Um amor que nunca falha

15 Capítulo 14: Confiança


~~Peter Pan~~

Tudo está diferente. O vento está mais frio e mais cortante. O sol está escondido atrás de nuvens escuras e tempestuosas. Os pássaros não cantam mais. E as últimas folhas estão caindo das árvores. O inverno nunca fora tão escuro e frio em Storybrooke.

Sinto falta das cores da primavera e dos raios quentes do sol. Não sei por que mas, minha vida pareceu mudar bruscamente. Primeiro Wendy chega e depois Zelena para atrapalhar tudo.

Espera. Wendy? Só agora percebi que não a vejo há algum tempo. Ela ainda deve estar muito irritada e não querendo me ver nunca mais. Mas, não a vejo mais andando pela cidade. Não a vejo desde aquele dia em que Sininho estragou tudo o que eu estava tentando concertar do meu jeito.

Dou meia volta e vou até a casa dos Darling. A porta está escancarada. Bato antes de entrar mas, não recebo resposta. Entro hesitante. Se Wendy me ver aqui, vai achar que invadi e que não estou dando o tempo que ela pediu.

Entretanto, está tudo muito silencioso para uma manhã de terça feira. O jornal estava na entrada, intocado. Entro de uma vez e subo as escadas. Espio o quarto dos pais dela. Ambos estão dormindo tão profundamente que parecem estar enfeitiçados. Acho estranho mas, apenas viro e encontro a porta do quarto de Wendy fechada. Bato algumas vezes, mas nada de resposta. Entro lentamente. A cama está desarrumada e há sinais de luta.

O abajur está aceso e jogado no chão. Na parede, há algumas rachaduras como se algo tivesse se chocado fortemente contra ela. As cortinas voam em volta da varanda pelo vento gélido que entra.

Houve uma briga feia aqui. Meu coração se aperta e peço que Wendy não tenha nada haver com isso. Se ela se machucou foi por minha culpa.

Observo melhor o cômodo. Um perfume doce e cítrico está no ar. Já o senti antes. Droga, Wendy! Não! Com ela não!

Sai daquela casa em uma nuvem espessa de magia. Estou sem tempo para correr ou andar até a casa de Regina.

~~Sininho~~

– Esquece! — Regina diz pronta para fechar a porta de sua varanda na minha cara.
Depois que Pan e todos foram embora, sem absolutamente, nenhum plano para deter a verdinha ladra de corações e vingativa, tive que pensar em alguma coisa, sozinha.
– Mas... Regina... — Tentei dizer.
– Não! — Ela diz largando a porta e voltando para dentro de sua casa. A segui mesmo sabendo que isso não iria agradá-la. — Sininho, eu não vou ajudar! Já matei ela sozinha uma vez e posso fazer de novo!
– É! Só que você não a matou! — Digo e seu olhar parece me cortar como facas, querendo realmente, que eu morra agora. Mas, aguento. Encaro-a de volta.
– Regina, por favor. Eu te ajudei uma vez. Lembra? Apesar de você não ter acreditado em mim, mas... — Seu olhar parece vago, como uma lembrança. Em segundos ela volta ao normal e me dá as costas. — Se me ajudar, eu juro que desapareço! Aliás, você me deve.

~~Regina Mills~~

Me viro para encará-la de novo. Se eu pudesse a mataria agora. Seu plano é tão óbvio que até Henry saberia cada passo.
– Eu te devo?! — Falo irônica. — Sininho? Eu não vou livrar você e Pan. A culpa não é minha se acabaram com a vida de Zelena a nem sei quantos anos atrás!
Cravo as unhas no braço dela e a arrasto para a porta. — Não vou salvar vocês. E eu não devo nada a você e muito menos a ele. Então, salvem a si próprios!

Estou a ponto de fechar a porta e trancar-me em casa até que tudo isso se resolva. Não vou salvar a pele de ninguém. Zelena já me odeia e quer vingança. Se minha mãe voltar do lado dela, terei muitos problemas que aposto, ninguém vai me ajudar a resolver.
– Regina...! — Ouço Pan gritar a caminho de minha porta. Bufo de irritação. Só quero ficar sozinha.
– Ótimo! Mais um! — Digo irritadiça enquanto ele se aproxima.
– Peter! Diga que precisamos que ela nos ajude! — Sininho diz a ele, numa última tentativa de me fazer ajudá-los.
Pan a ignora e se dirige a mim. Ele está preocupado de novo. Ótimo! Mais problema!
– Temos que conversar! — Ele diz.
– Por que todos nesta cidade recorrem a mim quando as coisas pioram?! Sério! Por que não vão atormentar o Gold?! E Sininho — Ela me olha esperançosa. — Pela milionésima vez! Não!
Fecho a porta e a tranco. Respiro fundo. Fecho os olhos por alguns segundos. Silêncio. Calma. Estou sozinha e livre deles. Me viro e abro os olhos. Pan está a minha frente.
– Me de um motivo para eu não te matar agora mesmo! — Falo quase explodindo de raiva.
– Wendy sumiu. — Ele responde.
Wendy sumiu?! Então era isso a preocupação dele. Não ligo para nenhum dos dois. Estou a centímetros do peito dele e de seu coração, quando a mão dele impede a minha.
– Zelena a pegou. Vai usá-la para reviver Cora. Uma vida pela outra.
Abaixo a mão ao lado do corpo. Espero alguns segundos antes de responder ou dizer alguma coisa enquanto engulo a informação.
Se Cora voltar, terei minha própria mãe querendo me matar. Mas, isso eu consigo parar. Porém, se deixar Wendy morrer, terei Pan como inimigo novamente, tentando me matar. Melhor lidar com apenas uma pessoa para matar do que duas.
– Vai me ajudar agora?
– Com uma condição. — Digo pegando um casaco. — Deixe minha irmãzinha comigo!
– Também tenho uma
Condição. — Ele diz e eu paro a meio metro da porta. — Vamos seguir o plano de Sininho!
Reviro os olhos. Não tenho outra escolha. Saímos da casa.
– Está bem. Só vou avisar. — Falo encarando bem fundo os olhos dele para ficar gravado na mente o que vou dizer. — Se ela mudar de lado, ou ficar no meu caminho, vou matá-la.
Ele concorda com a cabeça e seguimos para o lugar que ele nos leva.

~~Wendy Darling~~

Aterrisso a mais de cinco metros de onde fui atingida. A dor já não me para mais. Me levanto com certa dificuldade e corro. Vejo Zelena mais perto. Desfiro socos e chutes pelo ar, nas esperança de acertá-la mais que uma vez. Mas, ela tem magia e é mais difícil do que pensei que fosse.
Seu treinamento de horas está chegando ao fim. Como eu não sabia lutar e estava completamente desprotegida, ela resolverá me ensinar alguém truques.
Fui atingida várias vezes por feitiços que não eram de meu conhecimento. Uns me congelavam por minutos. Outros me causavam uma dor causticante por meia hora. E, a mais nova especialidade dela, me derrubar.
– Você não desiste. — Ela diz me observando enquanto levanto pela bilionésima vez. — Isso é bom!
Começamos a lutar novamente. Eu luto, ela desvia. Zelena é rápida. Mas não esperta o suficiente.
– E você não é tão esperta! — Retruco passando o pé entre suas botas pretas de salto, derrubando-a.
– Lutar e como jogar xadrez. Preveja os movimentos dos adversários, Wendy! — Sua voz aveludada ecoa em minha mente me fazendo parar. Não consigo me mover. Quando vejo, Zelena sumiu. Meu corpo finalmente, me obedece e consigo levantar do chão duro. Não há só uma bruxa do oeste. Há quatro. Uma para cada direção na bússola.
Giro em círculo duas vezes. A Zelena do Sul me encara com um sorriso malicioso; a do Norte me encara com indiferença; a do Oeste pisca para mim e a do Leste apenas me encara de um modo curioso. Uma mistura de raiva, inveja e um desejo de vingança.
– Escolha, Wendy! Só pode matar uma de nós! — As quatro diziam ao mesmo tempo.
Nos instantes seguintes, minha mente girava e vozes não saiam dela. Eu estava enlouquecendo aos poucos. Tenho que parar com isso. Tenho que tirar essas vozes de dentro de mim.
Minha mão alcança a adaga em meu bolso. A Zelena verdadeira me dera uma horas antes.
Encaro cada com cautela. Apenas uma existe de verdade. As outras são frutos de uma magia das trevas perigosa e poderosa demais para mim.
Olho para a verdinha do Oeste. Posiciono a adaga, mas paro no mesmo instante. Zelena não seria tão idiota. Então, um de seus conselhos veio à minha mente.
– Nunca dê as costas para seus inimigos, Wendy.
Viro no mesmo segundo para o Leste. Arremedo a adaga e ela a para com a mão. Seu sorriso me indica que acertei. As outras somem e fico cara a cara com a verdadeira.
– Está pronta, Wendy. — Ela diz sorrindo.
Concordo com a cabeça. Me sinto pronta. Então estou. Sei de cada detalhe de seu plano. Sei que Sininho está envolvida e do nosso lado. Sei que temos uma espiã. Só falta eu cumprir com a minha parte do plano.
Os encantados vão dormir novamente.
– Antes de irmos — Zelena diz enquanto voltamos para o seu esconderijo. — Quero que conheça minha mãe, Wendy.
– Mas, ela não está morta? — Pergunto confusa. Ela sorri com ela mesma. Sarcástica e ameaçadoramente.
– Está. Mas, nós vamos acordá-lá.