Um amor para sempre -Josh e Elen
8 Felizes para sempre
Notas iniciais
–Você morava aqui? -pergunta Josh Saindo do carro e vindo até a mim.
–sim. –respondo ainda morrendo de vergonha.
Minha casa era toda de madeira, velha, quase caindo. Tem dois andares, mas é super velha. Não sei nem como o cara foi me vender ela. Deviam desabar. Mas é melhor ficar em uma casa velha e ruim do que morar na rua. Estava sem opção. -Bem. Fiquem aqui que vou buscar minhas coisas. –digo para todos, que já haviam saído do carro. Até as crianças olhavam pra casa com muita curiosidade.
–Deixa que eu te ajudo. -Josh se pronunciou e deu um passo a frente.
–NÃO. -grito sem querer e todos olham pra mim. -É que... Não é muita coisa, então acho melhor ficar aqui. -na verdade não quero que ele veja como é lá dentro. Se fora é precário, lá dentro é mais ainda.
Ele percebe que estou escondendo algo e fica com cara de chateado. Começa a andar e me passa, indo em direção a 'casa'. Respiro fundo e fico preparada para as caras que ele fará. Claro, pois ele é rico e eu muito pobre. Abro a porta e passo a sua frente, entrando primeiro. O que vejo é o de sempre. Um sofa estragado e rasgado, paredes com mofo e uma estante minúscula com alguns livros que amigos me deram. Televisão? Nem sabia o que era isso antes de passar esses dois dias na casa de Josh.
Corro pro meu quarto e arranco as cortinas que fazia de porta. Jogo em algum canto antes de Josh veja, pois aquilo era o cumulo do absurdo. Corro agora para dentro e pego as caixas que fazia de armário. Pego uma bolsa e coloco todas as minhas roupas, que são MUITO POUCAS. E saio correndo. Encontro Josh ainda com olhos arregalados na casa. Ele estava na cozinha. Ah não... Minha cozinha é horrível. Mal tem geladeira. E não tem armário, coloco as coisas em caixas. E que coisas? Não tinha quase nada.
–Josh, acabei. Vamos embora. -mando pegando sua mão e puxando, mas não adiantou.
–Nem pensar. Vou olhar a casa toda. Espere aqui.
E simplesmente foi entrando em todos os cômodos. Só sento no meu ferrado sofa e espero, com um bico de chateação no rosto. Realmente não sabia onde me enfiar. Até que procurei por algum buraco, mas isso era a única de ruim coisa que a casa não tinha. Se não acho que me enfiava la dentro.
Quando ele volta percebo seu rosto, está irado. Sei que está. Morava em um muquifo, que se eu não fosse uma fada já teria sido morta pelas incontáveis doenças que ali tinham.
Ele vem até mim e estende a mão. Sem falar nada, me puxa até o carro. As crianças e os pais estão atônitos ainda, olhando tudo. Então entram no carro e vamos parta algum lugar. Ficamos uns 10 minutos sem falar nada no carro até que não aguento mais.
–Josh? Aonde vamos? Não irá falar nada?
–Vamos ao shopping. Mas vou comprar muito mais coisa pra você do que pensei. Você não tem nada. E aonde vai aquele dinheiro todo? Você era duble e não ganhava tão mal assim. Daria pelo menos para alugar uma casinha melhor.
–Eu sempre tive outros planos para o dinheiro. Em falar nisso, acho que terei que trabalhar em alguma coisa.
–Por quê? -me pergunta sem entender.
–Porque tenho que dar o dinheiro para uma pessoa. Dou mais que metade do meu salário todo mês. Mas ela precisa muito mais que eu. –falo a verdade. Não terei como esconder mesmo.
–COMO ASSIM? –grita olhando pra mim enquanto estamos com sinal fechado. -Você esta dizendo que da o seu salario a alguém? Quem é?
–Depois eu te mostro. Só peço que não grite comigo. Tenho muitos motivos para doar o dinheiro a ela.
– Tudo bem. Mas se formos nos tornar realmente marido e mulher, não pode esconder nada de mim. Quem é essa? Quero ver agora pra onde você doa tanto dinheiro. É homem ou mulher? –sim, ele estava nervoso e agora dirigia mais rápido.
–Calma com a direção, se não da próxima vez eu que dirijo. –digo séria e ríspida. -É uma mulher. Se quiser ir lá agora conhece-la, podemos ir.
–Vamos sim. Agora. –ele está muito rígido e com raiva. –Ela te obriga? Você deve algo a ela? Conte-me. –Olha pra mim novamente, pois o sinal para.
–Saberá quando chegarmos. Avisa ao Junior para ir indo na frente. Nos encontramos no shopping. –mando também irritada. Como ele pode não confiar em mim? Será que acha que sou tão idiota para pedir algum dinheiro emprestado e depois dever?
Depois de um tempo, estávamos nos dois sem falar nada e nem olhar um pra cara do outro. Ele está muito enraivecido. Deve achar que alguma coisa muito ruim está acontecendo para dar quase meu salario todo pra ela.
Mas então, mando-o parar em frente a uma construção enorme. Não sabia exatamente o endereço, então ia dizendo aonde entrar, e acabamos em uma cidadezinha um pouco afastada e muito pobre. Era quase uma favela, mas bem pior. Até a estrada era de barro.
Josh ainda não pronunciava nada quando saímos do carro. Mas sim, dava para perceber como ele não estava entendendo nada. E assim, sua expressão muda. De estressado e com raiva, passa para intrigado. Olhava todo o local e pega minha mão, entrelaçando nossos dedos. Sorrio com isso.
Com minha outra mão, aperto a campainha. Depois de alguns segundos a porta de metal de abre. Uma senhora de mais de 70 anos aparece. Cabelos brancos, gordinha, e com aparência e simpatia muito fofas.
Quando ela põe seus olhos em mim, da um daqueles sorrisos que tanto amo ver e me abraça. Retiro minha mão da de Josh e abraços também, bem fortemente.
–Elen, querida. –diz quando me solta. –Vamos entrando querida. Percebo que trousse um visitante especial. –pisca pra mim olhando para Josh.
–Ola Cátia. Sim. Ele com certeza é... –dou uma parada dramática e o observo, vendo sua expressão de apreensão para com minhas falas. – Especial. –completo minha frase.
–Bem crianças, vamos entrar. Não se acanhe senhor, vamos, entre. –ela pede com aquele lindo sotaque chileno.
Começamos a entrar e apresento direitinho ela a Josh, dizendo que era meu noivo. Claro que Cátia ficou surpresa, pois conto muito da minha vida pra ela. Mas já que é humana, não posso contar o porquê estou casando com ela menos de uma semana depois que o conheci.
Finalmente, depois de alguns minutos de conversa, entramos no estabelecimento. Não estava afim de ver o rosto de Josh, pois também fiquei chateada por ele não confiar em mim, ou algo assim. Simplesmente fui andando a sua frente e seguindo caminho por entre o grande pátio. Mas sei que ele está logo atrás de mim.
–TIA ELEEEEEEEN. –escuto Pietro gritar. Um dos garotos daquele orfanato. Sai de um canto e corre até mim, pulando no meu colo.
Caio no chão com o impacto (de bunda) e começo a rir. E quando percebo, já tem mais de 10 crianças pulando em cima de mim e gritando.
–Calma meus amores, se acalmem. –eu rio e me levanto, com a ajuda de Fernando, o mais velho dali.
–Tia Elen, você tá bem? –pergunta Daniella. Uma das meninas mais fofas e menores. Tem apenas 3 anos. Pego-a no colo e sorrio.
–Claro que estou bem. E que saudades eu fiquei de vocês, hein. –quase grito, brincando com todos.
–Mas tia, não podemos sair daqui, mas você pode vir. Só não mora aqui com agente porque não quer. –diz um Fernando um pouco chateado. Tendo 15 anos, é mais inteligente que o resto.
–Realmente Fê. Desculpe. Tenho passado por algumas mudanças e não consegui vir aqui mais sedo. Em falar nisso, quero apresentar uma pessoa a vocês. –olho pra trás e vejo Josh com olhos arregalados e a boca um pouco aberta. Estava um pouco afastado de mim.
–Quem é ele tia Elen? –pergunta Clara, de 5 aninhos, que agora se esconde atrás das minhas pernas.
–Este é o Josh. –digo quando meu noivo já está ao meu lado. –Ele é o meu futuro marido. Deem olá a ele.
–--------------------Josh-------------------------------------
Depois de toda aquela raiva que senti, por pensar que Elen estava sendo enganada por algum humano imbecil, nunca imaginei que viria parar num lugar assim. Claro que fiquei estático. Não conseguia mal respirar, imagina falar.
Vejo Elen rindo e conversando com mais de 10 crianças em estado um tanto ruim. Roupas rasgadas, sujas e velhas. Mas o que mais me chocou, foi ver o brilho nos olhinhos deles. Como estavam alegres, felizes, apenas com a visita da minha companheira. E claro que me irritou saber que a prefeitura não está fazendo nada. Infelizmente eles não são shifters. Se fossem, eu poderia usar do meu poder. Sou o alfa, mas só posso interferir em relação à shifters. O governo humano insiste que o mundo magico seja separado, em regras, claro. E sim, o governador sempre sabe que existimos. Ou então sabem de algo parecido. Mas essa é uma regra de dentro. Só os alfas e os governadores sabem.
Mas mesmo assim, vou ter uma conversa muito séria com o governador daqui, e o prefeito, mesmo que ele não saiba sobre o mundo magico. Falarei sobre essa região, sobre essas crianças. Como podem estar assim? Desamparadas desse jeito?
E quando menos percebo, estou sendo chamado por Elen. Então vamos lá.
–-------------------Elen------------------------------
Passamos quase uma hora brincando e conversando com todos. Josh amou as crianças. Apresentei todas a ele, incluindo quem estava lá dentro. Quis conhecer todo o lugar, e mostrei. Mas logo depois tivemos que sair, pois Junior, Sofia e as crianças nos esperavam no shopping.
No carro, conversamos sobre o que Josh poderia fazer por aquela cidade esquecida pelo governo. O lugar realmente é bem ruim. Mas ele estava empolgado e me dando vários beijinhos. Acho que contar sobre o orfanato foi a melhor coisa que eu já fiz. Josh está uma fofura comigo.
Chegando ao shopping, as crianças estavam eufóricas nos esperando. Junior sai com Josh e da o cartão de credito pra mim. E claro, eles levam os 3 pivetes, quer dizer... Crianças...
Fico só com Sofia. Ela disse que quer fazer surpresa a Josh e comprar muitas coisas lindas pra mim. Mas achei muito suspeito, pois antes de nos separarmos ele me deu um beijo e foi conversar com ela. Não pude ouvir nada, claro.
Compramos muitas coisas, e depois entendi o que eles haviam conversado. Ela disse que estava incumbida de comprar joias, calcinhas, sutiãs e tudo que uma mulher precisa. Maquiagem também... E sim, amo maquiagem. Mas nunca tive, claro. Um celular, notebook, tablete e tudo mais... Por isso ele não disse na minha frente, porque eu ia repreende-lo e não ia deixar. Claro que estou brava com ele... Mas compramos tudo.
E com tudo já em mãos, ou melhor, em bolças, já estava ficando estressada. Como alguém consegue ter dinheiro e disponibilidade de comprar tantas coisas.
Encontramo-nos, e os homens levaram as enormes sacolas. Josh não me deixou carregar nenhuma, estava muito feliz de eu não ter brigado com ele pelo gasto... Pelo menos não ter brigado tanto...
Voltamos pra casa, brinco um pouco com as crianças. Os meninos quiseram comer pipoca e ver filmes da Disney. Chamamos o pessoal e fomos para o cinema que tem na casa. Começamos a sessão. Fiz pipoca de panela. Na verdade, muita pipoca. Amaram, claro. O primeiro filme foi "A Bela e a Fera". Já que eu sabia todas as falas e musicas, todos riam quando começava a contar ou falar a fala dos personagens. E obviamente, chorei muito. Josh ficou do meu lado, apertando minha mão, enxugando lagrimas e rindo, claro. Cantamos tantas músicas lindas. Então, segundo e ultimo filme. Irmão urso. Novamente, cantei tudo e falei as falas de todos. Riram novamente. Assim... Continuamos animados por um mês. O melhor mês de toda a minha vida.
Em um dia qualquer, começo a fazer o jantar. Um fundi, ‘super leve’. Nada de mais. Um vinho e um suco de uva para as crianças. Quando começamos a comer, aconteceu algo estranho. Olho para a comida e tudo no meu estomago revira. Levanto devagar, com olhos fechados, estava com muita vontade de vomitar. O que pode ser isso?
–Amor? Tudo bem? –pergunta Josh, agora meu marido, preocupado.
Mas não consigo responder. Estava realmente mal. Corro para o banheiro e subo a tampa do vaso. Vomito tudo. Quando vejo, meu cabelo esta sendo preso e as mãos de Josh abraçam meu corpo tremulo e seguram minha cabeça. Quando acabo, finalmente, vejo que estou chorando. Que merda é essa?
Josh me pega pelos braços e me leva até a pia. Carlos estava com ele. E eu, realmente chorava muito. Nunca vomitei. Nunca. Vi isso em filmes e tal, mas nunca vomitei. Sou uma fada e fadas não ficam doentes... Bem, quase nunca.
Quando eu vejo, já fui pega por Josh e posta na cama. Carlos começa a tirar minha pressão e não consigo falar. Sinto-me muito mal e ainda estou chorando um pouco.
–O que está sentindo, amor? –meu marido pergunta sentado ao meu lado na cama.
–Nunca vomitei antes... Merda. -fico irritada.
–Calma Ely, sua pressão está normal. Terei que fazer um exame de sangue para confirmar uma suspeita. Mas você é uma fada, não fica doente. Sei que minha suspeita é real.
–O que é Carlos? -pergunta Josh, aflito.
–Ela está gravida.
Todos paralisam. ‘Todos’, seria eu e Josh apenas, pois o resto estava jantando. Josh só sorri lindamente e me abraça. Como pode ficar tão calmo e tão alegre do nada? Eu ainda estou estática.
–Ai Deus... Uma criança. Eu serei papai. Não acredito... Aaaah. Ely você é a melhor coisa que aconteceu comigo. Te amo tanto amor. -diz beijando minha bochecha e testa.
–Parabéns novos papais. -Carlos sorri e pega uma agulha. Ia tirar sangue para ter certeza.
Depois de um tempo, vejo que ainda estou paralisada. Todos estão a minha volta e esperamos ansiosos pela confirmação de Carlos, que está no laboratório da casa. Ele entra no quarto e sorri, afirmando com a cabeça. Todos começam a gritar e me beijar e me apertar. Ainda estou meio apavorada. MEIO? MEIO? ESTOU INCRIVELMENTE APAVORAVA, ESTÁTICA, ESPANTADA E ASSUSTADA.
–Amor, tudo bem? -pergunta Josh ainda sorrindo. Ele não vai parar de sorri? Parece nem se aguentava de felicidade.
–Sim. É que... Josh... Um bebe... Aqui na minha barriga. Tem um bebe dentro de mim. Nosso filho. Tem noção? –gaguejo. Não conseguindo que a ficha caia. Tudo acontecera muito rápido. E então, começo a chorar novamente. Acho que nunca chorara tanto.
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Depois de 8 meses, a pequena Cintia nasce. Ela é a coisa mais fofa do mundo. Parece realmente comigo e com o pai. Agora você imagina uma lobinha branca, com o pelo brilhante, como minha pele, e asas. Sim, ela conseguiu puxar as minhas asas.
E como toda shifter, terá um tempo para se transformar em um bebe humano. Cerca de uma ou duas semanas. Mas já conseguimos ver o quando ela é amada.
Quanto a Josh... Esse não para de mima-la. E me mimar também, claro. Nunca fui tão feliz. E agora que estou, penso que a vida é algo surpreendente. Uma caixinha de surpresas. O destino sempre. O destino sempre toma as rédeas do seu caminho.
Mas falando sobre a vida, algo que nunca vou entender. Josh foi para a floresta em frente a nossa casa e volta algumas horas depois. O estranho é o pequeno livro em suas mãos. Obvio que perguntei, mas ele não quis me dizer. Disse apenas: “Não importa mais. Agora somos realmente felizes, para sempre.”

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