Um amor improvável
27 Encontro com Margot
Santa ligou para Margot, para colocá-la a par de tudo o que Fabinho andava aprontando. Tinha acabado de ouvir uma conversa entre Amora e Maurício. Ficou sabendo que Fabinho instruiu a Mel a manchar a imagem de Amora. Maurício já havia perguntado para Santa sobre a família de Fabinho, e também pediu endereço e telefone. Maurício também contou para Santa que cruzou com Fabinho em São Paulo, que Fabinho havia mentido para todo mundo, dizendo que foi para o interior, para se esconder e continuar armando, sem ninguém descobrir. Santa até deu telefone e endereço de Margot para Maurício, mas ele não quis mais, disse que não precisava. Santa imaginou que Maurício já devia ter encontrado Fabinho. Santa contou para Margot que Fabinho havia dito a todos que foi viajar, que estava em Ribeirão Bonito, quando na verdade estava escondido em algum lugar de São Paulo.
— O Fabinho tá em São Paulo? — perguntou Margot.
— O Maurício cruzou com ele e é melhor você avisar que a armação dele deu errado, viu? Todo mundo descobriu. E que o tiro vai lhe sair pela culatra.
— O quê que o Fabinho aprontou desta vez, Santa? — perguntou Margot.
— O Fabinho está por trás dessa campanha contra a Amora Campana. — disse Santa. — Só porque ele pediu a moça em casamento e ela mandou ele pastar.
— Será que o Fabinho fez uma coisa dessa? Eu não acredito!
— Você criou ele, e ele te ferrou, Margot! — disse Santa. — O Fabinho é capaz de tudo! Mas você pode avisar pra ele que ele vai se dar mal!
Para Margot, uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Não necessariamente. Ela reconhecia que Fabinho errou feio com ela. Ele era egoísta e inescrupuloso, isso ela sabia. Mas foi ela que quis assumir o roubo no lugar do filho. Fabinho não a obrigou a nada. Agora, os boatos sobre Amora Campana eram outra história. Qualquer pessoa podia ter difamado Amora. O que não faltava no mundo era gente maldosa. Amora certamente atraía a inveja de muita gente. Afinal, era rica e famosa. Muita gente gostaria de estar no lugar dela. Não dava para achar que era tudo obra do Fabinho. Ninguém tinha provas que tinha sido ele. Na opinião de Margot, Fabinho não podia ser tão ruim. Mas precisava falar com o filho, tirar isso a limpo.
Margot desligou. Tentou ligar para o filho. Fabinho não quis atender. A mãe queria sempre saber se ele estava aprontando alguma coisa. Estava sempre se metendo em sua vida, sempre enchendo o saco, querendo tomar satisfações. Ele não estava a fim de ouvir sermão, nem reclamações. Além do mais, ele não devia satisfações à Margot. Sua mãe de verdade era Irene. Ficou olhando a foto de Irene na capa de uma revista. Ultimamente, a foto dela havia saído nas revistas, por conta do escândalo envolvendo a Bárbara. Mas não era uma foto recente. Era uma foto de vinte anos atrás. Angustiava-o não saber por onde andava Irene. Será que ela estava bem?
— Onde será que você tá, hein, mãe? Você não podia ter me abandonado pela segunda vez. Não podia!
Mais tarde, Fabinho recebeu uma ligação do celular da Mel. Atendeu.
— E aí, Melzinha? Como é que é a vida de celebridade?
— É o Maurício! Fabinho, desliga! É uma cilada! — gritou Mel.
Fabinho desligou o celular imediatamente.
— Desgraçado! — xingou.
Pelo visto, Maurício estava disposto a ir até o inferno para forçá-lo a desmentir os boatos. Contudo, Fabinho não facilitaria as coisas para ele.
À noite, Fabinho foi a um restaurante. Havia combinado um encontro com Mel. Assim que ele chegou, Mel chamou:
— Fá.
Fabinho olhou para o lado. Mel aproximou-se e lhe deu um selinho.
— Nossa, que sufoco hoje, hein? — disse Mel.
Mel estava com a cara toda cheia de hematomas e curativos. Havia apanhado de Amora, por tê-la caluniado. Amora só fez piorar a imagem dela. Mel sentou-se e largou a bolsa sobre a cadeira ao seu lado.
— Ficou bonito isso, hein? Ficou legal. — disse Fabinho. — Que vacilo, hein, Mel? Como é que você deixa ele pegar seu celular?
— A Cléo pegou da minha mão e deu pra ele. — disse Mel. — Ai, aquela agência é um antro! Bando de gente fracassada! Eles têm inveja do nosso brilho, né? — pegou nas mãos dele. — Porque eles sabem que a gente é superior.
— Esse cara tá me cercando. — disse Fabinho. — Ele já me viu em São Paulo. Daqui a pouco ele vai descobrir onde eu moro. A gente tem que dar um jeito nele.
— Um jeito como? Uma surra? Um sequestro? — perguntou Mel.
Fabinho não sabia direito o que iria fazer, mas surra e sequestro estavam fora de cogitação. Não era para tanto. Preferia não precisar usar de violência. Além do mais, não queria tornar as coisas mais complicadas. Ele tinha consciência de que não valia nada, mas também não era nenhum idiota. Se ele desse uma surra em Maurício, ou o sequestrasse, cedo ou tarde Plínio ficaria sabendo que ele via Maurício como uma pedra no sapato e iria ter certeza de que era ele mesmo quem estava por trás dos boatos envolvendo Amora. Sem falar que Plínio o odiaria. Fabinho não queria decepcionar o pai. Não sabia como, mas teria de dar um jeito de despistar o Maurício. Ou quem sabe dar um jeito de Maurício ficar desacreditado.
— Não. Tá maluca? — disse Fabinho. — A gente tem que dar um jeito de fazer com que ninguém acredite nele. Porque com certeza, ele vai falar pra todo mundo.
Fabinho olhou para a janela de fora do restaurante, e viu Maurício. Maurício não estava olhando para eles. Mas com certeza Maurício não veio jantar. Estava na cara que Maurício seguiu Mel. Maurício estava na cola deles. E estava só esperando Fabinho e Mel saírem do restaurante para segui-los. Só que Fabinho era muito mais esperto e jamais permitiria que Maurício descobrisse onde ele estava hospedado.
— Você não vai acreditar quem tá aí. — disse Fabinho.
— Quem? — perguntou Mel.
— O palhaço. — disse Fabinho.
— O Maurício? — disse Mel, virando-se para olhar.
— Mel! — disse Fabinho. Mel olhou para ele. — Finge que você não sabe de nada. Fica normalmente.
— Ah, entendi. Agindo naturalmente. — disse Mel.
Ambos fizeram de conta que Maurício não estava ali. Fabinho riu.
— Natural? — perguntou Mel, sobre o jeito dela.
— Tá ótima. — disse Fabinho.
Continuaram conversando, e procuraram agir da maneira mais natural que conseguiram. Mel contou tudo o que sabia. Fabinho ficou sabendo que Bárbara se escondeu na casa de Mel. Afinal, Bárbara era amiga de infância de Damáris, mãe da Mel. Estudaram juntas na escola, cresceram juntas, até moravam próximas uma da outra. Damáris morava no Jardim São Bento, bairro nobre da Zona Norte de São Paulo, e da região da Casa Verde. Bárbara vivia na Casa Verde antes de se mudar para os Jardins. Mel não queria ficar aturando Bárbara em sua casa, então chamou a imprensa, porém, Bárbara conseguiu fugir. Ninguém sabia por onde ela andava.
Fabinho pensou logo em uma maneira de despistar Maurício. Quando acabaram de jantar, ele e Mel saíram abraçados do salão do restaurante. O tempo todo, fizeram de conta que Maurício não estava ali espionando-os. Mel pagou a conta e lhe deu um beijo. Em seguida, entraram no carro dela e partiram. Chegaram em frente a um hotel luxuoso, no Tatuapé. Fabinho olhou pelo retrovisor e viu que Maurício estava atrás deles.
— O ratinho caiu na ratoeira. Perfeito. — disse Fabinho.
Ele despediu-se de Mel, saiu do carro e entrou no hotel. Não era o hotel onde ele se hospedou. Entrou apenas para despistar Maurício. Fabinho sabia que Maurício entraria no hotel atrás dele. Precisava se esconder. Andou ao lado de um homem uniformizado, um dos funcionários do hotel, que estava empurrando um carrinho grande, cheio de bolsas. Procurou misturar-se entre as pessoas, se esconder. Olhava para os lados. Escondeu-se atrás de uma coluna. Ao ver que Maurício entrou no hotel, Fabinho entrou em uma das salas, não muito longe da recepção e do lobby do hotel. Atrás da porta entreaberta, viu Maurício na recepção, certamente perguntando por ele. E com certeza a recepcionista informou que não havia nenhum Fábio Queiroz hospedado ali.
Fabinho continuou onde estava. Ficou observando Maurício, atrás da porta entreaberta. Maurício estava no lobby, falando ao celular, e não o viu. Fabinho pensou que, com certeza, ele estava falando com Amora.
Viu Maurício desligar o celular. Pelo visto, Maurício iria ficar plantado ali. Fabinho disse:
— Então, Mauricinho quer dar trabalho, é? Então, tá certo.
Ficou observando. Maurício continuava no lobby, sentado em um dos sofás. Fabinho pensou que teria de dar um jeito de sair de onde estava sem ser visto. Viu um dos funcionários uniformizados sair de uma outra sala, do outro lado do corredor. Certamente, lá era a sala onde eles vestiam os uniformes. Só que Fabinho teria de dar um jeito de atravessar o corredor sem ser visto por Maurício.
Fabinho viu um grupo de pessoas andarem pelo corredor. Procurou misturar-se ao grupo, a princípio andando de costas para Maurício, e abaixou a cabeça. Andou até a sala de onde viu o funcionário sair. Vestiu o uniforme. Saiu da sala e viu um casal indo embora, na direção oposta à de onde Maurício estava. Ofereceu-se para ajudá-los com as malas:
— Senhores, por favor, posso ajudar?
— Claro. Obrigado. — disse o homem.
Fabinho arrastou as malas do casal. Acompanhou o casal até o táxi. Porém, quando Fabinho olhou para trás, Maurício o viu. Fabinho correu e entrou no táxi. Maurício correu atrás dele e gritou:
— É ele! Para esse caro! Para! Para esse carro aí!
O táxi arrancou com tudo, pois Fabinho pediu para o motorista andar depressa. Fabinho foi direto para o hotel. No dia seguinte, Mel ligou para ele:
— Não se fala em outra coisa senão Irene, você e Plínio.
— Eu acho esse escândalo ótimo. — disse Fabinho. — Vai forçar minha mãe a aparecer.
— Mas você tá falando da sua mãe biológica ou da... — disse Mel.
— Não, tô falando da única mãe que eu tenho, Mel. — disse Fabinho. — A outra é adotiva.
Para Fabinho, família biológica e adotiva não eram a mesma coisa.
— Tá. Se cuida, hein? Depois do susto de ontem, todo cuidado é pouco.
— Pode ficar tranquila, Mel. Sou muito mais esperto do que esse bando de otário.
Mais tarde, Margot ligou. Como Fabinho não atendeu, ela deixou um recado na caixa postal: “Fabinho, eu tô em São Paulo. Se você não me ligar ainda hoje, eu vou procurar o Plínio Campana”. Fabinho ouviu o recado.
— Droga!
A mãe era louca de ir para São Paulo. Ela sabia que não podia sair de Ribeirão Bonito, por conta do inquérito. Ela queria se complicar ainda mais? Não tinha nada que ir atrás dele. Ele sabia se virar muito bem. O que a mãe queria com ele, afinal? Além do mais, ela não podia aparecer em São Paulo, senão seria apenas uma questão de tempo até descobrirem tudo. Fabinho ligou para a mãe. Não a deixaria procurar pelo Plínio, de jeito nenhum. Se a mãe desse com a língua nos dentes, colocaria tudo a perder. Para Margot, não havia nada a esconder. Ela acreditava que a verdade era o melhor caminho, mesmo que a verdade o prejudicasse. Contudo, no ponto de vista de Fabinho, Plínio não podia saber de seu histórico de crimes nem da falência de sua família adotiva, do contrário, Plínio não o deixaria nem se aproximar. Fabinho não queria ser visto como golpista. Ele queria o amor e a aprovação de sua família biológica, mas ele não seria aceito por esta família se fosse visto com desconfiança pela mesma.
— Vem cá, o juiz já sabe que você saiu de Ribeirão Bonito?
— Filho! Ai, graças a Deus! A gente precisa conversar.
Fabinho não podia se encontrar com a mãe. Quanto menos ele saísse do hotel, melhor. Corria menos risco de ser visto. Além do mais, não estava nem um pouco a fim de dar satisfações, de se explicar ou ouvir sermão. Ele não queria a mãe se metendo na vida dele. Não queria ter de inventar mais mentiras também. Uma mentira puxava a outra, e aquilo já estava virando uma verdadeira bola de neve. Mas ele ia em frente, porque ele queria muito ser aceito pela família. Para Fabinho, era um privilégio entrar para a família Campana. Ele finalmente seria valorizado e respeitado. Já com Margot, ele se sentia inferiorizado, menos filho, menos amado, menos tudo. Ela o lembrava o tempo todo de que ele foi a segunda opção, e com a pobreza, ele voltou a ser um ninguém, sem importância alguma.
— Não vi dar, não. Tô muito longe de São Paulo.
— O Maurício Vasquez disse que você estava na cidade.
— Como assim, o Maurício disse? — estranhou Fabinho.
Até onde ele sabia, Maurício não conhecia sua mãe adotiva, nem sabia onde ela morava, nem devia saber que ela estava em São Paulo.
— Tô hospedada na casa dele. — disse Margot.
— Você tá na casa dele? Você quer me ferrar? — disse Fabinho, nervoso.
Morria de medo que a mãe desse com a língua nos dentes. Fabinho finalmente entendeu tudo. Com certeza, Maurício espalhou por aí que o viu em São Paulo, e isso devia ter chegado aos ouvidos da Santa, de alguma forma. Ele não sabia se Santa continuava dando uma mão para Verônica, mas com certeza, ela ainda mantinha contato com a família. Santa devia ter ligado para sua mãe, só podia ser isso. Com certeza, Santa contou para Margot tudo o que ele andou aprontando. Aí, Margot resolveu ir atrás dele. Mas com tanto lugar para se hospedar em São Paulo, ela tinha de se hospedar justamente na casa do Maurício?
— Fabinho, a gente precisa se ver. Senão, vai ficar muito difícil de eu te ajudar. — disse Margot.
Fabinho combinou de se encontrar com a mãe em um café. Depois, desligou o celular, possesso. Assim que chegou, Margot veio em sua direção:
— Ô, meu Deus, que saudade! — disse Margot, abraçando-o.
— O que você tá fazendo aqui, hein? — perguntou Fabinho. — Você tá doida? Você quer ser presa? E a tua condicional?
Margot sentou-se à mesa, e Fabinho também.
— Eu só tenho que me apresentar uma vez por mês. — disse Margot. — Eu tinha que te ver. Pra entender o que tá acontecendo, por que as pessoas estão falando coisas horríveis ao teu respeito.
— Isso é inveja. — disse Fabinho. — Tá todo mundo sabendo agora que eu sou filho de pai rico, estão querendo me desmoralizar.
— Mas também, você podia ser mais discreto, né? — disse Margot. — Como você vai pegando dinheiro do seu pai e comprando uma moto dessas?
Margot não sabia da moto. Nas vezes em que Fabinho foi à Ribeirão Bonito visitar a mãe, estacionou a moto longe da casa dela. Afinal, era uma moto cara, e ele jamais teria condições de comprar. Margot iria estranhar se ele aparecesse com uma motocicleta caríssima. Além do mais, por conta da história do racha, sua carteira foi apreendida e seu direito de dirigir foi suspenso. A mãe achava que ele vinha de ônibus. Mas agora não se importava mais em aparecer diante da mãe com a moto. Não estava nem aí. Em seu ponto de vista, o modo como arrumou aquela moto era problema dele, não dela. A mãe jamais aprovaria as coisas que ele andava fazendo, e ele não queria ter de se explicar para ela. Estava ficando cansado disso.
— Essa moto aí já tenho há um tempo. — disse Fabinho.
— E comprou com que dinheiro? — perguntou Margot.
— Não é da tua conta, né? — disse Fabinho, grosseiro.
— Como, não é da minha conta? Eu sou tua mãe!
— Não, você não é minha mãe. A minha mãe é Irene Fiori. Por isso, dona Margot, para de encher meu saco. Para de se meter na minha vida.
No ponto de vista de Fabinho, a mãe dele de verdade era Irene. Foi ela quem o botou no mundo. Margot era apenas a mulher que o adotou, quando ele já era bem grandinho. Como enxergá-la como mãe? Ele não nasceu dela. Ela não esteve com ele em seus primeiros anos de vida. Não o ensinou a andar, a falar, não o levou na escola no primeiro dia de aula. E ela só o adotou porque o Bento não quis ser adotado. Pelo menos, ele não seria a segunda opção na vida de Irene. Além do mais, ser adotado não era a mesma coisa que crescer em uma família com pai e mãe de verdade. Jamais seria. Ser filho legítimo era diferente de ser filho do coração.
Em outras circunstâncias, ele jamais iria querer ser adotado, porque inicialmente, o que ele queria mesmo era encontrar sua verdadeira família.
A princípio, ele não queria pais substitutos. Ele se ofereceu para ser adotado para sair do lar de adoção, e porque não havia encontrado seus pais de verdade. Ele não suportava mais ficar naquele lugar. E é claro que o fato de os pais adotivos terem sido ricos pesou em sua decisão. Ele também acreditava que a adoção lhe daria a chance de receber um amor que lhe foi negado a vida inteira. Mas nada aconteceu do jeito que ele esperava. Havia sempre a sombra de Bento, que o fazia duvidar da sinceridade do amor de Margot, que parecia tê-lo adotado por dó, porque ninguém mais o quis. A adoção era uma lembrança dolorosa de sua orfan-dade. Além do mais, a família adotiva ficou pobre. Por mais que ele gos-tasse de Margot, ela não era sua mãe, na visão dele.
As palavras do rapaz foram como uma facada no coração de Margot. Depois de tantos anos de dedicação, de carinho, de sacrifício, o que ela recebia era pura ingratidão. Ela podia até entender que Fabinho tivesse dificuldade de enxergá-la como mãe. Talvez porque, além de ele não ter nascido dela, ele foi adotado já grandinho. Para Fabinho, mãe era a de sangue. Ela estava cansada de saber disso. E também estava cansada de saber da revolta do rapaz por conta da queda do padrão de vida. Mas isso não dava ao rapaz o direito de ser cruel com ela. Ela não sabia mais como fazê-lo entender que família era muito mais do que laços de sangue. Ela o criou e lhe deu amor, o que a tornava mais mãe dele do que a genitora.
— Eu me meto, sim. — disse Margot. — Você pode não se considerar meu filho, porque não nasceu da minha barriga. Mas moral e afetivamente, eu continuo sendo sua mãe. Portanto, não me coloca à margem da sua vida, ou vou procurar o Plínio Campana pra tomar satisfações. Você escolhe.
Fabinho pediu desculpas. Prometeu que não a deixaria à margem. Também disse à mãe que havia comprado a moto de um amigo, e que estava pagando ainda. E tratou de dar uma boa desculpa para o seu sumiço. É claro que não contaria à mãe que sumiu por estar por trás dos boatos envolvendo Amora e Maurício. Negou tudo, e negaria até a morte.
— O motivo do meu sumiço foi a Irene Fiori. — disse Fabinho. — Eu fiquei com medo que a Bárbara Ellen quisesse sabotar a minha busca. E aí, eu resolvi agir na moita. Aliás, o que você tá fazendo na casa do Maurício, hein?
Ele se questionou se não havia outro lugar para a mãe se hospedar. Tinha de ser na casa do Maurício? Isso só lhe traria problemas.
— A Santa trabalha pra Verônica que, gentilmente, me convidou para ficar lá.
Fabinho chegou à conclusão de que Santa continuava na casa da Verônica, dando uma mão para ela. E era claro que Santa estava fazendo a cabeça da mãe contra ele.
Margot não entendia qual era o problema de ela se hospedar na casa do Maurício. Maurício parecia ser um bom menino. Claro que Maurício estava revoltado por Fabinho tê-lo difamado. Maurício estava louco para encontrar Fabinho, mas ele já prometeu que não iria forçá-la a nada, não iria pressioná-la para contar onde Fabinho estava.
— A Santa tá fazendo a tua cabeça. — disse Fabinho.
Margot abanou a cabeça. Na opinião dela, Santa não era má pessoa. Santa era amiga dela, fazia de tudo para ajudá-la, sempre dava notícias de Fabinho. Santa a defendia, só não gostava de ver Fabinho ser ríspido com ela. Fabinho que sempre fazia besteira, se metia em encrenca e depois achava que as pessoas estavam contra ele.
— Tá enchendo o teu ouvido. — disse Fabinho. — Olha só, não fui eu que botei o vídeo da Bárbara na internet.
— Mas foi você que difamou a Amora e o Maurício, não foi?
— Não. Também não. Já falei que não. — disse Fabinho. — Olha só, por favor, volta pra Ribeirão. Não fala pra mais ninguém que você é minha mãe adotiva. Tô fazendo isso pra te proteger. — levantou-se da mesa. — Promete?
Margot levantou-se também.
— Eu prometo qualquer coisa, se você garantir que você vai me ligar todo dia. Mas se você não der sinal de vida, eu volto. E se eu for presa, paciência. A única coisa que me interessa é ver você num bom caminho. Mais nada, entendeu?
— Mãezona. — disse Fabinho, abraçando-a.
— Ô filho! — disse Margot.
Fale com o autor