Um amor inesperado
19 O flagra
No dia seguinte, Giane começou a recolher as caixas de flores, como sempre. Cumprimentou Madá e Emília, ex-governanta dos Campana (Emília e Madá haviam se mudado para a rua há pouco tempo, viviam na mesma casa agora) e também Bento e Malu:
— Bom dia, bom dia! — disse Giane, pegando a caixa.
— Bom dia! — disseram Bento e Malu.
Malu estava segurando um vaso de Amor Perfeito que Bento havia dado.
— E olha que solzão lindo! — disse Madá, descendo as escadas com Emília. — Eu, se fosse vocês, ia curtir o dia no Guarujá!
Emília e Madá não perdiam a chance de incentivar o romance de Malu com Bento. Achavam que Malu e Bento tinham tudo a ver um com o outro e que tinham tudo para serem felizes juntos.
— Ah! Bem que eu gostaria, viu, dona Madá, mas estou cheio de serviço! — disse Bento, descendo as escadas com Malu, atrás de Emília e Madá.
— É, vó! Chega de graça, vai! — disse Malu. — As duas pro carro, que eu estou atrasada!
— Ih, tá bom, tá bom! — disse Madá.
Emília e Madá foram em direção ao carro.
— Adorei as flores! — disse Malu, beijando o rosto do Bento. — Beijo! — entrou em seu carro.
— Beijo. — disse Bento, despedindo-se.
Bento acenou para Malu, enquanto descia a rua. Giane andou até ele.
— Você podia ter ido lá pro Guarujá. — disse Giane.
— Ah, é? Para depois, você ficar reclamando que eu te deixo sozinha... — disse Bento.
— Já disse, Bento. Por mim, você podia ter ido, ué? — disse Giane.
O carteiro se aproximou, trazendo correspondências.
— Fala aí, Tadeu! — cumprimentou Bento.
O carteiro entregou um cartão postal para Bento.
— Obrigado! — disse Bento, olhando o cartão.
— Hum! Você tem um amigo no estrangeiro? — perguntou Giane.
Ela viu que o cartão vinha de outro país.
— Olha só! — disse Bento, olhando na frente e atrás do cartão. — Não é pra mim. É pra Amora.
— Ah! — disse Giane, balançando a cabeça. Ela se perguntou quem podia ter enviado o cartão postal para Amora do estrangeiro.
— E se for quem estou pensando, Amora que se prepare. — disse Bento.
Bento não olhou direito o cartão, só viu o nome do remetente. O cartão era de uma tal de Simone. Se ele não se enganava, Simone era o nome da irmã de sangue de Amora. Será que Amora ficaria feliz por ter notícias da irmã? Ele esperava que sim. Torcia para isso. Mas Amora era imprevisível, nunca se sabia qual seria a reação dela. Quando Amora era criança, sonhava em encontrar a irmã. Esperava que um dia a irmã fosse buscá-la. Só que Simone nunca mais apareceu. Bento se perguntou se Amora guardava mágoa da irmã, ou ficaria feliz por finalmente encontrá-la.
Bento foi para a casa de Gilson e Salma, mostrar o cartão postal para eles. Também para tentar entrar em contato com Amora, para falar do cartão. Era mesmo um cartão da irmã biológica de Amora, que chegou do Chile. Porém, Bento não conseguiu falar com Amora. Quando ligou no celular dela, Maurício atendeu, soltou os cachorros nele e ainda desligou na cara dele. Bento ficou sem entender nada, e imaginou que Maurício só podia estar mordido de ciúmes. Bento resolveu pedir para Malu entregar o postal para a irmã. Depois, Bento foi levando o que restava das caixas para dentro da van, enquanto Giane esperava no banco da frente.
— Ô Giane, tá faltando essa aqui, ó... — disse Douglas, apontando para uma caixa que estava na rua.
— O Bento pega. — disse Giane, mal-humorada. Ela não entendia a cisma de Douglas com ela. Ele andava sempre atrás dela agora. Além do mais, ela continuava chateada por causa do Bento e da Malu.
Bento e Giane foram para a loja. Horas depois, enquanto lavava as mãos, Bento disse:
— Giane, vou ter que sair e talvez só volte à noite, tá?
Ele iria sair com Malu, para resolver assuntos relacionados ao projeto.
— Tá. Vai lá. Eu cuido da loja. — disse Giane.
— Que bicho te mordeu, hein? Você tá muito estranha. — disse Bento.
Bento não estava entendendo nada. Giane sempre reclamava quando ele a deixava sozinha na loja, agora não estava mais reclamando.
Giane havia se dado conta de que não adiantaria nada ficar brigando com Bento. Ele continuaria saindo e deixando ela sozinha na loja, para correr atrás de Malu e Amora. As patricinhas agora eram prioridade na vida dele, vinham antes até mesmo do trabalho. Bento agora mal olhava na cara dela, e isso a deixava imensamente triste.
— Nada, Bento. Coisa de mulher. — disse Giane, fazendo anotações em um caderno. — Caso você não tenha sido informado, é isso que eu sou. Mulher. Vai lá, cara.
Bento passou por trás dela e disse:
— Obrigado. Qualquer coisa me liga, tá?
Bento saiu, e na mesma hora, Douglas entrou.
— Opa. E aí, Giane?
— Oi, Douglas. — disse Giane. — Quer alguma coisa?
— É, eu preciso comprar uma flor pra dar pra minha irmã. — disse Douglas.
Giane achou estranho Douglas aparecer do nada, querendo comprar flores para a irmã.
— Ué? É aniversário da Charlene?
— Não, é que ela está namorando, aí eu queria dar os parabéns pra ela. — disse Douglas.
Charlene estava namorando Wilson, irmão do Gilson.
— Você vai dar flor porque a sua irmã está namorando? — estranhou Giane. — Esquisito isso, hein?
— Vem cá, o Bento, ele... — disse Douglas.
— Ele saiu. Tô sozinha. — disse Giane.
— Ah, se você quiser, eu posso te ajudar. — ofereceu-se Douglas.
— Você que sabe. — disse Giane.
Douglas assobiou, e ficou mexendo nas flores.
Giane passou o dia todo trabalhando na loja com o Wesley. Bento não voltou. Bento agora só andava atrás da Malu e da Amora, e isso deixava Giane chateada. Bento não era a mesma pessoa. Para Giane, Bento estava se perdendo no meio do conflito entre as irmãs Campana e na busca por fama e holofotes. Ele ficava usando Malu para aparecer na mídia e provocar ciúmes em Amora, entrando no jogo da superficialidade e manipulação que ele próprio criticava. Bento dizia que entrou no meio midiático para criticar, mas o que Giane via era que ele estava se perdendo e deixando de lado a loja e a cooperativa. Bento nem ligava mais para ela, que estava sempre ao lado dele para o que ele precisava. Ele só queria saber das patricinhas. Agora, pelo visto, ele resolveu namorar a Malu. Giane concluiu que era bem capaz de ele ficar mais tempo na Toca do Saci do que na Acácia Amarela.
Na hora que deram por encerrado o expediente, Wesley comentou:
— Pô, achei que o Bento ia voltar pra fechar a loja com a gente.
— Eu também. Até amanhã, Wesley. — disse Giane.
Bento disse que demoraria, que talvez voltaria somente à noite. Mas ela tinha esperanças de que ele voltaria antes de acabar o expediente.
— Até amanhã, Giane. Beijo. — disse Wesley, jogando-lhe um beijo.
Wesley foi embora, enquanto Giane trancava a porta da loja.
— É, agora o Bento fica cada vez menos aqui. — disse Giane, triste.
Giane foi para o Cantaí, e ficou assistindo a apresentação da Palmira Valente, uma cantora misteriosa. Mas ela não conseguia tirar Bento da cabeça, e sofria pela indiferença dele. Nem notou quando Douglas foi atrás dela, com uma rosa vermelha na mão. Ao ver que a garota estava chorando, Douglas desistiu de falar com ela. Mas Giane não ficou por muito tempo por lá. Quando chegou em casa, Silvério estava em frente ao fogão.
— Que bom que você chegou, filha! — disse Silvério. — Estou fazendo uma sopinha aqui pra gente.
— Ah, pai, acho que eu não vou comer, não. — disse Giane, triste. — Eu estou sem fome.
— Ih, o que aconteceu? Está tudo bem? — perguntou Silvério.
Giane encostou-se no batente da porta da cozinha.
— Ah, pai, é o Bento, que agora fica me deixando sozinha na loja pra correr atrás daquelas duas entojadas. — disse Giane, sentando-se na cadeira. — Não é justo, né? Pô!
— Por que você não conversa com ele? Hã? — perguntou Silvério, colocando a panela com sopa sobre a mesa.
— Ah, pai, se ele tá feliz lá com essas patricinhas, então, deixa, né?
— Tá, tudo bem. — disse Silvério. — O que eu não posso deixar é você sem comer, né? — colocou uma concha de sopa no prato da filha. — Como diria a sua avó Adelaide: “coma cá com a gente”.
Giane sorriu.
— Aí, tá vendo? Consegui arrancar um sorriso, hein? — disse Silvério. — Você tem um sorriso tão bonito, filha. Devia usar mais.
Giane sorriu com o comentário do pai. Mais tarde, foram assistir à televisão. Primeiro assistiram ao programa da Sueli Pedrosa, que falou sobre o Bento. Sueli questionou o caráter dele, disse que Bento estava dando um golpe em Malu, e também usando a Malu para provocar Amora. Que o Bento estava usando a Malu para provocar Amora, não era nenhuma novidade para Giane. Mas daí a dizer que Bento estava dando um golpe? Bento nunca ligou para dinheiro.
Giane achou uma sacanagem o que Sueli fez com Bento. Até suspeitou que a fonte da Sueli Pedrosa era o Fabinho. Só podia ter sido ele. Sueli falou que a fonte dela conhecia o Bento desde a infância. Amora que não era, do contrário, Sueli teria mencionado o nome dela. Giane achou uma tremenda de uma sacanagem da parte do Fabinho. Na opinião dela, Fabinho tinha de parar de implicar com o Bento, parar com intrigas. Isso já estava indo longe demais. Giane tinha muita raiva de Fabinho. O babaca não se cansava de perseguir o Bento. Mas também foi Bento quem se colocou nesta situação, ao se meter com aquelas patricinhas. Ele não devia ter assumido um namoro fake com a Malu para a mídia. Para Giane, isso foi um erro. Bento agora toda hora estava metido em algum escândalo.
Em seguida, Giane e Silvério assistiram ao Luxury. Amora entrevistou Lara, que estava anunciando o noivado com Tito. Até que, do nada, Renata apareceu fazendo o maior escândalo, dizendo que Tito havia acabado com o noivado dela. Pelo visto, Renata não havia superado o fim do noivado com Érico. Giane ficou com pena da Renata. Renata havia errado, mas ela ainda gostava do Érico, estava arrependida e cheia de culpa.
— Coitada da Renata. Tá vendo, pai? Esse negócio de amor só serve pra fazer a gente sofrer.
— Não, não, não é verdade! — disse Silvério. — O amor, quando correspondido, dá sentido à vida! — levantou-se. — Só que de vez em quando, a gente tem que dar um empurrãozinho pra ele florescer. Entendeu?
Giane estava triste. Mais tarde, ela resolveu ficar um tempo na frente de sua casa. Precisava ficar um tempo sozinha. Ela viu Bento sair na van. Com certeza, ele foi atrás da Malu. Ele agora não desgrudava da Malu.
— Por que você não enxerga, hein? Eu é que sou a tua mulher.
Ela se perguntava quando Bento iria enxergar que ela era a mulher da vida dele, que pertenciam um ao outro. Para ela, Bento estar com Amora ou com Malu era apenas um erro de percurso ou uma cegueira temporária. Ela precisava acreditar nisso, para não perder as esperanças de ficar com ele. Para Giane, ela era a mulher certa para Bento, pois ela o conhecia melhor do que ninguém. Sabia o que ele gostava de comer, as flores que preferia e os seus medos mais profundos. Ninguém era mais leal do que ela. Nenhuma das irmãs Campana tinha o currículo de convivência que ela tinha. Giane acreditava que, em algum momento, Bento iria se cansar das turbulências com Amora e Malu e olharia para o lado, a enxergaria.
Acabou indo para a casa do Bento. Sabia que ele não estaria lá, tinha saído não fazia muito tempo. Giane gostava de ficar na casa do amigo, perto das coisas dele. Era uma maneira de se sentir mais próxima dele. Sentia-se segura, e sempre ia para a casa do Bento quando ficava triste, ou então para sonhar acordada. Sentou na cama do rapaz, passou a mão no colchão, mexeu no violão, até olhou um livro. De repente, ela ouviu um barulho. Só podia ser o Bento chegando. Giane resolveu sair dali depressa. Ninguém podia encontrá-la ali. Ela morreria de vergonha se o amigo visse que ela estava sozinha, ali, na casa dele. Saiu, foi andando pelo quintal. Estava indo em direção à saída, mas viu Bento na frente, agarrado à Amora. Correu se esconder na estufa, antes que a vissem. Mas acabou esbarrando em um regador e em um balde, fazendo barulho. Amora disse:
— Que barulho é esse? Tem alguém aí, Bento.
Giane procurou se esconder ainda mais dentro da estufa.
— Peraí, fica aqui. — disse Bento a Amora.
Ele se aproximou da estufa, sem entrar.
— Quem é que tá aí? — perguntou Bento.
Ele esperou, porém, não houve resposta.
— Quem é que tá aí? — insistiu Bento.
Giane não sabia o que fazer. Até que Amora, Bento e Giane ouviram o miado de um gato. Bento sorriu e virou-se.
— É só a gata da vizinha. Vem aqui, vem. — disse Bento para Amora.
Giane ficou aliviada. Mas só sairia dali depois que Bento e Amora entrassem. Ouviu passos, beijos, risadas.
— Cadê a chave? — perguntou Amora.
— Vai derrubar. Cuidado, o degrau. — disse Bento.
Houve um barulho. Giane não olhou, porém imaginou que deviam ter derrubado uns vasos de flores.
— Amora, olha só! — disse Bento. — Deixa eu pegar a chave. Espera. Deixa eu pegar, espera.
Amora e Bento entraram. Amora estava feliz. Quando ela estava com Bento, ela sentia-se feliz, em paz. Decidiu ficar com Bento, porque ela o amava de verdade. Sempre o amou, desde menina. Ela não estava mais suportando ficar longe dele, e não aguentava mais vê-lo com a Malu para cima e para baixo. Por isso fez uma loucura: desistiu de apresentar o Luxury, largou tudo e ainda terminou com Maurício, depois de contar para ele que Bárbara e Natan fingiram que terminaram para ele aceitar fazer a campanha da Cosy Bed. E ela ainda disse para Maurício que ela sabia de tudo desde o começo.
Amora não suportava mais ficar ao lado de Maurício. Ela não o amava, além do mais, Maurício ficou chato, carente, sufocante. A relação deles não era mais a mesma, desde quando ela reencontrou Bento. Antes, a relação dela com Maurício era leve. Mas ele ficou inseguro por causa do Bento e passou a agir de uma maneira diferente de antes. Ele passou a discutir a relação, a fazer cobranças, a duvidar dos sentimentos dela, a querer mais atenção. Até declarações de amor fazia, coisa que não fazia há tempos.
Ela até estranhou o jeito dele. Maurício ficou chato, se tornou um grude só e ela não suportou mais. Ainda assim, não foi fácil romper com ele. Amora tinha carinho por Maurício, mas não era apaixonada por ele. Amora também não queira mais enganar Maurício, então resolveu falar a verdade para ele. A verdade sobre o pai dele e a Bárbara. Ela não falou nada sobre Bento. Para ela, não fazia mais o menor sentido continuar noiva de Maurício. E não estava ligando se a mídia iria massacrá-la ou não. Ela amava Bento, e não deixaria nada nem ninguém a afastar dele. Amora não se importava com a sonsa da Malu. O namoro de Bento com Malu era apenas uma encenação para provocá-la. Era dela, Amora, que Bento gostava. Amora percebeu que Malu estava encantada por Bento. Até beijar o Bento, ela beijou. Na opinião de Amora, a sonsa da Malu fazia de tudo para provocá-la. O estranho era que Malu sempre gostava dos homens dela. Malu era uma invejosa, queria tudo o que era dela e estava se aproveitando da situação para dar em cima do Bento. Mas Malu quebraria a cara. Amora não estava nem aí. Azar da Malu. Falta de aviso não foi. Ela cansou de falar para Malu não se meter com Bento. Mas Malu insistia em disputar com ela. Se Malu vivia correndo atrás de quem não a queria, não era problema dela, Amora. Ela e Bento pertenciam um ao outro.
O que Amora queria era viver uma paixão de verdade, coisa que nunca viveu com Maurício. Ela até gostava de Maurício. Porém, a relação com Maurício era apenas um meio para alcançar seus objetivos, de se manter rica e famosa. O noivado com Maurício fazia parte de uma estratégia para aparecer nas capas de revistas e sustentar sua imagem pública de sucesso e perfeição. Mas desde que reencontrou Bento, tudo mudou. Ela sentia que precisava viver este amor. Naquele momento, não estava ligando para nada. Não estava pensando no que estava arriscando perder. Depois se preocuparia com isso. Naquele momento, só queria estar com Bento.
Assim que Amora e Bento entraram, Giane foi embora. Estava chateada, ferida. Então o Bento agora estava com Amora? Certamente, iriam passar a noite juntos. Giane foi sentar na praça. Não conseguiu segurar as lágrimas. Estava furiosíssima com Bento. Como ele beijava a Malu em uma noite, e na outra levava a Amora para a cama? Ele resolveu passar o rodo agora? Bento estava se revelando um galinha. Giane estava decepcionada. Ela se questionava onde estava o Bento que ela conhecia. Ela nunca imaginou que Bento seria capaz de ter um caso com uma moça comprometida. Logo ele, que era uma pessoa ética, cheia de princípios.
Douglas passou por ali.
— Giane? O que você tá fazendo aqui? Você tá chorando?
Giane não entendia por que Douglas agora andava sempre atrás dela. Ela não gostava de ser vista naquele estado e não queria dar explicações a ninguém. Queria ficar sozinha, sem ninguém importunando-a.
— O que é, garoto? — disse Giane, irritada. — Que saco! Me erra!
Douglas sentou-se ao lado dela. Estava com pena da garota. Ele achou que Giane estava daquele jeito por causa dele. Bento lhe dissera que Giane gostava dele. Por isso ele resolveu se aproximar.
— Ô, Giane, para, vai. Fala pra mim. — disse Douglas. — O que você tá sentindo? Pode falar, eu vou entender. Eu vou até curtir.
Giane não estava entendendo nada.
— O que você tá falando? Você tá maluco? Me erra! — disse a garota, e levantou-se.
Para sua surpresa, Douglas a agarrou e beijou. Isso irritou-a mais ainda. O que Douglas tinha na cabeça, para achar que ela queria um beijo dele? Na opinião de Giane, Douglas era um atrevido. Ela empurrou o garoto e deu um soco no olho dele. Em seguida, foi embora.
Douglas passou a mão no olho e disse:
— Caraca! A mina tá afinzaça de mim mesmo.
Giane foi direto para casa. Silvério estava na frente do computador.
— Ainda bem que você chegou, filha. Eu tô precisando abrir esse docu-mento aqui, mas não tô conseguindo. Eu não sei...
Giane sentou-se no sofá. Silvério reparou que a filha estava chorando.
— Você tá chorando? — perguntou Silvério, levantando-se da cadeira e sentando-se no sofá ao lado da filha. — O que foi que aconteceu, filha? — colocou a mão no queixo dela. — Ei! Você tá triste?
— Não. Eu tô com raiva! Tô com muita raiva!
— Do Bento? — perguntou Silvério.
— Do Bento, dos homens! — disse Giane. — De todos os homens! De todos!
Ela estava com raiva de Douglas também. No ponto de vista dela, ele era um sujeito abusado. Foi direto para o quarto. Mais tarde, ao buscar um tapete na frente de casa, irritou-se ao ver Douglas na frente da casa dela. Aquele garoto agora não saia do seu pé. Giane não sabia mais o que fazer para se livrar daquele encosto.
Por fim, trocou de roupa e passou o resto da noite chorando, agarrada à sua bola. Tudo o que ela queria era estar nos braços de Bento naquele momento, mas ele estava com Amora. E isso era insuportável para ela. Bento a via como uma irmãzinha. Era Amora quem ele desejava, quem ele beijava, era com ela que ele fazia amor.
Giane sofria, porque queria que Bento a desejasse como desejava Amora, que olhasse para ela como olhava para Amora. Mas ele não a queria, não a desejava. Ela tinha de manter uma distância respeitosa. Ela tinha de camuflar seu sentimento através do seu jeito bruto e agressivo, da amizade e do companheirismo. Isso era uma tortura para ela. Bento insistia em tratá-la com uma ternura fraternal. Ele a beijava na testa, a abraçava como irmão e amigo, e cada gesto de carinho dele era uma facada no desejo dela de ser vista como mulher.
No dia seguinte, Giane acordou cedo e ajudou Bento a levar as flores para dentro da van, como sempre.
— Ô Bento, e as flores da estufa? — perguntou Giane.
— Ih, caramba! Esqueci completamente! Vou lá, buscar. — disse Bento, entrando na loja.
A garota percebeu que ele estava com a cabeça nas nuvens. Com certeza, estava pensando na Amorinha dele.
Giane continuou colocando as caixas com as flores dentro da van. Depois entrou na loja, começou a mexer em algumas plantas. O celular de Bento tocou assim que ela entrou na loja. Bento atendeu, sem perceber que Giane estava atrás dele, ouvindo.
— Oi, meu amor. — disse Bento, todo derretido.
Ele se sentia nas nuvens. Acabou de passar uma noite maravilhosa com Amora. Amora terminou o noivado com Maurício para ficar com ele. A princípio ele custou a acreditar que Amora tivesse realmente terminado com Maurício. Era bom demais para ser verdade. Amora vivia preocupada com a imagem e não queria perder trabalhos. Ela também priorizava a segurança, o dinheiro e o status que Maurício oferecia. Além disso, toda vez que Amora se aproximava dele, ela fugia correndo rapidinho. Mas Amora dissera que o amava, que queria ficar com ele a qualquer custo e que não estava mais se importando com as consequências. Se a mídia iria massacrá-la, ela não estava nem aí. Ela prometeu que seria para valer, que ela não fugiria mais dele. Bento acreditou na sinceridade de Amora.
Giane sabia com quem ele estava falando. Só podia ser com Amora.
— Também tô morrendo de saudade. — disse Bento. — Só que eu tô cheio de trabalho aqui. Tudo bem, eu vou dar um jeito. Aliás, tem um lugar que eu quero muito que você conheça. O meu jardim secreto.
Giane sabia perfeitamente onde Bento e Amora iam se encontrar. Sentou-se nos degraus da frente da loja. Bento sentou-se ao lado dela. Giane tinha ouvido toda a conversa e sabia exatamente o que ele ia pedir.
— Ô Giane, eu sei que eu não tenho o direito de te pedir nada porque você quebrou vários galhos pra mim esses últimos dias...
— Não. Tudo bem, Bento. — disse Giane. — Vai lá.
— Mas... — disse Bento.
— Eu passo no Ceasa e depois venho pra loja. — Giane interrompeu.
— Tudo bem?
Giane assentiu. Bento estranhou.
— Você não quer saber nem onde eu vou? — perguntou Bento, surpreso.
— Ué? É da minha conta? Não, né? — disse Giane, dando uns tapinhas no joelho dele. — Então, vai lá.
— Pô! — disse Bento, dando um beijo no rosto dela, feliz. — Valeu, Giane!
Bento foi embora. Giane passou a mão no rosto, onde Bento havia beijado. Neste momento, ela ouviu uma buzina. Era a Malu, em seu carro.
— Giane! O Bento tá aí? — perguntou Malu.
Malu passou a noite toda pensando no Bento, até custou a dormir. À essa altura, não gostava mais de Maurício. Por muito tempo, foi apaixonada por ele, e ele jamais havia percebido. Maurício a via apenas como uma amiga. Malu não lutou por ele porque não se achava páreo para Amora, além do mais, seria uma luta desigual, porque Amora tinha Bárbara do lado dela. Malu demorou até finalmente criar coragem para se declarar para o Maurício, porém, levou um fora. Maurício foi delicado, mas para Malu doeu ser rejeitada. Ela resolveu esquecê-lo, pois ele era muito apaixonado pela Amora e não olharia para ela. Além disso, Malu se decepcionou e se desencantou dele ao perceber o quanto Maurício era imaturo. Ele havia ficado um tempo sem falar com ela quando descobriu que ela sabia do caso de Bárbara com Natan e não havia falado nada para ele. Maurício não havia entendido seus motivos. Mas Malu continuava sendo amiga de Maurício. À essa altura, eles haviam se entendido. Ela apenas não o via mais de uma maneira romântica e idealizada.
Na verdade, a paixão que Malu sentia por Maurício ficou para trás e ela estava se encantando mais e mais por Bento. Afinal, desde o início, ela e Bento se davam muito bem. Tinham os mesmos ideais, os mesmos princípios e interesses, queriam as mesmas coisas. A princípio, Malu procurou fazer de tudo para juntar Amora e Bento, para que Maurício ficasse livre para ela. Contudo, ela foi se desencantando de Maurício e se dando conta de que Bento tinha tudo o que ela procurava em um parceiro. Além do mais, Malu acreditava que Amora não iria abrir mão da vida de aparências, do noivado com Maurício, de tudo o que conquistou para ficar com Bento. Malu admirava Bento cada vez mais. Ela cresceu em uma família que vivia de aparências e mentiras. Bento era a pessoa mais autêntica que ela conhecia, não usava máscaras nem fingia ser quem não era, como Bárbara e Amora, e isso serviu como inspiração para Malu. Bento disse umas boas verdades para Natan e Bárbara diante da mídia, no dia da festa da Camilinha Lancaster, e ainda salvou sua avó Madá, quando Bárbara tentou interná-la mais uma vez.
Aos olhos de Malu, Bento era realmente uma pessoa maravilhosa: era carismático, alegre, amoroso e íntegro. Além de ser um homem lindo. Também a encantava o fato de ele ser uma combinação rara de simplicidade e sofisticação: Bento era um florista que lidava com a terra, carregava vasos pesados, sujava as mãos e trabalhava no sol a sol, vivia de forma modesta e sem grandes ambições materiais, mas tocava piano e violão, cantava no Cantaí, gostava de ler, assistia documentários e era muito bem-informado, fazia críticas à fama vazia e ao consumismo. Bento a enxergava como ela era de verdade, e a via como uma amiga, uma parceira nos projetos, nas lutas sociais, não como a filha de uma atriz e de um cineasta famoso, e ele não a comparava com Amora.
Malu sabia que existia algo muito forte entre Bento e Amora. Porém, ainda assim, acreditava que tinha alguma chance com Bento. Estava rolando um clima entre eles. Havia alguma coisa no ar, no jeito como Bento a tratava, no jeito como ele olhava para ela. Havia um carinho, uma emoção,
um entusiasmo. Malu teve a impressão de que Bento iria beijá-la, naquela vez no carro, se Giane não tivesse chegado na hora. E ela tinha certeza de que Bento havia ficado mexido com o beijo que trocaram, no aniversário de Salma, no Cantaí. Bento fez vários projetos para a Toca do Saci. Eles pensavam de maneira parecida, e se entendiam tão bem! Aos olhos de Malu, a relação dela com Bento parecia um casamento. O casamento que ela acreditava, uma relação perfeita, do jeito que ela sempre sonhou. Malu resolveu falar com Bento sobre o que sentia, sem medo. A princípio, ela ficou com receio. Afinal, foi rejeitada por Maurício e morria de medo de ser rejeitada por Bento. Mas resolveu falar com Bento de uma vez.
Giane ficou mais furiosa ao ver Malu ali. Outra que vivia atrás do Bento. Só que ele estava com Amora e fazendo Malu de idiota. Giane resolveu mandar Malu ir ao jardim onde Bento e Amora combinaram de se encontrar. Assim, Malu veria o babaca que o Bento era e deixaria de correr atrás dele o tempo todo. Giane concluiu que Malu seria uma a menos para encher o saco, para atrapalhar a vida do Bento e a dela também. Malu sofreria, mas um dia iria superar. Era bom, que assim ela esquecia o Bento de vez. Se bem que Giane duvidava que Malu fosse sofrer tanto. Duvidava de que Malu gostasse do Bento de verdade. Malu estava era enrolando-o e fazendo de tudo para irritar a irmã. Ninguém amava Bento como ela, Giane. Ela acreditava que o amor de Malu por Bento era na verdade um mero capricho de patricinha mimada. Para Giane, Malu era da mesma laia da irmã. As duas tratavam Bento como se ele fosse um brinquedo.
Giane sabia que, ao mandar Malu ir atrás do Bento, estaria atrapalhando e estragando o encontro romântico de Bento e Amora, mas não se importava. Estava torcendo para Malu fazer um escândalo ao ver Bento e Amora juntos. Malu detestaria ver que estava sendo passada para trás. Na opinião de Giane, Amora não valia nada. Estava fazendo Bento de trouxa, mais uma vez. Para Giane era evidente que Amora resolveu ficar com Bento para fazer pirraça para a irmã. Amora estava noiva, mas queria o Bento à disposição dela. No ponto de vista de Giane, Amora estava, mais uma vez, enrolando o Bento e traindo o noivo. E o Bento caiu na conversa dela como um patinho, como sempre. Devia ter acreditado na promessa dela de largar o noivo. Era um otário mesmo, na opinião de Giane. O que mais a irritava era que Bento nem percebia que Amora o fazia de idiota.
Giane não acreditava no amor de Amora pelo Bento, e não acreditava que o romance de Bento e Amora fosse durar muito. Eram diferentes demais. Ela desprezava o mundo dele, e ele desprezava o mundo dela. Não tinham nada a ver um com o outro. Nada em comum. Bento acabaria quebrando a cara com a Amora, mais cedo ou mais tarde.
Giane não pensou duas vezes. Estava com a cabeça fervendo por causa desta história desde a noite anterior. Não era nem tanto a Malu que ela queria atingir, mas principalmente o Bento. Ele havia resolvido ficar com as duas patricinhas ao mesmo tempo, e Giane queria que ele visse o que era bom para a tosse. Levantou-se e aproximou-se do carro de Malu.
— Oi, Malu! Não. O Bento, ele tá lá no linhão, cuidando dos canteiros. Por que você não vai lá, hein?
— Boa ideia. Obrigada, Giane! Um beijo! — disse Malu.
Giane acenou para Malu, que partiu. Percebeu que Malu estava toda animadinha. Também, depois de um beijo daqueles, quem não ficaria? Mas Malu quebraria a cara. Madá apareceu e chamou Malu:
— Malu! — segurou no poste. — Malu! Ah, meu Deus!
Malu não ouviu e continuou dirigindo o carro. Madá virou-se, avistou Giane e perguntou:
— Giane, você sabe onde que a Malu foi?
Com certeza, Madá já estava sabendo que Bento estava com Amora e quis avisar a neta. Do contrário, não estaria toda nervosa atrás de Malu. Porém, Giane queria mesmo era que Malu flagrasse Bento com Amora. Malu precisava ver que estava sendo iludida pelo Bento.
— Não, não sei. — mentiu Giane.
— Ah, meu Deus do céu! Tomara que ela não quebre a cara, né? — lamentou Madá.
Madá cruzou com Amora ali na Casa Verde e descobriu que a entojada passou a noite com Bento. Madá teve uma discussão feia com Amora. Estava na maior torcida para que Bento e Malu se entendessem. Madá achava o fim da picada a Amora andar atrás do Bento. Afinal, ela estava noiva de Maurício. Na opinião de Madá, Amora era mesmo uma cobra, pois era comprometida e ainda assim queria tirar o Bento de Malu. Madá disse para Amora que não a deixaria empatar o Bento e a Malu. Até perguntou para Amora o que o noivo dela, o público dela e a imprensa achariam do descaramento dela. Amora a ameaçou, disse que se ela contasse para alguém, logo a Bárbara saberia onde ela estava morando e a internaria em um manicômio. Amora jurou amar o Bento e que não deixaria nada nem ninguém atrapalhar a história deles, muito menos ela, Madá. Madá tentou ligar para o celular da Malu, mas ela não atendeu.
Giane não deu importância. Voltou para dentro da loja. Foi trabalhar. Horas depois, Douglas apareceu para lhe entregar um cinturão.
— Ô Douglas, você veio aqui tomar outro soco na cara? — perguntou Giane, irritada. Ela não entendia por que Douglas havia cismado com ela.
Como se não bastasse tudo o que ela estava passando, Douglas aparecia para encher a paciência dela.
— Não. Vim te entregar o cinturão de campeã. — disse Douglas.
— Que palhaçada é essa? — perguntou Giane, sem entender nada.
— Ué, você me venceu. — disse Douglas. — Quando me disseram que você estava a fim de mim, eu achei meio esquisito. Mas depois, eu comecei a gostar da ideia. E eu acho que eu tô a fim também.
— Mas quem te disse que eu tô... — disse Giane.
— Eu sei que mulher é assim. — interrompeu Douglas. — A minha irmã, por exemplo. Quanto mais ela gosta de um cara, mais ela briga e desanca. Mas eu já tô vendo você faz um tempo, suspirando pelos cantos. Não precisa ficar assim. Eu também quero.
Giane riu e colocou a mão no rosto. Não era por Douglas que ela suspirava. Decidiu ser franca com ele, mas sem ser indelicada.
— Douglas, olha só! Eu até tô triste, mas não é por sua causa, entendeu?
Douglas concluiu que Giane só podia estar triste por causa de Bento. Ele acreditava que Giane havia esquecido Bento e que estava gostando dele. Mas pelo visto, ele havia se enganado.
— Ah, você tá chateada por causa de outro cara? Ah! Bom, boa sorte aí, então. Falou! — disse Douglas, entregando o cinturão para ela e saindo.
— Ai, meu Deus! Ô Douglas! Fica aí, cara, com o seu cinturão.
— Não, pega aí. Ele é seu. — disse Douglas. — Você me ganhou de verdade.
Douglas foi embora, chateado, e Bento entrou.
— Ô Giane, não tô acreditando que você brigou com o cara de novo, meu!
Será possível que Giane só sabia dar patada nos homens? Desse jeito, ela não arrumaria um namorado nunca. Assim pensou Bento.
Giane nem respondeu. Estava furiosíssima com Bento.
— E você, como é que foi lá, no linhão? — perguntou Giane.
— Ué, como é que você sabe que eu estava lá? — perguntou Bento.
— Ah, eu ouvi você falando no telefone, todo alegrinho. — disse Giane. — Ah, a Malu veio aí, eu mandei ela te procurar. Ela te achou?
Bento se deu conta de que Malu tinha visto ele e Amora juntos. Certamente, Malu ficou magoada. Ele percebeu que Malu estava gostando dele. Estavam apenas fingindo que namoravam, para provocar Amora.
Mas ultimamente, estava rolando um clima entre eles. Ele chegou a confundir os sentimentos. Ele e Malu se beijaram porque perceberam que Socorro estava espionando-os, certamente a pedido da Amora. Foi Malu quem pediu que ele a beijasse, quando viu que Socorro ia fotografá-los.
Mais uma vez, ele quis mostrar para Amora que ele podia ficar com quem quisesse e que ela não podia controlá-lo, vigiá-lo. Ele quis fazer Amora acreditar que o namoro com Malu era para valer. Ela decidiu continuar noiva de Maurício, logo, não podia cobrar, exigir nada dele, nem que ele ficasse à disposição dela. Ele não esperaria eternamente por Amora. Amora devia repensar quais eram suas prioridades, se valia a pena manter um noivado de fachada. Então ele beijou Malu.
Mas ele ficou mexido com o beijo, de um jeito que não esperava. Até conversou com Gilson sobre seus sentimentos por Amora e Malu. Gilson o aconselhou a esquecer Amora e ir atrás da Malu. Na opinião de Gilson, Malu tinha mais a ver com ele. Bento chegou à conclusão de que estava prestes a se apaixonar por Malu. Bento chegou a ir atrás da Malu, para dizer que era com ela que queria ficar. Afinal, Malu era uma mulher incrível. Ele e Malu eram mais parecidos. Tinham muita coisa em comum. Ele tinha um carinho muito grande por Malu. Ele e Amora eram diferentes demais. Ele tinha uma atração enorme por Amora, e havia um sentimento muito forte entre eles. Porém, eles queriam coisas diferentes da vida. Bento acreditava que Amora nunca ia romper com Maurício. Havia resolvido ficar com Malu e esquecer Amora. Mas antes que ele encontrasse a Malu, no meio do caminho, surgiu a Amora, dizendo que havia terminado o noivado com Maurício, que o amava e queria ficar com ele. Era o que ele sempre quis. Bento se deu conta de que na verdade estava era querendo usar Malu para esquecer Amora. Ele até tentou se convencer de que estava gostando de Malu. Contudo, ele sempre foi apaixonado por Amora.
Porém, sem querer, acabou magoando Malu. Ele nunca enganou Malu. Jamais a iludiu. Nunca disse que gostava dela, nem fez nenhuma promessa. Ainda assim, sentia-se mal. Como Giane foi capaz de fazer uma coisa dessas, mandar Malu atrás dele, para ela flagrá-lo aos beijos com Amora? Não era possível que ela não tivesse pensado no sofrimento que estaria causando à Malu. Ele não queria que fosse assim. Queria ter conversado com Malu, falado de sua decisão de ficar com Amora. Não queria que Malu descobrisse dessa maneira. Ele não teve intenção de magoá-la. Malu era importante para ele. Bento não queria perder a amizade dela. E agora? Era capaz de Malu nem querer olhar na cara dele.
— Peraí. Você mandou a Malu atrás de mim, sabendo que eu estava com a Amora? — disse Bento, furioso. — Pô, Giane, que sujeira, cara!
— Ah, é. Você passa o rodo e a suja sou eu, né? — disse Giane.
Bento tentou ligar para a Malu. Ela não atendia.
— Caixa postal. Droga! — disse Bento. — Dessa vez, você passou dos limites, Giane. Eu tô muito decepcionado com você.
— Já eu não posso dizer o mesmo. — disse Giane. — Você é o mesmo otário de sempre.
Bento foi embora, atrás da Malu, para tentar se explicar. Giane ficou sozinha, com seus pensamentos.
— Vai. Não dou uma semana pra você quebrar a cara. Babaca!
Ela continuou trabalhando na loja.
Fale com o autor