Um amor improvável
64 Casamento à Vista
Muita gente acabou indo para a delegacia prestar esclarecimentos, inclusive Bento, Amora, Fabinho, Socorro, Plínio, Irene e Malu. Amora, Malu e Irene deram depoimento, depois foi a vez de Fabinho.
— Claro que foi ela. — disse Fabinho.
— Mas como você pode ter certeza? — perguntou o delegado.
— Amora me fez perder dois empregos. Amora botou toda a vizinhança contra mim. E hoje de manhã ela foi lá em casa pra tentar me seduzir. — disse Fabinho. — Claro, ela sabe que eu tô rico. Ela tentou me dar o golpe. É por isso que a minha namorada, Giane, deu aquela surra nela. Amora não vale nada. Nunca valeu. Evidente que foi ela.
Assim que terminou de dar o depoimento, Fabinho saiu da sala do delegado.
— Obrigado. — disse Fabinho.
Viu que Amora estava chorando, nervosa.
— Tá chorando, cocotinha? — perguntou Fabinho, irônico. — Que bom, porque dessa vez você vai pagar pelo que fez.
— Senhorita Maria do Socorro do Macedo? — chamou o escrivão. Socorro levantou-se da poltrona. — O delegado quer falar com você novamente. Por favor.
Socorro sorriu para Amora, antes de entrar na sala do delegado.
— Ela vai acabar comigo. Eu tô perdida. — disse Amora para Bento.
— Tá mesmo. — disse Wilson, entrando na delegacia neste momento.
Ouviu o que Amora disse.
Amora virou-se e olhou para Wilson.
— Acabou a moleza, sua pilantra! — disse Wilson. — Eu vim aqui te denunciar formalmente pela sabotagem do bufê.
— Wilson, pelo amor de Deus, não faz isso. — disse Bento.
— Você ainda defende essa ordinária depois de tudo que ela te fez? — perguntou Wilson, indignado. Estava muito revoltado com Amora, acreditava que ela havia sabotado o bufê e que ela oferecia perigo ao Bento.
— Isso é uma questão de justiça. — disse Bento. — Você não tem certeza que foi a Amora. E se você denunciar ela pela sabotagem, você vai prejudicar duas crianças. E se você fizer isso, você pode esquecer que eu sou seu filho, porque eu nunca mais vou olhar na tua cara.
Bento não queria que os sobrinhos de Amora fossem para um abrigo. Ele mesmo viveu em um lar de adoção porque não teve escolha. A sorte era que ele foi criado, muito bem cuidado por pessoas boas como Salma e Gilson, e sempre viveu cercado de amor. Mas nem todo órfão tinha essa sorte. Ele ouvia falar de histórias horríveis, de abrigos onde as crianças eram submetidas a tratamento cruel, como torturas e maus-tratos. Sem falar nas condições precárias dos abrigos. A realidade dos abrigos no país estava longe de ser um mar de rosas. Além do mais, era melhor para André e Mayara ficarem com Amora, que amava os sobrinhos, e ela era a única família que eles tinham. Era sempre preferível ficar com a família.
Bento e Wilson continuaram a conversa, e Plínio foi falar com Fabinho. Queria pedir que o filho fosse razoável. Plínio continuava não simpatizando com Amora, mas acreditava que ela não havia tentado matar Giane. Plínio e Irene haviam decidido testemunhar em favor de Amora. Irene estava presente quando Amora recebeu a mensagem do celular do Bento. Amora não teria enviado uma mensagem para si mesma sem Irene ver. Plínio até mesmo estava pagando advogado para defender Amora. Fez isso por consideração a Bento, que continuava sendo como um filho para ele, e às crianças. Plínio estava cansado de saber que Amora era uma criminosa. Mas não queria ser injusto com ela como havia sido com Fabinho. E queria que Fabinho se colocasse no lugar de Amora.
— Plínio, eu não vou mudar uma palavra do meu depoimento pelo simples fato de que tudo o que eu disse é verdade. — disse Fabinho.
Fabinho continuava revoltado com Amora. Amora aprontou demais para cima dele, e desta vez Amora mexeu com Giane. Isso ele não perdoava.
— Empatia. Sabe o que é empatia? — perguntou Plínio.
— Sei. — disse Fabinho.
Porém, para ele era muito difícil ter empatia por Amora neste momento.
— Por mais que seja difícil, eu sei que é. — disse Plínio. — Tente se colocar no lugar dela. Você já passou por essa situação em que todos os indícios apontavam para um crime do qual você era inocente.
No ponto de vista de Fabinho, ele havia errado muito sim. Armou, mentiu, fez intriga. Por conta de seu histórico, foi acusado injustamente de ter botado fogo na Toca do Saci, de ter pichado a ONG, até mesmo de ter agredido Amora e feito ela perder um bebê que nem existia. Fabinho reconhecia que estava longe de ser um santo. Mas para ele ainda era difícil de acreditar na inocência de Amora. Plínio não tinha ideia do quão ardilosa e maquiavélica Amora podia ser. Ele, Fabinho, já sofreu na pele. Amora cometia crimes e botava a culpa em outra pessoa. Arrumava sempre um bode expiatório. Quem podia garantir que ela não estava fazendo o mesmo dessa vez? Por mais que parecesse uma armação contra Amora, ela já mentiu tanto, que era difícil de acreditar nela. Fabinho continuava com o pé atrás. Além do mais, por que alguém iria querer matar a Giane? Só para incriminar Amora? Para Fabinho, isso não fazia o menor sentido. E quem mais teria interesse em acabar com Giane era Amora. Giane não tinha inimigos, com exceção da Amora.
— Tudo bem, Plínio, só que você não sabe do que a Amora é capaz. Você não sabe da maldade dessa mulher. — disse Fabinho, afastando-se.
— Espera. Espera, espera, espera. — disse Plínio, detendo-o. — Todo mundo sabe que eu não gosto da Amora. Mas não foi ela que fez aquilo com a Giane. Eu sei que você tá indignado, revoltado, com sede de justiça...
— Eu tô com sede de justiça sim, pai. Eu quero que ela seja feita.
Para Fabinho, o problema era que ele acreditava que Amora mexeu com Giane. Se ela tivesse aprontado somente com ele, tudo bem. Mas Amora resolveu mexer com Giane. E Amora teria de pagar pelo que fez. Só podia ter sido Amora, pois somente ela tinha razões para querer acabar com Giane. Ela andou fazendo ameaças. Fabinho ficava revoltado só de pensar que Giane podia ter morrido sufocada.
Quando Plínio e Fabinho voltaram para a sala de espera, viram Amora sair da sala do delegado, algemada, arrastada pelo carcereiro.
— Bento, eu fui presa! — gritou Amora.
— Peraí, Amora, o que aconteceu? — perguntou Bento.
— Me ajuda, eu sou inocente! Cuida das crianças! — gritou Amora, sendo arrastada pelo carcereiro.
— Peraí, gente, peraí, alguém... Alguém me fala o que tá acontecendo? — perguntou Bento.
— Amora tá sendo presa por quê? — perguntou Plínio.
— Por que essa louca aí tentou me matar! Isso, sim! — disse Socorro, saindo da sala do delegado. Estava satisfeita. Conseguiu fazer Amora perder o controle e tentar esganá-la na frente do delegado. Agora todos iriam achar que Amora era mesmo culpada pelo atentado contra Giane, e que foi ela quem empurrou Malu da escada. Afinal, Amora tentou matar uma testemunha.
Fabinho logo imaginou que Socorro devia ter provocado Amora, para fazê-la perder a cabeça e esganá-la na frente do delegado. Certamente, Socorro tocou no ponto fraco da Amora e a fez surtar. Amora era louca. Socorro só podia ter armado contra Amora. Amora não seria burra a ponto de esganar a Socorro na frente do delegado. Pelo contrário, Amora era inteligente e esperta demais. Ou seja, Amora acabou sendo vítima do mesmo golpe que ela havia usado contra ele. E se Socorro armou contra Amora, é porque estava louca para vê-la atrás das grades. Socorro devia estar com muito ódio da Amora para querer dificultar as coisas para ela. E ficaria difícil para Amora provar sua inocência, pois o delegado viu ela tentar esganar Socorro. Fabinho agora sabia que não adiantaria Amora gravar uma confissão de Socorro, porque isso não seria prova suficiente.
— Quer dizer que a capachinho aplicou o mesmo golpe que Amora aplicou em mim? — disse Fabinho, apontando para si mesmo. — Esse mundo dá voltas, né?
— Cala a boca você, Fabinho! — disse Bento, e dirigiu-se a Socorro. — Socorro! Deixa de ser mentirosa. Você sabe que a Amora não tentou te matar coisa nenhuma.
— Você que pensa! Você vai ver que essa aí é culpada de tudo, sim, Bento! — disse Socorro.
— E você para de se envolver com essa mulher. Ela só te prejudica. — disse Wilson para Bento. — Bento, meu filho, eu não quero que nada de mal te aconteça. Eu te amo, meu filho. Eu sei que não é hora nem lugar pra te dizer isso. Mas eu te amo, Bento.
Bento ficou mexido com o que o pai disse.
— Pode ficar tranquilo que eu sei me defender. — disse Bento.
Fabinho resolveu ligar para Silvério.
— Seu Silvério, como é que tá a Giane? — perguntou Fabinho.
— A gente tá acabando de chegar do hospital. — disse Silvério. — É. Não, fica calmo, tá tudo bem, ela tá ótima. Você tá onde? Delegacia? A Amora foi presa, é? Bom, quando chegar, passa por aqui, tá? Tá, tchau.
Mais tarde, Fabinho foi visitar Giane. Precisava ver com ela estava. Conversaram sobre o atentado.
— Quer dizer que eu quase morro e a culpa é minha? — perguntou Giane.
— Exatamente! Tava acabando de botar a roupa, tinha que ter me esperado. — disse Fabinho.
— Se vocês tivessem saído juntos, estavam os dois presos na van. — disse Silvério. — Foi sorte você ter ficado pra trás.
— Pelo menos eu flagrei a Amora na cena do crime. — disse Fabinho.
— É. — disse Giane.
— Você acha mesmo que foi ela? Tá muito óbvio. — disse Silvério. — A Amora é esperta demais. Não ia deixar pistas tão evidentes, né?
Silvério foi para a cozinha. Giane disse:
— É. Se não foi ela, foi alguém pago por ela, que a Amora sempre foi assim, desde criança. Ela faz a besteira, depois faz carinha de santa.
— Eu acho o fim da picada os meus pais ficarem bancando advogado pra Amora porque o Bento pediu. — disse Fabinho. — É por causa dessas e de outras que ela sempre se safa. Agora, se depender de mim, a Amora vai mofar na cadeia. — aproximou-se e pegou no queixo dela. — E você para de se meter em encrenca.
— Encrenca! — disse Giane, beijando-o. — Olha quem fala! Um encrenqueirinho! — deu mais dois beijos nos lábios dele.
— Vem cá, eu salvo a sua vida, e você me agradece assim?
— Eu agradeci, mas eu quase morri sufocada de tanto que você demorou pra chegar. — disse Giane, brincando.
Fabinho abraçou-a.
— Seu Silvério, vem cá, dá um jeito nessa filha que é muito ingrata. — disse Fabinho, e dirigiu-se à Giane. — Te amo!
Beijaram-se. No dia seguinte, Bento trouxe André e Mayara para a Casa Verde. As crianças ficariam com ele enquanto a Amora estivesse presa. Afinal, legalmente, ele continuava casado com Amora, então ficou com a guarda dos sobrinhos dela. Ao que tudo indicava, Amora permaneceria presa por algum tempo. O advogado tentou tirar Amora da cadeia, porém, o juiz entendeu que Amora oferecia risco às testemunhas e resolveu ouvir os mais implicados antes de liberá-la. O habeas corpus ainda demoraria alguns dias para sair. Ninguém havia ainda descoberto quem podia ter sabotado o bufê de Wilson, empurrado a Malu escada abaixo e tentado matar Giane. Só sabiam que havia alguém tentando incriminar Amora. Na noite anterior, Jonas havia ouvido Socorro falar ao celular, e achou a conversa muito estranha. Socorro estava nervosa e falava com alguém sobre o atentado contra Giane, e levou um susto ao ver Jonas, que garantiu não ter ouvido nada. No dia seguinte, Jonas pegou o telefone de Socorro e viu que tinha um número não identificado. Jonas ligou, e ouviu a voz de um homem, porém, Socorro tomou o celular de volta. Jonas até achou a voz conhecida, mas não conseguia se lembrar de quem era. Estavam todos se esforçando para descobrir quem era o sabotador. Não apenas para defender Amora, mas porque o sabotador colocava em risco a vida de muita gente. Todos tinham medo do que poderia acontecer. O sabotador poderia fazer mais vítimas.
Bento estava decidido a ficar de olho na Socorro. Tinha certeza de que Socorro era cúmplice do sabotador. Até falou com Jonas e Douglas. Douglas jogou charme para Socorro, e a convidou para ir ao shopping. Douglas daria um jeito de instalar um aplicativo de localização no celular da Socorro. Era uma maneira de tentar descobrir quem era o sabotador. Quando Socorro fosse se encontrar com o sujeito, alguém da polícia a seguiria. Jonas ficou monitorando o Douglas pelo telefone, e foi para a delegacia depor, contar ao delegado tudo o que sabia a respeito da Socorro. Assim, a polícia ficaria na cola da Socorro. Gilson apareceu na casa do Silvério para conversar. Giane e Fabinho estavam presentes. Falaram sobre tudo o que haviam descoberto.
— Eu só tô dizendo que, nesse caso, a Amora é inocente, só isso. — disse Gilson.
— É. Eu sou obrigado a concordar com o Gilson, Fabinho. — disse Silvério. Não simpatizava com Amora, mas parecia que ela era inocente desta vez, e ele não queria ser injusto.
— Tudo bem, ela pode não ter feito isso dessa vez, mas a ficha da Amora é mais suja do que pau de galinheiro. Eu não preciso lembrar pra vocês que ela é perigosa. — disse Fabinho.
— Ô pai, e você, que vive reclamando que é o país da impunidade, na hora de punir uma criminosa, vai ficar passando a mão na cabeça de safado?
— As circunstâncias atenuantes têm que ser consideradas. — disse Gilson.
— Sim, mas que circunstâncias? Ela aprontou barbaridades pra cima de mim e da Malu. — disse Fabinho. — Você não lembra, tio?
Fabinho continuava revoltado. Amora aprontava e sempre se safava. Malu, Bento, Plínio e Irene estavam sendo muito bonzinhos com Amora. No ponto de vista de Fabinho, Amora tinha de pagar por tudo o que fez, assim como ele. Amora estava sendo processada por ter mandado adulterar os exames, mas não estava sendo devidamente punida pelo incêndio na Toca, pela pichação, pelo falso bazar, pela escuta plantada no quarto da Malu, nem pelo falso aborto. Ele estava respondendo a vários processos, foi preso mais de uma vez, enquanto a Amora não estava respondendo nem por metade do que ela fez. Giane contou todos os podres, todos os crimes da Amora para a imprensa, mas quase ninguém prestou queixa na polícia pelos crimes da cobra. Malu acabou não registrando nenhuma queixa por consideração à Simone e às crianças. Ainda mais agora, depois da morte da Simone, ninguém quis registrar nenhuma queixa contra Amora, para não prejudicar André e Mayara. As crianças não tinham mais ninguém. Se Amora fosse presa, as crianças iriam para um abrigo.
Mas Fabinho não achava justo Amora ficar impune. Fabinho não achava impossível que alguém estivesse querendo incriminar Amora. Afinal, o que a Amora mais colecionou foi inimigos. Mas continuava duvidando que alguém fosse querer matar Giane apenas para incriminar Amora. Além do mais, quem mais teria interesse em se vingar da Giane, da Malu e do Wilson era Amora. Todos estavam falando de um sabotador misterioso, mas ninguém tinha prova de nada. Ninguém sabia se o número não identificado no celular da Socorro era o mesmo de quem mandava mensagens ameaçadoras para Amora. Isso se ela realmente estivesse recebendo mensagens de ameaça. Fabinho continuava não acreditando no arrependimento da Amora. Amora se dizia arrependida, mas nem bem enterrara a irmã, já estava dando em cima dele. Se Amora tivesse se arrependido de verdade, não tentaria dar o golpe nele.
Claro que Fabinho não iria querer que André e Mayara ficassem desamparados. Tinha pena das crianças, que haviam acabado de perder a mãe. Mas as crianças eram responsabilidade da Amora. Ela devia ter pensando primeiro nos sobrinhos, antes de aprontar. Além do mais, Bento continuava casado com Amora, e ele podia cuidar das crianças. Malu até se ofereceu para ajudar com as crianças. Sozinhas elas não ficariam.
— Tio, ó, não dá pra ficar tendo coração mole com gente ruim não. — disse Giane. — Tem que punir mesmo pra dar o exemplo. Que país é esse, que ninguém é preso?
— Eu não tô respondendo? Então, Amora tem que responder também. — disse Fabinho. — Se ela é inocente, ok, mas eu não vou aliviar pra ninguém.
No ponto de vista de Fabinho, podia até ser que Amora fosse inocente desta vez, mas ele não conseguia ter a menor confiança nela. Tinha Amora atravessada na garganta, por conta de tudo o que ela fez contra ele. Ele podia ter mudado, melhorado, mas não tinha o coração mole de Malu, Irene e Plínio. Ele já penou muito nas mãos da Amora, não acreditaria nela agora. Ele fez muita coisa errada contra Amora, mas em compensação, ela fez coisas muito mais pesadas contra ele. Calúnias não eram nada, perto de mandar adulterar dois exames de DNA. E acreditava que Amora não estava sinceramente arrependida, como dizia. Ela só lamentava ter sido desmascarada. Tanto que tentou dar o golpe nele. Amora quase destruiu a vida dele para fazer Bento receber uma herança que não era dele. Certamente, Amora encontrou um inimigo à altura dela. Isso se realmente tivesse alguém querendo incriminá-la.
— Peraí, ela já tá pagando. A irmã dela morreu. Ela tá cuidando das crianças... — disse Gilson, contando nos dedos as punições da Amora. Acreditava que Amora já estava sendo punida pela vida.
— Pois é. No dia seguinte da morte da irmã, o quê que ela fez? Veio aqui dar em cima do meu namorado. — disse Giane, revoltada. — O que mais falta pra vocês entenderem que ela não vale nada?
— Vamos embora, abaixou a cabeça. — disse Fabinho. Ele e Giane saíram.
Giane foi trabalhar na agência Karmita. Fabinho também foi trabalhar, porém, no caminho, viu que Renata estava indo embora em seu carro, rumo ao Rio de Janeiro. Renata iria trabalhar em uma das empresas de Karmita no Rio. Fabinho viu Érico, que havia se despedido de Renata, junto com os familiares dela: Rosemere, Filipinho, Xande, Nestor e Odila. Estava tudo terminado entre Érico e Renata, e agora era definitivo.
— É, meu sócio. — disse Fabinho, dando uns tapinhas no ombro dele. — Temporada de despedida, né?
— É. — disse Érico.
Érico e Fabinho foram trabalhar. Mais tarde, Érico recebeu uma ligação de Jonas, que estava na delegacia.
— Tá bom, tá bom, Jonas. Falou. Até mais. — disse Érico.
— O Érico, cadê o Jonas? Ele tem que finalizar a arte da campanha. — disse Sílvia.
— O Jonas tá na delegacia. — disse Érico.
— O quê? — espantou-se Sílvia.
— Pois é. Pegaram o responsável pelo atentado contra... Contra a Giane. — disse Érico.
— Quem foi? — perguntou Fabinho.
— O Tito, cara! — disse Érico.
— Tito, seu primo? — perguntou Fabinho.
— É, a mando da Lara pra tentar incriminar Amora. — disse Érico.
— Onde é que eles estão? — perguntou Fabinho. Ele se perguntou se Tito e Lara estavam na mesma delegacia onde ele prestou depoimento.
— Estão na delegacia da Casa Verde. — disse Érico.
Fabinho saiu correndo. Resolveu ir direto para a delegacia.
— Fabinho! — chamou Érico, porém, Fabinho não deu ouvidos.
Quando chegou na delegacia, Fabinho ouviu Socorro dizer:
— Eles iam matar ela. Eu que não deixei. — disse Socorro.
Na sala, além de Socorro, estavam o delegado, o escrivão e outros homens que lá trabalhavam; Lara, Tito, Jonas, Bento, Malu, Plínio, Wilson, Amora e Beta, a babá do filho de Lara.
— Pois eu vou matar esse desgraçado e ninguém vai me impedir não. — disse Fabinho, entrando na sala do delegado e olhando com ódio para Tito. — Vou te matar, seu desgraçado. — deu um soco na cara de Tito.
— Fabinho! — disse Bento, segurando-o, tentando impedi-lo de fazer besteira. Wilson tentou segurar Fabinho também.
— E você? Você foi a mandante, né, sua vagabunda? — disse Fabinho para Lara, e deu um tapa na cara dela.
— Não, Fabinho, não! — disse Plínio.
— Tire esse cara daqui, senão mando prender, hein! — disse o delegado.
— Eu vou acabar com vocês dois! — esbravejou Fabinho, referindo-se a Lara e Tito. Eles teriam de pagar pelo o que fizeram.
— Vem comigo, Fabinho! Calma, calma! — disse Plínio, levando-o para fora da sala. Fabinho estava fora de si e precisava esfriar a cabeça.
Plínio e Fabinho saíram juntos da delegacia e acabaram se deparando com os repórteres, que estavam na porta. Pelo visto, a imprensa já estava sabendo do ocorrido.
— Plínio Campana, algo a declarar sobre a inocência da Amora? — perguntou Sueli Pedrosa, apontando o microfone para ele. Outros repórteres também haviam se aproximado com seus microfones.
— Bom, se ela não tivesse sido adotada pela Bárbara, com certeza, a trajetória dela seria outra. Com licença. — disse Plínio, retirando-se.
— Plínio! — disse Bárbara, que estava por perto e ouviu o que Plínio disse. Estava chocada. Isso não era bom para a imagem dela.
Fabinho foi atrás de Plínio, e passou por Bárbara.
— Aproveita que você é uma porca e curte essa lama. — disse o rapaz para Bárbara, antes de ir embora, atrás do pai.
Depois, Fabinho ficou sabendo de tudo por Malu, por Jonas e por Plínio. Fabinho foi até à agência Karmita e contou para Giane tudo o que descobriu. A polícia estava sabendo de tudo. Havia mesmo alguém querendo incriminar Amora, e Socorro estava envolvida até o último fio de cabelo. O sabotador sequestrou Socorro, que havia levado o celular junto. Por conta do aplicativo instalado no celular, foi possível a polícia localizá-la. Foi assim que a polícia pegou o criminoso. Foi Tito quem sabotou o bufê do Wilson, empurrou a Malu da escada e tentou matar Giane. Tito fez todo o serviço sujo a mando da Lara, que queria tirar Amora do caminho. Afinal, Amora havia voltado a apresentar o Luxury. Caio tirou Lara do Luxury e colocou Amora no lugar dela. E como o casamento de Amora estava em crise, Lara tinha certeza de que Amora ia dar em cima do Caio. Lara e Tito eram cúmplices, e fingiram que haviam rompido, para todo mundo pensar que não estavam juntos. Assim, ninguém desconfiaria de nada. As mensagens de ameaça que Amora recebia eram enviadas do celular de Beta, empregada de Lara. Lara mandou Tito empurrar Malu escada abaixo para se vingar, porque Maurício gostava de Malu e Lara gostava de Maurício. Tito também sabotou o bufê de Wilson, para se vingar do pai, que não o tratava bem, e para incriminar Amora. Tito sabia que Amora havia planejado sabotar o bufê. No dia em que Lara esteve na casa de Amora, instalou um equipamento de espionagem. Era assim que Tito e Lara sabiam de tudo o que Amora pretendia fazer. Como Tito e Lara ouviram Amora combinando tudo com Socorro para sabotar o bufê, Tito foi ao Kim Park ficar de butuca, para poder provar a culpa de Amora. Porém, de última hora, o capanga de Amora se mandou e Tito tinha a chave. Resolveu fazer o serviço. Wilson já andava com problemas financeiros, o parque iria falir de qualquer jeito, e Tito apenas deu um empurrãozinho. Foi Lara quem pegou o anel da Amora e deixou no local do acidente da Malu. Lara pegou o anel no dia em que plantou a escuta. Tito tentou matar Giane porque Lara queria se livrar dela. Assim, Lara ficaria com o caminho livre com o Caio. Caio era apaixonado por Giane, e enquanto Giane existisse, Lara não teria a menor chance de conquistar o Caio e dar um golpe nele. Caio não se conformava com o fim do namoro e só pensava em tentar voltar com Giane. Se Giane morresse, Caio logo esqueceria dela. Lara planejava se casar com Caio, pegar a grana dele e depois, ela e Tito ficariam juntos. O que Lara queria era recuperar os milhões de dólares que perdeu com a morte de Cardoso.
Mas Lara e Tito se deram mal. Lara seria indiciada, e Tito, além de ter confessado todos os crimes, não era réu primário. Tito acabou sendo preso. E Socorro certamente prestaria serviços comunitários. E todos achavam que Lara não seria condenada, pois contaria com um excelente advogado.
— Não te falei pra ficar longe desse cara? — disse Fabinho, abraçado a Giane, referindo-se a Caio. — Viu só no quê que deu?
Fabinho jamais imaginou que Lara ia querer matar a Giane. Que a Lara não se conformava por ter perdido uma fortuna, ele sabia. Mas Giane estava com ele, não com Caio. No ponto de vista dele, a perda dos dois milhões de dólares enlouqueceu a Lara, a fez perder a razão. Só mesmo sendo doida para achar que Giane era uma ameaça. Giane não estava nem aí para o Caio, nunca deu bola para ele e nunca ligou para a grana dele. Pensando melhor, Lara não era louca, era perversa.
— Então foi tudo culpa daquela lacraia da Lara. — disse Giane.
Os dois saíram da sala, deixando Charlene, Karmita, Vanessa, Caio e Camilinha, que ficaram fazendo comentários sobre o ocorrido.
Meses se passaram. Amora estava livre, porém, ela e Bento não voltaram. Amora até pediu para voltarem. Achava que finalmente poderia se tornar a mulher que Bento sempre sonhou, que sempre quis. Porém, Bento havia chegado à conclusão de que as coisas entre eles não seriam mais como antes. Ele havia ajudado Amora porque achava que não devia abandoná-la em um momento tão difícil. Mas agora que a tempestade havia passado, ele decidiu que era a hora de se libertar da relação doentia que tinha com Amora. Apesar de Amora estar arrependida, as coisas haviam mudado de maneira definitiva. Então afastaram-se.
Bento continuou cuidando das plantas e das flores, e trabalhando na loja, como sempre. Malu continuou com seu trabalho na Toca do Saci. Fabinho continuou trabalhando na Crash Mídia. Giane passou a se dedicar cada vez mais ao trabalho como fotógrafa na agência Karmita. Começou a fotografar as modelos. Maurício continuou tocando seu negócio, dando festas temáticas. Viajou para Angra dos Reis. Havia resolvido se afastar de Malu até ela decidir o que queria.
Amora finalmente conseguiu um emprego como professora de inglês. Afinal, era formada e falava várias línguas. Passou a levar vida simples, pois precisava poupar suas economias, que já estavam acabando. Não havia mais como viver no luxo. Ela gastou muito dinheiro no tratamento da irmã e também nas despesas da casa, pois ficou muito tempo desempregada e precisava pagar as contas e sustentar as crianças. Amora também passou a fazer terapia, que não era barata. Sua vida havia mudado radicalmente. Ela agora vivia para os sobrinhos, e havia rompido com Bárbara definitivamente. Decidiu se afastar para sempre de Bárbara, de sua influência nefasta, e deixar a vida de celebridade para trás. Amora acreditava que seria muito difícil reconstruir a carreira de it girl depois de tudo, além do mais, ela não queria mais ser famosa. Em outras circunstâncias, ela poderia até tentar recomeçar a carreira de celebridade do zero, de uma maneira mais honesta e limpa. Mas sua imagem estava queimada. Sua imagem já havia sido arruinada antes, quando o Brasil inteiro pensava que ela havia traído Maurício com vários homens. Mas desta vez era pior. Ela ficou conhecida pelo país inteiro como bandida. Além disso, ela não queria mais saber da fama. Havia ficado traumatizada com tudo o que passou. Sofreu demais. O mundo das celebridades já não trazia mais nada de bom para ela. As coisas não seriam mais como antes. Havia sido muito exposta, de maneira negativa. Foi massacrada. Enfrentou muitas críticas, isolamento, julgamento e ódio, por conta de tudo o que aprontou. Era difícil até mesmo sair na rua. As pessoas só faltavam bater nela. Depois de tudo o que passou, não queria mais saber de fama. Queria agora levar a vida no anonimato. Preferia ficar sossegada em seu canto e queria que o Brasil a esquecesse. Aos poucos, ela estava descobrindo que podia se sentir feliz e em paz levando uma vida comum com seus sobrinhos.
Logo chegou o casamento da Brunettý com Nelson, que foi realizado no Cantaí. No final da cerimônia, quando os noivos se beijaram, todos bateram palmas. A festa estava bastante animada. Muita gente compareceu à festa, inclusive Giane, Fabinho, Malu e Bento.
— Gente, não entendo, não me conformo de vocês dois não ficarem juntos. — disse Giane para Malu e Bento.
No ponto de vista de Giane, Malu e Bento eram perfeitos um para o outro. Porém, no ponto de vista de Malu, ela e Bento eram como irmãos. Ela tinha um amor e um carinho enorme por Bento, mas não se tratava de um amor romântico. Não era mais apaixonada por Bento. Ela até ficou dividida entre Bento e Maurício. Amou Maurício por muito tempo, desde menina. Mas tinha uma história mal resolvida com Bento. Porém, agora, depois de alguns meses, havia se dado conta de que enxergava Bento como um amigo, um irmão, um parceiro. Afinal, com a história do DNA, ela passou muito tempo achando que Bento era seu irmão e agora já não conseguia vê-lo de outra forma. E voltou a se apaixonar por Maurício. No ponto de vista de Malu, as coisas tinham um tempo certo para acontecer. Se não aconteciam, era porque não era para ser. Bento quis ficar com Malu. Tentou voltar com ela, até a beijou algumas vezes. Achou que podiam retomar de onde haviam parado, viver o que não haviam vivido direito. Porém, ela havia decidido ficar com Maurício e continuar amiga de Bento. Chegou à conclusão de que Maurício era o homem certo para ela.
— Mas a gente tá juntos. — disse Bento, abraçado à Malu. — Só que de um outro jeito.
Ele e Malu continuariam sendo amigos e parceiros nos projetos. Ele tentou ficar com Malu porque acreditava que ela era a mulher certa para ele. Eles se davam bem, tinham afinidades, e Malu oferecia paz e estabilidade, coisa que Amora não oferecia. Amora oferecia caos e desafio, o que o fazia se sentir vivo, contudo, o casamento não deu certo. Mas agora ele pensava que Malu estava certa. Eles funcionavam melhor como amigos. A conexão entre eles era mais de ideais do que de química avassaladora.
— Eu acho ótimo você não ter ficado com esse aí, maninha. — brincou Fabinho. — Você merece coisa melhor.
Na opinião de Fabinho, Bento dizia gostar da Malu, mas a tratou como estepe. Afinal, Bento havia namorado a Malu depois do namoro com Amora não ter dado certo. Aí, houve a troca dos exames, e não demorou muito para o otário do Bento voltar com Amora. Mais tarde, Bento descobriu as tramoias da esposa, se decepcionou com ela e quis voltar com Malu, ao descobrir que ela não era irmã dele. E ainda assim, Bento não conseguia se desligar da Amora, mesmo depois de se decepcionar com ela. Bento estava do lado da Amora quando ela perdeu a irmã, e continuou do lado dela quando ela foi presa. Bento estaria sempre ligado a Amora. Para Fabinho, Malu merecia mais do que ser a segunda opção, ou um prêmio de consolação de alguém. Maurício pelo menos gostava dela de verdade. Era melhor Malu ficar com Maurício do que com Bento.
Bento e Malu riram. Malu disse:
— Olha aqui, trata de trabalhar menos e vai visitar seus pais.
Fabinho assentiu. Plínio e Irene continuavam juntos e felizes. Estavam curtindo a gravidez de Irene. Já sabiam o sexo do bebê. Era uma menina. A gravidez estava bastante avançada, em pouco tempo a criança nasceria.
Giane e Fabinho continuaram na festa. Até que Brunettý resolveu jogar o buquê.
— Gente! Gente! Agora eu vou jogar o buquê! — anunciou Brunettý.
Brunettý foi subindo no palco, e todas as mulheres solteiras da festa se aproximaram. Havia muitas querendo pegar o buquê.
— Quero ver todas as solteirinhas aqui na pista! — disse Brunettý. — Vamos lá! — virou-se de costas. — Estão preparadas? Um, dois e...
Brunettý jogou o buquê, que acabou caindo nas mãos de Giane, sentada em uma das mesas. Giane não quis ficar com o buquê. Para ela, se tratava de um ritual muito piegas e cafona. Ela não era mulher de pegar buquê. Jogou o buquê, que caiu nas mãos da Mulher Pau de Jacu, que ficou toda feliz.
— É meu! É meu! — disse Pau de Jacu, antes de desmaiar.
Giane riu, achando graça da Pau de Jacu.
— Vem cá, posso saber por que você não pegou o buquê? — perguntou Fabinho para Giane.
— Eu lá quero essa coisa de mulherzinha? Eu, hein. — disse Giane.
— Ah, você não quer coisa de mulherzinha? Você não vai casar comigo, então. — disse Fabinho.
— Então casa aí com o Pau de Jacu. — disse Giane, apontando para a Mulher Pau de Jacu e levantando-se.
No ponto de vista de Giane, ninguém precisava pegar o buquê para se casar. Ela ficaria com Fabinho, viveria com ele pegando ou não o buquê. Ela já se considerava mulher dele. Homem não precisava pegar buquê, por que mulher tinha de fazê-lo? Isso era coisa antiga, do tempo em que o principal objetivo de vida da mulher era se casar. Ela não estava rejeitando Fabinho, e sim esta tradição cafona. Era muito coisa de mulherzinha para seu gosto. Ela mudou, passou a ser mais vaidosa, a se arrumar mais, mas não deixou de ser quem era e não mudou de opinião quanto a certos rituais. Portanto, não ficaria com o buquê. E Fabinho estava cansado de saber disso, a conhecia muito bem. Ele estava apenas brincando, implicando com ela, como sempre fazia.
— Eita, que cavalo grosso você é, hein? — disse Fabinho.
— Fraldinha! — disse Giane, abraçando-o e beijando-o.
Giane continuou na festa. Bento havia saído, mas logo voltou. Aproximou-se de Gilson e Salma, que estavam na mesa de doces.
— E aí, Bento? — cumprimentou Gilson.
— Meu filho, onde é que você tava? — perguntou Salma.
— Fui fazer uma coisa que eu tinha que fazer. — disse Bento.
Ele havia levado Malu até a casa de Maurício, que chegou de Angra. Queria ver Malu feliz, mesmo que não fosse com ele.
— Aí, galera, vocês já viram isso aqui? — disse Jonas, aproximando-se e mostrando um panfleto de lançamento de um novo empreendimento da Bluma.
— Quer dizer então que a Bluma vai mesmo construir um shopping no terreno que a gente quer pra nossa fundação? — disse Bento.
Bluma teve muito prejuízo com o flash mob que Bento e todo o pes-soal fez há meses atrás. Por vingança, se recusou a vender o imóvel para Bento e Malu. Bluma ficou sabendo que Maurício era laranja no negócio e que o terreno era para a fundação, por isso se recusou a vender o terreno para Maurício. E agora estava construindo outro shopping.
— Isso vai ferrar o trânsito da nossa região. — disse Gilson.
— E se a gente preparar pra ela uma surpresinha especial, hein? — disse Bento. Já estava pensando em dar uma recepção para Bluma para ela nunca mais esquecer. Faria outro flash mob.
— Daquele tipo que ela conhece bem? — perguntou Giane, abraçada à Odila.
— Exatamente! — disse Bento.
— É pra já, galera! Deixa comigo! — disse Jonas.
Jonas mandou mensagens pelo celular para todos os conhecidos, que eram em um número maior do que há meses atrás. Reuniram o maior número de pessoas que conseguiram para o flash mob. Muita gente se organizou e partiu para a inauguração do shopping, o Las Blumas. Mais uma vez, a bateria da escola de samba do bairro veio junto.
— Vamos lá, gente! — gritava Bento, abraçado a Gilson e Salma. — Vamos dar nosso recado!
— Vai lá! — disse Gilson.
Até Fabinho e Giane vieram na manifestação, acompanhados de Margot, Silvério, Plínio, Irene, Dorothy, Luz e Jonas, que agora eram namorados. Malu e Maurício também compareceram, junto com algumas crianças da Toca. Foi uma festa. Estava todo mundo animado, cantando e dançando sem parar a coreografia. Havia muitos casais se beijando: Natan e Karol, Perácio e Rosemere, Érico e Verônica, Wilson e Charlene, Damáris e Lucindo, Nestor e Odila, Maurício e Malu, Nelson e Brunettý, entre outros. Quando Bluma viu Bento, entendeu que ele era o responsável pelo flash mob, e ficou furiosa.
— Ah, pelo amor de Deus! Você de novo? Ah! Tchau! — disse Bluma, e entrou no shopping.
Bento nem deu importância para Bluma. Deu um beijo na Glória, que estava acompanhada de Eliseu e Chica, a empregada, e foi andando entre os manifestantes, até que viu Mayara, sobrinha de Amora. Andou em direção à garotinha, e viu que Amora estava ali, sentada, e os sobrinhos estavam por perto. Amora virou-se e ficou feliz ao vê-lo. Levantou-se e aproximou-se. Bento pensou que reencontrar Amora em um flash mob, como aconteceu há meses atrás, parecia um sinal. Só que desta vez Amora não estava do lado de dentro do stand, como it-girl e apresentadora. Ela estava no meio da multidão, como cidadã comum, no mundo real. Ela parecia outra, não a Amora que todos conheciam. Ele acreditava que a mudança dela era real. Amora estava deixando de ser aquela boneca de luxo construída por Barbara Ellen, para se tornar uma pessoa mais autêntica. Aquela mulher à frente dele era mais de verdade. Ela finalmente estava descobrindo quem ela era longe daquela futilidade, daquela ostentação e principalmente, longe da influência nefasta da mãe adotiva. Os dois olharam-se intensamente. Bento não sabia o que o futuro reservava, se ele e Amora ficariam juntos ou não. As coisas nunca mais seriam como antes, mas podiam ser melhores. Ele estava feliz ao ver que Amora havia mudado.
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