Fabinho continuava hospedado na casa de Giane, e ela cuidava do ferimento dele, quando contou que Bento havia se casado com Amora. Os dois haviam partido para a lua-de-mel no Chile. Amora já estava morando com Bento na Casa Verde há meses, e pretendiam continuar morando no bairro quando voltarem da lua-de-mel.

A víbora tanto fez que conseguiu o que queria. Fabinho não sentiu inveja, nem ciúme. Até porque ele nunca gostou da Amora. Pelo contrário, queria era distância dela. Queria mais era que ela se explodisse, e bem longe dele. Agora percebia que havia sido um erro bater de frente com ela. Toda vez que batia de frente com ela, ele perdia. Não era páreo para Amora. Ela sempre dava a volta nele. Fabinho tinha até pena do Bento, porque Amora certamente iria fazer da vida dele um inferno. Amora seria incapaz de fazer qualquer homem feliz. Fabinho nunca pensou que algum dia teria pena do Bento, mas era assim que se sentia. Não que ele se achasse um santo. Mas Amora não era melhor que ele. Ela não valia nada. E o Bento só podia ser muito otário para não ver isso. Mas um dia o Bento iria descobrir a pilantra que Amora era e dar um pé na bunda dela. De qualquer maneira, isso não era problema dele, Fabinho. Não estava nem aí para Bento e Amora. Não queria mais saber. Já tinha problemas demais na sua vida, para ficar cuidando da vida dos outros.

— O Bento casou com a cocotinha, é? Tá louco! Ai, ai, ai! — gemeu, enquanto Giane limpava sua ferida.

— Aguenta aí, que o negócio tá feio. — disse Giane.

— O negócio tá feio? O negócio tá feio pro Bento, né? — disse Fabinho. — Casar com aquela cobra vai pagar por todos os pecados dele.

— Tá aí, primeira coisa que a gente concorda. — disse Giane. — Aliás, aproveitando que você tá um pouquinho melhor, me conta a história do incêndio da Toca direito.

— Não tenho nada a ver com isso. — disse Fabinho.

— O Bento me falou que ele chegou lá, te pegou no flagra, você ia botar fogo na Toca, aí vocês brigaram e ele desmaiou. — disse Giane.

— É. E aí eu desisti e fui embora. Eu não botei fogo na Toca. — disse ele.

Ele viu que Giane acreditou, pela expressão do rosto dela. Ela disse que Malu também acreditava na inocência dele. Também disse que ela e Malu suspeitaram desde o início que foi Amora quem botou fogo na Toca. Amora deu uma desculpa para ter aparecido na Toca do Saci à noite. Disse que havia intuído que alguma coisa ruim iria acontecer. Amora disse que achou que Fabinho iria aprontar, depois de ter brigado com Bento na frente de todo mundo. Assim como aprontou no dia em que destruiu a estufa. Por isso Amora foi na Toca, e ao chegar, a Toca estava pegando fogo e o Bento estava desmaiado lá dentro. Porém, Giane e Malu não acreditavam na versão de Amora. Foi sorte demais ela ter chegado a tempo de salvar o Bento. Era muito suspeito. Na verdade, Giane e Malu acreditavam que Amora viu a mensagem que Fabinho enviou para Malu pelo celular do Bento. Apagou a mensagem e foi no lugar da Malu. Chegando na ONG, Amora encontrou Bento desmaiado, sentiu cheiro de álcool e resolveu riscar o fósforo. Amora certamente quis se vingar dele, Fabinho. Quis botá-lo na cadeia. Também quis atingir a Malu, que praticamente a obrigou a montar um bazar para vender sua coleção de sapatos por preços mais baixos, e doar a renda para a ONG. E é claro que Amora não podia deixar de aproveitar uma oportunidade de posar de heroína para impressionar o Bento. Afinal, apesar de acreditar que Amora estava se esforçando para mudar, Bento hesitava em voltar com ela. Bento ainda tinha dúvidas se Amora realmente iria conseguir mudar de verdade, e se adaptar ao que ele tinha a oferecer. Por isso ela resolveu armar. Foi assim que conseguiu casar com ele.

Malu a princípio achava que foi Fabinho quem incendiou a Toca. Afinal, Fabinho só ferrava quem o ajudava. Mas ao examinar o local do incêndio, Malu encontrou o celular do Bento. Olhou e viu que uma mensagem havia sido enviada para ela, às sete da noite, hora em que ela estava no banho. Mas Malu não viu nenhuma mensagem no celular dela. Ligou para Bento, perguntando sobre a mensagem. Bento disse não ter mandado mensagem nenhuma. E Amora teve uma reação muito estranha, a impediu de falar com o Bento sobre a mensagem. Malu então concluiu que se não foi o Bento, foi o Fabinho quem enviou a mensagem. E se Fabinho enviou a mensagem, não foi ele quem botou fogo na Toca. Se não foi ele, só podia ter sido Amora. O que significava que a história que Amora contou, para aparecer na Toca, era falsa.

Fabinho achou que a Amora era mesmo muito esperta. Ela se aproveitou da situação para se fazer de boazinha, de santa para o otário do Bento e armou tudo para que parecesse que ele, Fabinho, era o culpado. Só que desta vez ela deixou rastro. Amora não conseguiria enganar todo mundo por muito tempo. Cedo ou tarde, as pessoas descobririam todas as armações dela. Fabinho confirmou para Giane que foi ele que enviou a mensagem para Malu, pedindo para ela ir lá na Toca ajudar o Bento.

Claro que Fabinho e Giane não falaram apenas do incêndio da Toca. Conversaram sobre outras coisas. Era incrível que estivessem se entendendo, depois de tanto brigarem e baterem de frente. Fabinho nunca achou que algum dia teria alguma conversa civilizada com aquela maloqueira. Até pouco tempo atrás, não conseguia olhar para ela, muito menos falar direito com ela. Agora sentia-se um pouco melhor na presença dela. Antes ele a achava chata, agora estava achando-a até divertida.

Na verdade, na opinião de Fabinho, Giane não era chata, mas ficava chata quando bancava o cão de guarda de Bento, atrapalhando-o em suas armações, ou quando resolvia provocá-lo e humilhá-lo para defender o florista. No fundo ele sempre a admirou e gostava do jeito marrento dela, mesmo se irritando muito com ela. Giane era única mulher que o desafiava, que o enfrentava de igual para igual, partindo até para agressão física e isso, ao mesmo tempo em que o irritava, o fascinava. No fundo ele gostava dos embates com ela, porque o faziam se sentir vivo. Giane era uma garota incrível. Ela era autêntica, inteligente, corajosa e cheia de personalidade. Fabinho continuava se sentindo muito atraído por ela, desejando-a cada vez mais, mas não tentaria nada, por medo de ser rejeitado.

Fabinho era grato por Giane ter salvo a vida dele. Mas no fundo, ainda guardava mágoa dela. Giane destruiu a bola dele, o único presente de Natal, o melhor brinquedo que ele teve na época em que morava no lar. Ele ficou doente por causa disso. Ele não ganhava muitos brinquedos quando morava no lar de Gilson. Além do mais, Giane tratou a tristeza dele como se fosse frescura. Levaria algum tempo até ele superar esse trauma. Aos poucos, ele estava voltando a confiar nela, ainda mais depois que ela salvou sua vida. Giane estava cuidando dele e fez de tudo para impedir que ele fosse preso por um crime que não cometeu. Ela parecia estar sendo sincera. Ele não sentia que ela estava enganando-o desta vez. Até porque ela não teria nenhum interesse em enganá-lo. Mas era estranho ela estar tratando-o bem. Ele achava muito estranho Giane estar demonstrando algum carinho por ele. Até pouco tempo atrás, Giane o desprezava.

Ele tinha muito medo. Toda vez que confiava em alguém, acabava se decepcionando. Ele esperava não se decepcionar com Giane. Mas ela o surpreendia cada vez mais. Depois de levar muita porrada, de ser tão humilhado, Fabinho não esperava mais nada do ser humano, muito menos de Giane, que até pouco tempo atrás, era sua inimiga. Ele não esperava que ela salvasse sua vida, que ela cuidasse dele, muito menos que ela acreditasse na inocência dele em relação ao incêndio da Toca. Ele não esperava que ela se arriscasse, escondendo-o para que não fosse preso. Ele podia esperar esse tipo de atitude de sua mãe, não de Giane, que não tinha obrigação nenhuma de fazer tudo isso por ele. Margot era outra que estava sempre presente, acompanhando sua recuperação.

A primeira coisa que Margot fez foi agradecer a Silvério. Afinal, Silvério e a filha, que era uma ótima moça, haviam salvo a vida de seu filho:

— Seu Silvério, eu vou lhe ser grata pelo resto da minha vida.

— Imagina, não precisa agradecer. — disse Silvério. — Se a senhora estiver procurando um lugar pra ficar, a nossa vizinha, Charlene, se mudou ontem.

— Eu adoraria. Mas e o Fabinho? — disse Margot. — Será que ele ia gostar, depois do que ele aprontou com as pessoas daqui?

— É, não vai ser fácil reconquistar a confiança do pessoal. — disse Silvério. — Mas se ele está disposto a se tornar um garoto melhor, acho que vai ser um bom teste ele começar por aqui.

— Deus lhe pague, por tudo! — disse Margot. — Será que a Irene tá sabendo do Fabinho?

Margot ligou para Irene, avisando que havia encontrado Fabinho. Afinal, Irene gostava muito de Fabinho, e sempre tinha procurado saber notícias dele. Giane foi até a Toca do Saci, contar a novidade para Malu. Mais tarde, Plínio, Irene e Malu vieram falar com Fabinho. Queriam saber a versão do garoto sobre o que havia acontecido na noite do incêndio da Toca do Saci.

— Você sabe por que a gente tá aqui, não sabe? — perguntou Malu.

— Porque tacaram fogo na Toca do Saci. — disse Fabinho.

— Tacaram? Tacaram? Então, não foi você? — perguntou Plínio, sem conseguir acreditar. — Só que o Bento disse que você...

— Plínio, eu tava lá, e eu queria tacar fogo. — disse Fabinho. — Eu estava com raiva do mundo, mas o Bento chegou, eu estava com o fósforo aceso e a gente começou a brigar. Ele caiu, bateu a cabeça e apagou.

— Até aí, as histórias batem. Mas o quê que aconteceu depois? — perguntou Malu.

— Não sei. Quando vi o Bento desacordado, caiu alguma ficha. Eu desisti, eu fui embora. — disse Fabinho. — Eu sei que eu aprontei muito, mas

eu não sou assassino. Eu não ia tacar fogo na Toca do Saci com o Bento desmaiado lá dentro.

— Fabinho, você não fez nada depois, antes de ir embora? — perguntou Malu. — É muito importante pra mim.

— Fiz, Malu. Eu te mandei uma mensagem pelo telefone do Bento. — disse Fabinho. — “Malu, eu tô na Toca. Vem pra cá urgente!”.

— Ele tá falando a verdade, gente. Foi exatamente isso. — disse Malu. — Não tinha como ele saber qual o texto, eu não mostrei essa mensagem pra ninguém!

— Eu sabia. Eu sempre soube que não tinha sido você. — disse Irene, feliz. Sua intuição estava certa. Fabinho não era tão ruim. Ela tinha certeza de que Fabinho não chegaria ao ponto de tentar matar alguém. Fabinho não tentou matar a Odila de verdade, apenas ameaçou. Se ele quisesse matar, não ficaria ameaçando, teria jogado ela do alto do prédio. Fabinho desistiu de atear fogo na Toca ao ver Bento desmaiado. No ponto de vista de Irene, Fabinho podia ter feito coisas horríveis, mas ele se arrependeu.

— Se não foi ele, foi a Amora. — disse Malu. Olhou para Fabinho e balançou a cabeça positivamente. — Foi a Amora.

Afinal, as únicas pessoas que estiveram na Toca do Saci na noite do incêndio foram o Fabinho, o Bento, e a Amora. Se não foi Fabinho, só podia ter sido a Amora, porque o Bento estava desmaiado. Assim pensava Malu. Além do mais, Bento jamais tacaria fogo na Toca. Bento era uma pessoa íntegra, amava a ONG tanto quanto ela, e jamais a prejudicaria.

— Calma, Malu. — disse Plínio. — Não vamos tirar conclusões precipitadas.

— Mas se não foi ele que colocou fogo na Toca do Saci, só pode ter sido a Amora. — disse Malu.

— Quem te garante? Ele já mentiu antes. — disse Plínio.

Fabinho sorriu. Até quando ele dizia a verdade, Plínio achava que era mentira. Ele não podia culpar Plínio por não confiar nele. Ele mentiu bastante. Mas isso não significava que iria mentir sempre. E pelo visto, somente Malu, Irene e agora, Giane, davam crédito a ele.

— Mas e essa mensagem que a Malu recebeu, Plínio? — disse Irene.

— Ele pode ter ouvido falar sobre isso e inventado essa história pra se safar. — disse Plínio. — A Malu falou isso pra mais pessoas.

— Posso falar? — disse Fabinho. — Primeiro, depois que eu saí da Toca do Saci, eu não tive notícia de nenhum de vocês. Segundo, eu sei que eu fiz muita besteira, sim, e não sou digno de crédito. Mas a verdade é essa, eu não sou assassino. Fui eu, sim, quem aprontou o cenário todo, mas quem botou fogo não fui eu.

— Quem ganharia começando um incêndio na Toca do Saci pra sair de salvadora do Bento? Pensa, pai. — disse Malu. — O que ele tá falando não faz muito mais sentido do que essa história da Amora intuir alguma coisa pra aparecer na Toca do Saci?

Plínio refletiu. De fato, foi muita sorte a Amora aparecer na Toca na hora exata, ter conseguido chegar a tempo de salvar o Bento. E o Bento nem estava muito machucado. Ele só bateu a cabeça, e nem inalou muita fumaça. Se Fabinho tivesse tentado matar o Bento, era para o Bento ter saído muito mais machucado do que realmente estava. Plínio achava tudo muito suspeito. Talvez Fabinho fosse inocente no caso do incêndio. Mas não havia provas contra Amora. E Fabinho não era confiável.

— Se isso é verdade, o Bento tá casado com uma criminosa. — disse Plínio, preocupado.

Malu, Plínio e Irene decidiram não denunciar Amora à polícia. Afinal, não adiantaria de nada. Não havia contra Amora provas concretas, que não deixassem dúvidas. Malu tinha certeza da culpa de Amora, mas não tinha como provar. Era apenas a palavra de Fabinho contra a da Amora. E Fabinho não era uma pessoa confiável. Aprontou demais. Além do mais, Bento não concordaria. Se denunciassem Amora, Bento se afastaria deles todos. Ele acreditava que Fabinho era o culpado e que Amora salvou sua vida. E também não denunciariam Fabinho. Também não havia provas suficientes contra ele e, além do mais, Malu e Irene acreditavam piamente na inocência dele. Já Plínio continuava com o pé atrás em relação ao garoto.

Para Fabinho, pouco importava se Amora era ou não criminosa. Tudo o que queria era que as pessoas soubessem que não foi ele. Logo a família Campana foi embora e na casa ficaram somente ele e Giane. Silvério foi trabalhar na Acácia Amarela. Passou ajudar Bento na loja, desde que Giane resolveu seguir a carreira de modelo. Fabinho ficou sabendo que Giane havia virado a mais nova it-girl. Já havia feito várias campanhas publicitárias. Também estava tendo aulas de inglês, e se dedicando à fotografia. Tirava fotos de tudo o que via. Giane continuava sendo sócia na loja, ainda não havia vendido sua parte. Até dava uma mão de vez em quando, e prometeu a Bento que cuidaria da loja enquanto ele estivesse fora. Mas ela estava se dedicando mais à carreira de modelo.

Fabinho achava que a vida era mesmo surpreendente. A vida e as pessoas. Nunca imaginou que Giane se tornaria modelo. Não que ela fosse feia. Muito pelo contrário. Ele sempre a achou linda, mesmo naquele visual masculinizado. O problema era que ela parecia querer se esconder naquele visual. Mas agora, que ela passou a andar toda arrumada, produzida, sua beleza ficou ainda mais evidente. Contudo, até onde ele sabia, Giane nunca ligou para o mundo da moda nem tinha interesse em ser famosa. Sempre foi meio moleca, masculinizada, sem vaidade nenhuma. Até pouco tempo atrás, ela não se interessava por vestidos, maquiagens, cortes de cabelo, essas coisas de mulherzinha. Mas ela havia virado modelo e estava fazendo sucesso. E ela parecia diferente. Não era mais aquela menina que ele conhecia. Giane havia amadurecido. Parecia mais... Mulher. Uma mulher muito atraente, com os cabelos castanhos e curtos, lindos olhos castanhos, os lábios bem desenhados. Aos olhos dele, ela era uma perfeição. E o interessante era que ela virou modelo, mas não deixou de ser quem era.

Horas depois da visita dos Campana, Fabinho acabou adormecendo. Até porque não havia muito o que fazer, e ele havia melhorado, mas ainda não estava totalmente recuperado. Precisava descansar, reunir forças. Quando acordou, viu que Giane estava ajoelhada ao lado da cama, tirando fotos dele.

— O que você está fazendo? — perguntou o rapaz.

— Fazendo o que eu mais gosto, fotografando. Não se mexe.

Fabinho ficou com vergonha. Sua aparência devia estar péssima. Acabou de acordar, devia estar com cara de sono e seu cabelo devia estar todo bagunçado, parecendo um ninho. Ele não queria ser fotografado daquele jeito.

— Não faz isso não, cara. Numa boa. Eu devo estar um lixo.

— Ah, para! Lixo você estava quando chegou aqui. — disse Giane, levantando-se e sentando-se na cama. — Dá um sorriso, vai.

Fabinho sorriu. Giane continuou fotografando, e riu.

— Tá me sacaneando, né? — perguntou Fabinho.

— Não. Até que você não fotografa tão mal, não. — disse Giane, levan-tando-se e sentou-se ao lado dele, na cama. Mostrou a foto dentro da câmera. — Ó, dá uma olhadinha.

— Nossa! Isso é bom? — disse Fabinho, apontando para a foto. — Acho que quem não fotografa mal é você. Aliás, muito melhor do que a Amora.

Estava sendo sincero. Ele já viu algumas revistas com as fotos de Giane. Ela era bem fotogênica. Estava achando-a mais linda do que nunca.

O garoto sentou-se na cama. Giane surpreendeu-se com o elogio.

— Não precisa jogar confete só porque eu tô cuidando de você, não.

Fabinho não estava elogiando-a porque ela estava cuidando dele. Ele realmente a achava linda, e bem mais carismática e fotogênica que Amora.

— E eu sou lá de jogar confete? Ainda mais em moleque de rua. Tá louca? — implicou Fabinho.

— Mas você é babaca, né? — Giane levantou-se, irritada, e partiu para cima dele. — Moleque de rua? Eu vou te dar um...

Fabinho ficou perturbado com a proximidade da garota.

— Giane! Giane, olha só! Olha só, calma aí. Calma aí. — disse o rapaz, segurando nos braços dela. — Você não pode ter mais reação de menino, não. Você é uma mulher agora, tá?

— Você é um babaca! — disse Giane, atirando um travesseiro nele e saindo do quarto. Fabinho riu. Adorava provocá-la. Ela havia mudado o visual, mas pelo visto o jeito dela continuava o mesmo. Continuava marrenta. E ele estava se encantando cada vez mais por ela.