Um amor inesperado
61 Entre tapas e beijos
Giane havia trocado de roupa, quando ouviu batidas na porta. Ao abrir a porta, deu de cara com Fabinho, que trazia flores de plástico. A garota se perguntou se Fabinho estava de brincadeira com ela.
— O que é? Você tá me zoando com essas flores aí?
— As flores de verdade morrem muito rápido. — disse Fabinho, entrando e fechando a porta. — Essas aqui são pra vida toda, que nem a gente. Às vezes, tem que tirar o pó só.
— O que você quer, hein? — perguntou Giane.
— Eu quero que você me lembre... — disse Fabinho, largando as flores sobre algum móvel. — Por que é que a gente brigou. Eu não consigo lembrar. Eu só penso em você e em como eu te amo. O resto, eu esqueci.
— Eu posso te lembrar então: porque você é um metido, cretino, grosso, e disse que eu tava interessada no seu dinheiro. Você quer alguma coisa mais?
— Quero. Quero, sim. — disse Fabinho, agarrando-a e beijando-a com paixão.
Giane o empurrou, dizendo:
— Fabinho, você não pode me dizer aquele monte de...
Continuava achando que Fabinho tinha de se responsabilizar pelas coisas que disse. Ele tinha de pensar muito bem antes de ofender as pessoas. Não podia deixar ele pensar que podia comprar o perdão dela com flores.
Fabinho interrompeu-a e a beijou novamente. Giane o empurrou.
— Fabinho, não! Você não pode me falar aquelas coisas e depois... Vir aqui assim...
— Cala a boca. Presta atenção. Presta atenção. — interrompeu Fabinho, abraçando-a. — Eu te amo. Você é a mulher da minha vida. Eu quero casar com você, eu quero ter filho com você. Eu quero... Eu quero ficar com você pra sempre! Eu quero passar de mão dada com você quando você estiver uma velhinha reclamona e rabugenta que você vai ser.
Giane ficou toda derretida e brincou:
— E você não vai ser velho, nem rabugento, nem reclamão, não?
— Cala a boca! — disse Fabinho, e beijou-a longamente.
Continuaram namorando em casa. Fabinho contou sobre os últimos acontecimentos. Ele passou pela casa do Gilson mais cedo e viu Amora e Socorro brigando. Amora acusou Socorro de ter sabotado o bufê, empurrado a Malu da escada e de querer incriminá-la.
— Foi isso que a Amora disse. E pior é que eu acreditei nela. — disse Fabinho. — Agora, a Socorro sabe muito mais do que tá dizendo pra gente, com certeza.
Fabinho passou a acreditar que talvez Amora não tivesse empurrado a Malu escada abaixo. Amora era inteligente, esperta e malandra demais para ter deixado cair o anel. Podia ser pista falsa.
— Então vamos tirar essa história a limpo. — disse Giane, dando uns tapinhas no joelho dele. — Agora.
Levantaram-se do sofá. Resolveram falar com Socorro.
— Bora! — disse Fabinho.
Foram para a casa de Gilson. Quando chegaram, encontraram Bento, Jonas, Socorro, Salma e Gilson reunidos na sala. Socorro havia dito que Amora andou fazendo acusações contra ela. Bento perguntou se ela havia roubado as chaves do bufê. Socorro negou, e Jonas disse que iria até o chaveiro perguntar se ela havia feito uma cópia das chaves.
— Para, gente! Não é possível que vocês achem mesmo que eu seria capaz de quebrar aqueles brinquedos... — disse Socorro.
— Eu acho que você empurrou a Malu, sim! — disse Fabinho, apontando para Socorro. — Você faria qualquer coisa pra satisfazer a tua musa!
— O que é um empurrãozinho, né? Pra quem trocou dois exames de DNA? — disse Giane.
— Peraí. Trocar exame de DNA não colocou a vida de ninguém em risco. É bem diferente! — disse Socorro.
— Não colocou a vida de ninguém em risco? Eu quase morri por tua culpa. Tu tá louca? — disse Fabinho, revoltado.
— Vai, Socorro, entrega! — disse Giane. — O quê que você sabe que você não tá falando?
— Fala, Socorro, fala! Desembucha! — disse Bento. — É você que tá tocando o terror na Amora pra gente achar que foi ela que fez a sabotagem?
Bento já estava sabendo que Amora andava recebendo mensagens de ameaça. Ela contou, quando ele foi à casa dela ver Simone e as crianças. Bento notou que Simone estava abatida. Ele se ofereceu para ajudar com dinheiro, caso precisassem. Logo Simone precisou ser internada novamente, desta vez, por causa de uma pneumonia. Ele e Malu foram ao hospital visitar Simone algumas vezes. Bento continuava decepcionado e magoado com Amora, mas ainda se preocupava com ela. Não apenas com Amora, com Simone e as crianças também. Era mais forte do que ele.
Amora jurava que não havia empurrado Malu escada abaixo, nem sabotado o bufê. Ela confessou que havia planejado, que mandou o Bolívar sabotar os brinquedos do bufê, mas suspendeu a ordem quando soube que Simone estava doente, e que Simone e as crianças iriam precisar dela. Amora até mostrou para Bento as mensagens anônimas no celular dela. Implorou que ele a ajudasse, pois ela não sabia o que fazer. Segundo ela, as mensagens só podiam vir de alguém que empurrou a Malu e sabotou o bufê. Porém, Bento não acreditou. Achou que Amora podia ter enviado mensagens para si mesma, para se safar.
Havia a possibilidade de Amora ser inocente desta vez. Mas Amora havia mentido tanto que era difícil acreditar na palavra dela. Bento não conseguia mais confiar na Amora. Agora, Amora passou a suspeitar de Socorro. Mais uma vez, Bento foi ao hospital com Malu ver Simone. Malu foi embora e Bento ficou, passou horas com Simone, até se ofereceu para ficar com as crianças, para Amora passar a noite com a irmã. E Amora falou de suas suspeitas. Bento achou um absurdo Amora botar a culpa na Socorro, mas Amora argumentou que nenhum vizinho a viu sair de casa na manhã do acidente da Malu. Socorro havia saído logo depois da Malu, e não tinha ido trabalhar, ficou pelo bairro. Ela podia ter pego o anel. E ela podia ter feito uma segunda cópia das chaves do bufê. Bento disse para Amora ir à delegacia abrir o jogo, porém ela não podia ficar dando depoimentos na delegacia. Ela tinha que cuidar da Simone e dar atenção para as crianças. Pediu para ele pressionar Socorro ou falar com Gilson. Então Bento deixou as crianças com a Malu e foi até à casa de Gilson. Quando chegou, Gilson, Salma e Jonas estavam interrogando a Socorro, queriam saber o que Amora tinha ido fazer lá mais cedo. Bento não tinha certeza se era mesmo a Socorro quem estava mandando as mensagens para Amora. Era difícil de acreditar no que Amora dizia. Ela podia estar mentindo. Mas era preciso esclarecer esta história, além do mais, Socorro devia saber mais do que falou. Socorro devia estar sabendo das mensagens. Se Amora estava recebendo mensagens de alguém, ou se Amora estava mandando mensagens para si mesma, Socorro devia saber. Além disso, Socorro e Amora romperam. Era bem capaz de Socorro estar fazendo de tudo para prejudicar Amora, para se vingar dela. Era uma possibilidade.
Se era verdade que havia alguém cometendo crimes para prejudicar Amora, então alguma coisa muito grave estava acontecendo. Ninguém sabia quem poderia ser a próxima vítima. E agora todos suspeitavam de que Socorro estava escondendo alguma coisa.
— Não é possível que isso esteja acontecendo comigo. — disse Socorro. — Gente, que pesadelo!
— Ah, Socorro, não dramatiza que ninguém tá acreditando. — disse Giane.
— Fala, Socorro, fala! — disse Fabinho. — Você tentou matar a Malu? Você sabotou o bufê, não foi? É a tua cara, de burra, de idiota, deixar uma prova tão óbvia como o anel.
— Gente, é tudo coisa da Amora. — disse Socorro, furiosa. — Eu não fiz nada. Nada, eu juro!
Socorro saiu da sala.
— Gente, pera aí! — disse Salma. — A Socorro não seria capaz...
— De quê? De cometer um crime, tia Salma? — disse Giane. — Mas ela falsificou dois exames de DNA só pra agradar a Amora.
— E agora, como as duas romperam, é bem capaz sim dela estar querendo fazer isso pra incriminar Amora. — disse Bento.
— Eu acho muito difícil a Amora ter empurrado a Malu. — disse Gilson. — Alguém na rua ia ter visto ela sair da casa.
— Já a Socorro, né? Um monte de gente diz que viu ela zanzando por aí. — disse Giane.
— Não, não, peraí, gente, a tia Salma tem razão. — disse Jonas. — A Socorro, ela é só um capacho. Tudo o que ela fez foi a pedido da Amora. Se ela é realmente a responsável pela sabotagem e pelo atentado, foi Amora que pediu, é óbvio.
Giane achou que Jonas tinha razão. Pensando melhor, Socorro era capacho da Amora. Todo o mal que Amora fez, teve a colaboração dela. Se não foi Amora, com certeza foi alguém a mando dela, alguém menos inteligente. Esse alguém podia ser a Socorro. Amora podia ter dado o anel de presente para Socorro. Amora às vezes presenteava Socorro com coisas que não queria mais.
— Mas se fosse assim, acho que ela já teria denunciado Amora. — disse Bento.
— Ia se queimar junto com ela? Não, claro que não. — disse Fabinho.
— O fato é que as duas não falaram o que sabem e não vão falar. —disse Giane. — A gente vai ter que descobrir sozinhos.
Algum tempo depois, Giane e Fabinho estavam passeando na rua e namorando. Estavam se beijando, na frente da casa dela, quando Fabinho interrompeu o beijo e disse:
— Agora chega de namorar, vamos embora.
Deu um beijo na testa dela. Só que Giane não estava satisfeita. Agora que se reconciliaram, não queria largá-lo nunca mais.
— Chega? — disse Giane, colocando as mãos sobre os ombros dele. — É na hora que eu mandar. — beijou-o na boca e na bochecha.
— Ah, é? Então fica de joelhos. Quero ver pedir de joelho. Pede joelho.
Giane deu um tapinha no ombro dele.
— Vai te catar, Fraldinha. — disse a garota.
— Vai te catar, eu que vou te catar. — disse Fabinho, agarrando-a.
— Que é isso? — disse Giane.
— Entra, entra, entra. — disse Fabinho.
Giane abriu o portão e entraram. Acabaram fazendo amor.
No dia seguinte, todos estavam sabendo que Simone estava mal no hospital. Em vez de melhorar, piorava. O quadro dela era muito grave. Estava debilitada, seu organismo estava sem defesas. Precisava urgentemente de um transplante de medula, do contrário, não iria resistir. Todos resolveram fazer o teste para a doação da medula. Como era urgente, o tempo para sair o resultado era rápido, algumas horas. Só que estava difícil de encontrar um doador. Gilson, Salma, Nestor e Odila fizeram o teste e nenhum deles era compatível com Simone. Mas todos estavam dispostos a ajudar. Até porque Bento estava fazendo a maior campanha para doação de medula. Muitos estavam de coração partido por causa das crianças. Se Simone morresse e Amora fosse presa, não sabiam o que seria de André e Mayara. Estava todo mundo aflito por conta da situação. Mas Malu jurou que as crianças não ficariam desamparadas, que ela ajudaria.
Mas apesar de tudo, Giane não poderia estar mais feliz. Logo cedo, ela e Fabinho foram ao shopping. Foram a uma loja de roupas. Giane experimentou várias roupas da coleção que estava representando, de um cliente da Crash Mídia, e Fabinho ajudou-a a escolher. Ao saírem da loja, Fabinho pegou algumas sacolas que Giane carregava e beijou-a.
— Se eu soubesse que você tinha gostado tanto, eu tinha pedido pra Sílvia separar mais algumas peças pra você. — disse Fabinho, e pegou na mão dela.
— Ah, já me deu várias coisas lindas, mas é porque agora eu namoro um Campana. — disse Giane.
— É. — disse Fabinho. Afinal, ele tinha o sangue dos Campana, apesar de continuar assinando Fábio Queiroz.
— Tem que estar sempre bem-arrumada. — disse Giane.
— Você tá sempre linda. — disse Fabinho, e beijou-a. — Inclusive quando você tá disfarçada de maloqueiro.
Giane deu um soco amigável no ombro dele. Fabinho sorriu.
— Eu já te falei que você é a mulher da minha vida hoje?
— Hoje não. — disse Giane.
— Hoje não. Você é. — disse Fabinho, e beijou-a novamente. — Te amo.
Abraçou-a.
— Também. — disse Giane, tímida, e Fabinho beijou o rosto dela.
Depois, Giane foi para a Para Sempre. Fabinho foi resolver alguns assuntos, mas combinaram de se encontrar na agência Karmita. Giane ficou sabendo que Charlene liberou todo mundo para fazer o teste de compatibilidade. Assim que encontrou Caio, Giane contou que ela e Fabinho voltaram a namorar. Ela e Caio estavam sentados em uma poltrona.
— Então você e o Fabinho fizeram as pazes? — perguntou Caio.
— É. — disse Giane, sorrindo, feliz.
— Só me conta quando é a próxima briga pra eu ganhar o bolão. — brincou Caio, fazendo cócegas nela.
Afinal, Giane e Fabinho eram muito esquentados. Já dava para ver que a relação deles seria de tapas e beijos. Caio achava que dava para até pensar em fazer apostas para ver quanto tempo iria durar cada briga.
Giane riu, achando graça.
— A gente briga muito, né? Também quem manda ele ser um cabeça dura?
— Ah, é. Só ele é cabeça dura, né? Você é uma florzinha. — brincou Caio, fazendo cócegas nela. Giane riu.
— Bora trabalhar. — disse Caio, levantando-se. Giane também se levantou.
— Vem cá, já foi fazer o teste de medula? Ó, se você não for... — disse Giane, colocando a mão sobre o ombro direito dele.
— Hum. — disse Caio.
— Nunca mais olho na tua cara, hein? — disse Giane.
— Se eu for, você volta a namorar comigo? — perguntou Caio, abraçando-a.
— Ai, meu Deus do céu! — disse Giane, revirando os olhos e desvencilhando-se.
— Ôoo, que palhaçada é essa aí, cara? — perguntou Fabinho, que chegou neste momento e viu Caio abraçar Giane. O clima ficou tenso.
— Calma aí, cara, só tava dando um abraço nela, só isso. — disse Caio, coçando a orelha, nervoso.
— É? — disse Fabinho, ficando ao lado de Giane. — E você acha que eu sou imbecil? Que eu não vi o que você falou pra ela?
Giane quis evitar que Caio e Fabinho brigassem.
— Fabinho, menos. Vamos aproveitar que tá todo mundo aqui e vamos todo mundo... — disse Giane, e bateu as mãos. — Fazer o teste de medula, né?
— Não, depois. Antes eu vou falar com a Vanessa, que é por isso que eu vim aqui. — disse Fabinho, e dirigiu-se à Vanessa, que estava sentada na recepção. — Tudo bem, Vanessa?
— Tudo bem. — disse Vanessa.
— Você já pensou em desfilar? — perguntou Fabinho.
— Eu adoraria. — disse Vanessa.
— Então, eu acho que... — disse Fabinho.
— Então é com a minha agência que você tem que falar. — disse Caio.
— Não, eu não vou falar com você não, porque eu prefiro falar com a Camila, que é mais bonita. — disse Fabinho, e sorriu.
— Você acha que eu vou te deixar sozinho com a Camila? — disse Giane, mordida de ciúmes.
— Vem, não fica com esse cara não. — disse Fabinho, e saiu andando em direção à agência Karmita. Giane o acompanhou.
— Era só o que faltava, hein, Fabinho. — reclamou Giane.
Giane e Fabinho entraram na agência. Caio ficou chateado ao ver que Giane tinha ciúmes de Fabinho. Caio percebeu a esperteza de Fabinho: ao vê-lo dar em cima de Giane, Fabinho deu um jeito de fazer ciúmes nela, deixando claro de quem ela gostava. Giane nunca teve ciúmes dele, Caio. Caio não conseguia entender como Giane podia trocá-lo por alguém como Fabinho, que era grosso, arrogante, enfim, um mala sem alça.
— Você quer me dizer o que ela viu nesse cara aí? — perguntou para Vanessa.
— O coração tem razões que a própria razão desconhece. — disse Vanessa.
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