Um amor improvável

15 Demissão de Érico


Depois de passar no apartamento de Plínio, Fabinho foi direto para a agência. Estava olhando a foto de Plínio e Irene, quando Edu aproximou-se e disse:

— E aí, Fraldinha? Não vai trabalhar hoje não, é?

Ao ouvir Edu chamá-lo pelo apelido, Fabinho ficou furioso. Odiava ser chamado de Fraldinha. Ele nunca gostou do apelido, e agora gostava menos ainda, porque o fazia se lembrar de sua infância. As pessoas o chamavam assim para encher o saco, para ofendê-lo, humilhá-lo. Agora o Edu, a Cléo, a Júlia, todos ali na agência vão pegar ainda mais no pé dele. Fabinho concluiu que era tudo culpa do Érico, do Bento e da Giane. Mas o que era do Érico estava guardado. Érico não tinha nada que ter trazido Bento e Giane ali. E no que dependeria de Fabinho, Giane e Bento também iriam pagar pelo o que fizeram. Eles que esperassem para ver.

— Você está maluco, moleque? — disse Fabinho.

— Qual foi? Vai encarar? — perguntou Edu. — Já sei! Vai invadir a minha casa igual fez com o cara da floricultura?

— Olha como fala comigo! — disse Fabinho, furioso. — Daqui a pouco eu posso estar por cima.

No ponto de vista de Fabinho, ele ficaria rico, e teria poder para mandar Edu embora da agência. Edu que não se metesse com ele.

— Tá bom. — disse Edu. — Mas, enquanto isso, pesquisa aí pra mim todas as campanhas da Scarpe Dolcetto, valeu?

Edu afastou-se de Fabinho. Érico foi falar com Edu:

— E aí, Edu?

— E aí? — disse Edu.

Érico apertou a mão de Edu, dizendo:

— Vem cá, vai ou não vai na minha despedida de solteiro?

— Pô, tem o niver da Camila, cara. Não vai dar. — disse Edu, cruzando os braços.

— Camila? — perguntou Érico, pois não sabia de quem Edu estava falando.

— Lancaster, pô. — disse Edu. — A gente ficou ligado depois daquela campanha. Não está lembrado, não? E também, eu não vou dispensar a Camila Lancaster pra ir pra aquele fim de mundo, né? Desculpa aí, cara.

Fabinho estava diante do computador, em sua mesa, observando tudo. Ele é que não iria à festa de despedida de solteiro do Érico, nem se o Érico o convidasse. Nem sob tortura botaria os pés na Casa Verde. Ele viu quando Wilson Rabelo chegou na agência. Érico cumprimentou o tio:

— Ô tio! Tudo bem?

— Oi, Érico, tudo bem? — disse Wilson, apertando a mão de Érico.

— E aí? — disse Érico.

— Hoje é a sua despedida de solteiro, não é? — perguntou Wilson.

— Pois é. — disse Érico. — Vai rolar uma farrinha lá no Cantaí, tá a fim de ir mais tarde?

Érico estava noivo de Renata, prestes a se casar com ela. Ele e Renata estavam juntos há quinze anos.

— Não, eu tô muito velho pra essas coisas. — disse Wilson. — Obrigado. Vem cá, o seu patrão está aí?

— Tá sim. Tá lá em cima. — disse Érico. — Eu te levo lá. Vem comigo.

Érico levou Wilson até a sala de Natan.

— Claro! Óbvio! Fato que eu vou, né? — disse Júlia. — A Camilinha é uma querida, né? Até me ligou: Júlia, vai mesmo? Vou! Confirmei presença.

— Você é muito sem noção, Júlia. — disse Edu. — Ela nem sabe o teu nome.

— Ah, você tá falando o quê? Porque, o seu, ela sabe, né? — disse Júlia. — Você é o quê, agora? Best dela? Até parece, Edu.

— Então tá. Vamos ver. — disse Edu.

— Vamos ver. Vamos ver. — disse Júlia.

Júlia e Edu tinham mania de fazer apostas.

Fabinho ficou muito interessado na festa da Camila Lancaster. Tudo o que ele queria era fazer parte do mundo dos ricos e famosos, e para ele seria bom se relacionar com pessoas deste meio. Além do mais, com certeza Amora estaria lá. Fabinho sentia que tinha de dar um jeito de ganhar um convite para o aniversário da Camila. Resolveu falar com Natan. Fabinho acreditava que Natan estava comendo na mão dele, e que as chances de ele conseguir de Natan um convite para a festa eram enormes. Afinal, Natan devia estar grato por tudo o que Fabinho havia feito por ele.

Quando Fabinho entrou na sala de Natan, ele estava falando ao telefone:

— Tá bom, Bárbara, eu te pego às 08:30. Ok. Beijo! — colocou o telefone no gancho.

— Hoje tem festa da Camila Lancaster, né? — perguntou Fabinho.

— Pois é. E eu já estou atrasadíssimo. — disse Natan, vestindo a jaqueta. — Tenho que trocar de roupa e ainda tenho que pegar a Bárbara.

Fabinho procurou lembrar Natan de tudo o que havia feito por ele.

— E aí? Vai rolar dela fazer o filme? — perguntou Fabinho.

— Ah, ah! Você acha que ela ia preferir fazer o filme do André? — disse Natan, pegando a bolsa.

— Eu sabia, Natan. Que bom. — disse Fabinho, sorrindo. — Fico muito feliz de ter feito a cabeça da Bárbara. Bacana ter festa hoje! Eu queria também comemorar com vocês.

Natan pendurou a bolsa no ombro.

— Fabinho, eu e a Bárbara seremos eternamente gratos a você. — disse Natan. — Continue assim. Bom menino. Até amanhã. — deu um tapinha no peito do rapaz.

Fabinho ficou chateado por não ter conseguido convite para a festa. Mais tarde, já no quarto, Fabinho ficou observando, pelo notebook, no site do Luxury, as fotos da festa da Camila Lancaster. Olhou a foto de Amora e Maurício. Ele queria ter estado lá, entre os ricos e famosos.

— Esse Natan é um babaca! Custava ter me chamado pra essa festa?

Ele olhou uma foto de Malu ao lado de Bento. Então sua irmã levara Bento para a festa? O que Bento estava fazendo lá? Ele não era tão famoso, nem rico. Fabinho concluiu que, mais uma vez, Bento conseguira o que ele não havia conseguido: entrar na festa da Camila, e ao lado de Malu. Fabinho bateu a mão na cama, furioso. No ponto de vista dele, não era para Bento estar lá. Fabinho achava impressionante como Bento estava sempre no seu caminho. Ele se perguntou por que ao invés de ir na festa da Camilinha Lancaster, Bento não foi na despedida de solteiro do Érico. Para Fabinho, o lugar de Bento era lá naquele “buraco”, não entre os ricos.

— Droga! Eu que tinha que estar nessa festa!

Olhou para a foto de Bárbara e Natan, fervendo de raiva por dentro.

— Então é assim? Na hora de se divertir, o estagiário, que juntou o casal, fica aqui? Tudo bem! Não vou sentir a menor culpa na hora de detonar vocês. Babacas!

No dia seguinte, Fabinho foi para a agência, como sempre. Pegou uma caneca de café. Resolveu tirar uma onda com a cara de Cléo e Edu:

— Não tô entendendo. — disse Fabinho, tomando um gole do café. — Trabalhar vocês não querem não, né? Só eu que trabalho aqui?

Cléo, Edu e Sílvia riram. Fabinho era o maior folgado.

— Ai, me poupa! — disse Cléo. — Você trabalha, né, Fraldinha? Só que hoje, por incrível que pareça, não tem trabalho! O chefe tá muito ocupado respondendo entrevista sobre Bárbara Ellen e o filme lá dos dois.

— Muito bom! — disse Edu, rindo.

— Olha aqui, gente, isso não tem a menor graça, não! — disse Sílvia. — O que o Natan está fazendo é muito sério. Dá licença!

— Tá com ciúmes! — disse Cléo, rindo, quando Sílvia saiu andando.

Cléo achou que Sílvia estava com ciúmes da Bárbara.

— Ih, olha lá! Atenção, galera, a Super Sílvia vai entrar em ação, hein! — caçoou Edu.

Fabinho se perguntou o que Sílvia pretendia fazer.

— Pan pan pan! — disse Cléo.

Sílvia foi para a sala de Natan, falar com ele. Estava furiosa por Natan deixar de trabalhar para ficar atendendo a telefonemas da imprensa. Natan estava mais preocupado em ser cineasta do que trabalhar nas campanhas. Pelo visto, a conversa não deu em nada, pois Sílvia saiu da sala furiosa e pensativa. Fabinho observava tudo, pois estava por perto. Ao ver Sílvia, Érico perguntou:

— Sílvia, tá tudo bem?

— Tô chocada, Érico! — disse Sílvia. — Você acredita que tem gente que é capaz de se desfazer da própria mãe?

Fabinho entendeu que Bárbara e Natan pretendiam se livrar de Madá. Certamente, estavam planejando interná-la em outro manicômio. Bárbara vivia internando Madá em um manicômio, pois via a mãe como uma pedra em seu sapato. Madá sabia demais dos podres da filha. Sempre que alguém ameaçava sua imagem, Bárbara dava um jeito de se livrar da pessoa. Podia ser a mãe ou a empregada, para ela tanto fazia. E o que era pior: ela pretendia internar Madá com os recursos da Malu, não com os próprios.

Agora Bárbara queria se livrar da mãe por estar atrapalhando sua relação com Natan. Natan dissera que não se mudaria para a mansão enquanto Madá estivesse lá. Não que Fabinho morresse de amores pela Madá. Ele não tinha nada contra Madá, mas também não tinha nada a favor. Desde que Madá não o atrapalhasse, estava tudo certo.

Contudo, Fabinho achava Bárbara pior que ele. Nem ele era assim tão ruim para pensar em se livrar da mãe. Internar a própria mãe em um manicômio era demais até para ele. Para Fabinho, esta era a maior prova do egoísmo e da falta de humanidade de Bárbara: internar a mãe para proteger sua imagem pública, seu status e conseguir casar com um homem rico. Para Fabinho, Bárbara havia cruzado uma linha moral inaceitável, não respeitando nem mesmo laços familiares em função de seus interesses. Na opinião dele, Bárbara agia por interesses fúteis, superficiais. Para ele, Bárbara havia destruído sua família por capricho e ambição, e o resultado foi o sofrimento dele, que era uma criança inocente. Agora Bárbara estava internando a própria mãe no sanatório por egoísmo e ambição. Para Fabinho, era evidente que para Bárbara dinheiro e fama estavam acima da instituição familiar. Bárbara não respeitava a família dos outros, pois não se importou em separar os pais de Maurício, e não respeitava nem a própria mãe. Bárbara não estava nem aí para a mãe, o que importava para ela era se manter na mídia, casando com um homem rico e continuar vendendo a imagem de uma pessoa boa e caridosa, que adotava crianças carentes. Ela ainda tinha a cara de pau de dizer para a mídia que amava a família.

Fabinho acreditava que era diferente de Bárbara. Ele julgava estar fazendo justiça. Estava apenas tentando recuperar o que era seu por direito: um lugar de pertencimento, o amor de uma família, o reconhecimento e sua parte na herança. Tudo o que pretendia fazer era para defender seus interesses e os de sua mãe de verdade, Irene. Ele não tinha nada contra Margot. Afinal, se tratava da mulher que o criou. Ele pretendia bancá-la, visitá-la de vez em quando. Se ele conseguisse o que era dele por direito, seria justo que ela tivesse uma vida boa, afinal, ela havia cuidado dele quando ninguém mais o quis. Mas ela tinha de ficar lá em Ribeirão Bonito, e não falar absolutamente nada para quem quer que fosse, para que ninguém ali em São Paulo descobrisse que ele era pobre, e que ele deixara a mãe adotiva pagar pelo roubo em seu lugar.

— Mas o quê que foi que aconteceu? — perguntou Érico, sem entender nada.

— Promete que você me leva junto quando você tiver sua própria agência? — disse Sílvia, estendendo as mãos e pegando-as do Érico.

Fabinho observava tudo. Então Sílvia estava pensando em deixar a agência e abrir uma outra em sociedade com o Érico!

— Que história é essa de agência, Sílvia? — perguntou Érico. — Você sabe que eu não sou da criação.

— Você é muito mais criativo e talentoso do que você pensa! — elogiou Sílvia. — E a Class Mídia está fazendo água.

— Peraí! Então, você já ficou sabendo do rombo no caixa? — perguntou Érico.

— Que rombo?! — perguntou Sílvia.

— O Kléber, do financeiro, ele me disse que alguém enxugou a conta da agência! — disse Érico.

— Como? O único que tem acesso total às contas da agência, é o Natan! Por quê que ele poria em risco a própria empresa? — perguntou Sílvia

— Sei lá! — disse Érico. — Talvez pra investir nesse filme, ou então pra não ter que dividir com a esposa, na hora do divórcio, não sei. Bom, o fato é que o dinheiro sumiu, tá? É. Eu até pensei em falar com o Natan. Mas o meu receio é falar com ele e descobrir que talvez seja ele o responsável, entendeu?

— Que loucura, Érico! — disse Sílvia, chocada. — Mas isso só confirma a minha intuição. Vai por mim, se organiza pra fazer tua própria agência porque eu vou colocar meu colete salva-vidas.

Fabinho resolveu fazer a cabeça de Natan para que ele demitisse Érico. Natan não gostava de Érico, então seria fácil. Na opinião de Fabinho, Érico merecia levar o troco, pois foi ele o responsável por sua humilhação pública. Foi Érico que trouxe Bento e Giane ali na agência.

Fabinho não sentia a menor culpa por fazer Érico ser mandado embora. Érico seria demitido de qualquer jeito. Fabinho só daria um empurrãozinho. Érico era bonzinho demais, confiava demais no ser humano, qualquer pessoa o fazia de idiota. Ele não tinha como sobreviver na agência, que era um ninho de cobras. Para sobreviver ali tinha de ser esperto, como Fabinho acreditava que ele próprio era. Sem falar que Érico estava se metendo aonde não devia. Além do mais, a agência ia afundar de qualquer maneira. Natan agora só pensava em fazer o filme e estava deixando de trabalhar nos comerciais. Fabinho não pretendia ficar na agência muito tempo. Assim que conseguisse tudo o que era dele por direito, sairia da agência, daria uma banana para aquele pessoal. Eram todos uns idiotas, na opinião de Fabinho. Era uma gente micha, puxa-saco, sem criatividade, sem o menor talento. Além disso, Fabinho acreditava que o Érico não ficaria na pior. A Sílvia pretendia montar uma outra agência em sociedade com ele. Claro que Érico ficaria chateado ao ser demitido, mas Fabinho acreditava que um dia ele entenderia e quem sabe até o agradeceria por isso.

Além disso, para Fabinho, não deixava de ser uma ótima oportunidade de se livrar do Érico. Ele não teria que ver o Érico todos os dias ali na agência. Não teria que se sentir mal toda vez que olhava para o Érico. Érico o lembrava de sua infância traumática, por isso Fabinho queria afastá-lo. Agora ele viu uma chance de afastar Érico sem peso na consciência, pois Érico teria a oportunidade de abrir outra agência e se livrar de Natan.

Fabinho foi até à sala de Natan falar com ele.

— Como é que é? — perguntou Natan.

Claro que Fabinho achou necessário distorcer um pouco a história.

— É isso que você ouviu, Natan. — disse Fabinho. — O Érico tá falando pra todo mundo que tem um rombo no caixa e a Class Mídia vai falir. Parece que foi o Kléber do financeiro que falou pra ele.

— Mas que irresponsável! — disse Natan. — E pra quem que ele falou isso?

— Pra Sílvia. — disse Fabinho. — Ah, e o Érico tá falando também que quer abrir a própria agência, e vai chamar a Sílvia e todo mundo pra trabalhar.

Natan bateu a mão na mesa, furioso.

— Mau-caráter! — disse Natan. — Eu sempre desconfiei desse jeitinho de bom moço! Agora tudo faz sentido. Faz sentido a forma como ele sempre interferiu na apresentação das campanhas. Sempre muito solícito, muito simpático, tentando cativar os clientes. — Natan fechou a mão e levou-a ao rosto.

— Natan, eu nunca falei, mas o Érico não presta. — disse Fabinho. — A verdade, é que o Érico nunca prestou! Eu cresci no lar dos pais dele, você sabe. E ele sempre quis ver o circo pegar fogo! Tanto que ele trouxe aqueles dois marginais aqui pra me bater. Você viu!

— Bem lembrado, Fabinho! — disse Natan, estalando o dedo. — Bem lembrado!

— Natan, eu só tô falando porque eu acho uma sacanagem uma pessoa querer prejudicar logo quem ajudou a vida inteira! — disse Fabinho.

— Quem sempre vive ajudando as pessoas, como nós, recebe sempre ingratidão como recompensa. — disse Natan. — Pessoas generosas e brilhantes, como nós, estão sempre cercadas de ressentidos e sanguessugas. Droga!

Natan pegou o telefone.

— Alô, Karol! Manda o Érico vir pra minha sala já! Ah, foi almoçar? Então, assim que ele voltar.

Natan desligou o telefone e disse para Fabinho:

— Eu vou dar uma lição nesse filho da mãe. E vai ser hoje mesmo!

Fabinho saiu da sala de Natan. Ficou brincando com o cubo mágico. Karol estava fuçando o site do Luxury em computador. Cléo estava atrás dela, e Edu ao lado. Fabinho estava ao lado da mesa de Karol. Edu disse:

— Vai, Karol! Clica aí! Eu apostei com a Júlia! A Amora me filmou no níver da Camila! Está aí!

Edu deu um tapa no braço de Fabinho e disse:

— Aí! Perdeu um festão, cara!

— Folgadinho, você! — disse Karol, referindo-se a Fabinho, abanando a cabeça. Dirigiu-se a Edu. — Mas olha, sem som. Senão vai pegar mal pra mim.

Karol e Edu ficaram olhando o vídeo no computador. Karol disse:

— Fabinho! Não é aquele cara que bateu em você, aquele dia?

Fabinho deu uma olhada no computador. Viu Lara entrevistando Bento e Malu, que estavam no meio de um jardim. Cléo disse:

— Nossa! Que gato, né? Garota de sorte, essa aí!

Fabinho não gostou nada de ver Bento novamente ao lado de sua irmã. E também estava de saco cheio de ver toda mulher elogiar o Bento.

— Isso não é sorte, não. Esse cara está querendo dar o golpe nela! — disse Fabinho.

— É, então, pelo visto o golpe está surtindo efeito, né? — disse Edu. — Se o cara já virou estrela da Luxury, mais esperto que você, ele está sendo.

Para Fabinho, Bento não era mais esperto do que ele. Era um otário.

— Eu vou falar pra Malu tudo o que eu sei sobre esse cara. — disse Fabinho.

— Cuidado pra não apanhar de novo, hein? — provocou Edu.

Cléo deu risada. Fabinho passou por Érico, que acabou de chegar do almoço e ouviu a conversa. Érico disse:

— Mas você não desiste, hein, Fabinho? Deixa o Bento em paz, cara!

Fabinho ficou com raiva. Érico sempre tomava partido do Bento. Fabinho bem que queria deixar Bento em paz, mas Bento sempre se metia no caminho dele.

— Érico, Érico! — Fabinho deu um tapinha no peito dele. — Que pena que você escolheu o lado errado. Falta de aviso não foi, né? — deu outro tapinha no peito de Érico, e saiu andando.