Um amor inesperado.
10 Um casal e uma vela.
– Bruno, melhor eu entrar. Está frio, eu estou na porta da rua de pijama e roupão, e ainda não tomei café. — Eu disse. Mas por mim, poderia morrer de fome, de vergonha e de frio ali mesmo. Eu não queria que ele fosse embora, só não queria que minha prima acordasse e visse aquela cena. Ela iria me encher o saco pelo resto da vida.
– Está me expulsando da sua casa então, é isso? — Bruno perguntou, e deu uma risadinha no fim.
– De jeito nenhum, nem se quisesse. É que estou morrendo de fome. — Mentira.
– Podemos tomar café em algum restaurante por aqui. Aqui perto tem vários. — Bruno me convidou.
– Não tenho dinheiro, e minha avó não vai querer pagar. — Lamentei. Eu queria mesmo ir com ele, seria uma oportunidade de ficar perto dele e longe da minha prima, que iria interrogar minha vida novamente.
– Eu pago tudo. Só troque de roupa e vamos. — Bruno também queria que eu fosse, pelo que pareceu.
– Não Bruno, não precisa mesmo! — Insisti.
– Precisa sim. Vá lá trocar de roupa e volte, vou te esperar aqui no carro.
– Tudo bem então né. Você já descobriu que sou fácil de ser convencida. — Disse. E era verdade.
– Estou começando a aprender, (risos). — Bruno falou.
Fui correndo até o quarto e até me esqueci de que minha prima estava dormindo lá. Abri a porta como um ogro, e acabei acordando ela.
– Onde você vai? Que horas são? — Milena perguntou. Ah, meu Deus. Não podia ser verdade.
– Vou sair rapidinho e já volto. – Respondi. — Ah, são quase nove horas.
– Onde você vai às nove horas da manhã, Ana? Com quem? — Milena mal tinha acordado e já estava fazendo mais perguntas do que uma criança.
– Milena, eu já volto, é rápido. — Eu disse, colocando as meias.
- Posso ir junto? Você não vai me deixar aqui sozinha, não é? — Milena perguntou. Era verdade, eu havia convidado ela para dormir em casa. Não poderia deixá-la sozinha. E agora?
– Tem três minutos pra se arrumar. Vai logo. — Respondi. — Vou te esperar na sala.
– Ok. — Milena respondeu, já se levantando e buscando uma calça minha, pois estava somente com as roupas da festa e meu pijama.
Cinco minutos depois, ela estava pronta.
– Está atrasada, dona Milena. — Ri em seguida.
– Não venha com isso, você também é super pontual né! — Milena disse, rindo.
– Vamos então. — Levantei do sofá e abri a porta.
– Vamos aonde? Você ainda não me contou. — Milena disse.
- Bruno me convidou pra tomar café com ele. Ele está esperando no carro. — Eu disse. — Só deixa eu avisar que você vai junto, espera aí.
Fui até o carro e avisei-o de que Milena estava vindo. Ele falou que tudo bem, e fez um sinal pra que ela viesse até o carro também, e ela o fez.
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