Um amor não aceitado

3 Canto e Irritação


Meu despertador marcava cinco e cinquenta e cinco da madrugada. Faltava pouco para eu ir me arrumar. Lentamente sai da cama e ao passar pela porta do quarto de meus pais ouvi uma conversa que despertou meu interesse, falavam sobre Jack mas perceberam que eu estava a escuta então habitou o silêncio dentro daquele quarto.

Desci as escadas pegando uma cadeira da mesa e arrastando-a até a janela. Apoiei meus braços nela observando lá fora. Ouvi ruídos de lá de cima mas ignorei-o desviando o olhar.

= 6:35 =

Estava quase dormindo na janela, mas um barulho despertou-me. Seria a minha mãe. Peguei o cereal despejando quantidade exata, apanhei o leite e a colher assim matando minha fome, escovei os meus dentes e amarrei o meu cabelo com um pequeno laço. Vesti o uniforme e coloquei em meus pés minha meia e meu tênis de cano alto. Olhei-me no espelho e fiquei satisfeita.

Entrei no carro e fiquei quieta. Não fiz nenhum barulho, nenhum sinal, nenhum movimento.

= School =

Andei pelos corredores. Olhava para o meu redor, eu vi o Jack e logo estampou-se no meu rosto um sorriso esbranquiçado. Acenei para ele, abri o meu armário que seria do lado de onde ele estaria apoiado.

–- E aí, Alice?

–- Jack, posso te perguntar uma coisa?

–- Claro, por que não...

–- Você conhece o meu pai?

–- E quem seria o seu pai? — ele sorriu

–- Edgar Chevalier.

O sorriso dele se desmanchou e ele ficou quieto. Fiquei olhando-o. Ele com certeza conheceria o meu pai, sei quando a pessoa provavelmente conhece.

–- Olha Jack, você conhece ele não é?

–- Não posso mentir pra você, seria errado... Eu conheço.

–- E-eu não imaginava que conhecia-o, por que não falou?

–- Não posso lhe contar.

Eu peguei-o pelo braço.

–- Por favor! — implorei

Estava na hora da aula de canto, a professora iria escolher pessoas para mostrar o talento.

–- Eu escolho.. an... Alice!

–- Eu? — falei baixinho

Subi ao palco, comecei a tremer mas fechei meus olhos. Concentrei somente na música que iria cantar. Respirei fundo e comecei.

–- Hey girl, open The Walls, play with your dolls...

–- Ótimo! — ela interrompeu

Eu desci do palco empolgada e sorridente com o que acontecera, Jack me deu parabéns. Senti que não era tão ruim ficar ali naquela escola. Voltei para casa com um sorriso no rosto.

No horário de nosso almoço foi servido Filé Mignon acompanhado de vinho italiano a moda antiga. Contei para minha mãe.

–- Mãe, eu conheço um garoto chamado Jack ele é bem legal.

–- Aquele pobre de meia tigela! — ela se retirou da mesa irritada.

–- Mãeeee...

Não entendo sempre que falo de Jack eles se irritam, ele é pobre e deve ser por isso mas por que minha mãe não aceita? Pobres também são pessoas...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.