Um acontecimento inesperado
6 As razões de Rumple
Notas iniciais
Rumple respirou fundo antes de segurar Belle pelos ombros e olhá-la firmemente em seus olhos lacrimejantes, mas como ela não olhou para cima, ele falou:
– Belle, olhe para mim, eu preciso te contar toda a verdade. Eu tenho que te explicar o porquê de eu precisar do chapéu e ter escondido isso de você todo esse tempo. Eu sei que nada justifica o que eu fiz, mas você deve saber meus motivos mesmo que não concorde com eles. Eu não espero que você me perdoe, só quero que você me compreenda, porque eu realmente acho que o que eu fiz não tem perdão, mas como você, eu não estou arrependido... Só que se eu tivesse outra chance não faria tudo de novo, arranjaria outra maneira, porque ficar sem você e olhar seus olhos cheios de decepção quando me mandou para fora de Storybrooke foi uma das piores coisas que já me aconteceu. Eu só... – olhou para baixo, soltou o ar devagar e depois de alguns segundos olhou novamente nos olhos de Belle – preciso te contar as minhas razões.
Belle o olhou com cautela, como se estivesse lendo seu rosto, estava com medo de que ele mentisse novamente pra ela, mas, por fim, decidiu ouvir a versão dele da história, já que todos merecem o direito de se defender. Contudo, no fundo, ela já sentia que o que ela ouviria não mudaria nada, qualquer motivo que levou Rumple a fazer o que fez não justificaria ele tentar matar pessoas, por mais que ela não gostasse muito delas (Hook) e prender outras em um chapéu para roubar sua magia, uma vez que isso tudo foi para que ele adquirisse mais poder e ela havia ficado em segundo plano em sua vida.
Depois de refletir sobre tudo o que houve e o que eles conversaram até aquele momento, Belle resolveu escutá-lo, mas isso era só mais um pretexto para ficar um pouco mais com ele, já que ela havia sentido muito a sua falta.
– Tudo bem, Rumple. Eu vou escutar o que você tem pra me dizer, mas vamos para um lugar mais reservado. – Rumple prontamente concordou, já que com a maneira que a conversa foi ficando, ele acabou esquecendo que estavam na rua, em frente a sua loja, por sorte não havia ninguém lá para bisbilhotar, todos estavam no Granny’s vendo a briga de Regina e Maleficent.
Como sua magia havia retornado em Storybroke, Rumple os levou até a casa que eles compartilhavam há algumas semanas rapidamente. Ao chegarem lá, ambos sentaram-se no sofá um de frente para o outro e Rumple começou sua história.
– Eu nem sei nem o que falar primeiro, são tantas coisas.... – ficou olhando para suas mãos por um momento, de repente se encheu de coragem e esperança, respirou fundo e continuou. – Belle, depois que eu voltei de Neverland, eu voltei um novo homem, recuperei meu filho que eu havia perdido por tanto tempo e achei que estava morto. Finalmente tive minha família de volta, até ganhei um neto – deu uma pequena risada. – Eu senti tanto a sua falta quando você se tornou a Lacey, seu corpo estava presente, mas não era você. Achei que eu nunca mais iria ver esse brilho nos seus olhos, o seu sorriso que é apenas seu, Belle. Suas palavras de conforto me dizendo que tudo iria ficar bem. Sua fé em mim. Achei que havia te perdido também. Mas quando eu soube que haviam levado o Henry, por mais que eu quisesse ficar com você, eu não podia deixar o meu neto ser morto, eu devia isso ao Bae. E pensei que jamais sairia daquela ilha vivo. Entretanto, a vida me deu uma segunda chance e meu filho também. Tudo aconteceu tão rápido. Tudo que eu queria era aproveitar cada segundo ao seu lado, junto com meu filho e neto. Minha família! – Belle pôde perceber que Rumple estava se esforçando muito para não chorar e conseguia ver muita tristeza através de seu olhar. – E então, Pan conseguiu escapar e eu não tive escolha. O único meio de salvar vocês era matando meu pai e a mim. Eu iria morrer com a certeza de que fiz pelo menos algo certo. – Rumple tentou, mas não conseguiu segurar as lágrimas por muito tempo e elas escorreram por seu rosto.
– Está tudo bem, Rumple. – disse limpando as lágrimas com seus dedos. – Vou pegar um copo d’água pra você, fique aqui, eu já volto. – disse segurando sua mão. Ela levantou, foi até a cozinha e depois de alguns minutos voltou com a água para o Rumple e lhe entregou o copo. Rumple bebeu a água devagar, limpou as lágrimas e continuar a falar.
– Obrigada, Belle. Eu só queria que você soubesse que eu fiz aquilo por vocês, pela minha família. Não imaginava que alguém iria tentar me ressuscitar, preferia ter ficado morto, assim não faria mais mal a ninguém. Mas quando eu vi seu rosto, eu me lembrei porque eu queria viver, por você e por meu filho que eu não poderia deixar morrer. Eu sabia que eu não seria para sempre o fantoche daquela bruxa, uma hora eu conseguiria escapar e tentaria salvar meu filho. Só não sabia quando. Eu não queria te contar isso, foi muito humilhante.
Rumple olhou para suas mãos novamente e Belle se lembrou que nunca havia perguntado sobre isso a ele, mas como ele nunca tocou no assunto, ela achava que ele preferia assim. Agora, pensando melhor, ela percebeu que mesmo que ele não quisesse falar, ela deveria ter insistido, ele precisava desabafar com alguém. Apesar de Rumple ser um homem forte, o que ele viveu sendo prisioneiro da Zelena não deve ter sido nada fácil... Um sentimento de culpa inundou Belle antes de Rumple recomeçar a falar.
– Eu fui torturado psicologicamente por aquela mulher, ela me obrigou a fazer coisas que eu não queria. Eu havia prometido a mim mesmo em Neverland que seu eu conseguisse salvar meu filho e meu neto, eu tentaria o máximo possível me tornar um homem melhor para eles e principalmente para você. No entanto, à medida que eu começava a obedecer as ordens daquela mulher, – falou entredentes. – eu voltava a ser o Rumplestiltskin de antigamente. Eu me distanciava cada vez mais do homem que eu havia jurado me tornar.
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