara de preocupado e nervoso, me assustei e entrei acuada, vi que ele teria preparado uma mesa com bancos improvisados, me sentei ali mesmo, também percebi o cinzeiro, com alguns cigarros já fumados, ele ainda fumaria um.

– O que você quer?

– Conversar com você... Tome – Ele me estendeu uma rosa, um tanto machucada.

– O-Obrigada – Gaguejei, mas peguei-a, até fui capaz de cheira-la. Conversamos por quase uma hora, ele gostava de esporte, mas gostaria muito mais de matemática, me contaria algumas histórias, me faria rir, gentil no final de tudo. – Qual o seu nome?

– Atsushi ! – Respondeu animado.

– Está bem, Atsushi, eu vim, nós conversamos, pode apagar a foto?

– Não.

– Eh!!? Por que?!

– Quero que volta amanhã, para me fazer companhia. Então eu apago.

– H-Hai... – Fui embora, pensando no que tinha acabado de acontecer. Nunca gostei de me aproximar de meninos, eles sempre tentaram, quando eu era mais nova, na sétima série, muitos me pediam em namoro, por eu ser fofa, mas eu era muito nova, e gostava de estudar, sempre neguei, recebi esses pedidos e convites para sair, até o primeiro ano.

No dia seguinte, tive de fazer a mesma coisa, além de pedir desculpas para Hellen por ter deixado ela na escola procurando meu caderno que sequer existia.

– Você realmente veio! – Percebi a animação dele ao me ver, novamente conversamos, só que por mais tempo, foi assim por muito tempo, uma semana e meia, só não o vi sábado e domingo. Quando percebi, já não pedia mais para ele apagar a foto, apenas daria um “até amanhã. “

– Bom dia Atsushi.

– Bom dia Amaya, trouxe biscoitos para comermos, e sequer fumei hoje! – Não fumar seria um pedido meu, sorri quando ele me mostrou que estaria sendo fiel aos meus pedidos.

– Que ótimo, não gosto de você com aquele cheiro. – Rimos juntos, enquanto conversamos, ele me mostrou algumas fotos de seu cachorro, eu amaria cachorros, e depois, ele me estenderia um buque de rosas, viva e extremamente vermelhas, tão lindas que seu cheiro se espalharia por dentro do local, eu seguraria e sem perceber receberia um beijo em meu rosto, ele seria calmo e delicado, suas mãos se confortavam em minha cintura, não resisti a toque algum, abaixei as flores e ele trouxe seus lábios aos meus, ele não forçou, eu mesma prossegui com o beijo, calmo e doce, me faria descansar, meus olhos também repousariam, enquanto eu sentia todos aqueles sentimentos de calor e paixão, seria tão bom. Após alguns minutos, ele me soltaria, faria uma cara de assustado.

– Perdão, Amaya ! – Falou enquanto eu abria meus olhos, apertei o buque, me senti nervosa, mais do que nunca, tive de sair de perto dele, assim neguei falando de forma abafada.

– H-Hai! Atsushi, desculpa. – Sai correndo, indo para casa pensando em tudo que teria acontecido hoje, não teria sido ruim, mas não sabia o que pensar, meu coração apertava, minha pele teimava em relembrar do toque dele, demorei a dormir e antes de tudo, recebi uma mensagem dele “ Você vai vir amanhã? “ Demorei a responder, mas não me contive em dizer “Sim >< “.

No dia seguinte, mal podia esperar para terminar a aula, e ir até ele, dizer que queria ficar com ele, que o carinho dele, o respeito, o modo que entreteria ela era bom, que quando ela estava com ele, conseguia se sentir segura. No fim, quando estaria já indo para lá, recebeu uma mensagem novamente “ Seu irmão está no hospital. “ Logo após isso, meu celular desligou, corri para fora da escola, indo até minha casa.

Fiquei no hospital com ele até as três horas da tarde, quando voltei para casa pus meu celular para carregar, e veio inúmeras mensagens de ligações perdidas e todas dele.

“Onde está?” , “Não vai vir?” , “Ainda estou te esperando” ... Até que cheguei a ultima “Assim você me força a ter que mandar está foto para todos da escola!” Mas por que ele diria aquilo? Estaria sendo tão bom passar todos aqueles dias junto do menino, ele não precisava mais me ameaçar, ele não confiava em mim. Enfureci-me, me perguntei à noite toda, furiosa.

No dia seguinte fui a direção, e perguntei em que sala estaria Atsushi, elas me falaram que ele estaria na turma trezentos e nove, sem esperar, corri até lá, abri a porta com muita raiva, mas vi o que nunca esperaria, o único barulho que se ouvia era do giz caindo, e se quebrando no chão, Atsushi me olhava assustado, sem se mover, deixaria uma lágrima escapar do meu rosto, abaixei o olhar e corri.

– Amaya ! – Gritou ele – Turma, eu tenho que ir atrás dela.

– Se sair professor, irei reportar para a direção que você abandonou a aula.

– Faça o que quiser... Amaya ! – O ouvi gritar novamente, agora saindo da sala, me escondi atrás de uma das paredes da escola, ele era professor?! Por quê? Ele nunca me contou, isso era injusto, não conseguia fazer as lágrimas pararem de cair, meu peito estaria dolorido. – Amaya... Me desculpa por mentir para você, e por ter dito aquilo ontem, achei que tinha perdido até mesmo sua amizade... – Não respondi. – ... Eu ia te contar, mas você não foi, me perdoa, apenas achei que tinha te perdido mesmo antes de te ter... – Novamente não respondi – Se não aparecer, vou mandar essa foto para todos. – O ouvi, e novamente me enfureci, sai de trás da parede, indo para cima dele, arrancando o celular, e novamente me peguei surpresa, a foto seria da minha cintura para cima, seria eu apenas abraçada nos meus materiais. Por quê? Mais uma mentira? Ele nunca teria tirado a foto, apenas usou para me fazer ir até lá...

– Eu vou ser sincero com você agora Amaya... Eu não tirei a foto de você desse jeito, eu nunca iria fazer isso com você...

– Quem é você?! – Vociferei, olhando irritada para o menino, que teria um sorriso calmo, e lágrimas escorrendo pelo rosto.

– Quando você estava na sétima serie, eu te pedi em namoro, pois você era linda e eu teria me apaixonado quando te vi você negou e falou que era muito nova, eu sou, o homem que te amou por quatro anos! – O menino falou envolvendo seus braços em mim, não tive reação, apenas deixei ele me apertar e me aquecer, meus olhos novamente marejados, começariam a deixar as lágrimas escorrer, abraçaria ele também, apertando o garoto com força. Ele nunca me abandonou, nunca desistiu, ele me amou fielmente por quatro anos, e hoje, eu irei amar ele fielmente, pelo resto da minha vida.

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