Um amor chamado Castrodevall
2 Capítulo 2 - O primeiro ensaio Patrichel
Notas iniciais
Dias depois...
Passei a noite revisando o texto, e no dia seguinte, acordei às 8:00 AM. Me arrumei e dirigi até o Projac. Antes de gravar a primeira cena, eu e Maria tínhamos que ensaiar, na hora nada poderia dar errado.
Fiquei sentado esperando por ela por alguns minutos, mulheres sempre se atrasam, ainda mais a Maria que provavelmente deve demorar horas para se arrumar. Como sou bem ansioso e detesto esperar, já não aguentava mais ficar ali, sem fazer nada. Na verdade, Maria nem demorou tanto, mas para mim parecia uma eternidade. Quando estou prestes a cochilar naquele sofá, um tanto confortável, ouço risadas contagiantes, sim só podia ser o garotinho. A Maria.
Maria: Bom dia Caio! – Disse ela com um sorriso estampado no rosto. Eu particularmente fiquei espantado, a Maria estava diferente, os óculos engraçados ainda estavam lá, no rostinho dela, mas as roupas, a maquiagem, Uau! Maria estava linda.
Caio: E ai Maria, pronta para o primeiro ensaio? – Fui direto ao ponto, estava ansioso para começar logo, queria saber realmente qual era a dela, não só como atriz, mas como pessoa também.
Maria: Prontíssima, nossa mal consegui dormir à noite, sério! Caio, quero que saiba que vou dar o melhor de mim. Esse é o primeiro trabalho importante que eu faço na TV, então quero dar o meu tudo, espero que você esteja junto nessa comigo.
Caio: Claro Maria, eu, assim como você, estou bem empolgado com o trabalho. Estamos juntos nessa. – Estamos nos entendendo é isso mesmo? Parece que sim, na verdade Maria era agradável, eu acho que julguei antes de conhecê-la, isso normalmente não faz parte de mim.
Maria: Então vamos lá, você tem o roteiro aí? Me empresta ele aqui. Vou dar uma pequena lida antes de começarmos. Pode ser? – Maria estava me empolgando, mas quando ela pediu o roteiro pra ler, eu confesso que quase falei: “você não estudou o roteiro em casa não?”.
Caio: Pode ser sim... – Disse num tom de desânimo.
Maria começou a ler e ao mesmo gesticular, fazia caretas, nossa aquela garota era meio louquinha, seria o reflexo de morar fora do país? Eu tentava conter as risadas, mais em alguns momentos simplesmente eu não aguentava. Maria parecia não se importar com as minhas risadas “discretas” ao contrário, acho que ela nem percebia de tão concentrada que estava. Eu a observava, inesperadamente ela se virou lentamente em minha direção, e respirou bem fundo dizendo:
Maria: Agora sim Caio, estou pronta. Vamos lá? – Maria falava com muita serenidade.
Caio: Sim vamos, mas antes queria saber o que você achou do personagem? – Queria saber como ela via a Patrícia, se a proposta dela seria a mesma que a minha.
Maria: Eu gostei muito. A Patrícia é ótima, eu adoro essa coisa de explorar a sexualidade, o corpo, eu lido bem com tudo isso sabe.
Caio: Mas, você sabe que algumas cenas exigirão uma parceira bem grande né? – Eu estava querendo deixar claro que as cenas seriam fortes, e que se ela ficasse de “frescurinha” ia atrapalhar.
Maria: Claro Caio, se depender de mim vai dar tudo certo.
Caio: Então vamos lá, a primeira cena já rola algo mais quente, podemos ensaiar essa parte também? – Eu quis dizer que tem que ter pegada, no ensaio iria saber até onde a Maria era capaz de explorar o seu personagem.
Maria: Claro, vamos brincar um pouco. – Maria dizia num tom bem risonho, não deixei de notar que dessa vez, como disse antes, ela estava bonita, um verdadeiro mulherão.
Eu e Maria começamos a passar o texto, a primeira cena de Michel e Patrícia acontecia num bar onde os dois se conheciam, e posteriormente rolava a primeira transa. No roteiro a cena era descrita de forma bem quente.
Caio: Então Maria, esta cena a Patrícia é quem comanda. O que você propõe? – Queria saber de que forma ela queria conduzir a cena.
Maria: Sabe Caio, acho que uma puxada de cabelo algo assim pode funcionar. – Puxada de cabelo? Isso mesmo? Oi? Sim, fiquei surpreso.
Caio: É Maria, podemos tentar. – Maria se aproximou de mim puxando meus cabelos e num tom alto ela ordenou:
Maria: Tira a roupa! Vai, Tira a roupa! – Por um instante eu esqueci que essa frase fazia parte do roteiro.
Caio: Nossa você é rapidinha em? – A Maria me jogou no sofá e se jogou em cima de mim, sem nenhum pudor, naquela hora eu estava tão desajeitado, não conseguia me concentrar direito, e quando eu achei que ela não me surpreenderia mais, ela simplesmente me beijou, quer dizer a Patrícia beijou o Michel. Parecia real, sim, eu fiquei abobalhado. A Maria me surpreendeu apenas em um ensaio, imagine na cena, na novela. Repetimos algumas vezes a cena, e cada vez que ela puxava meu cabelo, eu me arrepiava, era inevitável.
Maria: Acho que ficou bom pra um ensaio né? – Ela me olhava com um olhar de aprovação.
Caio: Sim foi melhor do que esperava. Acho que essa parceria dará muito certo. – A Maria não era ‘fresquinha” como eu pensava, ela era firme, gostei disso.
Depois desse ensaio maravilhoso, eu fiquei confiante. Maria se despediu de mim com um leve beijo no rosto.
Maria: Até amanhã Caio, agora é pra valer. – Ela piscou os olhos, a garota que esbanja sorrisos, simpatia, uma graça de menino, ops... Mulher!
Caio: Até amanhã então. – Saímos juntos até a portaria, lá tornamos a trocar beijos no rosto e cada um se dirigiu até o seu carro.
Já no carro, eu continuei a pensar nela, Maria. Ah essa mulher me surpreendeu de uma forma absurda. Ela exalava um cheiro bom, provavelmente perfume francês.
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