Um amor chamado Castrodevall
5 Capítulo 5 - Ela, Maria.
Notas iniciais
A caminho do estúdio, já dentro do Projac, meu coração não parava um só minuto. Maria estaria lá, e é óbvio que eu não conseguirei me expressar da mesma forma que ontem. Os corredores ainda vazios guardavam minha ansiedade eminente. De longe avistei um sobra de mulher, caminhava lentamente, parecia uma pipa avoada, era ela, Maria se dirigia ao mesmo estúdio que eu, sem que ela perceber-se, eu a admirei. Seu rosto sem maquiagem a tornava ainda mais linda. Num suspiro profundo, os olhos atentos dela me acharam, e os meus como de costume já estavam fixados nela. Ela me olhou fixamente, e abriu um leve sorriso de lado, a pinta dela no canto da boca parecia rir para mim também, impressionante que naquele momento, ela detinha minha felicidade toda naquele simples gesto.
Maria: Bom dia! – Ao apertar minhas mãos, ela piscou os olhos rapidamente, para que ninguém percebesse.
Caio: Muito bom. – Devolvi a piscada de olhos, também de forma discreta.
Os nossos cumprimentos foram breves, mas senti que aquele bom dia foi bem mais além do que parecia ser, o olhar dela não me enganou, parecia dizer: É hoje, não tem para onde correr...
Nós gravamos uma cena em que Michel e Patrícia discutem e acabam terminando, e saiu perfeita, tanto ela quanto eu estávamos totalmente entregues ao personagem. Em um momento Michel declarou seu amor por Patrícia, e muitas vezes repetiu o famoso “Eu Te Amo”, naquele momento, ainda que cedo de mais, sem dúvidas era o Caio declarando a doce Maria o seu amor que estava entalado.
Ao sair do estúdio, logo Maria me puxou pelo braço.
Maria: Caio! Podemos que conversar? – Maria parecia tão ansiosa quanto eu.
Caio: Claro que sim, mas será que podemos ir pra outro lugar? – Queria ficar a sós com ela, dizer o que sinto não é fácil, imagine diante de muitas pessoas.
Maria: Podemos, já que não temos mais que gravar vamos para minha casa, minha mãe viajou, lá estaremos mais à vontade. – Maria assim como eu, também queria dizer algo.
Caio: Tá. – Era notório o meu espanto diante do convite de Maria, ir até a casa dela, soava sério de mais pra mim.
Maria agarrou meus braços e me conduziu até o seu carro, o meu ficou no estacionamento do Projac, sentei ao lado dela, ainda calado, eu não sabia direito o que dizer, então preferi permanecer calado. Ela ligou o rádio e Mallu Magalhães estava a cantar: “Olha só moreno do cabelo enroladinho, vê se olha com carinho pro nosso amor, eu sei que é complicado amar tão devagarinho...” Essa música, sempre me lembrou Maria, e naquele momento me veio um leque de memórias, desde o dia que a conheci até aquele momento no carro.
Ela dirigia, e vez em outra me olhava e sorria, tão doce o riso daquela menina, seu corpo dançava, e meu coração palpitava bem forte, é hoje, é tudo ou nada. Meu coração é dela e ela sabe bem disso.
Chegamos até o prédio em que ela mora, eu ainda calado, e ela ainda sorrindo, desta vez eu só a olhava, caminhamos em direção ao apartamento e ela abriu a porta, foi logo jogando o salto no chão...
Maria: Ufa,! Chegamos, meus pés estão acabados. Ei, você não vai dizer nada? Está tão calado. – Como eu iria dizer algo, se eu só sabia pensar no que vou falar, como, minha língua travou.
Caio: Não, eu só estou observando você, é tão leve engraçada. – Ela ficou rosada, ao mesmo tempo em que parecia não se importar com nada, era tímida, me pergunto como pode.
Maria: Senta, aceita um suco, uma água?
Caio: Uma água, por favor. – Eu ia precisar, pois, se eu engasgar já estarei prevenido.
Sentei-me no sofá, e não pude deixar de reparar nos detalhes da decoração da casa, muitos livros espalhados, alguns quadros bem coloridos estampavam as paredes. Incrível como aquele ambiente me fazia leve, tudo relacionado a ela me fazia bem, ela me curava sem sequer notar.
Maria: Aqui está. – Maria me entregou o copo e se sentou junto a mim, ela como de costume me olhou fixamente.
Caio: Obrigada. É, eu... – Mal começamos a trocar algumas palavras, e lá estava eu gaguejando, deferente de Michel, não conseguia agarrá-la logo, beijá-la, era o que eu mais queria, mas o que eu menos conseguia.
Maria: Não diga nada. – Os dedos de Maria encostaram-se a meus lábios e calei.
Maria: Eu sinto o mesmo, ao seu lado me sinto como uma criança próxima dos pais, me sinto acuada, não que isso me faça mal, mas não sei me expressar.
Caio: Maria, eu sei que pode parecer bem louco tudo isso, a gente não se conhece direto, mas desde que meus olhos encontraram os seus, eu não sei. Algo mudou. Acho que estou apaixonado por você! Pronto falei. – Meu coração disparado, falei tão rápido que não percebi.
Maria: Caio, que alma mais linda você tem. Sabe foi exatamente isso que me encantou em você, apesar de parecer o garanhão, quando você gosta não consegue esconder, seus olhos te entregam.
Caio: Meus olhos estão me entregando agora? Eu quero beijar você! – Me aproximei de seu rosto e desta vez os nossos lábios estavam bem próximos, era a primeira vez que eu Caio iria beijar ela, Maria.
Maria: Só me promete uma coisa. Não me machuque.
Caio: Eu não poderia machucar a mim mesmo, poderia? – Meus lábios então tocaram o dela, eu senti meu corpo inteiro se arrepiar, era tão diferente, era de verdade. As minhas mãos tocavam seus cabelos lisos, e seu cheiro agora parecia mais notável do que nunca.
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